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Menina de 11 anos lança garrafa no oceano durante viagem pela costa do Brasil e, mais de um ano depois, mensagem reaparece no Texas
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 01/09/2026 às 21:27
Atualizado em 01/09/2026 às 21:28
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Mensagem escrita em 9 de abril de 2020 registrava três anos de viagem da família pelo mundo e terminou encontrada por um biólogo durante levantamento de tartarugas em Port Aransas
Uma carta escrita à mão por uma menina de 11 anos saiu de uma embarcação próxima à linha do Equador, diante da costa brasileira, e desapareceu no Atlântico sem qualquer rastreador. Dentro de uma garrafa, a mensagem ficou entregue apenas aos ventos e às correntes marítimas.
Treze meses depois, o recipiente reapareceu a milhares de quilômetros dali, em Port Aransas, no Texas, onde foi encontrado pelo biólogo marinho Jace Tunnell enquanto ele realizava um levantamento relacionado a tartarugas marinhas.
A carta estava deteriorada, mas continuava legível. Datada de 9 de abril de 2020, ela revela que a menina viajava havia cerca de três anos com os pais e dois irmãos, descreve alguns dos lugares por onde a família havia passado e termina com um pedido simples: que a pessoa que encontrasse a mensagem pudesse lê-la e, quem sabe, responder.
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Foi exatamente o que aconteceu.
Carta foi escrita no momento em que a família cruzava a linha do Equador
No alto da folha recuperada no Texas aparece uma frase em francês escrita em letras grandes: “Le passage de l’Équateur”, ou “A passagem pelo Equador”.
Logo abaixo, a menina registrou a data e as coordenadas daquele momento. Segundo a própria carta, era 9 de abril de 2020, e a embarcação cruzava a linha do Equador em direção ao norte, aproximadamente na posição 0°00 e 37°43 oeste.
A localização estava no Atlântico, diante da costa do Brasil.
A menina ainda contou que aquela não era a primeira vez que a família atravessava a linha imaginária que divide os hemisférios. Três anos antes, eles haviam feito o caminho contrário, passando pelo Equador em direção ao sul na região das Ilhas Galápagos.
Era mais um marco dentro de uma viagem que já havia levado a família por diferentes partes do planeta.
Menina contou na própria mensagem que estava há três anos viajando pelo hemisfério sul
A carta permite conhecer detalhes que não aparecem apenas nos relatos posteriores sobre a garrafa.
No texto manuscrito, a menina descreve aproximadamente três anos de viagem pelas águas do hemisfério sul e cita destinos como Polinésia Francesa, Fiji, Nova Zelândia, arquipélago de Gambier, Chile e Patagônia.
Naquele momento, a família remontava o Atlântico Sul. A mensagem indica que haviam passado pelas Ilhas Falkland/Malvinas e seguiam em direção a Saint-Barthélemy, nas Antilhas.
Tudo era feito a bordo da embarcação da família, identificada na carta como Elora.
A própria dimensão da viagem ajuda a explicar por que aquele pedaço de papel tinha tanto significado. Não se tratava apenas de uma brincadeira lançada ao oceano, mas de um registro produzido por uma criança que estava passando parte da infância navegando ao redor do mundo.
“Meu nome é Olia, tenho 11 anos”: veja a tradução da mensagem encontrada no Texas
A parte final da carta é a mais pessoal. A autora se apresenta, fala dos pais e irmãos e explica o que estava prestes a fazer.
Abaixo, a tradução para o português do conteúdo legível da mensagem, preservando o sentido do manuscrito original:
“A passagem pelo Equador. Hoje, 9 de abril de 2020, estamos cruzando a linha do Equador em direção ao norte, em 0°00 e 37°43 oeste. Há três anos, nós a cruzávamos em direção ao sul, na altura das Galápagos.
Depois de três anos de andanças pelas águas do hemisfério sul, Polinésia Francesa, Fiji, Nova Zelândia, Gambier, Chile e Patagônia, estamos subindo o Atlântico Sul das Falklands em direção a Saint-Barthélemy, nas Antilhas, a bordo do nosso barco Elora.
