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Kia já vendeu no Brasil um “SUVzão V8 de 7 lugares” que hoje custa na FIPE cerca de R$ 51 mil: Mohave 4.6 entrega 340 cv, 44,4 kgfm, tração 4×4, câmbio de 6 marchas e quase 4,90 metros de comprimento
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 17/09/2026 às 00:33
Atualizado em 17/09/2026 às 00:50
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Kia Mohave V8 usado tem FIPE de R$ 51 mil, 340 cv, sete lugares, câmbio automático de 6 marchas, tração 4×4 e quase 4,90 metros.
Em 2009, a Kia colocou no mercado brasileiro um dos SUVs mais incomuns de sua história por aqui. O Mohave chegou como um utilitário grande, construído sobre chassi, preparado para sete ocupantes e oferecido com motores V6 a gasolina, V6 turbodiesel e até um enorme 4.6 V8 a gasolina. Em 2010, o UOL registrava a versão de oito cilindros por R$ 149.900.
Mais de 15 anos depois, a situação mudou completamente. Em setembro de 2026, a versão Mohave EX 4.6 V8 2009 tem referência FIPE de R$ 51.092, enquanto exemplares 2009/2010 aparecem nos classificados na região de R$ 62 mil. Por esse dinheiro, o comprador encontra 340 cv, sete lugares, 4,88 metros de comprimento e uma arquitetura que praticamente desapareceu dos SUVs atuais.
Mohave V8 de 2009 tem FIPE de apenas R$ 51 mil
Em setembro de 2026, o Kia Mohave EX 4.6 V8 32V 340 cv 4×4 automático de 2009 aparece com valor FIPE de R$ 51.092. É atualmente a versão mais barata entre os três Mohave daquele ano registrados na tabela.
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O V6 3.8 de 275 cv aparece praticamente no mesmo patamar, com R$ 52.068, enquanto o 3.0 V6 turbodiesel vale R$ 68.919. O curioso é que justamente o V8, mecanicamente mais extravagante, acabou se tornando a referência mais barata da linha 2009.
O valor FIPE não significa que seja fácil encontrar um exemplar conservado por R$ 51 mil. A oferta é pequena e o mercado real mostra preços diferentes de acordo com quilometragem, conservação e histórico.
Nos classificados, V8 aparece por cerca de R$ 62 mil
Uma busca nacional da Webmotors encontrou um Mohave 4.6 V8 4×4 2009/2010 com 124 mil km anunciado por R$ 62 mil em São Paulo. Outra captura recente da mesma plataforma mostrava um exemplar semelhante por R$ 61.900.
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Na OLX, também havia um Mohave V8 2011 com 128 mil km anunciado por R$ 75.900. A diferença mostra como a idade e o ano-modelo alteram bastante o preço de um carro que já é raro por natureza.
Ainda assim, mesmo os R$ 62 mil observados nos anúncios são surpreendentes. Estamos falando de um SUV que mede quase 4,90 metros, pesa mais de duas toneladas e utiliza um motor V8 aspirado com potência superior à de muitos esportivos.
Motor 4.6 V8 entrega 340 cv
O coração dessa versão é um V8 de 4.627 cm³, com duplo comando de válvulas, 32 válvulas e sistema CVVT de variação do comando. A potência máxima declarada é de 340 cv a 6.000 rpm.
O torque chega a 44,4 kgfm a 3.500 rpm, valor bastante alto para um motor aspirado da época. Não há turbocompressor ajudando a produzir força; toda a potência vem dos oito cilindros e dos 4,6 litros de cilindrada.
Esse conjunto transforma o Mohave em uma espécie de sobrevivente de outro período da indústria. Hoje, mesmo SUVs grandes passaram a utilizar motores menores, turbo, híbridos ou sistemas elétricos para reduzir consumo e emissões.
Câmbio automático de seis marchas acompanha o V8
A versão 4.6 trabalha com transmissão automática de seis velocidades, com possibilidade de seleção sequencial.
O mesmo número de marchas também era utilizado pelo 3.0 turbodiesel, enquanto o V6 3.8 a gasolina tinha caixa automática de cinco marchas.
Para 2010, essa transmissão já representava uma configuração sofisticada para um utilitário desse porte. O objetivo era aproveitar melhor a faixa de torque do V8 e reduzir a rotação nas viagens de estrada.
