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Mergulhadores encontram mais de 100 garrafas de champanhe com até 175 anos dentro de navio do século XIX quase intacto a cerca de 60 metros de profundidade no Mar Báltico; o que parecia um pequeno barco de pesca também escondia porcelanas e água mineral, mas a carga ainda depende de autorização para ser retirada do fundo do mar
Escrito por Carla Teles
Publicado em 09/09/2026 às 11:48
Atualizado em 09/09/2026 às 11:50
Ciência e Tecnologia
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Uma inspeção que parecia rápida levou mergulhadores poloneses a um veleiro do século XIX quase intacto, a cerca de 60 metros de profundidade no Mar Báltico. Dentro dele, havia mais de 100 garrafas de champanhe, aproximadamente 100 garrafas seladas de água mineral, porcelanas e outros itens de carga de luxo.
As garrafas de champanhe apareceram quando mergulhadores poloneses decidiram investigar um objeto no fundo do Mar Báltico que, pelas imagens de sonar, parecia pequeno o suficiente para ser apenas um barco de pesca. O que deveria ser uma inspeção curta acabou mantendo Marek Cacaj e Pawel Truszynski debaixo d’água por quase duas horas.
No fundo, a cerca de 60 metros da superfície e aproximadamente 20 milhas náuticas a noroeste da ilha sueca de Öland, eles encontraram um veleiro do século XIX preservado em condições consideradas incomuns. A reportagem que detalhou o caso foi publicada pelo Daily Galaxy em 3 de setembro de 2026; a fonte não estabelece uma data exata para o mergulho nem para o naufrágio do navio.
Sonar fazia estrutura parecer um pequeno barco de pesca
Antes de descerem, os mergulhadores não tinham sinais de que estavam diante de uma carga excepcional. Pelo tamanho registrado no sonar, o objeto poderia ser apenas uma embarcação de pesca no fundo do Báltico.
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Paulo Nogueira
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Mesmo depois de já terem realizado outro mergulho naquele dia, Cacaj e Truszynski decidiram verificar o local. A expectativa de uma passagem rápida mudou quando perceberam que havia uma embarcação antiga praticamente inteira diante deles.
O estado de conservação chamou atenção. Cacaj relatou que havia poucos sinais de danos relevantes no casco, com exceção de uma área aparentemente comprometida na proa.
A profundidade também acrescentava complexidade à exploração. O veleiro estava a aproximadamente 60 metros abaixo da superfície, distância suficiente para tornar qualquer investigação mais cuidadosa do que uma observação em águas rasas.
Mais de 100 garrafas de champanhe estavam dentro do navio
Foi durante a exploração da embarcação que apareceram as garrafas de champanhe. Segundo o grupo de mergulho Baltictech, havia mais de 100 unidades dentro do naufrágio, acompanhadas por outros produtos.
As imagens registradas pela equipe mostram garrafas ainda organizadas no interior do veleiro. A quantidade surpreendeu os mergulhadores porque não se tratava de uma ou duas peças isoladas encontradas entre destroços.
A carga incluía também vinho, porcelanas e água mineral. O conjunto transformou aquilo que parecia um naufrágio modesto em um registro preservado do transporte de mercadorias de maior valor no Báltico do século XIX.
Cerca de 100 garrafas de água mineral também estavam seladas
Além das garrafas de champanhe, a equipe contabilizou aproximadamente 100 recipientes de barro selados contendo água mineral.
Esse detalhe acabou se tornando particularmente importante para os pesquisadores. Enquanto o champanhe chamava mais atenção visualmente, foram marcas encontradas nas garrafas de água que ajudaram a restringir a possível época da carga.
Fotografias dos recipientes revelaram inscrições relacionadas à Selters, marca associada à água mineral alemã. Com auxílio de historiadores, a equipe comparou os selos e concluiu que aquele padrão parece ter sido utilizado entre 1850 e 1867.
A faixa temporal fornece uma pista importante, mas não resolve todo o mistério. Ela ajuda a datar a mercadoria, não determina exatamente quando o navio afundou.
Champanhe pode ter aproximadamente 175 anos
A idade atribuída às garrafas de champanhe vem justamente dessa reconstrução histórica. Se a carga for de meados do século XIX, algumas unidades podem se aproximar de 175 anos.
A fonte, porém, faz uma ressalva importante: tanto o naufrágio quanto os produtos são documentados como pertencentes ao século XIX, mas não existe uma data específica confirmada para o afundamento da embarcação.
Por isso, tratar todas as garrafas como tendo exatamente 175 anos ultrapassaria o que as evidências disponíveis permitem afirmar. O intervalo entre 1850 e 1867 é mais preciso para descrever a provável época da carga.
As garrafas de champanhe continuam, portanto, cercadas por uma margem de incerteza histórica. A descoberta indica grande antiguidade, mas ainda depende de investigação para estabelecer origem, idade e trajetória com maior precisão.
