Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Motorista e transportador encaram uma malha com só 13% de rodovias pavimentadas enquanto plano reúne 2.837 projetos e R$ 2,03 trilhões para atacar gargalos nos 27 estados

Motorista e transportador encaram uma malha com só 13% de rodovias pavimentadas enquanto plano reúne 2.837 projetos e R$ 2,03 trilhões para atacar gargalos nos 27 estados

5 min de leitura

Motorista e transportador encaram uma malha com só 13% de rodovias pavimentadas enquanto plano reúne 2.837 projetos e R$ 2,03 trilhões para atacar gargalos nos 27 estados

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 10/09/2026 às 04:09

Atualizado em 10/09/2026 às 04:11

Logística e Transporte

Canal

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Motoristas e transportadores encaram uma malha na qual apenas 13% das rodovias são pavimentadas, enquanto o Plano CNT reúne 2.837 projetos e R$ 2,03 trilhões para enfrentar gargalos nos 27 estados.

A Confederação Nacional do Transporte colocou em um único levantamento as necessidades de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, hidrovias e mobilidade. O tamanho do déficit aparece antes mesmo do valor.

O plano mapeia 2.837 projetos e calcula R$ 2,03 trilhões em investimentos. É uma carteira de longo prazo, não uma lista de obras já contratadas ou com recursos garantidos.

Os números foram apresentados em reportagem da Agência iNFRA, que detalha o alcance nacional do novo planejamento do transporte.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Recomendado para você

Economia

Agricultores e pescadores atingidos pelo rompimento em Mariana já receberam R$ 1,52 bilhão só em transferência de renda, dentro dos R$ 3,35 bilhões que o fundo de reparação repassou desde o desastre de 2015

Os agricultores e pescadores atingidos pelo rompimento da barragem em Mariana já receberam um bilhão e meio de reais só em transferência de renda, dentro dos três bilhões e trezentos…

Paulo Nogueira

0

Só 13% das rodovias brasileiras possuem pavimento

A proporção considera a extensa malha existente no país, incluindo vias locais e estaduais. Estradas sem pavimentação aumentam tempo, desgaste e incerteza, especialmente durante períodos de chuva.

Para quem transporta produção agrícola ou insumos, um trecho ruim pode consumir a economia obtida em centenas de quilômetros de rodovia adequada. Pneus, suspensão, combustível e prazo entram na conta.

O problema não termina ao colocar asfalto. Drenagem, pontes, sinalização e manutenção definem quanto tempo a melhoria continuará segura e disponível.

R$ 2,03 trilhões expressam atraso acumulado

A cifra elevada reúne diferentes modais e horizontes. Compará-la ao orçamento de um único ano levaria a uma conclusão errada, porque a carteira precisará ser executada por etapas e fontes variadas.

Recursos públicos, concessões, autorizações e parcerias podem financiar partes distintas. Cada projeto exige estudo, licenciamento, engenharia, contratação e capacidade de pagamento ou geração de receita.

Mapear não significa financiar. O valor serve para dimensionar a necessidade, ordenar prioridades e mostrar ao poder público e a investidores onde os gargalos estão.

Os 2.837 projetos cobrem todos os 27 estados

A presença nacional evita concentrar o diagnóstico apenas nos corredores mais conhecidos. Amazônia, fronteiras agrícolas, regiões metropolitanas e acessos portuários possuem problemas diferentes e soluções próprias.

Uma ponte pode conectar comunidades; uma ferrovia pode retirar caminhões de longas distâncias; um terminal pode reduzir espera de navios. Avaliar benefício exige olhar cada função.

A carteira também permite identificar dependências. Uma ferrovia sem acesso ao porto transfere o gargalo, assim como um aeroporto regional sem ligação terrestre perde parte da utilidade.

Nos centros urbanos, o mesmo raciocínio vale para ônibus, metrô e caminhada. Uma estação rápida perde eficiência quando o passageiro demora a alcançar seu destino final por falta de integração.

Projetos precisam conectar corredores completos, e não apenas melhorar trechos isolados.

Ferrovias ganham 25,5 mil quilômetros no horizonte

O levantamento projeta cerca de 25,5 mil quilômetros de novos trilhos. A expansão busca aumentar a participação ferroviária em cargas de grande volume e percursos longos.

