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Macaca ameaçada passou anos com problema misterioso no pé, chegou à cirurgia sob risco de amputação e meses depois deu à luz uma filhote importante para espécie com menos de 2 mil na natureza

Macaca ameaçada passou anos com problema misterioso no pé, chegou à cirurgia sob risco de amputação e meses depois deu à luz uma filhote importante para espécie com menos de 2 mil na natureza

8 min de leitura

Macaca ameaçada passou anos com problema misterioso no pé, chegou à cirurgia sob risco de amputação e meses depois deu à luz uma filhote importante para espécie com menos de 2 mil na natureza

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 09/09/2026 às 17:30

Atualizado em 09/09/2026 às 17:31

Curiosidades

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Masaya, uma macaca-rolo de 15 anos, sofria havia anos com um problema misterioso no pé. Veterinários conseguiram preservar todos os dedos menos um e recuperação permitiu que ela continuasse carregando normalmente a filha Lagertha, importante para uma espécie com menos de 2 mil indivíduos estimados na natureza

Uma macaca de uma das espécies de primatas mais ameaçadas do planeta chegou perto de perder completamente o pé depois que uma massa do tamanho aproximado de uma bola de golfe cresceu no membro. Entretanto, veterinários decidiram tentar uma cirurgia que, segundo a equipe, não possuía precedente conhecido em macacos-rolo. O procedimento funcionou, preservou o pé e todos os dedos menos um. Meses depois, Masaya, de 15 anos, protagonizou uma segunda notícia importante: deu à luz uma pequena fêmea chamada Lagertha. A história foi publicada pelo ScienceDaily em 7 de setembro de 2026, a partir de material da University of Liverpool.

Há, porém, um detalhe cronológico importante: o nascimento não ocorreu agora em setembro. O Chester Zoo havia divulgado originalmente a história em 18 de março de 2026, enquanto o ScienceDaily republicou o material em setembro. Masaya vive no zoológico britânico desde 2023 e pertence à espécie Cercopithecus roloway, classificada como criticamente ameaçada. Segundo o zoológico e a universidade, menos de 2 mil desses macacos permanecem na natureza, concentrados em Ghana e Costa do Marfim.

Além disso, salvar o pé ganhou uma importância que os médicos ainda não podiam medir quando fizeram a cirurgia. Depois do nascimento, os tratadores observaram Masaya ativa, confortável e usando normalmente o membro para se locomover e cuidar da filhote. Caso a amputação tivesse sido inevitável, a equipe admite que existiriam dúvidas sobre sua capacidade de segurar a cria e manter comportamentos naturais.

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O problema começou anos antes: exames não conseguiam explicar por que o pé continuava inchando

Masaya chegou ao Chester Zoo em 2023, mas problemas recorrentes no pé começaram a preocupar os veterinários. Inicialmente, a equipe realizou radiografias, ultrassonografias e biópsias, tentando descobrir a origem do problema. Ainda assim, os exames não produziram uma resposta definitiva.

Com o tempo, os profissionais passaram a suspeitar de um abscesso persistente, possivelmente relacionado a uma antiga lesão provocada por um espinho. Entretanto, em 2025, o inchaço piorou e a situação deixou de permitir apenas acompanhamento. Por isso, o zoológico decidiu transportar a macaca até Liverpool para realizar uma tomografia computadorizada mais detalhada.

Imagem Ilustrativa

A logística, por si só, já era incomum. Como Masaya não era uma paciente convencional, os veterinários precisaram preparar equipamentos de anestesia, medicamentos, cobertores e tudo o que poderia ser necessário durante o transporte e os exames.

Depois da tomografia, a equipe concluiu que precisava operar.

Naquele momento, porém, existia uma possibilidade muito mais radical: se não fosse possível preservar o membro, a amputação poderia se tornar necessária.

Cirurgiões enfrentam massa do tamanho de uma bola de golfe e tentam salvar o máximo possível do pé

A operação reuniu veterinários do Chester Zoo e cirurgiões do Small Animal Teaching Hospital da University of Liverpool. O objetivo era remover a massa e, ao mesmo tempo, preservar o máximo possível da anatomia do pé.

