SP
6 min de leitura
Maratonista olímpico brasileiro sai de casa apenas com mochila e roupa do corpo, desaparece por 43 dias, caminha cerca de 400 km até São Paulo e sobrevive chupando cana, comendo laranjas doadas e pedindo água em postos
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 07/09/2026 às 21:06
Atualizado em 07/09/2026 às 21:07
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Daniel Nascimento deixou a casa da mãe no interior paulista em 19 de junho e só voltou a ser localizado em 1º de agosto, quando um pedestre o reconheceu caminhando pelas ruas da capital
O que começou como o desaparecimento de um homem que saiu de casa levando praticamente nada terminou, 43 dias depois e a mais de 400 quilômetros de distância, com um encontro inesperado nas ruas de São Paulo. O homem era Daniel Nascimento, maratonista que já representou o Brasil nos Jogos Olímpicos e ainda detém o recorde sul-americano da maratona.
Segundo informações publicadas pelo ge, Daniel contou depois de ser encontrado que passou boa parte desse período caminhando pelo estado, recorrendo a alimentos encontrados ou recebidos pelo caminho e pedindo água em postos de combustíveis.
Daniel saiu de casa enquanto a mãe trabalhava e levou apenas uma mochila
Daniel morava com a mãe em Paraguaçu Paulista, no interior de São Paulo, quando desapareceu em 19 de junho de 2026. Naquele dia, ela saiu para trabalhar e deixou o filho em casa. Quando retornou, ele já havia partido.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Economia
Açaí Formosa investe R$ 13 milhões em fábrica em Santo André para abastecer 125 lojas e ampliar produção própria
A Açaí Formosa investiu cerca de R$ 13 milhões em uma fábrica em Santo André para ampliar produção própria e abastecer uma rede de 125 lojas, aproximando indústria, distribuição e…
Paulo Nogueira
0
O maratonista levou consigo uma mochila preta, a roupa que vestia e um boné. Não avisou para onde iria e deixou de manter contato com os familiares, dando início a semanas de incerteza sobre seu paradeiro.
Com o passar dos dias, a família recorreu às redes sociais para divulgar imagens e pedir ajuda. Houve inclusive o relato de uma pessoa que afirmou ter visto Daniel seguindo por uma rodovia entre Paraguaçu Paulista e Assis.
Viagem a pé teria alcançado cerca de 400 quilômetros até a capital paulista
O que aconteceu durante grande parte das semanas seguintes só começou a ficar mais claro depois que Daniel reapareceu.
Em conversa registrada após ser localizado, o atleta afirmou que caminhou cerca de 400 quilômetros, deixando o oeste paulista em direção à cidade de São Paulo. Não há uma reconstrução pública detalhada de toda a rota, mas o próprio corredor descreveu como conseguia avançar mesmo carregando poucos recursos.
A distância ganha outra dimensão quando se considera que não se tratava de uma prova esportiva organizada. Não havia pontos de hidratação, alimentação programada, equipe de apoio ou estrutura para recuperação.
Era uma caminhada realizada com aquilo que conseguia encontrar pelo caminho.
Cana-de-açúcar e laranjas doadas viraram alimento durante o percurso
Daniel contou que em alguns momentos recorria à cana-de-açúcar, que chupava para conseguir se alimentar. Em outras ocasiões, pessoas que encontrava pelo trajeto lhe davam laranjas.
A água também precisava ser conseguida à medida que avançava. Segundo seu relato, ele carregava apenas uma pequena garrafa e procurava postos de combustíveis para pedir água e enchê-la novamente.
Ao lembrar da adaptação do próprio corpo àquela situação, chegou a brincar que estava parecendo “um camelo” pela maneira como tentava administrar a hidratação.
Para alguém acostumado a observar cada reação física durante treinamentos e competições de longa distância, Daniel explicou que continuava prestando atenção ao funcionamento do corpo mesmo em circunstâncias completamente diferentes das pistas.