A ficha da época registra sexta marcha bastante longa, com relação de 0,691. Isso ajuda a entender como a Kia tentou equilibrar força e uso rodoviário mesmo colocando 4,6 litros de cilindrada sob o capô.
Tração 4×4 reforça a proposta de utilitário grande
O material técnico da Kia registra tração 4×4 Part Time para a linha Mohave vendida naquele período. É uma configuração diferente da tração integral permanente usada por muitos crossovers atuais.
O sistema permite que o veículo trabalhe de acordo com as condições de aderência e reforça a origem mais utilitária do projeto. A própria documentação brasileira também registra controles eletrônicos de tração e estabilidade, assistência em aclives e controle de descida.
Isso coloca o Mohave em uma categoria diferente de SUVs construídos principalmente para asfalto. Ele combina tamanho familiar com uma estrutura pensada para suportar mais esforço fora do ambiente urbano.
Carroceria é montada sobre chassi separado
Um dos dados mais importantes da ficha técnica aparece na arquitetura. A Kia descrevia o Mohave como uma carroceria de aço estampado montada sobre chassi, solução conhecida como body-on-frame.
É o mesmo princípio estrutural usado tradicionalmente em picapes e grandes utilitários. Em vez de depender somente de uma carroceria monobloco, o veículo possui uma estrutura separada responsável por receber grande parte dos esforços.
Essa construção favorece aplicações mais pesadas e ajuda a explicar o peso elevado. No V8 4×4, a ficha aponta aproximadamente 2.302 kg em ordem de marcha.
São 4,88 metros de comprimento
As dimensões deixam claro que não se trata de um SUV médio. O Mohave mede 4.880 mm de comprimento, 1.915 mm de largura e até 1.810 mm de altura considerando o rack de teto.
A distância entre-eixos é de 2.895 mm, quase 2,90 metros. Esse espaço entre os eixos permitiu à Kia instalar três fileiras de bancos sem transformar a terceira fileira apenas em uma solução simbólica.
O vão livre do solo chega a 227 mm, enquanto o ângulo de ataque é de 27,3 graus e o de saída, 22,5 graus. São números coerentes com um SUV pensado para enfrentar pisos ruins e obstáculos maiores.
Sete pessoas cabem dentro do Mohave
A capacidade oficial é de sete ocupantes, distribuídos em três fileiras. É justamente essa combinação de espaço interno com mecânica V8 que torna o modelo tão incomum no mercado brasileiro de usados.
A última fileira pode ser rebatida para aumentar a área de carga. A ficha da Kia registra 350 litros de porta-malas em configuração normal e até 1.220 litros com os bancos rebatidos.
Para uma família grande, isso significa a possibilidade de alternar entre transporte de passageiros e bagagens. Quando todos os sete lugares são necessários, naturalmente sobra menos volume para malas.
Equipamentos mostram que ele nasceu como SUV caro
O Mohave não era apenas grande e potente. A lista brasileira de equipamentos incluía bancos revestidos de couro, teto solar elétrico, piloto automático, computador de bordo, câmera de ré, chave presencial e sistema de som com conexão USB e para iPod.
Também havia faróis de xenônio com lavadores e regulagem automática de altura, retrovisores elétricos rebatíveis, rodas de liga leve de 18 polegadas e acabamento interno com detalhes em madeira ou carbono.
Hoje vários desses itens parecem comuns. Em 2010, porém, ajudavam a colocar o Mohave no topo da linha Kia e explicavam por que seu preço ultrapassava amplamente o de SUVs populares.
Seis airbags e controle anticapotamento
Na segurança, o pacote era igualmente amplo para o período. A ficha de equipamentos registra seis airbags, incluindo frontais, laterais e de cortina, além de sensor de capotamento.
O SUV também recebia ABS com distribuição eletrônica de frenagem, controle de estabilidade, controle de tração, assistência de frenagem de emergência, auxílio de partida em subida e controle em descidas.
Os freios utilizam discos ventilados na dianteira e discos sólidos atrás. Os pneus da especificação original são grandes 265/60 R18, condizentes com as mais de duas toneladas do utilitário.
V8 custava R$ 149.900 em 2010
Em abril de 2010, o UOL Carros registrava três motorizações à venda no Brasil. O V6 3.8 de 275 cv custava R$ 139.900, o V8 4.6 de 340 cv era anunciado por R$ 149.900 e o V6 turbodiesel saía por R$ 169.900.
