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Juiz aposentado perde a mulher após 66 anos de casamento, diz que a casa ficou silenciosa demais aos 94 anos e constrói uma piscina no quintal para enchê-la novamente com vozes de crianças

Juiz aposentado perde a mulher após 66 anos de casamento, diz que a casa ficou silenciosa demais aos 94 anos e constrói uma piscina no quintal para enchê-la novamente com vozes de crianças

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Juiz aposentado perde a mulher após 66 anos de casamento, diz que a casa ficou silenciosa demais aos 94 anos e constrói uma piscina no quintal para enchê-la novamente com vozes de crianças

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 09/09/2026 às 15:43

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Juiz aposentado perde a mulher após 66 anos de casamento, diz que a casa ficou silenciosa demais aos 94 anos e constrói uma piscina no quintal para enchê-la novamente com vozes de crianças

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Viúvo aos 94 anos após quase 66 anos de casamento, juiz aposentado constrói piscina no quintal e abre espaço para crianças do bairro.

Keith Davison tinha 94 anos quando decidiu transformar o silêncio deixado pela morte de sua esposa em barulho de água, mergulhos e crianças brincando no quintal de sua casa em Morris, no estado norte-americano de Minnesota. Segundo o The Washington Post, o juiz aposentado perdeu Evelyn “Evy” Davison em abril de 2016, depois de quase 66 anos de casamento, e passou a sentir de maneira intensa o vazio da residência onde os dois haviam construído décadas de vida em comum.

No ano seguinte, em vez de simplesmente continuar convivendo com a casa silenciosa, Davison mandou construir uma piscina aquecida de aproximadamente 4,9 metros por 9,8 metros, com área profunda e trampolim, e abriu o espaço para as crianças da vizinhança.

A obra começou na primavera de 2017 e ficou pronta no início de julho; em dias ensolarados, cinco a dez crianças podiam aparecer para nadar, brincar e conversar, exatamente o tipo de movimento que havia desaparecido de sua rotina depois da morte de Evy.

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Evy morreu quatro dias antes de completar 66 anos de casamento com Keith

Evelyn Eleanor Lundgren Davison morreu em 8 de abril de 2016, aos 90 anos, em Morris. Ela e Keith haviam se casado em 12 de abril de 1950, na Prospect Park United Methodist Church, em Minneapolis. Isso significa que Evy morreu exatamente quatro dias antes de o casal completar 66 anos de casamento. A certidão biográfica publicada em seu obituário registra uma união de 65 anos e 361 dias.

Os dois haviam se conhecido em 1948, quando Evy trabalhava como técnica em audiometria nas escolas públicas de Minneapolis e Keith era estudante de Direito na Universidade de Minnesota.

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Depois do casamento, estabeleceram-se em Wheaton, também em Minnesota, onde criaram três filhos. Décadas mais tarde, mudaram-se para Morris, cidade que se tornaria o cenário da história que faria Keith conhecido muito além do sistema judiciário estadual.

Depois da morte da esposa, a casa passou a parecer grande e silenciosa demais

O peso do luto apareceu de maneira concreta nos relatos de Keith. Em entrevista à ABC News, ele descreveu a casa como extremamente silenciosa depois que Evy morreu e afirmou que ela havia sido a pessoa mais importante de sua vida durante décadas. Ao Washington Post, disse que a residência parecia especialmente vazia porque os três filhos já eram adultos e viviam suas próprias vidas.

A solidão não era abstrata. O casal tinha dividido rotinas, viagens, decisões familiares e a própria aposentadoria durante décadas. Quando Evy desapareceu dessa estrutura cotidiana, Keith passou a viver sozinho em uma casa que antes continha duas pessoas com uma história construída desde 1950.

Em outras entrevistas de 2017, ele relatou que chorava com frequência e que precisava encontrar alguma coisa capaz de modificar aquela nova realidade.