Porcelanas reforçam perfil de uma carga de alto valor
O conteúdo do navio não se limitava às bebidas. Porcelanas também estavam entre os itens encontrados pelos mergulhadores, formando um conjunto incomum de mercadorias preservadas.
Segundo o relato, a água mineral daquele período também não era tratada como um produto banal. Ela podia ter valor elevado, circular entre consumidores ricos e ser utilizada para determinadas finalidades médicas.
Cacaj afirmou que algumas remessas eram consideradas importantes o suficiente para receber escolta policial ou militar. O Baltictech também relacionou esse tipo de produto a mesas reais.
Champanhe, porcelana e água mineral transportados juntos sugerem uma carga destinada a consumidores de elevado poder aquisitivo, embora a identidade de quem receberia os produtos permaneça sem comprovação documental.
Hipótese de destino para a Rússia ainda não foi comprovada
Uma das possibilidades levantadas pelos mergulhadores é que a carga tivesse como destino a Rússia. A equipe informou ter identificado a marca do champanhe e estabelecido contato com o fabricante.
Cacaj relatou que a empresa produzia uma versão mais doce da bebida especificamente para o czar russo. A partir dessa informação, ele considerou provável que a remessa estivesse seguindo em direção à Rússia.
Essa hipótese, porém, continua sendo uma interpretação dos mergulhadores, e não uma rota comprovada por documentos encontrados no navio. Não foi relatada a localização de manifesto de carga capaz de confirmar o destino.
Outros relatos admitiram possibilidades mais amplas, incluindo destinos ligados às cortes de Estocolmo ou São Petersburgo. Sem documentação adicional, nenhuma dessas opções pode ser apresentada como definitiva.
Ninguém sabe ainda se o champanhe continua próprio para consumo
O tempo debaixo d’água também levanta outra pergunta: o conteúdo das garrafas de champanhe teria sobrevivido em condições de consumo?
Até agora, não há resposta confirmada. Cacaj afirmou que, caso seja autorizada a retirada de exemplares, a intenção é encaminhar algumas unidades ao fabricante para análise.
A avaliação poderia ajudar a identificar valor, origem e estado de conservação. A reportagem deixa explícito que não existe confirmação de que o champanhe encontrado ainda seja potável.
O ambiente submerso pode ter protegido fisicamente parte da carga durante muitas décadas, mas isso não autoriza concluir que o líquido dentro das garrafas permaneceu inalterado.
Garrafas não podem simplesmente ser levadas à superfície
Encontrar a carga não dá automaticamente aos mergulhadores o direito de retirá-la. O naufrágio está em águas sob jurisdição sueca, o que exige autorização antes de qualquer remoção.
A equipe polonesa comunicou a descoberta às autoridades da Suécia. Por enquanto, as garrafas de champanhe, as porcelanas e os demais objetos permanecem no local enquanto são discutidos os próximos passos da investigação.
O Baltictech também informou que entrou em contato com a Fundação MARIS, a Universidade de Södertörn e o professor Johan Rönnby para discutir como o sítio deveria ser estudado.
A orientação recebida estava voltada à exploração futura e à investigação arqueológica, e não ao início imediato de uma operação para retirar a carga do fundo do mar.
Estado quase intacto pode preservar mais informações sobre o século XIX
O interesse científico não está restrito ao valor potencial das bebidas. Uma embarcação relativamente preservada, ainda contendo diferentes tipos de mercadoria, pode oferecer informações sobre transporte, comércio e consumo no século XIX.
Por isso, retirar objetos sem planejamento poderia eliminar parte do contexto arqueológico que torna o naufrágio relevante. A posição dos recipientes, sua distribuição e sua relação com outros itens também fazem parte da história que o sítio pode contar.
Tomasz Stachura, líder do grupo Baltictech, destacou a escala excepcional da descoberta. Mesmo depois de cerca de 40 anos de mergulho, estava acostumado a localizar uma garrafa ocasional em naufrágios, mas não tamanha quantidade reunida em uma única embarcação.
De possível barco de pesca a cápsula submersa do século XIX
A descoberta começou com uma imagem de sonar que parecia indicar algo pequeno e pouco excepcional. Quase duas horas depois, os mergulhadores tinham diante deles um veleiro praticamente intacto, uma carga de porcelana e água mineral e mais de 100 garrafas de champanhe potencialmente preservadas havia mais de um século e meio.
O próximo capítulo não depende apenas dos mergulhadores. Será necessário obter autorização e definir como investigar o naufrágio sem perder o contexto histórico preservado a cerca de 60 metros de profundidade. Você retiraria parte dessa carga para análise ou defenderia que tudo permanecesse no fundo do Mar Báltico? Conte nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