O preço mostra que o V8 não era apenas uma curiosidade técnica importada em unidade isolada. Ele fazia parte da gama brasileira e ocupava posição intermediária entre o V6 a gasolina e a versão turbodiesel.
Considerando apenas os números nominais, a diferença entre os R$ 149.900 registrados em 2010 e a FIPE de R$ 51.092 para o V8 2009 em setembro de 2026 é de R$ 98.808. Essa comparação não corrige inflação e serve apenas para mostrar a mudança de posicionamento do carro ao longo do tempo.
O Mohave V8 ficou raro até nos classificados
A raridade hoje pode ser percebida diretamente nas plataformas de usados. Em busca recente, a Webmotors mostrava apenas um anúncio nacional filtrado especificamente para o Mohave 4.6 V8 4×4, um 2009/2010.
Isso significa que quem decide procurar um V8 dificilmente terá dezenas de exemplares para comparar. Cor, quilometragem, cidade, conservação e histórico passam a depender muito mais do que estiver disponível naquele momento.
A baixa oferta também ajuda a explicar por que a FIPE pode ficar distante dos valores pedidos nos anúncios. Um modelo raro possui amostra de mercado muito menor que a de um SUV popular.
Versões mais novas já sobem para mais de R$ 70 mil
A diferença por ano-modelo é expressiva. O Mohave V8 2011 tem FIPE de R$ 71.957 em setembro de 2026, enquanto o V8 2012 aparece a R$ 73.756.
O modelo 2010 fica no meio do caminho, com FIPE de R$ 59.940. Portanto, falar simplesmente que “todo Mohave V8 custa R$ 51 mil” seria incorreto.
O valor de R$ 51.092 se refere especificamente ao ano-modelo 2009 na tabela de setembro de 2026. Em anúncios reais, exemplares 2009/2010 aparecem na faixa dos R$ 60 mil, enquanto unidades posteriores podem superar R$ 70 mil.
Tanque de 82 litros lembra que o V8 continua sendo V8
A ficha técnica registra um tanque de combustível de 82 litros. É uma capacidade grande, coerente com um SUV pesado movido por gasolina e equipado com um V8 de 4,6 litros.
O preço baixo de aquisição não altera essa realidade. Quem compra um Mohave por R$ 50 mil, R$ 60 mil ou R$ 70 mil não passa a ter os custos de operação de um hatch popular.
Pneus 265/60 R18, oito cilindros, mais de duas toneladas, transmissão automática e componentes de um importado grande continuam existindo independentemente da desvalorização sofrida pelo veículo.
Por cerca de R$ 60 mil, poucos SUVs entregam algo parecido
O principal argumento do Mohave V8 não está em afirmar que ele seja econômico ou racional. É justamente o oposto: ele oferece uma combinação que praticamente deixou de existir nessa faixa de preço.
São 340 cv, 44,4 kgfm, câmbio automático de seis marchas, sete lugares, 4,88 metros, construção sobre chassi e tração 4×4, tudo dentro de um SUV que hoje aparece anunciado pouco acima dos R$ 60 mil.
Um carro novo nessa faixa de preço simplesmente não existe no Brasil atual. Mesmo entre usados, encontrar um veículo com motor V8 e capacidade para sete pessoas por valores próximos aos de compactos antigos é uma combinação extremamente incomum.
Kia Mohave V8 virou um gigante esquecido no mercado brasileiro
Quando foi oferecido no Brasil, o Mohave representava uma fase muito diferente da Kia. A fabricante queria disputar compradores de grandes utilitários e colocou no catálogo três motores fortes, incluindo um V8 aspirado de 4,6 litros.
Em 2010, aquele motor entregava 340 cv e equipava um SUV de R$ 149.900. Em setembro de 2026, a versão 2009 registra FIPE de R$ 51.092, enquanto um 2009/2010 aparece nos classificados na região dos R$ 62 mil.
É exatamente isso que transforma o Kia Mohave 4.6 V8 em uma das pautas mais curiosas do mercado brasileiro de usados: um SUV familiar gigante, com mecânica que hoje seria impensável em grande parte da indústria, escondido em uma faixa de preço que dificilmente denuncia os 340 cv guardados sob o capô.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

