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Motorista da Uber procura passageiro chamado Sam, entra por engano na entrada errada e encontra idosa de mais de 90 anos com andador e uma sacola; ao ouvir “você é o mensageiro?”, ex-policial percebe que ela estava prestes a entregar cartões a golpistas

Motorista da Uber procura passageiro chamado Sam, entra por engano na entrada errada e encontra idosa de mais de 90 anos com andador e uma sacola; ao ouvir “você é o mensageiro?”, ex-policial percebe que ela estava prestes a entregar cartões a golpistas

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Motorista da Uber procura passageiro chamado Sam, entra por engano na entrada errada e encontra idosa de mais de 90 anos com andador e uma sacola; ao ouvir “você é o mensageiro?”, ex-policial percebe que ela estava prestes a entregar cartões a golpistas

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 12/09/2026 às 20:54

Atualizado em 12/09/2026 às 20:55

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Michael P. Thomas, de 61 anos, havia aceitado uma corrida comum quando chegou ao endereço errado e encontrou uma mulher prestes a entregar seus cartões a um desconhecido

Uma corrida de Uber de aproximadamente US$ 20 (cerca de R$ 102 na conversão atual) terminou de uma maneira que Michael P. Thomas jamais poderia prever. Na tarde de 26 de maio de 2026, ele seguia para buscar um passageiro chamado Sam no Village of Oak Creek, ao sul de Sedona, no Arizona, quando entrou por engano no acesso de outra residência.

Diante dele apareceu uma mulher de mais de 90 anos, caminhando com a ajuda de um andador, telefone em uma das mãos e uma sacola consigo. Michael ainda não sabia, mas havia chegado justamente quando ela aguardava um desconhecido que deveria buscar seus cartões bancários. O caso foi relatado pela FOX 10 Phoenix, Arizona’s Family e Sedona Red Rock News.

Michael achou que finalmente havia encontrado Sam, mas recebeu uma pergunta completamente inesperada

Michael Thomas, morador de Clarkdale e motorista de aplicativo, ajudou uma idosa no Village of Oak Creek a evitar um golpe que poderia resultar na perda de milhares de dólares. Ex-policial, ele percebeu rapidamente que a situação era suspeita e ajudou a vítima a acionar as autoridades. Foto: Daulton Venglar / Larson Newspapers.

Como estava procurando alguém chamado Sam, Michael acreditou inicialmente que a mulher que se aproximava poderia ser sua passageira.

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Foi então que ocorreu o diálogo que transformou a corrida em outra coisa. Segundo Michael contou à FOX 10: “Perguntei: ‘Você é Sam?’ Ela disse: ‘Não. Você é o mensageiro?’ Eu respondi: ‘Não, sou motorista da Uber.’”

A pergunta sobre o mensageiro imediatamente chamou sua atenção. A mulher não estava esperando um carro de aplicativo. Ela aguardava alguém que, acreditava, havia sido enviado pelo banco.

Tudo havia começado com uma ligação que parecia realmente vir do Wells Fargo

Pouco antes de Michael aparecer, a idosa havia recebido uma ligação de uma pessoa que alegava representar o Wells Fargo. O identificador de chamadas mostrava um número com aparência legítima, segundo o Yavapai County Sheriff’s Office.

O golpista afirmou que os cartões de débito e informações pessoais da mulher haviam sido comprometidos e que uma investigação havia sido aberta sobre suas contas. O número exibido no aparelho teria sido falsificado por meio de uma técnica conhecida como spoofing, utilizada para fazer uma ligação parecer originada de uma instituição legítima.

A abordagem foi convincente até mesmo para a vítima. Ao recordar a conversa, ela admitiu: “Esse cara me deixou impressionada. Ele sabia. Ele realmente sabia o que estava fazendo.”

Golpista mandou colocar os cartões em uma sacola e esperar a chegada de um “courier”

A falsa investigação bancária avançou até um ponto ainda mais incomum. A mulher foi instruída a reunir seus cartões de débito, colocá-los em uma sacola e aguardar um mensageiro, identificado como “courier”, que iria pessoalmente até a residência buscá-los.

Havia ainda uma ordem fundamental para o funcionamento do golpe: ela não deveria contar a ninguém o que estava acontecendo. Segundo as autoridades, exigir confidencialidade é uma estratégia utilizada para isolar a vítima e impedir que familiares ou outras pessoas percebam a fraude antes da entrega.

Quando Michael entrou no local errado, portanto, encontrou a mulher exatamente enquanto ela seguia essas instruções.

A mulher continuava ao telefone e Michael decidiu sair do carro para entender o que estava acontecendo

Michael percebeu que a situação não combinava com uma simples confusão envolvendo uma corrida. Ele deixou seu próprio telefone dentro do carro e caminhou até a idosa, que continuava falando ao celular.

O motorista começou a fazer perguntas para descobrir se alguém estava orientando a mulher a entregar dinheiro, cartões-presente ou outros objetos. Ela respondeu que não poderia conversar sobre aquilo porque precisava respeitar uma suposta confidencialidade.

