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Motorista de aplicativo de 52 anos atende a corrida de um idoso de 88 que só queria consertar o celular, percebe a solidão do passageiro, passa a levá-lo de graça a todos os compromissos e larga o emprego de bancária, com corte de 50% na renda, para ser a cuidadora dele em tempo integral

Motorista de aplicativo de 52 anos atende a corrida de um idoso de 88 que só queria consertar o celular, percebe a solidão do passageiro, passa a levá-lo de graça a todos os compromissos e larga o emprego de bancária, com corte de 50% na renda, para ser a cuidadora dele em tempo integral

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Motorista de aplicativo de 52 anos atende a corrida de um idoso de 88 que só queria consertar o celular, percebe a solidão do passageiro, passa a levá-lo de graça a todos os compromissos e larga o emprego de bancária, com corte de 50% na renda, para ser a cuidadora dele em tempo integral

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 05/09/2026 às 11:52

Atualizado em 05/09/2026 às 11:53

Curiosidades

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Jenni Tekletsion, de 52 anos, conheceu Paul Webb, de 88, numa corrida de Uber em Columbus, Ohio. Ela largou o emprego de bancária, com corte de 50%, para cuidar dele em tempo integral.

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Jenni Tekletsion conheceu Paul Webb em março de 2020, num Uber até uma loja próxima da Verizon em Columbus, Ohio. Viúvo desde 2014 e com demência, passou a ter carona e refeições diárias com ela. Em abril de 2021, ela deixou o emprego bancário para cuidar dele em tempo integral

Jenni Tekletsion, de 52 anos, aceitou uma corrida de Uber em março de 2020 para levar Paul Webb, de 88, a uma loja da Verizon perto da casa dele, em Columbus, Ohio, onde ele mora sozinho. Bastaram cinco minutos de viagem para ela perceber a solidão do passageiro, e o trajeto virou caronas gratuitas, refeições diárias e, em abril de 2021, a decisão de largar o emprego de bancária para ser a cuidadora dele.

As informações foram publicadas pelo The Washington Post em 9 de dezembro de 2021, em reportagem de Sydney Page, com entrevistas de Tekletsion, de Paul Webb e do filho dele, Keith Webb.

Corrida de março de 2020 até a Verizon durou cinco minutos e virou amizade

Jenni Tekletsion, de 52 anos, conheceu Paul Webb, de 88, numa corrida de Uber em Columbus, Ohio. Ela largou o emprego de bancária, com corte de 50%, para cuidar dele em tempo integral.

Paul Webb chamou o Uber para consertar o celular numa loja da Verizon próxima. Tekletsion o buscou em casa no seu Toyota RAV4 cinza.

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“Desde o início, nos conectamos muito bem”, disse ela. Webb confirmou: “Ela era muito simpática, fácil de conversar”.

Paul Webb: AVC em 2017, demência e uma casa vazia desde 2014

Webb foi diagnosticado com demência no verão de 2017 e não consegue dirigir desde que sofreu um AVC naquele mesmo ano. Segundo o filho Keith, a memória e o entusiasmo pela vida do pai vêm se deteriorando desde o diagnóstico.

A esposa de Paul, com quem foi casado por 65 anos, morreu em 2014. Desde então, ele vivia uma vida relativamente solitária, contou Keith, que visita o pai regularmente com a irmã, mas sem condições de cuidar dele em tempo integral.

“De agora em diante, quando precisar de uma carona, é só me ligar”

Logo nos primeiros minutos da corrida, Tekletsion disse ter percebido “o quão solitário ele estava”. “Tive a sensação de que ele precisava de ajuda. Disse a ele que morava perto da casa dele e falei: ‘De agora em diante, quando precisar de uma carona, é só me ligar’”, relatou.

“Eu vou cuidar de você”, disse ela ao passageiro que acabara de conhecer, e deu a ele seu número de telefone. “Ele confiou em mim.”

No dia seguinte, o primeiro chamado: leite no posto de gasolina

Jenni Tekletsion, de 52 anos, conheceu Paul Webb, de 88, numa corrida de Uber em Columbus, Ohio. Ela largou o emprego de bancária, com corte de 50%, para cuidar dele em tempo integral.

Webb aceitou a oferta e ligou no dia seguinte, pedindo uma carona até um posto de gasolina próximo para comprar leite.

Em questão de semanas, as ligações ficaram mais frequentes, e Tekletsion também passou a visitá-lo para ver como ele estava. “Comecei a vir aqui todos os dias depois do trabalho para trazê-lo para jantar”, contou.

Bancária remota, doutoranda e motorista de Uber para sustentar orfanato na Etiópia

Na época, Tekletsion trabalhava remotamente como bancária em uma instituição financeira e cursava doutorado em administração de empresas na Universidade Franklin, programa ainda em andamento.

O Uber era atividade das horas vagas: o dinheiro extra ia para um orfanato na Etiópia, seu país natal, de onde emigrou para os Estados Unidos há duas décadas. Foi nessa função paralela que ela cruzou com Paul Webb.

Mais de um ano de refeições diárias, com a conta dividida em revezamento

Por mais de um ano, os dois compartilharam uma refeição por dia, almoço ou jantar, conforme a agenda de trabalho de Tekletsion. Eles se revezavam para pagar a conta.

“Conversamos sobre tudo e qualquer coisa e geralmente concordamos em tudo”, disse Webb sobre os encontros diários.

