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Mãe é demitida da Amazon após quase 6 anos, abandona busca imediata por outro emprego e transforma projeto de 3 horas semanais em negócio de viagens de bem-estar na China

Mãe é demitida da Amazon após quase 6 anos, abandona busca imediata por outro emprego e transforma projeto de 3 horas semanais em negócio de viagens de bem-estar na China

9 min de leitura

Mãe é demitida da Amazon após quase 6 anos, abandona busca imediata por outro emprego e transforma projeto de 3 horas semanais em negócio de viagens de bem-estar na China

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 13/09/2026 às 07:33

Atualizado em 13/09/2026 às 07:34

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Rania Zheng conciliava carreira na Amazon, marido e filhos quando começou a explorar medicina tradicional chinesa, rituais de chá e Qigong para tentar desacelerar. Em 2025, criou paralelamente a Puyu Retreat. Um mês depois de receber a notícia da demissão, realizou a primeira viagem e decidiu dedicar um ano para descobrir se conseguiria transformar a ideia em empresa.

Quando Rania Zheng, de 34 anos, soube em outubro de 2025 que perderia o emprego na Amazon depois de quase seis anos na companhia, duas alternativas apareceram imediatamente. Ela poderia procurar outra vaga em tecnologia ou dedicar mais tempo a um pequeno projeto que ocupava apenas duas a três horas por semana.

Rania escolheu a segunda opção.

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Paulo Nogueira

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A ex-gerente sênior de produtos transformou a demissão no impulso que faltava para trabalhar integralmente na Puyu Retreat, negócio de viagens de bem-estar que havia criado meses antes com uma sócia na China. A empresa organiza experiências de aproximadamente cinco a sete dias, combinando turismo com práticas como chá, medicina tradicional chinesa e atividades de atenção plena.

A empresa já realizou algumas viagens e começou a gerar receita. Entretanto, existe um detalhe importante: a Puyu Retreat ainda não é lucrativa e Rania não retira salário do negócio. Todo o dinheiro permanece sendo reinvestido na operação.

Ela entrou na Amazon em 2020 e mudou de carreira dentro da própria empresa

Rania ingressou na Amazon em 2020, pouco antes do início da pandemia, trabalhando como engenheira de business intelligence.

Imagem: Reprodução Business Insider.

Cerca de um ano depois, recebeu uma promoção. Paralelamente, começou a estudar gestão de produtos na University of Washington e deixou claro aos gestores que desejava explorar essa área.

A empresa apoiou a transição e, em 2022, Rania passou a trabalhar como gerente sênior de produtos. Segundo seu relato ao Business Insider, sua experiência na Amazon foi positiva e permitiu que continuasse experimentando diferentes caminhos profissionais.

Por outro lado, existia um problema fora das entregas corporativas.

Rania precisava conciliar uma carreira competitiva com marido, filhos e aquilo que descreveu como a carga mental invisível da rotina familiar.

As pessoas diziam que ela precisava relaxar.

Ela concordava, mas não sabia exatamente como fazer isso.

Tentativa de relaxar acabou criando a ideia para uma empresa

A busca por equilíbrio levou Rania a experimentar práticas de bem-estar holístico.

Entre elas estavam medicina tradicional chinesa, práticas relacionadas ao chá e Qigong. A experiência despertou interesse suficiente para que começasse a pensar em como apresentar essas tradições a outras pessoas.

Assim nasceu a Puyu Retreat.

Rania criou a empresa com uma sócia baseada na China. A proposta não era oferecer apenas pacotes turísticos convencionais, mas pequenas viagens organizadas em torno de temas específicos de bem-estar e cultura chinesa.

Uma experiência, por exemplo, combina chá e medicina tradicional chinesa. Outra enfatiza práticas de atenção plena e criatividade.

No começo, porém, aquilo ainda estava longe de substituir o salário da Amazon.

Negócio consumia apenas duas a três horas por semana

Enquanto continuava empregada, Rania tratava a empresa como um teste.

Ela dedicava aproximadamente duas a três horas semanais ao projeto, principalmente criando conteúdo para redes sociais sobre destinos, cultura e as experiências que pretendia vender.

A estratégia permitia validar a ideia sem abandonar imediatamente a estabilidade profissional.

Esse modelo de transição gradual também apareceu recentemente no CPG. O portal mostrou como um vice-presidente de marketing começou a vender viagens como atividade paralela, alcançou US$ 1 milhão em reservas em seis meses e só depois deixou uma carreira de 15 anos.

