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Mãe precisa trabalhar, não encontra creche para deixar a filha, pede mais seis meses de licença para cuidar dela, mas empresa nega alegando sobrecarga e custo de até A$ 202 mil
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 03/09/2026 às 10:48
Atualizado em 03/09/2026 às 10:49
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Uma mãe pediu mais seis meses de licença por não conseguir creche durante toda a semana para a filha, mas a Fair Work Commission rejeitou a extensão completa.
Uma mãe que não conseguiu encontrar creche durante toda a semana para a filha tentou permanecer mais seis meses afastada do trabalho, mas teve o pedido recusado pela empresa. Jessica Donnelly, especialista em análise de dados da mineradora Whitehaven Coal, na Austrália, levou o impasse à Fair Work Commission depois de pedir que seu retorno, previsto para agosto de 2026, fosse adiado até fevereiro de 2027.
A decisão acabou envolvendo muito mais do que a disponibilidade de uma vaga para a criança. A comissão precisou analisar como os períodos de licença remunerada e não remunerada deveriam ser contabilizados e se os argumentos apresentados pela companhia eram suficientes para exigir o retorno da funcionária.
Comissão decidiu que os períodos de licença correram simultaneamente
A principal tese de Donnelly estava relacionada à legislação australiana, que prevê até 12 meses de licença parental não remunerada. Paralelamente, a Whitehaven oferecia à funcionária 26 semanas de afastamento remunerado.
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A mãe defendia que esses seis meses pagos pela empresa deveriam ser contabilizados separadamente. Dessa forma, o período legal não remunerado começaria apenas depois do benefício empresarial, deixando ainda seis meses disponíveis quando ela solicitou a nova extensão.
A comissária Paula Spencer não aceitou essa interpretação. A decisão considerou que as duas modalidades de afastamento transcorreram simultaneamente e, portanto, as 26 semanas remuneradas não acrescentavam outros seis meses ao prazo de licença parental.
Falta de creche motivou pedido para permanecer em casa
Donnelly começou o afastamento em agosto de 2025 e tinha retorno previsto para 3 de agosto de 2026. Em fevereiro, porém, comunicou à empresa que ainda não havia conseguido uma estrutura de cuidados que cobrisse todos os dias úteis.
A funcionária relatou ter procurado diferentes creches e colocado a filha em listas de espera antes mesmo do nascimento. Apesar da antecedência, conseguiu atendimento somente durante três dias por semana.
Uma quarta diária estava prevista para ficar disponível quando a criança completasse um ano, em 9 de setembro de 2026. Diante da dificuldade para cobrir o restante da semana, a mãe pediu mais seis meses de licença sem remuneração.
Mineradora alegou que equipe passou a atender quatro novas minas
A Whitehaven apresentou à comissão um cenário diferente daquele existente quando Donnelly iniciou sua licença. Segundo a empresa, a equipe de análise de dados havia recebido novas atribuições e passado a dar suporte a operações de quatro novas minas em Nova Gales do Sul.
Com a expansão, o volume de trabalho teria praticamente triplicado. Os demais integrantes da equipe estariam cumprindo jornadas de 10 a 12 horas em determinados dias e trabalhando também em alguns fins de semana.
A companhia usou essa sobrecarga para argumentar que precisava do retorno da funcionária. Para a mineradora, prolongar a ausência da mãe por outros seis meses aumentaria uma dificuldade operacional que já afetava os colegas.
Conhecimento de software dificultaria contratação temporária
Outro argumento estava ligado à especialização de Donnelly. A profissional possui conhecimento específico do software de mineração Corvus, o que, de acordo com a Whitehaven, tornaria mais difícil encontrar alguém capaz de assumir imediatamente as mesmas tarefas.
A empresa estimou que contratar um profissional temporário por seis meses custaria entre A$ 182,5 mil e A$ 202 mil, sem considerar os impostos adicionais. O substituto também precisaria passar por pelo menos 12 semanas de treinamento antes de exercer a função de maneira efetiva.
Donnelly contestou essa justificativa. Para ela, uma companhia do porte da Whitehaven teria condições de organizar uma substituição temporária, especialmente diante de uma necessidade familiar relacionada aos cuidados com a filha.
Salário anual da funcionária chega a A$ 187 mil
A especialista recebe aproximadamente A$ 187 mil por ano, valor apresentado como equivalente a cerca de R$ 695 mil. A remuneração elevada, contudo, não eliminou o problema enfrentado pela família para encontrar atendimento infantil durante toda a semana.
A mãe também afirmou que a empresa demonstrou pouca abertura diante das dificuldades apresentadas. Sua intenção era permanecer afastada sem remuneração até fevereiro de 2027, período que permitiria reorganizar os cuidados com a criança.
A Fair Work Commission considerou, porém, que a mineradora demonstrou motivos empresariais razoáveis para negar a extensão completa. A carga adicional sobre a equipe, a especialização da função e a dificuldade para contratar um substituto pesaram na análise.
Mãe recebeu apenas algumas semanas adicionais
Apesar de rejeitar os seis meses solicitados, a comissão não determinou que Donnelly retornasse imediatamente na data inicialmente prevista. A situação da creche e a proximidade de uma nova vaga foram consideradas para conceder uma extensão menor.
A comissão autorizou a funcionária a permanecer afastada até 11 de setembro de 2026 e fixou o retorno ao trabalho para 14 de setembro. A data ficou poucos dias depois de a filha completar um ano e do momento em que estava prevista a ampliação do atendimento na creche para quatro dias por semana.
O intervalo adicional também deu à empresa alguns dias para organizar a reintegração da especialista. Dessa maneira, a decisão buscou conciliar a dificuldade familiar apresentada pela mãe com a necessidade operacional alegada pela mineradora.
Caso expõe conflito entre licença parental e retorno ao trabalho
A disputa mostra como o fim de uma licença parental pode se tornar complexo quando o calendário profissional não coincide com a disponibilidade de cuidados infantis. Donnelly havia procurado alternativas com antecedência, mas ainda enfrentava uma lacuna quando chegou o momento de voltar ao emprego.
Ao mesmo tempo, a Whitehaven demonstrou que a ausência prolongada teria impacto sobre uma equipe que assumiu novas responsabilidades. A comissão concluiu que essas circunstâncias davam à empresa fundamentos para rejeitar os seis meses adicionais.
Para a mãe, o resultado ficou distante do afastamento solicitado, mas evitou um retorno no início de agosto. Com a extensão concedida até setembro, Donnelly ganhou algumas semanas adicionais para se aproximar do período em que a filha teria quatro dias de creche por semana — solução parcial para o problema que levou a disputa até a Fair Work Commission.
Fonte
Diário do Litoral
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

