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Menino de 9 anos descobre que crianças passavam o Natal internadas, aprende sozinho a costurar, cria projeto solidário e distribui mais de 3.100 ursinhos para crianças hospitalizadas em um dos momentos mais difíceis da vida

Menino de 9 anos descobre que crianças passavam o Natal internadas, aprende sozinho a costurar, cria projeto solidário e distribui mais de 3.100 ursinhos para crianças hospitalizadas em um dos momentos mais difíceis da vida

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Menino de 9 anos descobre que crianças passavam o Natal internadas, aprende sozinho a costurar, cria projeto solidário e distribui mais de 3.100 ursinhos para crianças hospitalizadas em um dos momentos mais difíceis da vida

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 13/09/2026 às 21:19

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menino de 9 anos distribui ursinhos para crianças internadas

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Aos 9 anos, Campbell Remess descobriu que sua família não podia comprar presentes para crianças internadas no Natal, aprendeu a costurar sozinho e transformou uma ideia infantil em um projeto que já produziu mais de 3.100 ursinhos para levar conforto a quem enfrentava alguns dos momentos mais difíceis da vida.

Campbell Remess tinha apenas 9 anos quando decidiu que crianças obrigadas a passar o Natal em um hospital também deveriam receber presentes. Quando descobriu que sua família não conseguiria comprar brinquedos para todos, não abandonou a ideia: decidiu fabricar os presentes com as próprias mãos e começou a aprender a costurar praticamente sozinho. Segundo a ABC News, aquela decisão tomada ainda na infância acabaria transformando o quarto do garoto da Tasmânia, na Austrália, em uma pequena oficina dedicada à produção de ursinhos para pessoas enfrentando momentos difíceis.

A proposta ganhou o nome de Project 365 e partiu de uma meta que parecia enorme para uma criança: produzir um presente por dia durante um ano. Anos depois, o próprio site do projeto passou a registrar 3.101 ursinhos produzidos, uma dimensão difícil de imaginar quando se observa onde tudo começou: uma criança, uma máquina de costura da mãe, um molde que ninguém da casa sabia explicar e a vontade de não aceitar que falta de dinheiro significasse o fim da ideia.

Tudo começou com uma pergunta feita perto do Natal

Campbell vivia na Tasmânia e fazia parte de uma família numerosa. De acordo com o relato de sua mãe, Sonya Whittaker, à ABC, o garoto perguntou se a família poderia comprar presentes para crianças que estavam hospitalizadas durante o período de Natal. A intenção era simples: levar alguma alegria a quem não poderia passar a data em casa.

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Paulo Nogueira

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Havia, porém, um obstáculo bastante concreto. Campbell era um de nove filhos, e comprar presentes adicionais para pacientes do hospital representaria uma despesa que a família não conseguia assumir. Sonya explicou ao filho que aquilo custaria caro demais.

A resposta do menino mudou completamente o rumo da história. Se não era possível comprar os presentes, ele próprio tentaria produzi-los.

O que poderia ter terminado como uma conversa entre mãe e filho virou um compromisso que atravessaria anos.

Aos 9 anos, ele começou sem saber costurar

Campbell não era uma criança com experiência em costura, tampouco havia passado anos aprendendo a produzir brinquedos. A habilidade veio depois da decisão.

A mãe contou à ABC que o filho começou fazendo alguns brinquedos e, em poucos dias, havia produzido cerca de seis. Em determinado momento, encontrou um molde para fabricar um ursinho e procurou a mãe porque não conseguia entendê-lo. Ela própria considerou o padrão complicado demais.

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Sonya mandou o filho dormir acreditando que provavelmente aquela tentativa terminaria ali.

Algumas horas depois, Campbell reapareceu.

Nas mãos estava o primeiro ursinho que conseguira produzir sozinho.

A peça estava longe da aparência dos brinquedos que ele aprenderia a fabricar mais tarde, mas representava algo muito maior: a prova de que a ideia era possível. A partir daquele momento, segundo a mãe, Campbell simplesmente continuou costurando.

Uma meta infantil virou o Project 365

Campbell transformou a ideia em um desafio fácil de explicar e difícil de cumprir: produzir um presente por dia.

