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Mina de terras raras em Goiás entra em plataforma integrada fora da Ásia e mira elevar produção para 6.400 toneladas por ano

Mina de terras raras em Goiás entra em plataforma integrada fora da Ásia e mira elevar produção para 6.400 toneladas por ano

5 min de leitura

Mina de terras raras em Goiás entra em plataforma integrada fora da Ásia e mira elevar produção para 6.400 toneladas por ano

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 05/09/2026 às 22:01

Atualizado em 05/09/2026 às 22:05

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A USA Rare Earth concluiu em 3 de setembro sua combinação com a Serra Verde, incorporando a mina Pela Ema, em Goiás, a uma cadeia internacional que pretende ligar extração, processamento, metalização e fabricação de ímãs permanentes fora da Ásia.

A operação brasileira produz desde janeiro de 2024 e passa por otimização. A primeira etapa mira ritmo de aproximadamente 4 mil toneladas anuais de óxidos totais de terras raras até o fim de 2026.

Uma segunda expansão já está em construção e projeta média de 6.400 toneladas por ano. O comissionamento deve começar dentro de 12 meses, segundo a empresa.

A Serra Verde é apresentada como a única produtora em escala, fora da Ásia, dos quatro elementos pesados magnéticos e de outros minerais críticos do grupo.

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O anúncio conclui uma transação societária, mas não muda instantaneamente a produção. Integrar equipes, contratos, financiamento e ativos industriais será o próximo trabalho.

A operação combina mineração e processamento de argilas iônicas no norte de Goiás.

Pela Ema fornece quatro elementos magnéticos pesados

Terras raras são um grupo de elementos usados em motores, eletrônica, defesa e energia. Alguns entram em ímãs permanentes que mantêm força elevada mesmo em equipamentos compactos.

Disprósio e térbio ajudam ímãs a resistir a temperaturas maiores. Neodímio e praseodímio aparecem com frequência na base magnética, embora a composição varie conforme a aplicação.

A Serra Verde explora depósitos de argila iônica. Nesse tipo de recurso, os elementos estão associados às partículas de argila e exigem uma rota de processamento diferente da usada em rocha dura.

A relevância estratégica vem da concentração global. Extrair o mineral é apenas uma etapa; separar óxidos, produzir metais, formar ligas e fabricar ímãs exige instalações especializadas.

Por isso, uma mina fora da Ásia não cria sozinha uma cadeia independente. O acordo tenta conectar Pela Ema às demais capacidades reunidas pela USA Rare Earth.

Plataforma integrada liga Goiás a ativos nos Estados Unidos e Europa

A companhia combina a mina brasileira com instalações existentes ou planejadas nos Estados Unidos, Reino Unido e França. O objetivo é controlar mais etapas entre o concentrado e o componente final.

A Less Common Metals, no Reino Unido, acrescenta produção de metais e ligas. Nos Estados Unidos, a estratégia inclui fabricação de ímãs em Stillwater, Oklahoma.

Uma cadeia integrada pode melhorar rastreabilidade e reduzir dependência de intermediários. Ao mesmo tempo, aumenta a complexidade de coordenar especificações, transporte e qualidade entre países.

Cada cliente exige composição e pureza próprias. Um óxido produzido em Goiás precisa encontrar capacidade de separação e metalização compatível antes de chegar a um ímã.

O comunicado não apresenta volume de vendas, preço médio ou margem da operação brasileira. Portanto, a importância estratégica não permite calcular desempenho financeiro futuro.

A segunda etapa de expansão mira produção média de 6.400 toneladas de TREO por ano.

Expansão busca sair de 4 mil para 6,4 mil toneladas anuais

A fase atual de otimização pretende alcançar ritmo de 4 mil toneladas por ano de TREO, sigla em inglês para óxidos totais de terras raras.

Ritmo anualizado não é o mesmo que produção acumulada no ano. Se a instalação alcançar essa taxa em dezembro, o volume de 2026 poderá ser menor devido ao período de aceleração.

A segunda etapa visa média de 6.400 toneladas anuais. Seu comissionamento dentro de 12 meses ainda dependerá de montagem, testes e estabilidade do processo.

Comissionar envolve verificar equipamentos e elevar alimentação gradualmente. Minas novas podem levar tempo para manter recuperação, qualidade e disponibilidade próximas das metas de projeto.

No longo prazo, a empresa afirma que uma fase 2 poderia duplicar a produção de minério bruto. Essa possibilidade ainda é diferente da expansão em construção e não deve ser tratada como capacidade contratada.

A transação coloca a mina brasileira no centro de uma disputa industrial

Ímãs de terras raras entram em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, semicondutores, aeronaves e equipamentos militares. Interrupções atingem várias indústrias ao mesmo tempo.

Governos ocidentais procuram fornecedores alternativos porque mineração, separação e manufatura permanecem concentradas. A Pela Ema oferece um ativo já produtor, em vez de uma jazida ainda aguardando construção.

A localização no Brasil traz oportunidade e responsabilidades. Licenciamento, água, energia, relacionamento comunitário e controle de resíduos precisam acompanhar qualquer aumento de produção.

A empresa diz usar a plataforma para oferecer fornecimento resiliente a clientes públicos e privados. Contratos, porém, podem incluir compromissos anteriores e não foram detalhados no anúncio de conclusão.

A transação também envolve riscos financeiros e de integração reconhecidos pela própria companhia. Metas podem atrasar se equipamentos, financiamento ou rendimento industrial divergirem das premissas.

Conclusão da combinação inicia uma etapa mais difícil de execução

Fechar o acordo alinha propriedade e governança. Não garante que minas, plantas químicas e fábricas de ímãs funcionarão imediatamente como uma única operação.

Equipes terão de harmonizar padrões de qualidade, planejamento de produção, contratos de venda e decisões de capital. A sucessão de liderança anunciada para outubro adiciona outra transição.

Thras Moraitis, ex-presidente executivo da Serra Verde, assumiu a presidência da USA Rare Earth e deverá suceder Barbara Humpton como diretor executivo em 1º de outubro.

A presença do antigo líder brasileiro pode preservar conhecimento do ativo durante a integração. O resultado será medido pela estabilidade da mina e pelo avanço das etapas posteriores.

A Serra Verde de terras raras agora ocupa uma posição concreta nessa estratégia: uma operação produtora em Goiás que tenta crescer enquanto se conecta à fabricação de materiais e ímãs.

Se alcançar 6.400 toneladas anuais e integrar os elos prometidos, a plataforma reduzirá uma lacuna industrial. Se atrasar, mostrará por que diversificar essa cadeia é mais difícil que anunciar uma aquisição.

Essa execução começa agora.

O Brasil deveria priorizar exportar o concentrado ou desenvolver no país mais etapas até a fabricação de ímãs?

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Fontes

USA Rare Earth

SEC / Form 8-K


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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