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Mulher desceu ao porão atrás dos enfeites de Natal em novembro de 2018, deu de cara com um buraco redondo de 1,5 metro que engoliu um pilar de tijolos da casa e descobriu que o vão deve ser a boca de uma mina de ouro de 150 anos, uma das mais de 75 que operaram sob a cidade americana

Mulher desceu ao porão atrás dos enfeites de Natal em novembro de 2018, deu de cara com um buraco redondo de 1,5 metro que engoliu um pilar de tijolos da casa e descobriu que o vão deve ser a boca de uma mina de ouro de 150 anos, uma das mais de 75 que operaram sob a cidade americana

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Mulher desceu ao porão atrás dos enfeites de Natal em novembro de 2018, deu de cara com um buraco redondo de 1,5 metro que engoliu um pilar de tijolos da casa e descobriu que o vão deve ser a boca de uma mina de ouro de 150 anos, uma das mais de 75 que operaram sob a cidade americana

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 10/09/2026 às 08:57

Atualizado em 10/09/2026 às 08:58

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Ashley Weidner achou no porão da casa de 1933, em Charlotte, um buraco de 1,5 m que engoliu um pilar. Geólogos apontam poço de mina de ouro de 150 anos; a seguradora negou o sinistro duas vezes.

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Ashley Weidner, de 32 anos, achou o buraco no porão da casa de 1933 na Avenida Duckworth, em Seversville, Charlotte, na semana após o Dia de Ação de Graças de 2018. O geólogo estadual Kenneth Taylor liga o vão à Mina Chinquepin, e a seguradora negou o sinistro duas vezes

Ashley Weidner, de 32 anos, desceu ao porão da casa em Charlotte, na Carolina do Norte, para adiantar a decoração de Natal e encontrou no chão um buraco quase perfeitamente redondo, de quase 1,5 metro de diâmetro, que havia engolido um pilar de cimento e tijolo da estrutura. Geólogos consultados pelo jornal The Charlotte Observer apontam que o vão provavelmente é o que restou de um antigo poço de mina de ouro, uma das mais de 75 que operaram há quase 150 anos na cidade e no condado de Mecklenburg.

As informações foram publicadas pela emissora WBTV em 21 de fevereiro de 2019, em reportagem de Anna Douglas, do The Charlotte Observer, com declarações de Weidner, do geólogo Andy Bobyarchick, da UNC Charlotte, e do geólogo do estado, Kenneth Taylor.

Semana após o Dia de Ação de Graças: porta do porão, enfeites de Natal e um buraco de 1,5 metro

Ashley Weidner achou no porão da casa de 1933, em Charlotte, um buraco de 1,5 m que engoliu um pilar. Geólogos apontam poço de mina de ouro de 150 anos; a seguradora negou o sinistro duas vezes.

Weidner lembra que era a semana seguinte ao Dia de Ação de Graças de 2018 quando desceu a colina lamacenta ao lado da casa e destrancou a porta dos fundos que dá para o porão. Ela esperava começar a decoração de Natal.

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“No começo, eu não conseguia entender o que era… Fiquei meio sem palavras”, disse. “Eu estava olhando para os destroços dentro desse buraco enorme e profundo no chão, e então me dei conta: aquilo era um pilar estrutural que agora desmoronou no fundo do buraco.”

Pilar de cimento e tijolo que sustentava cozinha, sala de jantar e corredor caiu no fundo

O buraco engoliu um pilar de sustentação de cimento e tijolo que suportava o piso da cozinha, da sala de jantar e de um corredor que dava acesso ao quarto.

Com medo de que o chão desabasse a qualquer momento, Weidner e o noivo, Darrius Marable, de 37 anos, chegaram a cogitar evacuar a casa imediatamente. No fim, ficaram.

Uma semana de seguradora, engenheiros, especialistas em solo e topógrafos

Na semana seguinte à descoberta, Weidner conversou com a seguradora residencial, diversos engenheiros estruturais, especialistas em solos, topógrafos e construtoras locais.

Ninguém soube dizer o que havia causado uma abertura tão repentina e profunda no solo. O casal passou a conviver com a incerteza sobre a própria casa.

Casa de 1933 e nenhuma explicação: poço, esgoto rompido ou outra coisa

A casa foi construída em 1933. “Poderia ser um poço? Poderia ser um buraco causado por um cano de esgoto quebrado que não foi fechado corretamente? … Eram todas essas possibilidades”, lembra Weidner.

A resposta não veio dos profissionais contratados, e sim de uma pista histórica.

Dica de uma amiga: a corrida do ouro dos anos 1830 e os túneis sob Charlotte

Ashley Weidner achou no porão da casa de 1933, em Charlotte, um buraco de 1,5 m que engoliu um pilar. Geólogos apontam poço de mina de ouro de 150 anos; a seguradora negou o sinistro duas vezes.

Uma amiga sugeriu que Weidner pesquisasse online sobre a “corrida do ouro” da década de 1830 na Carolina do Norte. Ela encontrou uma reportagem recente do Observer sobre uma rede de antigos túneis e poços de minas desativados espalhados por Charlotte.

Weidner e o noivo procuraram uma nova equipe de especialistas, e ela contatou o jornal em busca de ajuda. “Várias pessoas começaram a dizer que é muito provável que seja um poço de mina que desabou”, contou.

Mais de 75 minas há quase 150 anos em Charlotte e no condado de Mecklenburg

O buraco pode estar ligado a uma das mais de 75 minas que operaram há quase 150 anos na cidade de Charlotte e no condado de Mecklenburg.