Meu nome é Olia, tenho 11 anos. Estou com meus pais, Anna e Thierry, e meus dois irmãos, Malo, de 13 anos, e Mahé, de 7. Estamos prestes a cruzar o Equador e jogar uma garrafa no mar com esta mensagem, esperando que você possa lê-la e, quem sabe, nos responder.”
A folha também trazia uma informação de contato da família, o que mais tarde seria fundamental para que o homem que encontrou a garrafa conseguisse fechar o círculo iniciado no oceano.
Garrafa ficou desaparecida por 13 meses até aparecer em praia do Texas
A partir do momento em que foi lançada, ninguém sabia onde a mensagem terminaria.
A garrafa não possuía GPS, rastreador ou qualquer outro equipamento. Ela simplesmente ficou à deriva, sujeita às condições do Atlântico.
Em entrevista à Spectrum News, Jace Tunnell contou que a família francesa navegava ao redor do mundo em 2020 quando chegou à região do Equador diante do Brasil e lançou o recipiente.
Segundo ele, 13 meses se passaram até que a garrafa aparecesse em Port Aransas, no Texas.
O encontro ocorreu enquanto Tunnell realizava um levantamento de tartarugas na região. Acostumado a percorrer praias e observar tudo aquilo que o oceano devolve à costa, ele percebeu que aquela garrafa continha algo diferente.
Dentro estava a carta escrita do outro lado do oceano.
Correntes levaram objeto do Atlântico próximo ao Brasil até o Golfo do México
Tunnell também explicou como um objeto lançado diante da costa brasileira poderia terminar no litoral texano.
A trajetória exata nunca poderá ser conhecida porque não havia sistema de rastreamento, mas o biólogo explicou que a garrafa teria seguido para o norte, alcançado o Caribe e depois entrado no Golfo do México.
Ali existe um poderoso sistema de circulação conhecido como Loop Current, que transporta grandes volumes de água e pode formar redemoinhos capazes de carregar objetos flutuantes em direção às praias do Texas.
Na prática, uma possível trajetória teria levado a garrafa das águas tropicais do Atlântico para o Caribe, depois pelo Canal de Yucatán, até entrar no Golfo do México e finalmente chegar a Port Aransas.
Durante todo esse percurso, a folha permaneceu protegida dentro do recipiente.
Biólogo decidiu responder e conseguiu reencontrar a família
Ao descobrir a origem da mensagem, Tunnell não encerrou a história no momento do achado.
Ele procurou a família e enviou uma resposta usando as informações encontradas junto à carta. Depois, os franceses responderam e forneceram mais detalhes sobre a longa viagem que haviam realizado.
Segundo Tunnell, eles haviam atravessado o Canal do Panamá, percorrido o Pacífico, seguido ao redor da parte sul da América do Sul e depois começado a subir novamente pelo Atlântico. Foi nesse trecho da viagem, diante do Brasil, que a garrafa havia sido lançada.
Assim, o pedido escrito pela menina finalmente se concretizou.
Mais de um ano depois de escrever que esperava que alguém pudesse encontrar sua mensagem e talvez responder, uma pessoa a milhares de quilômetros de distância abriu a garrafa, leu a carta e conseguiu localizar sua família.
Pequena mensagem atravessou o oceano e sobreviveu para contar uma viagem de três anos
Entre os muitos objetos encontrados por Jace Tunnell nas praias do Texas, aquela garrafa acabou se destacando pelo caminho percorrido e pela história preservada dentro dela.
A mensagem registrava uma data específica, coordenadas no oceano, nomes da família, destinos percorridos e um momento particular de uma viagem de volta ao mundo.
Lançada diante do Brasil em 9 de abril de 2020, ela permaneceu desaparecida por cerca de 13 meses antes de completar uma travessia improvável até o Texas.
E a parte mais curiosa estava escrita pela própria menina antes de fechar a garrafa: ela apenas esperava que, em algum lugar, alguém encontrasse o papel, conseguisse lê-lo e decidisse responder.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