Para qualquer motorista, a cena já poderia parecer estranha. Para Michael, porém, havia um detalhe adicional que mudou completamente a situação: ele havia trabalhado mais de três décadas como policial.

Depois de 32 anos na polícia, Michael reconheceu o padrão quase imediatamente

Michael P. Thomas, de 61 anos, havia se aposentado do Ross Township Police Department, na Pensilvânia, após uma carreira de 32 anos. Trabalhou inclusive com reconstrução de acidentes e como instrutor de novos policiais.

Ao Sedona Red Rock News, ele explicou por que os sinais apresentados pela mulher foram tão claros: “Ser policial me ajudou a perceber. Vejo esse tipo de coisa o tempo todo, então foi fácil identificar.”

A exigência de segredo, a conversa sobre cartões comprometidos, a entrega para um estranho e o mensageiro que apareceria pessoalmente formavam um padrão que Michael já conhecia.

Ele então deixou de tentar descobrir quem era Sam e passou a tentar impedir que a mulher continuasse seguindo as instruções.

“Isso é um golpe. Não faça isso”, disse Michael à idosa

Michael não tentou ser discreto ao perceber o risco. Ele disse diretamente à mulher que aquilo não era um procedimento bancário legítimo.

Segundo seu relato à Arizona’s Family, a orientação foi simples: “Isso é um golpe. Não faça isso.”

A idosa parou. Em seguida, entregou o telefone a Michael. O ex-policial percebeu que a chamada havia sido encerrada e recordou apenas: “Eu ouvi um clique.”

O golpista, portanto, desapareceu da ligação justamente quando outra pessoa começou a interferir na operação.

Michael não foi embora: acompanhou a idosa até dentro de casa

A intervenção não terminou no portão. Michael acompanhou a mulher de volta à residência, onde estava o marido dela.

O marido entrou em contato diretamente com o banco e confirmou o que Michael já suspeitava: a instituição não havia solicitado a entrega dos cartões e não havia enviado mensageiro algum à casa. Depois disso, o episódio foi comunicado ao Yavapai County Sheriff’s Office.

A mulher acabou seguindo o conselho do motorista e não entregou os cartões nem suas informações ao desconhecido que deveria aparecer para buscá-los. A imprensa local informou que a intervenção evitou uma fraude que poderia resultar na perda de milhares de dólares, embora nenhum valor exato tenha sido divulgado.

Motorista que apareceu no momento certo havia começado a fazer corridas apenas alguns meses antes

A sequência de coincidências não terminou no endereço errado. Michael havia começado a trabalhar como motorista de aplicativo apenas alguns meses antes do episódio.

Depois de se aposentar da polícia, ele se mudou com a esposa para Clarkdale, no Arizona, em outubro de 2022. Além dos 32 anos na polícia, Michael havia servido no Exército dos Estados Unidos entre 1983 e 1985 e continuava colaborando como voluntário com o Cottonwood Police Department.

A decisão de dirigir em tempo parcial também tinha uma razão financeira: seu seguro-saúde havia ficado significativamente mais caro e começado a consumir uma parcela maior da renda familiar. Um vizinho falou sobre o trabalho com aplicativos, e Michael decidiu experimentar.

Foi justamente esse trabalho recente que o colocou diante da idosa naquele 26 de maio.

Para a vítima, não foi apenas coincidência que um ex-policial tenha aparecido naquele instante

Depois que a fraude foi interrompida, a mulher refletiu sobre a sucessão improvável de acontecimentos: um motorista que não deveria estar em sua casa entrou por engano no local, exatamente enquanto ela aguardava o mensageiro dos golpistas, e esse motorista por acaso havia passado 32 anos trabalhando como policial.

A vítima disse acreditar que Michael havia sido enviado até ali para impedir que ela continuasse. Ao falar sobre a experiência à FOX 10, resumiu seu sentimento em poucas palavras: “Anjos estão por toda parte.”

Michael também afirmou à emissora que ficou feliz por ter conseguido ajudá-la e destacou sua preocupação especial quando idosos e crianças se tornam vítimas de criminosos.

Autoridades alertam que segredo, urgência e mensageiros são sinais importantes de fraude

O Yavapai County Sheriff’s Office aproveitou o caso para alertar sobre a maneira como esse tipo de crime funciona. Os golpistas podem se passar por funcionários de bancos, falsificar o número exibido no telefone e alegar que cartões ou informações pessoais foram comprometidos, criando uma sensação imediata de perigo.

Outro sinal é a exigência de que a vítima não conte nada a familiares ou outras pessoas. Depois de conseguir esse isolamento, os criminosos podem pedir que dinheiro, cartões ou outros objetos sejam colocados em uma sacola para serem entregues a um suposto mensageiro.

No caso de Village of Oak Creek, a sequência só foi interrompida porque Michael procurava Sam, entrou no acesso errado e resolveu fazer mais uma pergunta antes de simplesmente seguir viagem.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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