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Misturar detergente no concreto parece gambiarra, mas o truque separa reparo útil de erro caro: 1 a 2 colheres por 20 litros mudam a massa; em excesso, o prejuízo pode aparecer meses depois

Misturar detergente no concreto parece gambiarra, mas o truque separa reparo útil de erro caro: 1 a 2 colheres por 20 litros mudam a massa; em excesso, o prejuízo pode aparecer meses depois

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Misturar detergente no concreto parece gambiarra, mas o truque separa reparo útil de erro caro: 1 a 2 colheres por 20 litros mudam a massa; em excesso, o prejuízo pode aparecer meses depois

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 08/09/2026 às 15:30

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Surfactantes presentes no detergente deixam a mistura mais fácil de espalhar e também favorecem a entrada de ar. O efeito pode ajudar em pequenos serviços sem função estrutural, mas a dosagem doméstica não oferece o mesmo controle de resistência obtido com aditivos formulados para concreto.

Adicionar detergente à água usada em uma mistura cimentícia altera o comportamento da massa antes do endurecimento. Os surfactantes reduzem a tensão superficial da água, favorecem o espalhamento e ajudam a reter pequenas bolhas de ar, o que deixa a mistura mais plástica e fácil de trabalhar.

Esse efeito explica por que o recurso aparece em pequenos reparos, preenchimentos e argamassas de acabamento. Em serviços sem função estrutural, a melhora de trabalhabilidade pode facilitar a aplicação; quando há carga envolvida, porém, o ar adicional passa a ser um fator de risco para a resistência final.

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O American Concrete Institute (ACI) informa que a incorporação de ar é uma técnica conhecida na produção de concreto e que, como referência prática, cada aumento de 1% no teor de ar pode reduzir a resistência à compressão em cerca de 5%. A entidade trata esse efeito de maneira controlada, com aditivos próprios, e não como resultado de um produto doméstico.

Isso significa que o detergente pode produzir uma mudança perceptível na hora da aplicação sem oferecer controle equivalente sobre o material endurecido. A massa mais macia e fácil de espalhar não informa, por si só, qual será a resistência depois da cura.

A dosagem caseira tem um limite claro

A proporção de uma a duas colheres de sopa para 20 litros de água aparece em orientações domésticas para serviços de baixa exigência, conforme publicou a Super Rádio Tupi. Essa medida pode alterar a consistência, mas não deve ser tratada como especificação universal de engenharia.

Detergentes variam de formulação e concentração, e o teor de ar formado também depende do cimento, dos agregados, da relação água-cimento, do tempo de mistura e de outros componentes. Por isso, duas marcas diferentes podem produzir respostas distintas mesmo quando a medida colocada na água é a mesma.

Em um preenchimento superficial ou em uma argamassa sem função estrutural, essa imprecisão pode ter efeito limitado sobre o serviço. Em pilares, vigas, lajes, fundações e outros elementos que recebem carga, a ausência de controle sobre o teor de ar e a resistência torna o detergente uma escolha inadequada.

O risco não é necessariamente visível no primeiro dia. A peça pode parecer bem acabada e a massa pode ter sido fácil de lançar ou espalhar, enquanto uma perda de resistência só se torna relevante depois do endurecimento, quando o elemento passa a trabalhar sob as solicitações previstas para ele.

Concreto e argamassa não são a mesma coisa

Parte dos usos domésticos associados a esse truque envolve argamassa, e não concreto. Reboco, assentamento, preenchimentos e alguns acabamentos usam misturas diferentes das empregadas em peças estruturais, com exigências mecânicas que variam conforme a finalidade do serviço.

No concreto, além de cimento, areia e água, normalmente há agregado graúdo, como brita. A composição precisa atender à resistência e ao desempenho previstos para a peça, de modo que uma mudança feita apenas para melhorar a trabalhabilidade pode alterar propriedades importantes do material endurecido.

Essa diferença ajuda a separar um reparo simples de uma intervenção que exige controle técnico. Um procedimento tolerável em uma massa de acabamento não pode ser transferido automaticamente para uma viga ou uma fundação apenas porque facilitou o trabalho com a colher de pedreiro.

Também é importante distinguir uma pequena imperfeição superficial de uma fissura em elemento estrutural. Preencher a abertura pode melhorar o acabamento, mas não resolve necessariamente a causa que provocou a fissura, especialmente quando há movimentação ou solicitação da própria peça.

Aditivos próprios permitem controlar o efeito

Na construção civil, incorporadores de ar são formulados para gerar bolhas pequenas e distribuídas de maneira controlada quando esse comportamento faz parte do desempenho especificado. O ACI também relaciona esse sistema de vazios à melhora da trabalhabilidade e da resistência a ciclos de congelamento e degelo, desde que o teor de ar esteja dentro da faixa prevista para a mistura.

Plastificantes e superplastificantes cumprem outra função: melhoram a trabalhabilidade e permitem ajustes na quantidade de água sem depender da adição de detergente doméstico. A escolha do produto e da dosagem precisa considerar o concreto usado, a resistência desejada e as condições do serviço.

Por isso, a medida de uma ou duas colheres em 20 litros deve permanecer restrita ao contexto em que costuma ser citada: pequenos serviços sem responsabilidade estrutural. Ela muda a massa, mas não transforma um produto doméstico em aditivo técnico nem garante que o concreto endurecido manterá uma resistência previamente definida.

Quando a fissura estiver em viga, laje, pilar ou fundação, o ponto central deixa de ser a facilidade de preencher a abertura. Antes do reparo, é necessário identificar se o defeito é apenas superficial ou se está relacionado ao comportamento do elemento, porque a causa da fissura determina o tipo de intervenção adequado.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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