No caso de Rania, entretanto, não foi uma decisão voluntária de saída que acelerou a mudança.

Foi a demissão.

Amazon comunicou a demissão em outubro de 2025

Em outubro de 2025, Rania soube que fazia parte de uma rodada de desligamentos da Amazon.

Ela afirma que ficou surpresa, mas não interpretou a decisão como algo relacionado ao próprio desempenho. Cortes já haviam se tornado frequentes no setor de tecnologia, e pessoas próximas também tinham sido afetadas.

Seu desligamento oficial só entraria em vigor em janeiro.

Portanto, Rania ganhou alguns meses para decidir o que faria depois.

No CPG, outra trajetória mostra uma reação completamente diferente ao mesmo tipo de evento. A engenheira Iren Azra Zou também foi demitida da Amazon em outubro de 2025, mas conseguiu uma nova colocação apenas duas semanas depois.

Rania decidiu não seguir imediatamente esse caminho.

Em vez de concentrar esforços em currículos e entrevistas, aumentou o tempo dedicado à empresa que já havia começado a construir.

Primeira viagem aconteceu apenas um mês depois da notícia da demissão

O momento acabou coincidindo com uma etapa decisiva da Puyu Retreat.

A empresa realizou seu primeiro retiro em novembro de 2025, apenas um mês depois de Rania receber a notícia de que perderia o emprego.

Depois disso, outras viagens foram realizadas.

A empresa passou a gerar receita e, segundo Rania, cresce gradualmente. Além disso, sua conta no Instagram ultrapassou 20 mil seguidores no período relatado ao Business Insider.

A estrutura também começou a se dividir geograficamente.

Enquanto Rania trabalha no desenvolvimento do negócio, sua cofundadora e outro integrante da equipe lideram as operações locais na China.

O próximo objetivo é ampliar a presença no mercado dos Estados Unidos.

Viagens duram aproximadamente cinco a sete dias

A empresa trabalha principalmente com pequenos grupos.

As experiências duram aproximadamente cinco a sete dias e mudam conforme a região visitada. Em vez de montar um único roteiro replicado em qualquer destino, a proposta utiliza elementos culturais e práticas associadas a cada local.

Uma das viagens utiliza chá e medicina tradicional chinesa como eixos.

A própria Rania explicou posteriormente que a empresa começou com uma experiência de seis dias em Wuyishan, centrada justamente nesses elementos. Em 2026, ela descreveu formatos que também incluem experiências curtas em cidades e jornadas mais longas acompanhadas por pessoas ligadas a tradições locais.

A combinação coloca a empresa em uma interseção entre turismo de experiência e bem-estar.

Porém, crescimento de audiência e realização de viagens ainda não significam que o modelo tenha atingido sustentabilidade financeira.

Empresa gera receita, mas ainda não dá lucro

Esse é um dos pontos mais importantes da história.

Rania afirma que a empresa já possui receita, mas ainda não é lucrativa. Além disso, ela não está retirando salário da operação.

Todo o dinheiro volta para as próprias viagens.

Os grupos são pequenos e os roteiros exigem curadoria individual, o que aumenta o tempo e os recursos necessários para organizar cada experiência.

Portanto, seria incorreto transformar a história em algo como “mulher perde emprego na Amazon e fica rica vendendo viagens”.

Isso não aconteceu.

A transformação está em outro ponto: uma atividade que ocupava poucas horas semanais passou a ser sua principal aposta profissional depois da demissão.

Marido continua trabalhando e família possui uma reserva financeira

Rania também deixa claro que conseguiu assumir esse risco porque possuía uma estrutura financeira que nem todo trabalhador demitido tem.

Seu marido continua empregado, a família possui economias e, segundo ela, os gastos domésticos estão relativamente controlados.

Essa reserva permite financiar o período em que a empresa ainda não gera salário para a fundadora.

Por isso, a trajetória não deve ser apresentada como uma fórmula universal para quem perde o emprego.

Rania estabeleceu inclusive um limite.

Ela decidiu dar aproximadamente um ano após a demissão para avaliar se a Puyu Retreat continuaria mostrando potencial. Caso isso não acontecesse, poderia considerar uma volta ao mercado de trabalho.

