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Motorista de aplicativo leva passageira ao aeroporto quando vê uma casa em chamas, interrompe a corrida, entra no imóvel e ajuda a salvar dois moradores, ainda consegue levá-la ao voo e dias depois ela cria uma vaquinha para ajudar a pagar o tratamento de câncer da mãe dele
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 11/09/2026 às 12:06
Atualizado em 11/09/2026 às 12:07
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Motorista de aplicativo levava uma passageira ao aeroporto de LaGuardia quando viu chamas saindo de um prédio no Brooklyn, pediu autorização para interromper a corrida, entrou no imóvel em meio à fumaça e ajudou dois moradores a escapar; depois de conseguir levar a passageira a tempo para o voo, descobriu que ela havia criado uma campanha de doações para ajudar nas despesas médicas de sua mãe, que enfrentava câncer de mama metastático espalhado para a coluna e os ossos.
Fritz Sam fazia apenas sua segunda corrida da manhã de 17 de agosto de 2022 quando a viagem para o aeroporto de LaGuardia deixou de ser um deslocamento comum. Cerca de cinco minutos depois de buscar a escritora Jemimah James Wei no Brooklyn, em Nova York, o motorista percebeu chamas saindo de uma janela do segundo andar de um edifício residencial. A passageira tinha um voo marcado para as 10h, mas Sam fez uma pergunta que mudaria completamente aquela manhã: queria saber se poderia parar para ajudar. Ela concordou, e ele entrou no prédio em chamas.
Segundo o The Washington Post, Sam percorreu o imóvel avisando os moradores sobre o incêndio, convenceu uma mulher que resistia a sair e retornou para garantir que outro homem também deixasse o prédio. Os dois moradores conseguiram sair e ninguém ficou ferido. Depois, o motorista voltou ao carro, pediu desculpas à passageira pelo atraso e ainda conseguiu deixá-la no aeroporto a tempo. Treze dias mais tarde, em 30 de agosto, Wei iniciou uma campanha para ajudar Sam com outra emergência, desta vez fora daquele edifício: sua mãe enfrentava câncer de mama metastático e despesas médicas crescentes.
Corrida começou por volta das 8h com destino ao aeroporto de LaGuardia
Fritz Sam tinha 54 anos quando o episódio aconteceu e dirigia para a Uber havia aproximadamente sete anos. Naquela quarta-feira, sua segunda passageira do dia era Jemimah James Wei, então com 29 anos, que precisava chegar ao aeroporto de LaGuardia para embarcar em um voo das 10h rumo a Vermont.
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Paulo Nogueira
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O trajeto havia começado por volta das 8h. Quando passavam pelo bairro de Bedford-Stuyvesant, no Brooklyn, Sam percebeu movimentação diante de um prédio residencial e viu fogo saindo de uma janela do segundo andar.
Não era apenas fumaça distante. Testemunhas descreveram chamas avançando pela janela e estilhaços de vidro na área. O Departamento de Bombeiros de Nova York informou à CBS que o incêndio aconteceu pouco antes das 8h e foi controlado aproximadamente meia hora depois.
Sam poderia ter continuado dirigindo e acionado os serviços de emergência. Em vez disso, virou-se para a passageira e perguntou se os dois poderiam parar para ajudar.
Wei concordou imediatamente.
Motorista deixou o carro e correu para descobrir se ainda havia alguém dentro
Ao estacionar, Sam encontrou outras pessoas na rua. Moradores estavam deixando o imóvel e um grupo havia se formado diante do prédio.
A primeira preocupação do motorista foi descobrir se todos tinham conseguido escapar. Como ninguém conseguiu garantir que o edifício estivesse vazio, ele decidiu entrar.
Sam entregou seu celular a uma pessoa que estava do lado de fora e avançou pelo imóvel gritando para que todos saíssem. Mais tarde, explicaria que pensou no que gostaria que alguém fizesse se seus próprios familiares estivessem presos em uma situação semelhante.