Bairros de crescimento rápido, como Wilmore, Seversville e South End, foram o epicentro da corrida do ouro na região, mas grande parte da história e da localização exata das minas se perdeu. A pesquisa revelou até contrabandistas destilando bebida nos túneis e acampamentos de moradores de rua encontrados em poços abandonados há quase um século.

Rudisil e St. Catherine perto do estádio dos Panthers; minas fechadas sem preencher os buracos

Nas décadas de 1830 e 1840, financistas e garimpeiros do mundo todo foram a Charlotte atrás de ouro. A maior parte da riqueza veio de duas minas perto da atual Mint Street e do estádio Bank of America, do Carolina Panthers: Rudisil e St. Catherine, que extraíam minério de ouro e quartzo de um veio ainda enterrado sob arranha-céus e rodovias.

Segundo especialistas, quando as minas fecharam em meados do século XIX, havia pouca ou nenhuma exigência de preencher os buracos e túneis deixados para trás. Minas menores existem em quase todas as direções a partir do centro, além de sítios preservados, como a Mina de Ouro Reed, no condado de Cabarrus.

Geólogo do estado aponta a Mina Chinquepin; Bobyarchick: “Não é um buraco qualquer”

O geólogo do estado da Carolina do Norte, Kenneth Taylor, acredita que o buraco sob a casa de Weidner, na Avenida Duckworth, no bairro de Seversville, provavelmente está ligado à Mina Chinquepin, que operou em Charlotte no século XIX. Taylor, o historiador Dan Morrill e Larry Neal, diretor do sítio da Mina Reed, disseram ao Observer não se surpreender com buracos inesperados causados pela mineração antiga.

Andy Bobyarchick, geólogo da UNC Charlotte, examinou o porão e confirmou: “Não é um buraco qualquer”. “Não temos calcário nem outras causas naturais para a formação de dolinas na região de Charlotte. Acreditamos que isso provavelmente esteja relacionado a algumas das antigas operações de mineração de ouro em Charlotte”, afirmou.

Casa fica entre dois achados de túneis a menos de 150 metros, ao norte e ao sul

Por meio de mapas e registros históricos, o Observer descobriu que a casa de Weidner fica exatamente entre dois outros locais com descobertas documentadas de túneis ou poços de minas de ouro nos últimos 100 anos. Ambos estão a menos de 150 metros, um ao sul e outro ao norte.

Weidner também ouviu falar de outras depressões e buracos incomuns na vizinhança. Ela teme que o buraco do porão aumente ou que outra parte do túnel desabe.

Seguradora recusou em dois dias e negou de novo: “então o que seria?”

No mesmo dia da descoberta, Weidner abriu um sinistro na seguradora. Dois dias depois, recebeu carta de recusa informando que a apólice não cobria buracos ou movimentação de terra na propriedade.

Na segunda tentativa, a seguradora voltou a negar a cobertura dos danos e dos reparos. “Se isso não for uma daquelas situações raras cobertas pelo seguro, então o que seria?”, pergunta ela.

Mapas só mostram localização geral; túneis aparecem quando a escavação começa

O geólogo do estado disse ao Observer que seu escritório recebe telefonemas ocasionais de incorporadores, planejadores de estradas e construtoras sobre a localização de minas. Os poucos mapas existentes mostram a localização geral das antigas operações, mas a maioria dos túneis só aparece depois que a escavação e a limpeza do terreno começam.

Weidner defende que líderes municipais e do condado identifiquem os túneis e tornem a informação pública, para que compradores e incorporadores saibam do risco de um colapso caro.

Pilares extras do próprio bolso e conta de dezenas de milhares de dólares; demolir pode sair mais barato

Como solução temporária, o casal pagou do próprio bolso pilares de sustentação adicionais sob a casa, no lugar do pilar que caiu no buraco.

Uma reforma permanente poderia custar dezenas de milhares de dólares, e talvez nem isso baste se o terreno estiver cheio de túneis com risco de desabar. “Potencialmente, é menos dispendioso demolir a casa e construir uma nova”, diz Weidner.

Terreno valorizou mais de US$ 100 mil em quatro anos, mas a “casa para sempre” virou dúvida

O valor dos imóveis na Avenida Duckworth mais que dobrou na última década, e nos quatro anos em que Weidner é dona da casa a valorização passou de US$ 100 mil, segundo os registros de impostos do condado. Vender é uma opção, mas, diz ela, de partir o coração.

Antes, o casal alugava a meio quarteirão dali, e ela passeava com o cachorro em frente à casa todos os dias. “Quando esta casa foi colocada à venda, fiquei muito animada porque sabia que tinha uma vista incrível, uma ótima localização e nós adoramos o bairro. Então, compramos antes mesmo de ser anunciada oficialmente”, contou. “Nosso objetivo final era que esta fosse nossa casa para sempre… Mas isso pode ter mudado um pouco.”

Em fevereiro de 2019, o casal seguia na casa escorada, sem seguro e com o buraco aberto

Quando a reportagem foi publicada, em 21 de fevereiro de 2019, Ashley Weidner e Darrius Marable continuavam morando na casa de 1933, sustentada pelos pilares provisórios que pagaram, com o buraco de 1,5 metro no porão e duas negativas da seguradora.

A ligação com a Mina Chinquepin seguia como hipótese provável dos geólogos, não como confirmação. Entre a reforma de dezenas de milhares de dólares, a demolição e a venda de um terreno valorizado, o casal ainda não tinha decidido.

Na sua opinião, a prefeitura de Charlotte deveria mapear e divulgar os túneis das mais de 75 minas de ouro sob a cidade, como pede Ashley Weidner, ou o risco de comprar uma casa de 1933 num bairro de mineração é responsabilidade do comprador? Deixe sua opinião nos comentários.

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mina de ouro sob casa em Charlotte buraco no porão


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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