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Mistério nas profundezas: núcleo da Terra pode concentrar o equivalente a até 45 oceanos de água

Mistério nas profundezas: núcleo da Terra pode concentrar o equivalente a até 45 oceanos de água

3 min de leitura

Mistério nas profundezas: núcleo da Terra pode concentrar o equivalente a até 45 oceanos de água

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 03/09/2026 às 05:45

Atualizado em 03/09/2026 às 05:52

Ciência e Tecnologia

Canal

Cientistas descobrem que o interior da Terra esconde até 45 oceanos de água em forma de hidrogênio preso ao metal do núcleo.

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Estudo indica que grandes quantidades de hidrogênio podem estar presas no núcleo terrestre, formando um reservatório profundo equivalente a até 45 oceanos de água

Uma pesquisa da ETH Zurich revelou que o interior da Terra pode abrigar o equivalente a até 45 oceanos de água em seu núcleo. A descoberta indica que o hidrogênio se acumulou no centro do planeta durante sua formação inicial.

Experimento simula a alta pressão no interior da Terra

Como o acesso direto ao centro do planeta é impossível por perfurações, os cientistas recriaram as condições extremas do interior da Terra em laboratório. A equipe liderada por Motohiko Murakami utilizou uma célula de bigorna de diamante aquecida a laser.

No teste, dois minúsculos diamantes comprimiram uma amostra de ferro e uma cápsula com água a pressões e temperaturas elevadas. Ao derreter o metal, hidrogênio, oxigênio e silício migraram para o ferro líquido. As amostras foram congeladas rapidamente para análise.

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A identificação do elemento leve no metal denso ocorreu por tomografia de última geração. O ex-pesquisador de pós-doutorado Dongyang Huang afirmou que a técnica permitiu visualizar como os átomos se comportam no ferro metálico sob essas condições simuladas.

Hidrogênio incorporado ao metal altera visão sobre a origem da água

Os resultados apontam que o hidrogênio não existe no núcleo como gás livre ou moléculas de água. Ele se integra ao próprio metal, formando hidretos de ferro ligados a nanoestruturas de silício e oxigênio na liga metálica.

Com base na proporção entre hidrogênio e silício medida no laboratório, a equipe estimou que o hidrogênio representa de 0,07% a 0,36% da massa do núcleo. Convertida, a estimativa equivale a um volume entre 9 e 45 oceanos de água.

A presença desse volume no interior da Terra reforça a teoria de que a água já estava presente na fase principal de formação do planeta. Essa evidência sugere que o transporte por cometas e asteroides pode não ser a fonte primária do elemento.

Impactos nos sistemas planetários e estudos de exoplanetas

Os pesquisadores da ETH Zurich indicam que o hidrogênio armazenado em profundidade pode influenciar a geração do campo magnético terrestre e os movimentos do manto. O elemento também pode circular lentamente entre as camadas profundas e a superfície.

Além disso, a compreensão do comportamento do hidrogênio em metais sob alta pressão auxilia na modelagem de exoplanetas rochosos. A mistura de elementos leves no interior de um planeta afeta a evolução e a formação de seu núcleo metálico.

O cientista Motohiko Murakami declarou que as descobertas ampliam a compreensão sobre as profundezas do planeta e fornecem pistas sobre a distribuição de substâncias no início do sistema solar, indicando que a água da superfície é apenas uma fração do total.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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