O raciocínio deu origem ao nome Project 365. A intenção era trabalhar durante o ano para chegar ao Natal seguinte com 365 presentes destinados a crianças hospitalizadas.

O próprio site do projeto descreve que Campbell tinha 9 anos quando estabeleceu a meta depois de ser informado de que comprar presentes para todos sairia caro demais.

Não se tratava apenas de fabricar muitos brinquedos de uma só vez. A proposta exigia constância. Escola, estudos e a rotina normal de uma criança continuavam existindo, mas parte do tempo livre passou a ser consumida por tecidos, moldes, enchimento e pela máquina de costura.

Em 2016, quando Campbell tinha 12 anos, a ABC informou que ele já havia passado aproximadamente três anos dedicando seu tempo livre à fabricação de ursinhos para caridade. Nos dois anos anteriores à reportagem, vinha se pressionando para manter o ritmo de aproximadamente um ursinho por dia.

O primeiro ursinho exigiu horas, depois ele fazia um em cerca de 60 minutos

A repetição mudou completamente a habilidade do garoto.

Quando Campbell começou, produzir um ursinho era um processo demorado. Com o passar dos anos, os movimentos ficaram mais rápidos, os moldes mais familiares e a construção dos brinquedos se tornou parte de sua rotina.

Em reportagem publicada em 2017, a ABC registrou que aquele processo, inicialmente trabalhoso, havia sido reduzido até o ponto em que Campbell conseguia terminar um ursinho em aproximadamente uma hora.

A escala ajuda a dimensionar o compromisso. Um brinquedo por dia significa centenas de horas diante da máquina ao longo de um ano, sem contar o tempo para separar tecidos, preparar materiais, montar cada peça e organizar a distribuição.

Os ursinhos também não eram tratados simplesmente como objetos produzidos em série. Campbell fazia peças diferentes e as destinava a pessoas enfrentando doenças ou outras situações traumáticas.

O quarto do garoto acabou virando uma oficina

Com o crescimento do projeto, tecidos, materiais e brinquedos começaram a ocupar cada vez mais espaço.

Sonya criou um grupo no Facebook chamado Project 365 by Campbell para acompanhar o trabalho do filho. A história começou a alcançar pessoas fora da família, e doações de materiais passaram a ajudar na produção.

menino de 9 anos distribui ursinhos para crianças internadas

Em 2016, uma apoiadora identificada pela ABC como Kat perguntou se Campbell precisava de tecidos. A mãe respondeu que o problema já não era exatamente conseguir mais material. O garoto precisava de espaço para guardar tudo o que recebia.

A mobilização resultante permitiu instalar bancada e áreas de armazenamento. Enquanto Campbell estava na escola, voluntários trabalharam na transformação do quarto em um espaço muito mais parecido com uma oficina de costura.

Quando voltou para casa, encontrou o ambiente reorganizado em torno da atividade que começara anos antes apenas como uma tentativa de fabricar presentes de Natal.

Os ursinhos deixaram de chegar somente às crianças do hospital

A proposta original estava ligada diretamente às crianças hospitalizadas, mas o destino das peças começou a se expandir.

Em entrevista à ABC em 2016, Campbell explicou que também produzia o que chamava de “comfort bears”, ursinhos destinados a oferecer conforto a famílias enfrentando períodos difíceis relacionados à hospitalização de crianças.

Algumas peças viajaram para muito longe da Tasmânia.

Campbell contou que havia enviado ursinhos para pessoas atingidas por acontecimentos violentos no exterior. Na época, disse ter enviado uma peça relacionada aos ataques em Paris e que pretendia mandar outras para Bruxelas.

A costura que começara como uma solução doméstica para um problema financeiro ganhava, dessa forma, uma dimensão internacional. A lógica continuava praticamente igual àquela primeira conversa com a mãe: identificar alguém atravessando um período difícil e tentar fazer alguma coisa concreta.

Um ursinho também acompanhou uma mulher durante a quimioterapia

A história ganhou outro capítulo quando Campbell conheceu Karen Borger, que havia participado anteriormente da produção de uma reportagem sobre ele.