Assista o vídeo
O motorista era casado e pai de duas meninas, então com 7 e 9 anos. Mesmo reconhecendo o perigo de entrar em uma estrutura em chamas sem equipamento de proteção, afirmou que a possibilidade de ainda haver pessoas no interior fez com que decidisse agir.
A operação improvisada duraria apenas alguns minutos, mas ele encontraria duas pessoas que ainda não tinham deixado o prédio.
Mulher estava no alto da escada e inicialmente se recusou a abandonar o imóvel
Dentro do edifício, Sam encontrou primeiro um homem, que ainda pretendia recuperar algo antes de sair. Em seguida, deparou-se com uma mulher próxima ao topo de uma escada enquanto a fumaça avançava atrás dela.
A mulher não queria deixar o local.
Sam precisou conversar com ela e insistir para que descesse. Em relato posterior à AARP, explicou que estendeu as mãos para a moradora e começou a caminhar de costas pela escada enquanto conversava com ela.
O motorista deixou claro que não pretendia abandoná-la no interior do imóvel. A insistência funcionou. A mulher segurou suas mãos e começou a acompanhá-lo escada abaixo até a saída.
Enquanto desciam, Sam ouvia os ruídos provocados pelo incêndio. O fogo continuava avançando e equipes profissionais ainda não haviam assumido completamente a operação.
Ele conseguiu levar a moradora para fora.
Depois de salvar a mulher, ele decidiu entrar novamente para buscar o segundo morador
Sair uma vez do prédio não encerrou o episódio.
Sam ainda se lembrava do homem que havia encontrado anteriormente e não tinha certeza de que ele também havia conseguido escapar. Por isso, retornou ao interior do edifício.
O motorista voltou a chamar pelo morador e conseguiu localizá-lo. Segundo o relato dado posteriormente à AARP, ouviu o homem e insistiu para que ele abandonasse o prédio. Então o segurou pelo braço e o conduziu em direção à saída.
Foi nesse momento que policiais e os primeiros bombeiros começaram a entrar no local com equipamentos de combate às chamas.
A CBS New York confirmou que duas pessoas foram ajudadas a sair e que ninguém ficou ferido no incêndio.
O Washington Post estimou que aproximadamente seis minutos haviam se passado desde a chegada de Sam à cena até a retirada dos moradores e a chegada das equipes de emergência.
Após correr para dentro de prédio em chamas, ele voltou ao carro preocupado com o cheiro de fumaça
Com os bombeiros no local e os moradores em segurança, Sam fez algo quase surreal diante do que tinha acabado de acontecer: voltou para o veículo e retomou a corrida.
Ele ainda pediu desculpas a Jemimah Wei e perguntou se estava cheirando a fumaça.
A resposta da passageira colocou a situação em perspectiva. Para ela, o atraso tinha importância mínima diante do que acabara de presenciar. Wei mais tarde relatou que Sam havia entrado no prédio praticamente sem hesitar.
A corrida seguiu para LaGuardia. Apesar do desvio provocado pelo incêndio, Wei conseguiu chegar a tempo para embarcar no voo rumo a Vermont.
Em relato posterior, Sam estimou que toda a intervenção provocou atraso de aproximadamente dez minutos.
A passageira viajaria para uma conferência de escritores. Durante o restante do caminho, ela e Sam continuaram conversando e trocaram contatos depois que ele contou que tinha interesse em escrever um livro infantil com suas filhas.
Passageira contou o caso nas redes sociais antes mesmo de o avião decolar
Pouco antes da decolagem, Wei publicou nas redes sociais o que havia acabado de presenciar.
Quando aterrissou, descobriu que o relato já havia sido compartilhado milhares de vezes. A história ganhou repercussão porque reunia uma sequência difícil de imaginar: um motorista com uma passageira atrasada para um voo, um prédio em chamas no meio do percurso, uma parada não planejada, dois moradores retirados e a corrida concluída a tempo.