Além disso, havia uma dificuldade adicional: segundo a equipe, os profissionais não encontraram exemplos anteriores do mesmo procedimento realizado em um macaco-rolo. Isso não significa que a cirurgia fosse inédita em toda a medicina veterinária, mas indica que os médicos não dispunham de um caso equivalente documentado para aquela espécie específica.

Ainda assim, o procedimento atingiu o principal objetivo. Masaya perdeu somente um dedo e manteve o restante do pé.

Posteriormente, a veterinária Rachel Burrow, da University of Liverpool, explicou que aquela havia sido a última oportunidade de preservar o pé antes de uma possível amputação. Após a recuperação, Masaya voltou a usar bem o membro, permaneceu ativa e demonstrou conforto.

A história também chama atenção porque primatas continuam revelando comportamentos e capacidades surpreendentes quando pesquisadores conseguem observá-los individualmente. Recentemente, por exemplo, outro estudo mostrou macacos selvagens aprendendo a interagir com uma máquina equipada com inteligência artificial, reforçando como diferenças individuais podem importar tanto quanto as características gerais de uma espécie.

Então veio Lagertha: meses depois da cirurgia, Masaya aparece carregando uma nova filhote

A recuperação já seria considerada um sucesso clínico. Porém, meses depois, ganhou uma dimensão inesperada.

Masaya deu à luz Lagertha, sua terceira filha. A pequena recebeu um nome inspirado em uma rainha viking e, nas primeiras semanas, já demonstrava curiosidade pelo recinto e pelos tratadores, segundo a equipe do Chester Zoo.

Nesse momento, preservar o pé passou a ter um significado ainda maior. Macacos-rolo vivem naturalmente nas copas das árvores e dependem intensamente dos membros para se locomover, equilibrar, buscar alimento e manter contato físico com seus filhotes. O Chester Zoo descreve a espécie como arborícola, social e adaptada às florestas úmidas da África Ocidental.

Por isso, os tratadores destacaram que uma amputação teria criado dúvidas importantes. Masaya conseguiria carregar Lagertha normalmente? Conseguiria se locomover pelo recinto segurando a filha? Manteria seus comportamentos habituais?

Felizmente, essas perguntas não precisaram ser respondidas na prática. A recuperação permitiu que a mãe continuasse usando o membro, enquanto os especialistas a descreveram como uma mãe experiente que cuidava muito bem da recém-nascida.

É justamente esse encontro entre medicina veterinária e conservação que torna o caso diferente de uma simples cirurgia. Em uma espécie abundante, salvar um indivíduo já possui valor de bem-estar. Entretanto, em uma espécie com pouquíssimas fêmeas reprodutivas mantidas em zoológicos europeus, preservar a saúde de uma mãe pode ter consequências para todo o programa de conservação.

Menos de 2 mil permaneceriam na natureza, enquanto destruição da floresta e caça pressionam uma das espécies de macacos mais ameaçadas

O macaco-rolo possui uma aparência marcante: pelagem escura, regiões brancas no peito e rosto e, principalmente nos machos, uma longa barba branca. Os adultos medem aproximadamente 40 a 55 centímetros e pesam entre 4 e 7 quilos, segundo o Chester Zoo.

Entretanto, o dado realmente preocupante aparece longe dos zoológicos.

A espécie ocupa florestas da Costa do Marfim e de Ghana, na África Ocidental, e está classificada como criticamente ameaçada. Segundo as informações divulgadas pelo Chester Zoo e reproduzidas pela University of Liverpool, menos de 2 mil indivíduos permanecem na natureza.

Além disso, duas pressões aparecem como especialmente graves: perda de habitat e caça ilegal. A derrubada das florestas para extração de madeira e produção agrícola destrói áreas utilizadas pelos grupos, enquanto a caça reduz ainda mais populações já pequenas.