Depois daquele encontro, Karen descobriu um câncer de mama. Pouco tempo depois, recebeu de Campbell um ursinho especial.

Ele explicou à ABC que produzia os chamados “Winner bears” para pessoas com câncer, de modo que pudessem levar os brinquedos aos tratamentos. Karen afirmou posteriormente que aquele ursinho a acompanhara durante toda a quimioterapia.

O caso demonstra como o alcance do projeto já havia ultrapassado seu propósito inicial. Campbell não estava mais trabalhando apenas para entregar presentes de Natal a crianças internadas. Os brinquedos passaram a chegar a diferentes pessoas que enfrentavam doenças e situações traumáticas.

Para alguém que começara aos 9 anos sem sequer dominar uma máquina de costura, cada novo destino representava uma expansão da mesma ideia inicial.

A iniciativa cresceu para muito além da máquina de costura

O trabalho de Campbell também começou a servir como instrumento para outras ações beneficentes.

Alguns dos ursinhos passaram a ser leiloados, e o dinheiro obtido era destinado a iniciativas de caridade. Em 2017, a ABC relatou que Campbell já utilizava peças especiais dessa maneira para arrecadar recursos.

O projeto avançou ainda para outra iniciativa chamada Kindness Cruises. A ideia surgiu depois que Karen Borger, durante seu tratamento contra o câncer, ficou impossibilitada de viajar de avião de Sydney até Hobart para visitar Campbell e sua família.

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Com a ajuda da mãe, Campbell começou a buscar uma alternativa. Um dos ursinhos foi usado para levantar recursos destinados a uma passagem de cruzeiro. Outros parceiros entraram na iniciativa, ampliando a possibilidade de oferecer viagens a pessoas enfrentando momentos difíceis.

Era uma evolução enorme para algo que começara com uma criança perguntando se poderia comprar alguns presentes.

Mais de 3.100 ursinhos nasceram daquela decisão

A página oficial do Project 365 registra 3.101 ursinhos e contando. O próprio projeto resume sua origem da mesma maneira: Campbell tinha 9 anos, queria entregar presentes de Natal a crianças doentes em seu hospital local e, diante do custo, decidiu produzir um presente por dia durante um ano.

A quantidade significa que aquela primeira experiência diante da máquina não resultou apenas em 365 brinquedos. O trabalho atravessou a meta inicial e chegou aos milhares.

São mais de oito vezes os 365 presentes que deram nome ao projeto.

A transformação ocorreu sem que a ideia central precisasse mudar. Campbell não encontrou uma grande estrutura pronta, não tinha experiência profissional em costura e começou sem recursos para simplesmente comprar o que queria doar.

A solução foi reduzir um objetivo aparentemente enorme a uma tarefa repetível: produzir uma peça, depois outra e continuar no dia seguinte.

O primeiro “não” acabou produzindo milhares de presentes

Em 2016, Sonya Whittaker refletiu sobre um detalhe que poderia ter alterado completamente a história: o momento em que permitiu que o filho usasse sua máquina de costura.

Ela disse à ABC que pensava no que teria acontecido se simplesmente tivesse impedido Campbell de tentar. Em vez disso, permitiu que ele avançasse, mesmo quando nenhum dos dois sabia exatamente onde aquela experiência terminaria.

O resultado foi uma sequência que começou de maneira quase doméstica: uma criança queria comprar presentes, a família não tinha condições de assumir aquele custo, o menino resolveu fabricar os brinquedos, encontrou dificuldades para interpretar um molde e apareceu horas depois carregando seu primeiro ursinho.

Depois vieram dezenas, centenas e finalmente milhares.

Em 2017, Campbell resumiu à ABC a filosofia por trás daquilo dizendo que todos podem fazer alguma coisa. O garoto que inicialmente pretendia apenas impedir que crianças hospitalizadas passassem o Natal sem presentes acabou construindo um projeto cuja própria página registra mais de 3.100 ursinhos produzidos.

Tudo nasceu de uma impossibilidade financeira que, aos 9 anos, Campbell Remess decidiu tratar não como ponto final, mas como um problema que ainda precisava de outra resposta.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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