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Mais de 1.500 operações em quase mil ilhas enfrentaram ratos, cabras e gatos invasores por um século e revelaram um resultado surpreendente: quase 90% deram certo, permitindo o renascimento de espécies que caminhavam para desaparecer do planeta

Mais de 1.500 operações em quase mil ilhas enfrentaram ratos, cabras e gatos invasores por um século e revelaram um resultado surpreendente: quase 90% deram certo, permitindo o renascimento de espécies que caminhavam para desaparecer do planeta

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Mais de 1.500 operações em quase mil ilhas enfrentaram ratos, cabras e gatos invasores por um século e revelaram um resultado surpreendente: quase 90% deram certo, permitindo o renascimento de espécies que caminhavam para desaparecer do planeta

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 02/09/2026 às 17:51

Atualizado em 02/09/2026 às 17:52

Ciência e Tecnologia

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Mais de 1.500 operações em quase mil ilhas enfrentaram ratos, cabras e gatos invasores por um século

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Estudo com mais de 100 anos de dados mostra que a erradicação de vertebrados invasores em ilhas teve 88% de sucesso e acelera a restauração de ecossistemas.

Segundo estudo publicado na Scientific Reports, a erradicação de vertebrados invasores em ilhas se firmou como uma das ações mais eficazes da conservação moderna. O levantamento reuniu 1.550 tentativas de erradicação em 998 ilhas, registradas entre 1872 e 2019, e identificou uma taxa de sucesso de 88%. O trabalho usou o Database of Island Invasive Species Eradications, conhecido como DIISE, e apresentou a primeira síntese global desse tipo de operação.

O peso desse resultado aumenta quando se observa a importância ecológica das ilhas. Embora representem apenas cerca de 5% da área terrestre do planeta, elas concentraram 61% das extinções registradas desde 1500 e abrigam 40% dos vertebrados altamente ameaçados da atualidade. Em outras palavras, salvar ilhas significa atuar exatamente onde a crise da biodiversidade é mais intensa.

Por que ilhas concentram tantas extinções e tanta biodiversidade ameaçada

Segundo a Island Conservation, as ilhas são ao mesmo tempo centros globais de biodiversidade e epicentros de extinção. O isolamento geográfico fez com que muitas espécies insulares evoluíssem sem mamíferos predadores como ratos, gatos, cabras e raposas. Quando esses invasores chegaram, levados por humanos de forma intencional ou acidental, a fauna nativa simplesmente não tinha defesas evolutivas para reagir.

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Esse desequilíbrio ajuda a explicar por que tantas aves de ilhas nidificam no chão, por que algumas perderam a capacidade de voar e por que a introdução de predadores terrestres provocou impactos tão devastadores. Ao comer ovos, filhotes, plantas nativas e ao destruir habitats, esses animais invasores se transformaram em uma das principais forças de colapso ecológico em ambientes insulares.

O estudo publicado na Scientific Reports reforça que remover completamente essas espécies de uma ilha não é apenas uma medida de contenção. Em muitos casos, trata-se de uma estratégia real de restauração ecológica, com efeitos rápidos e mensuráveis sobre a fauna e a flora nativas.

Ratos lideram as erradicações, mas cabras, gatos e outros mamíferos também entram na lista

Os ratos foram, de longe, o alvo mais comum das operações analisadas, com 682 tentativas e taxa de sucesso de 88%. Já os ungulados, grupo que inclui cabras e porcos, apareceram em 185 operações e tiveram taxa de sucesso ainda maior, de 92%. Os gatos foram alvo de 105 operações, com 87% de sucesso.

As diferenças de método ajudam a explicar parte desses números. Segundo o próprio estudo, roedores costumam ser combatidos com rodenticidas, enquanto animais maiores, como cabras, geralmente exigem caça e captura. Já os gatos costumam ser removidos com uma combinação de armadilhas e caça dirigida.

Mais de 1.500 operações em quase mil ilhas enfrentaram ratos, cabras e gatos invasores por um século

O ponto central é que cada espécie exige uma estratégia própria. Em erradicações, deixar poucos indivíduos sobreviventes já é suficiente para comprometer toda a operação. Por isso, o sucesso depende não só da decisão de agir, mas também da escolha correta do método e da execução até o último animal invasor.

Quando o invasor some, a recuperação ecológica pode ser rápida e surpreendente

Segundo a Island Conservation, os efeitos da erradicação podem aparecer em ritmo impressionante. Um dos exemplos mais emblemáticos veio do Atol de Palmyra, no Pacífico, onde a remoção de ratos em 2011 foi seguida por uma recuperação ecológica dramática.

A organização relata um aumento superior a 5.000% na germinação de mudas de plantas nativas e o registro de duas espécies de caranguejo terrestre que não haviam sido documentadas antes em alguns ilhotes do atol.

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Esse tipo de resposta em cascata ajuda a explicar por que a conservação de ilhas costuma produzir resultados tão rápidos. Quando o principal agente de perturbação desaparece, plantas, invertebrados e aves nativas voltam a ocupar espaço, reproduzir e reconstruir o equilíbrio ecológico que havia sido quebrado pela introdução dos invasores.

A recuperação também mostra que a erradicação não deve ser vista apenas como remoção de animais. O objetivo final é restaurar o funcionamento do ecossistema, devolvendo espaço para espécies nativas extremamente vulneráveis e, em muitos casos, únicas daquele território.

Estudo reforça que a erradicação de invasores é uma das ações de conservação com melhor retorno

A American Bird Conservancy destacou o peso estratégico do levantamento ao resumir sua conclusão de forma direta. Segundo Brad Keitt, poucas intervenções de conservação oferecem retornos tão rápidos e duradouros quanto remover espécies invasoras de ilhas. A frase resume bem o que o estudo comprovou com mais de um século de registros.

Na mesma publicação, a autora principal Dena Spatz afirmou que as taxas de sucesso permanecem altas e estáveis ao longo do tempo, o que reforça a consistência dessa ferramenta de conservação. Isso é relevante porque mostra que não se trata de casos isolados ou de poucas experiências bem-sucedidas, mas de um padrão global repetido em centenas de operações.

Em um cenário internacional normalmente dominado por notícias de perda de habitat e extinção, os dados sobre erradicação em ilhas contam uma história rara: a de que, quando a intervenção é bem planejada, a natureza responde com velocidade e resiliência.

Banco global de dados agora funciona como roteiro para futuras operações de restauração

Outro efeito importante do estudo é seu valor prático. Ao reunir dados de 1.550 operações em um único banco global, a pesquisa oferece um mapa claro do que funcionou, onde funcionou e com quais métodos. Isso reduz a necessidade de que cada novo projeto comece praticamente do zero.

Esse ponto é decisivo para países, organizações e equipes que ainda pretendem iniciar seus próprios programas de erradicação. A padronização de dados, a comparação entre técnicas e a identificação de fatores de sucesso tornam a ferramenta mais escalável e ajudam a ampliar seu impacto em outras ilhas ameaçadas.

As ilhas concentram uma parcela desproporcional da crise global da biodiversidade, mas também oferecem uma das frentes mais promissoras para revertê-la. E agora existe uma base quantitativa robusta mostrando que a remoção de espécies invasoras não é aposta, mas uma estratégia com histórico consistente de sucesso.

Fonte

nature


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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