Curiosamente, até a comunicação desses primatas pode aumentar sua vulnerabilidade. O Chester Zoo explica que eles utilizam diferentes vocalizações — incluindo sons semelhantes a grunhidos, coaxos e chamados altos — para se comunicar enquanto procuram alimento. Entretanto, machos muito barulhentos também podem facilitar sua localização por caçadores.

Situações assim mostram como animais ameaçados podem enfrentar pressões muito diferentes mesmo quando conseguem sobreviver em ambientes aparentemente favoráveis: alterações humanas no ambiente podem mudar rapidamente as condições que determinam quais populações conseguem persistir.

Masaya não é importante apenas como mãe: existem poucas fêmeas reprodutivas da espécie em zoológicos europeus

Lagertha representa a terceira filha de Masaya, e isso aumenta o peso do caso dentro do programa europeu de reprodução da espécie.

O Chester Zoo afirma ser um de apenas dois locais no Reino Unido que mantêm macacos-rolo. Além disso, existem poucas fêmeas reprodutivas da espécie nos zoológicos europeus.

Por isso, Masaya participa do European Endangered Species Programme, iniciativa coordenada para manter populações geneticamente viáveis de espécies ameaçadas sob cuidados humanos.

Esses programas não significam que cada filhote nascido será posteriormente solto na natureza. Lagertha não foi anunciada para reintrodução, e seria incorreto afirmar que seu nascimento sozinho “salvou a espécie da extinção”.

O significado é diferente. Quando uma população selvagem se torna extremamente pequena, manter uma população geneticamente administrada sob cuidados humanos pode funcionar como uma camada adicional de conservação, enquanto projetos de campo tentam proteger habitat e animais que permanecem livres.

Além disso, cada nascimento amplia uma população cativa que já possui poucos indivíduos reprodutivos. Assim, a recuperação de Masaya acabou contribuindo indiretamente para algo que os médicos não estavam tentando produzir na mesa de cirurgia: mais uma fêmea de uma espécie criticamente ameaçada.

Essa fragilidade ajuda a explicar por que histórias sobre espécies, adaptação e sobrevivência animal despertam tanto interesse: às vezes, características impressionantes garantem sobrevivência durante milhões de anos, mas não protegem uma população contra mudanças ambientais rápidas provocadas por seres humanos.

Salvar um único dedo parece pequeno; para uma mãe que precisa carregar o filhote nas árvores, preservar o pé inteiro mudou a história

O caso de Masaya começou com um problema aparentemente localizado: um pé persistentemente inchado. Depois vieram exames que não conseguiam esclarecer completamente a causa, uma massa que aumentou, uma viagem até Liverpool e uma decisão difícil.

A amputação estava no horizonte.

Porém, os veterinários escolheram tentar preservar o membro. A cirurgia retirou a massa e sacrificou apenas um dos dedos, enquanto o restante do pé continuou funcional. Meses depois, a macaca estava ativa, usando normalmente o membro e carregando Lagertha.

Dessa forma, o resultado médico acabou encontrando a conservação de maneira bastante concreta. A equipe não apenas evitou uma amputação: preservou uma capacidade física importante para uma fêmea reprodutiva de uma espécie que enfrenta risco crítico de extinção.

Hoje, Masaya e Lagertha vivem ao lado de outros quatro macacos no Chester Zoo. A filhote ainda representa apenas um indivíduo diante de uma crise que envolve destruição de florestas, caça e populações selvagens extremamente reduzidas.

Ainda assim, sua existência muda o final de uma história que, meses antes, poderia ter seguido por outro caminho: uma macaca de 15 anos chegou à cirurgia correndo o risco de perder o pé e saiu dela capaz de continuar se locomovendo, reproduzir e carregar nos braços uma nova geração de sua espécie.

E você: o que mais chama atenção nessa história — médicos conseguirem preservar o pé em uma cirurgia sem caso equivalente encontrado para a espécie ou o fato de uma única fêmea e sua nova filhote terem tanta importância quando restam menos de 2 mil desses macacos na natureza?

Fonte

ScienceDaily


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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