Ao chegar a São Paulo, passou a recolher recicláveis e dormir em albergues
A caminhada não explica sozinha todos os 43 dias em que Daniel ficou longe da família.
Já na capital paulista, segundo informações repassadas pela família ao ge, o maratonista passou um período com aparência de pessoa em situação de rua, recolhendo materiais recicláveis para conseguir algum dinheiro.
Durante as noites, utilizava albergues públicos.
A situação contrastava fortemente com a trajetória que havia transformado Daniel em um dos principais nomes brasileiros da corrida de longa distância poucos anos antes.
Um pedestre reconheceu o atleta na rua e chamou a Guarda Civil Metropolitana
O desaparecimento terminou no sábado, 1º de agosto.
Daniel caminhava pela região do Belém, na zona leste de São Paulo, quando foi reconhecido por um pedestre na Rua Doutor Ubaldino do Amaral. O homem percebeu que aquele poderia ser o maratonista procurado pela família e acionou a Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Os agentes verificaram a identidade e confirmaram que realmente se tratava de Daniel Nascimento. Apesar das semanas longe de casa e da alimentação irregular relatada por ele, o atleta aparentava estar em condições físicas estáveis naquele momento.
Daniel foi então encaminhado ao 30º Distrito Policial, no Tatuapé, onde finalmente reencontrou a família depois de mais de seis semanas.
Antes do desaparecimento, Daniel havia chegado ao nível olímpico e quebrado recorde sul-americano
A história ganhou ainda mais repercussão porque Daniel não era apenas um praticante de corrida.
Ele representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio, disputados em 2021, e chegou a ocupar a liderança da maratona olímpica durante parte da prova. Mais tarde sentiu-se mal e precisou abandonar a competição.
Em abril de 2022, alcançou uma das marcas mais importantes do atletismo brasileiro ao completar uma maratona em 2h04min51s, tempo que permanece como recorde sul-americano da distância.
Daniel também terminou em oitavo lugar no Campeonato Mundial de Atletismo de 2022, consolidando-se entre os corredores de elite internacional.
Suspensão interrompeu a carreira e família relatou dificuldades no período seguinte
A trajetória profissional mudou em 2024, quando exames antidoping realizados antes dos Jogos Olímpicos de Paris apontaram três substâncias proibidas.
Posteriormente, a Unidade de Integridade do Atletismo aplicou uma suspensão de cinco anos, contada retroativamente desde julho de 2024. Com isso, Daniel permanece impedido de competir oficialmente até julho de 2029.
A família relatou que ele passou a enfrentar dificuldades psicológicas depois do afastamento das competições. Por se tratar de uma avaliação familiar, não é possível estabelecer uma relação médica direta entre a suspensão e o desaparecimento.
Depois de ser localizado em São Paulo, Daniel foi encaminhado para acompanhamento psicológico, com previsão de continuar o tratamento mais próximo dos familiares no interior paulista.
Após 43 dias, atleta voltou para perto da família
Entre o momento em que saiu da casa da mãe e o instante em que foi reconhecido na capital, transcorreram 43 dias completos.
Nesse intervalo, o homem acostumado a percorrer 42,195 quilômetros em competições internacionais atravessou aproximadamente 400 quilômetros do estado praticamente sem estrutura, alimentando-se como podia e encontrando maneiras de conseguir água e abrigo.
O reconhecimento feito por um desconhecido em uma rua de São Paulo encerrou semanas de buscas e permitiu que Daniel voltasse para perto da família, agora com acompanhamento depois de um período que transformou completamente sua rotina.
Metadescrição: Maratonista olímpico e recordista sul-americano Daniel Nascimento saiu da casa da mãe levando apenas mochila e roupa do corpo, ficou desaparecido durante 43 dias e relatou ter caminhado cerca de 400 km até São Paulo, sobrevivendo com cana-de-açúcar, laranjas recebidas pelo caminho e água pedida em postos de combustíveis.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

