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Mesmo divorciado, homem comprou bilhete de loteria, pediu que ex-esposa conferisse os números, viu ela receber C$ 1 milhão e alegar que a aposta era um presente, mas conseguiu na Justiça a divisão igual do prêmio

Mesmo divorciado, homem comprou bilhete de loteria, pediu que ex-esposa conferisse os números, viu ela receber C$ 1 milhão e alegar que a aposta era um presente, mas conseguiu na Justiça a divisão igual do prêmio

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Mesmo divorciado, homem comprou bilhete de loteria, pediu que ex-esposa conferisse os números, viu ela receber C$ 1 milhão e alegar que a aposta era um presente, mas conseguiu na Justiça a divisão igual do prêmio

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 01/09/2026 às 23:52

Atualizado em 01/09/2026 às 23:55

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Imagem ilustrativa representa o conflito entre Kirkor Barkacin e Grazyna Wasiak pela divisão do prêmio de C$ 1 milhão recebido após a conferência do bilhete.

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Kirkor Barkacin continuou vivendo com Grazyna Wasiak mesmo após o divórcio, período em que comprou um bilhete premiado em C$ 1 milhão, pediu que ela conferisse os números, recebeu apenas C$ 300 mil e conseguiu na Justiça a divisão igual da fortuna

Kirkor Barkacin comprou um bilhete de loteria, conferiu parte dos números e pediu que a ex-esposa verificasse novamente a aposta. A decisão parecia simples, mas acabou provocando uma disputa judicial envolvendo C$ 1 milhão.

Grazyna Wasiak descobriu que o bilhete estava premiado e recebeu o dinheiro. Depois disso, afirmou que a aposta havia sido entregue como presente e que, portanto, não precisava dividir igualmente a fortuna.

Barkacin discordou. Para ele, pedir que a ex-esposa conferisse o bilhete não significava abrir mão da propriedade nem entregar todo o prêmio.

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Embora estivessem formalmente divorciados, os dois continuavam morando juntos e mantinham uma rotina semelhante à de um casal. Essa convivência se tornou uma das principais peças analisadas pela Justiça canadense.

Conferência revelou prêmio milionário

Barkacin havia verificado inicialmente os resultados do sorteio, mas não percebeu que o bilhete incluía uma opção adicional conhecida como Encore.

Ele então pediu que Wasiak levasse a aposta para uma nova conferência. Foi nessa verificação que surgiu a notícia capaz de transformar a vida financeira dos dois: o bilhete valia C$ 1 milhão.

A posse física da aposta ficou com Wasiak, que recebeu o prêmio. O problema começou quando ela sustentou que o ex-marido havia lhe dado o bilhete.

Segundo essa versão, a entrega não teria sido apenas um pedido de conferência. Ela representaria uma transferência definitiva da aposta e de todo o dinheiro associado ao prêmio.

Barkacin apresentou uma interpretação diferente. Ele alegou que continuava sendo o comprador e proprietário do bilhete, além de considerar que o valor deveria ser dividido entre os dois.

Imagem ilustrativa representa a conferência que revelou o prêmio de C$ 1 milhão na opção adicional Encore.

Mulher repassou parte do dinheiro

Wasiak entregou aproximadamente C$ 300 mil ao ex-marido. A quantia, entretanto, não encerrou a discussão.

Barkacin sustentou que tinha direito a metade integral do prêmio. Como já havia recebido parte do dinheiro, buscou na Justiça o saldo necessário para completar C$ 500 mil.

A defesa de Wasiak apresentou duas possibilidades. Na primeira, o bilhete teria sido dado como presente. Na segunda, Barkacin teria abandonado a aposta depois de realizar a conferência inicial e acreditar que ela não estava premiada.

A análise judicial mostrou que nenhuma dessas conclusões poderia ser baseada apenas no fato de Wasiak ter levado o bilhete para conferência.

Entregar uma aposta a outra pessoa para verificar os números não representa, automaticamente, a transferência de sua propriedade. Para solucionar o impasse, o tribunal precisou reconstruir a relação entre os envolvidos.

Imagem ilustrativa retrata o impasse após Wasiak repassar C$ 300 mil, enquanto Barkacin reivindicava metade integral da fortuna.

Vida em comum pesou na decisão

O estado civil formal não refletia completamente a realidade de Barkacin e Wasiak.

Embora o divórcio tivesse ocorrido anos antes, eles continuavam vivendo na mesma residência. Além disso, compartilhavam aspectos da rotina e mantinham práticas financeiras compatíveis com uma relação conjugal.

Testemunhas também relataram que os dois comemoraram o prêmio como beneficiários. Esse comportamento ajudou a enfraquecer a versão de que apenas Wasiak seria a verdadeira ganhadora.

O tribunal examinou ainda o histórico do casal relacionado às apostas. A prática estabelecida anteriormente indicava uma expectativa de compartilhamento dos valores eventualmente recebidos.

Nesse contexto, a Justiça concluiu que Barkacin não havia presenteado a ex-esposa com todo o bilhete. Também não encontrou elementos suficientes para considerar que ele abandonara a aposta depois da primeira verificação.

A decisão foi construída a partir da conduta dos dois antes e depois da descoberta do prêmio. Portanto, a simples posse do bilhete não decidiu o caso.

Imagem ilustrativa representa a residência e a rotina compartilhadas pelo casal, elementos considerados pelo tribunal na decisão.

Apelação manteve divisão igual

A primeira decisão determinou que o prêmio fosse dividido igualmente entre Barkacin e Wasiak.

Como Barkacin tinha direito a C$ 500 mil e já havia recebido aproximadamente C$ 300 mil, Wasiak deveria entregar o valor restante necessário para completar a metade.

Ela recorreu, mas a Corte de Apelação de Ontário rejeitou o pedido em novembro de 2009.

Imagem ilustrativa retrata o desfecho da apelação que manteve a divisão igual do prêmio de C$ 1 milhão.

No processo Barkacin v. Wasiak, 2009 ONCA 807, o colegiado considerou razoável a conclusão de que a natureza da relação e as práticas estabelecidas entre os dois justificavam a divisão igualitária.

O julgamento demonstrou que a propriedade de uma aposta pode envolver elementos mais complexos do que o nome de quem recebeu o prêmio ou a pessoa que carregava o bilhete.

A Justiça analisou quem havia comprado a aposta, por que ela foi entregue, como o casal administrava o dinheiro e de que maneira os dois reagiram quando descobriram a fortuna.

O caso também mostrou que um divórcio formal não elimina automaticamente os acordos e expectativas construídos durante uma convivência mantida posteriormente.

Entregar um bilhete para outra pessoa conferir os números pode ser considerado um presente ou a propriedade deveria continuar com quem comprou a aposta?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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