A ideia da piscina havia surgido décadas antes e nunca tinha saído do papel

A piscina não apareceu totalmente do nada. Keith e Evy já haviam discutido a possibilidade de construir uma piscina no quintal quando estavam na faixa dos 60 anos. Os dois, contudo, nunca levaram o projeto adiante. Keith contou ao Washington Post que, naquela época, chegaram a brincar com a ideia de que talvez nem vivessem tempo suficiente para justificar a obra.

Décadas depois, já viúvo e aos 94 anos, o raciocínio mudou. A vizinhança tinha várias famílias com crianças, e Keith gostava de nadar. Ele percebeu que uma piscina poderia fazer duas coisas ao mesmo tempo: criar um espaço que os jovens próximos de sua casa não tinham e devolver movimento a um ambiente que se tornara silencioso demais.

Juiz aposentado perde a mulher após 66 anos de casamento, diz que a casa ficou silenciosa demais aos 94 anos e constrói uma piscina no quintal para enchê-la novamente com vozes de crianças

Antes de iniciar a construção, ele comentou a ideia com algumas crianças da vizinhança. A reação entusiasmada foi suficiente para convencê-lo. O projeto, que anteriormente havia permanecido apenas como possibilidade na vida do casal, passou então para contratos, escavação, concreto, tubulações e uma transformação física completa do quintal.

Piscina de quase 10 metros começou a ser construída na primavera de 2017

Keith procurou uma empresa familiar que já conhecia. Segundo a ABC News, a Custom Pools havia construído uma piscina para uma residência anterior da família cerca de 40 anos antes. O contato foi retomado, o planejamento ocorreu em março de 2017 e a construção começou na primavera daquele ano.

O resultado foi uma piscina enterrada de 16 pés por 32 pés, aproximadamente 4,9 metros por 9,8 metros. A ABC News informou que a parte mais funda chegava a oito pés, cerca de 2,4 metros, e que havia um trampolim de seis pés, aproximadamente 1,8 metro. A obra levou em torno de um mês entre escavação, preparação das instalações e enchimento.

O Washington Post acrescentou que a piscina era aquecida. Em julho de 2017, ela estava pronta. Uma estrutura que ocupava apenas parte do quintal mudou completamente o fluxo da residência: em vez de tardes sem visitantes, Keith começou a ouvir crianças chegando para nadar, conversar e saltar na água.

Keith tinha três filhos, mas nenhum neto, e acabou cercado pelas crianças do bairro

Outro detalhe ampliou o contraste da história. Keith e Evy tiveram três filhos, mas, segundo as reportagens publicadas em 2017, o juiz aposentado não tinha netos. Ainda assim, ele e a esposa já mantinham uma relação próxima com as crianças que viviam ao redor da casa. A vizinha Jessica Huebner contou à ABC News que o casal tratava seus quatro filhos como netos adotivos muito antes de a piscina existir.

Quando o projeto ficou pronto, esse vínculo deixou de envolver apenas uma família. Crianças de toda a vizinhança passaram a usar o espaço. O Washington Post registrou que entre cinco e dez jovens apareciam em dias ensolarados, enquanto outras reportagens descreveram a piscina como um ponto de encontro para diferentes famílias de Morris.

A transformação era exatamente o oposto da situação que Keith havia descrito após perder Evy. Antes, o problema era o excesso de silêncio. Depois da piscina, o quintal passou a produzir ruído constante de conversas, água e mergulhos.

Ex-juiz criou uma regra simples para todas as crianças que entravam na água

Apesar de abrir o quintal para outras famílias, Keith não transformou a piscina em um espaço sem regras. Sua principal exigência era clara: nenhuma criança poderia nadar sem a presença de um dos pais ou de um avô responsável.

A regra aparecia até nas brincadeiras do próprio Davison. Em entrevista à ABC News, ele lembrou que havia sido advogado e juiz, portanto continuava acostumado a estabelecer normas. O requisito também distribuía a responsabilidade pela segurança e garantia que adultos acompanhassem os jovens durante as visitas.