Assista o vídeo
A repercussão chegou à própria Uber.
O então CEO da empresa, Dara Khosrowshahi, entrou em contato com Sam. A companhia também concedeu ao motorista um reconhecimento como herói local e anunciou que cobriria por um ano o aluguel de um Tesla usado por ele para trabalhar.
Sam, entretanto, repetiu nas entrevistas que não considerava sua atitude algo extraordinário. Para ele, havia simplesmente encontrado pessoas que precisavam de ajuda.
A história ainda teria uma segunda reviravolta.
Passageira descobre que motorista ajudava a pagar tratamento da mãe com câncer metastático
Depois da repercussão, Wei soube de uma situação que não havia aparecido inicialmente nas imagens do incêndio.
Fritz Sam não dirigia apenas para sustentar a própria casa. Segundo a campanha posteriormente organizada por Wei, ele também ajudava a família com as despesas médicas de sua mãe, que enfrentava câncer de mama metastático.
A doença havia avançado para coluna vertebral e ossos.
Segundo a descrição da campanha, a mãe do motorista havia continuado trabalhando apesar do tratamento e das consequências da doença, mas precisou parar quando a dor se tornou intensa demais. Naquele período, estava hospitalizada recebendo radioterapia.
Sam vivia com a esposa e as duas filhas em um apartamento de um quarto e trabalhava para ajudar tanto sua residência quanto a mãe.
A passageira que havia acabado de vê-lo entrar em um prédio em chamas decidiu então usar a repercussão daquela história para tentar devolver parte da ajuda.
Treze dias depois do incêndio, passageira abre vaquinha para pagar despesas médicas
Em 30 de agosto de 2022, Jemimah Wei lançou uma campanha no GoFundMe em nome de Fritz Sam.
A meta estabelecida foi de US$ 8 mil, aproximadamente R$ 40,8 mil pela cotação de setembro de 2026, para contribuir com as despesas médicas da mãe do motorista e apoiar sua família.
Wei explicou que, depois de a história do resgate se espalhar, muitas pessoas passaram a perguntar como poderiam ajudar o motorista.
A resposta foi transformar aquela mobilização em apoio financeiro.
A campanha registrou 35 doadores e US$ 2.458 arrecadados, equivalentes a aproximadamente R$ 12,5 mil pela cotação atual, antes de as doações serem pausadas.
O valor não alcançou a meta inicial, mas adicionou uma nova camada à história: a passageira que chegou ao aeroporto graças ao motorista passou a arrecadar recursos para uma família que ele sustentava enquanto enfrentava uma doença grave.
Corrida de poucos quilômetros terminou em dois resgates e uma corrente de doações
O incêndio ocorreu em uma manhã de quarta-feira e poderia ter sido apenas mais um incidente urbano visto pela janela de um carro.
Fritz Sam transformou aquela cena em outra coisa.
Ele levava uma passageira para um voo das 10h quando encontrou fogo saindo de uma janela, pediu autorização para interromper a corrida e entrou no imóvel. Lá dentro, convenceu uma mulher a abandonar o prédio, voltou para buscar um homem e saiu quando bombeiros e policiais assumiam o atendimento. Ninguém ficou ferido.
Depois, retornou ao volante e conseguiu fazer com que Jemimah Wei chegasse ao aeroporto a tempo.
A passageira publicou a história, milhares de pessoas acompanharam o caso e a Uber reconheceu o motorista. Treze dias depois, entretanto, Wei transformou a atenção recebida em uma campanha para uma necessidade que Sam carregava longe das câmeras: ajudar sua mãe no tratamento contra um câncer de mama que havia se espalhado para os ossos e a coluna.
A corrida terminou no aeroporto, mas a ligação entre motorista e passageira continuou. Em poucos minutos, Sam havia parado seu trabalho para ajudar desconhecidos. Pouco depois, uma das pessoas que estava em seu carro decidiu fazer o mesmo por ele.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