Ela ainda não descartou voltar ao mercado de tecnologia

Apesar de trabalhar integralmente no empreendimento, Rania não fechou definitivamente a porta para uma nova carreira corporativa.

Ela afirma que não está procurando emprego ativamente, mas continua observando o mercado. Se aparecer uma oportunidade alinhada às suas principais habilidades, poderia considerar uma entrevista.

Entre essas habilidades estão criatividade, análise de negócios e capacidade de transformar dados em decisões.

Na prática, parte do conhecimento adquirido na Amazon continua sendo utilizado na empresa.

Rania trabalhou com business intelligence, análise de produtos e gestão de produtos. Agora, aplica essas competências para testar demanda, definir prioridades e desenvolver a operação.

Demissão acelerou algo que ela já havia começado

Esse detalhe diferencia a história de muitas narrativas de empreendedorismo após uma demissão.

Rania não perdeu o emprego e, no dia seguinte, inventou uma empresa.

A Puyu Retreat já existia.

Ela havia começado a validar o conceito, publicava conteúdo e dedicava algumas horas semanais ao projeto. A demissão eliminou uma das principais restrições: falta de tempo.

Uma estratégia parecida apareceu recentemente em outra história publicada pelo CPG. Um gerente da Yelp passou meses desenvolvendo uma marca paralelamente ao emprego, ultrapassou US$ 125 mil em transações em 12 meses e somente depois passou a trabalhar integralmente no negócio.

Nos dois casos, a atividade paralela funcionou como laboratório antes da transição.

A diferença é que Rania ainda precisa provar que sua empresa conseguirá atingir lucratividade.

Turismo também permite modelos de negócio operados de casa

O setor escolhido por Rania possui ainda uma característica que favorece pequenos empreendedores: parte significativa da organização pode ocorrer digitalmente.

No Brasil, o CPG mostrou recentemente que há franquias home office de turismo entre modelos de negócios que podem ser administrados sem uma loja convencional, com opções divulgadas a partir de R$ 12 mil.

Isso não significa que esses modelos sejam equivalentes à Puyu Retreat. A empresa de Rania trabalha com curadoria própria, pequenos grupos e operação local na China.

Ainda assim, ambos mostram como a comercialização de viagens pode ser organizada sem a estrutura física tradicional de uma grande agência.

O negócio nasceu justamente da dificuldade de desacelerar

Existe uma ironia na transformação profissional de Rania.

Ela começou a estudar práticas de bem-estar porque não conseguia relaxar.

Agora, administrar uma empresa dedicada justamente ao bem-estar também produz estresse.

A diferença, segundo ela, está na relação com o trabalho.

Rania afirma que construir algo no qual realmente acredita modifica a maneira como percebe essa pressão. Além disso, trabalhar com bem-estar a incentiva a continuar praticando aquilo que oferece aos clientes.

Ao longo do processo, aprofundou seu contato com medicina tradicional chinesa e outras práticas holísticas.

Assim, algo que inicialmente servia para lidar com sua própria rotina acabou se tornando a proposta central da empresa.

De três horas semanais para uma aposta profissional em tempo integral

A sequência ajuda a explicar por que a história possui potencial editorial.

Rania entrou na Amazon em 2020, avançou de business intelligence para gestão de produtos e construiu uma carreira que considerava positiva.

Ao mesmo tempo, a dificuldade de equilibrar trabalho e família levou à busca por práticas de relaxamento.

Essa experiência originou um negócio paralelo.

No início, eram apenas duas a três horas por semana. Depois veio a demissão em outubro de 2025. Em novembro, a Puyu Retreat realizou seu primeiro retiro. Finalmente, Rania decidiu transformar o teste em uma aposta profissional de tempo integral.

A empresa já realizou viagens, gera receita e conquistou uma audiência superior a 20 mil seguidores no Instagram no período relatado.

Contudo, a etapa decisiva ainda está acontecendo.

Rania não recebe salário da empresa e o negócio ainda não chegou ao lucro.

Por isso, sua história não termina com uma fórmula pronta de sucesso. Ela está justamente no momento em que uma atividade paralela precisa provar que consegue se transformar em uma empresa sustentável.

E você, se fosse demitido depois de quase seis anos em uma grande empresa e já tivesse uma atividade paralela começando a crescer, procuraria imediatamente outro emprego ou usaria a reserva financeira para tentar transformá-la em seu negócio principal?

Fonte

Business Insider


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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