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Justiça Eleitoral do Acre suspende divulgação de pesquisa da AtlasIntel após suspeitas de coleta irregular

Justiça Eleitoral do Acre suspende divulgação de pesquisa da AtlasIntel após suspeitas de coleta irregular

Imagem criada por IA

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) determinou, nesta quinta-feira (3), a suspensão imediata da divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pela empresa AtlasIntel para o Governo do Estado. A decisão, assinada pelo Desembargador Roberto Barros, atendeu a um pedido de tutela de urgência apresentado pela Coligação Trabalho da Esperança, composta pelos partidos Republicanos, PSD, Novo e Avante. A divulgação dos números estava originalmente prevista para o dia 4 de setembro.

A controvérsia central do caso envolve suspeitas de irregularidades no processo de coleta de dados do levantamento, registrado sob o número AC-01399/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a denúncia da coligação, a AtlasIntel teria iniciado a captação das respostas nos dias 27 e 28 de agosto, antes do período oficial informado no registro, que estipulava o início legal para o dia 29 de agosto. Para embasar a acusação, os representantes partidários apresentaram vídeos mostrando a plataforma da empresa já ativa e recebendo interações sobre o pleito acreano nas datas anteriores ao permitido.

Além da questão do prazo, os autores da representação apontaram divergências significativas entre o questionário efetivamente aplicado aos eleitores e o documento depositado no sistema PesqEle. Enquanto o registro oficial previa a inclusão de seis candidatos na disputa de primeiro turno e três cenários hipotéticos de segundo turno, a versão flagrada em funcionamento apresentava apenas quatro postulantes ao cargo de governador e trazia modificações em uma das simulações de segundo turno. Outro agravante documentado nos autos foi a captura de tela de uma submissão de respostas com geolocalização apontando para a cidade de Barueri, no estado de São Paulo, o que levantou dúvidas sobre a representatividade da amostra, que deveria ser estritamente restrita ao eleitorado do Acre.

Em sua manifestação prévia, apresentada para tentar evitar a suspensão, a AtlasIntel negou veementemente qualquer antecipação irregular ou uso de questionário divergente na amostra definitiva. A empresa justificou que os acessos registrados nos dias 27 e 28 de agosto trataram-se exclusivamente de um “pré-teste” da plataforma, destinado apenas a avaliar a lógica, os fluxos e as alternativas do sistema. O instituto assegurou que nenhuma das respostas obtidas nessa fase preliminar, incluindo aquelas originárias de outras unidades da federação, foi contabilizada na base estatística final. A empresa também ressaltou a segurança de sua metodologia e seu histórico de precisão em eleições nacionais e internacionais.

Ao analisar o caso em caráter liminar, o Desembargador considerou que havia dúvidas razoáveis e elementos materiais suficientes para justificar a suspensão preventiva da pesquisa. O magistrado destacou que a AtlasIntel apresentou apenas argumentações retóricas e falhou em anexar, naquele momento processual, provas técnicas que atestassem a higidez do levantamento diante dos indícios levantados pela coligação.

A decisão estipulou uma multa no valor de R$ 50 mil por ato de divulgação, republicação ou impulsionamento em caso de descumprimento da ordem. Além disso, a Justiça Eleitoral determinou que o instituto preserve integralmente todos os registros eletrônicos da coleta e apresente, no prazo de dois dias, documentos técnicos auditáveis que comprovem a regularidade da base estatística.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

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