Supermercado, médico, cabeleireiro: caronas sem cobrar nada

Tekletsion passou a levar Webb aonde quer que ele precisasse ir, incluindo supermercado, consultas médicas, cabeleireiros e restaurantes. Nenhuma dessas viagens foi cobrada.

Para um homem que não dirige desde 2017 e mora sozinho, as caronas resolviam a locomoção do dia a dia, algo que os filhos, mesmo com visitas regulares, não conseguiam garantir todos os dias.

Pai morto na Etiópia em 2003: “Não pude estar presente em seus últimos dias”

Em abril de 2021, quando a saúde de Webb começou a piorar, Tekletsion decidiu deixar o emprego em tempo integral para cuidar dele. Ela disse que se sentia na obrigação de fazer isso, porque não teve condições de cuidar do próprio pai, que morava na Etiópia e morreu em 2003.

“Sempre senti falta do meu pai e não pude estar presente em seus últimos dias para cuidar dele”, afirmou. Webb, explicou ela, “é como meu pai”, e a relação dos dois parece “de pai e filha”.

Filhos desconfiaram: “A parte mais difícil foi conquistar a confiança”

Quando Tekletsion entrou na vida de Webb, o filho e a filha dele, ambos moradores de Columbus, desconfiaram das intenções dela. “A parte mais difícil foi conquistar a confiança dos filhos dele”, disse.

“Expliquei a eles quem eu sou e de onde venho, e que não preciso de nada do Paul, mas quero cuidar dele e ajudá-lo no dia a dia”, contou Tekletsion, casada há 30 anos e mãe de dois filhos, Yosef, de 23 anos, e Blen, de 29. Ela disse à família ser uma pessoa espiritual e ter se sentido destinada a conhecer o pai deles. Keith Webb, de 66 anos, logo “percebeu que ela era sincera”.

Seis décadas no Battelle e uma vida que os filhos viam apagar

Paul Webb cresceu em Cumberland, Maryland, era um músico ávido e passou mais de seis décadas trabalhando no Battelle Memorial Institute, organização sem fins lucrativos de desenvolvimento científico e tecnológico, antes de se aposentar em 2015. “Ele adorava o que fazia. Era realmente muito bom no que fazia”, disse Keith.

Antes de Tekletsion aparecer, “estávamos rezando para que alguém entrasse na vida dele”, contou o filho. O comprometimento dela com o pai, na avaliação de Keith, “é nada menos que um milagre”.

Primavera de 2021: Paul começou a vagar sozinho e a casa de repouso virou opção

Na primavera de 2021, a saúde de Paul piorou consideravelmente e ele começou a vagar sozinho pelo bairro. “A questão se resumiu a uma necessidade imediata”, disse Keith. “Minha irmã e eu concordamos que não podemos permitir que ele faça isso. Algo vai acontecer ou ele vai se machucar.”

A única opção óbvia, segundo Keith, era colocar o pai em uma casa de repouso, embora “não quiséssemos fazer isso”. Paul também não aceitava: “De jeito nenhum eu ia para um asilo”.

“Por favor, não o levem para um lar de idosos. Eu cuidarei dele”

Foi então que Tekletsion fez a oferta que surpreendeu a família: “Por favor, não o levem para um lar de idosos. Eu cuidarei dele”.

Os filhos de Webb ficaram admirados e comovidos. “Existem pessoas neste mundo que realmente se importam”, disse Keith, para quem a bondade dela é “um exemplo de esperança gerada em uma nação que pode se sentir desesperançosa”. A disposição de Tekletsion trouxe “muito alívio” à família.

Corte de 50% na renda e um marido com três empregos

Tekletsion aceitou uma redução salarial de 50% para se tornar cuidadora em tempo integral de Paul. Segundo ela, o novo trabalho trouxe “tantas outras recompensas” que vão além do dinheiro, incluindo vê-lo sorrir.

O marido dela tem três empregos, o que dá à família certa flexibilidade financeira, acrescentou. “Ela é autêntica”, disse Keith. “Ela esteve presente em todos os momentos. Sou muito grato por isso.”

Sete dias por semana, das 10h às 18h: a rotina registrada em dezembro de 2021

Quando a reportagem foi publicada, em 9 de dezembro de 2021, Tekletsion aparecia na casa de Paul sete dias por semana, por volta das 10h, e ficava até as 18h. Ela arrumava a casa e garantia que ele tomasse os remédios na hora certa, tomasse banho todos os dias, comesse refeições balanceadas e respirasse ar fresco. “Estou me mantendo ocupado”, disse Paul. “Ela está sempre presente.”

“É maravilhoso. Nem quero pensar em perder a amizade dela. Ela é como uma filha para mim”, afirmou Paul. Tekletsion, que nunca planejou ser cuidadora, resumiu: “Que sorte a minha poder passar meus dias com Paul? Foi a melhor decisão que já tomei”. A reportagem não informa como a rotina dos dois evoluiu depois daquela data.

Na sua opinião, a decisão de Jenni Tekletsion de cortar a própria renda pela metade para cuidar de um ex-passageiro é um exemplo a seguir, ou expõe a falta de alternativas para famílias que não conseguem cuidar de idosos com demência em casa? Deixe sua opinião nos comentários.

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motorista de Uber vira cuidadora de passageiro de 88 anos


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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