Trilho novo exige carga, conexão e operador. Sem terminais eficientes ou contratos de transporte, a infraestrutura corre o risco de entregar menos movimento do que a capacidade projetada.

Ferrovia não substitui caminhão em toda rota. Ela reorganiza distâncias longas, enquanto o transporte rodoviário continua essencial na coleta, distribuição e ligação com clientes.

Portos e aeroportos completam a cadeia logística

A capacidade de exportar depende de acesso terrestre e produtividade no cais. Filas, profundidade insuficiente, armazenagem limitada e burocracia podem atrasar cargas mesmo quando a rodovia está livre.

Nos aeroportos, segurança, pista, terminal e navegação precisam acompanhar demanda. Aviação regional depende ainda de mercado capaz de sustentar frequências e preços ao longo do ano.

Hidrovias oferecem grande capacidade em regiões cortadas por rios, mas precisam de terminais, balizamento e previsibilidade sazonal. Seca e cheia alteram calado, rota e volume transportável.

Conforme a carteira avança, integração modal deve virar critério de prioridade. Projetos conectados costumam produzir ganho maior do que obras independentes sem continuidade.

A expansão ferroviária aparece como uma das frentes para equilibrar o transporte de cargas.

Prioridade deve considerar custo do gargalo

Nem toda obra cara gera o maior retorno. Um trecho curto que interrompe um corredor pode merecer precedência sobre uma extensão longa com baixo movimento.

Critérios podem considerar acidentes, frete, população atendida, produção, tempo de viagem e impacto ambiental. Transparência nessa comparação reduz decisões baseadas apenas em pressão política.

Projetos maduros também tendem a avançar primeiro porque já possuem engenharia e licença. Essa vantagem não deve esconder obras urgentes que ainda precisam de estudos para se tornarem executáveis.

O melhor projeto é aquele que resolve um problema mensurável. Antes e depois precisam aparecer em indicadores, não somente em fotografias de inauguração.

Manutenção precisa disputar espaço com expansão

O Brasil frequentemente inaugura infraestrutura sem reservar manutenção suficiente. Pavimento degrada, sinalização desaparece e equipamentos param, reduzindo o retorno de um investimento já realizado.

A carteira deveria considerar o custo durante toda a vida útil. Construir mais barato e reparar cedo pode sair mais caro do que executar uma solução durável.

Contratos de desempenho podem ligar pagamento à qualidade mantida. Nesse desenho, a empresa não entrega somente pavimento novo; assume responsabilidade por indicadores durante um período definido.

Para o motorista, conservação regular é benefício imediato. Ela reduz buracos, interdições e surpresas, mesmo antes de uma grande duplicação entrar no orçamento.

Execução atravessará governos e ciclos econômicos

R$ 2,03 trilhões não serão mobilizados por uma única gestão. Projetos longos exigem continuidade contratual, segurança regulatória e planejamento que sobreviva a mudanças administrativas.

Taxa de juros, câmbio e custo de materiais alteram a viabilidade. Obras maduras, com projeto e licença, respondem mais rápido quando surge espaço fiscal ou interesse privado.

A previsibilidade regulatória pesa em concessões. Investidores calculam demanda, tarifa, obrigações e risco de mudança; governos precisam preservar contrato sem abandonar fiscalização e interesse do usuário.

Empregos surgem em engenharia, construção e operação, mas possuem duração diferente. Comunicar essa diferença evita transformar picos de canteiro em promessa de postos permanentes para toda a vida do projeto.

Quem trabalha na estrada conhece promessas repetidas. Uma carteira confiável precisa mostrar estágio, responsável e prazo para permitir cobrança pública.

O plano entrega um mapa, mas a viagem está começando

A CNT organizou uma visão nacional e multimodal. O próximo passo é transformar o diagnóstico em escolhas, contratos e canteiros, com sequência coerente entre os diferentes corredores.

O indicador de 13% pavimentado mostra a distância. Os 25,5 mil quilômetros ferroviários e os milhares de projetos mostram a escala da resposta considerada necessária.

Eu observaria a taxa anual de execução. Sem projetos saindo do papel, R$ 2,03 trilhões continuam sendo apenas medida do atraso.

E você, priorizaria pavimentação de rodovias, expansão ferroviária ou acessos a portos dentro desse plano nacional? Conte nos comentários.

Tags

Fonte

Agência iNFRA


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

Sair da versão mobile