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Keith frequentemente ficava sentado perto da piscina observando as crianças. Em outros momentos permanecia dentro de casa enquanto as famílias aproveitavam o espaço. Depois que todos iam embora, ele próprio podia entrar na água para nadar. A obra não era apenas decorativa: tornou-se parte efetiva de sua rotina e da rotina de seus vizinhos.

A carreira de Keith havia passado pela guerra, advocacia e 18 anos como juiz

A história ganhou repercussão principalmente por causa do luto e da piscina, mas Keith Davison já carregava uma trajetória extensa antes de chegar aos 94 anos. Ele serviu no Exército dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial e posteriormente estudou Direito na Universidade de Minnesota, formando-se em 1949.

Depois da universidade, trabalhou durante 23 anos como advogado em uma pequena cidade, atendendo clientes e desenvolvendo atuação especialmente ligada a cooperativas de serviços públicos que participavam da eletrificação de áreas rurais de Minnesota e Dakota do Norte. Posteriormente aceitou ingressar na magistratura.

A Universidade de Minnesota registrou em perfil publicado em 2025 que Davison serviu como juiz do Tribunal Distrital de Minnesota no Oitavo Distrito durante 18 anos, até alcançar a idade de aposentadoria compulsória, 70 anos, em 1993. Depois disso, passou aproximadamente duas décadas viajando com Evy, muitas vezes pilotando o próprio avião.

Oito anos depois, Keith ainda era lembrado pela piscina que construiu aos 94

A história não desapareceu depois da repercussão de 2017. Em uma reportagem publicada pela Faculdade de Direito da Universidade de Minnesota no segundo semestre de 2025, Keith aparecia aos 102 anos, ainda vivo e lembrando uma trajetória que incluía guerra, Direito, música, aviação e a piscina construída depois da morte de Evy.

A universidade destacou que, apesar de sua longa carreira como advogado e juiz, ele se tornou conhecido mundialmente justamente pelo projeto realizado no quintal. O perfil também registrou que Davison continuava ligado à música depois dos 100 anos e que familiares e amigos haviam criado um fundo de bolsas em seu nome para estudantes de Direito com participação em bandas durante a faculdade.

Esse registro posterior acrescenta uma dimensão cronológica importante ao episódio: a piscina não foi apenas uma história isolada registrada durante algumas semanas do verão de 2017. O caso permaneceu associado à biografia de Keith durante anos e chegou a ser destacado por sua própria universidade quando ele já havia ultrapassado um século de vida.

Depois de quase 66 anos ao lado de Evy, Keith trocou o silêncio pelo som de uma vizinhança inteira

Evy e Keith Davison casaram-se em 12 de abril de 1950 e permaneceram juntos até 8 de abril de 2016. Faltavam apenas quatro dias para completarem 66 anos de casamento. Depois da morte dela, Keith, então com 93 anos, passou a enfrentar uma casa que descrevia como silenciosa demais; no verão seguinte, já aos 94, decidiu alterar fisicamente o lugar onde vivia.

No espaço onde poderia haver apenas um gramado, surgiu uma piscina de quase dez metros de comprimento, com trampolim, área profunda e crianças chegando acompanhadas por pais e avós. O contraste que transformou a história em notícia não dependeu de números abstratos: quase 66 anos de casamento terminaram, uma casa ficou vazia e, pouco mais de um ano depois, aquele mesmo endereço passou a receber grupos de crianças em tardes de verão.

Em 2025, aos 102 anos, Keith continuava sendo lembrado pela Universidade de Minnesota por essa decisão tomada quando tinha 94.

Sua carreira no Direito havia durado décadas, sua união com Evy atravessara quase dois terços de um século e sua aposentadoria incluíra viagens pelo mundo. Ainda assim, uma das imagens mais duradouras de sua vida acabou sendo muito mais simples: um juiz aposentado sentado perto de uma piscina, ouvindo novamente vozes dentro de um lugar que o luto havia deixado silencioso demais.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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