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Mulher faz oração antes de trilha pedindo a Deus uma resposta sobre doar um rim, cruza com desconhecido e pergunta por que ele tentava chegar ao topo, descobre que vivia em diálise à espera de transplante e oferece o próprio órgão ali mesmo; exames revelam compatibilidade “quase como irmãos” e os dois seguem juntos para o transplante

Mulher faz oração antes de trilha pedindo a Deus uma resposta sobre doar um rim, cruza com desconhecido e pergunta por que ele tentava chegar ao topo, descobre que vivia em diálise à espera de transplante e oferece o próprio órgão ali mesmo; exames revelam compatibilidade “quase como irmãos” e os dois seguem juntos para o transplante

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Mulher faz oração antes de trilha pedindo a Deus uma resposta sobre doar um rim, cruza com desconhecido e pergunta por que ele tentava chegar ao topo, descobre que vivia em diálise à espera de transplante e oferece o próprio órgão ali mesmo; exames revelam compatibilidade “quase como irmãos” e os dois seguem juntos para o transplante

Escrito por Ana Alice

Publicado em 14/09/2026 às 18:06

Atualizado em 14/09/2026 às 18:07

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Mulher encontra homem em trilha de Utah, oferece um rim e exames revelam compatibilidade rara antes de transplante que mudou duas vidas. – Imagem: Montagem/Intermountain Health/Arquivo Pessoal/Krissy Miller

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Um encontro inesperado em uma trilha de Utah aproximou dois desconhecidos e terminou em um transplante raro, uma amizade duradoura e uma sequência de coincidências que continuou chamando atenção anos depois.

O encontro que parecia improvável não terminou quando Krissy Miller e Shiller Joseph deixaram uma trilha em Utah. Em agosto de 2025, quase dois anos depois daquele primeiro contato e mais de um ano após o transplante, os dois ainda faziam caminhadas juntos.

Joseph, que havia passado anos dependendo de diálise, chegou a voltar à clínica onde fazia tratamento. Dessa vez, não como paciente, mas para conversar com pessoas que ainda aguardavam um transplante.

O encontro inesperado durante uma trilha em Utah

A amizade entre eles começou de uma maneira difícil de planejar. Na manhã de 14 de setembro de 2023, Miller saiu para percorrer a Y Mountain, uma trilha conhecida de Provo, no estado americano de Utah.

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Durante o percurso, encontrou Joseph e sua mulher, Rhona. Uma conversa aparentemente comum acabou levando a uma pergunta sobre o motivo de ele estar tentando melhorar o condicionamento físico.

A resposta mudou completamente o rumo daquele encontro. Joseph contou que sofria de lúpus, doença autoimune que havia comprometido seus rins, e que esperava por um transplante.

Depois de anos enfrentando problemas de saúde e sessões de diálise, ele precisava se manter em condições físicas adequadas enquanto aguardava um doador.

O detalhe curioso é que Miller não era apenas mais uma pessoa que havia passado por ele na montanha. Havia meses que ela pensava seriamente em doar um dos próprios rins.

Krissy Miller e Shiller Joseph na trilha de Y Mountain, em Utah, local onde os dois se conheceram antes do transplante. Crédito: Intermountain Health.

A ideia de doar um rim havia surgido meses antes

A ideia tinha surgido em outubro de 2022, depois que ela viu nas redes sociais a história de uma família que procurava um doador. Mãe de quatro filhos, Miller contou posteriormente que imaginou como seria perder o marido, Chris, que tem diabetes tipo 1.

A partir dali, começou a considerar a possibilidade de ajudar alguém a permanecer mais tempo ao lado da própria família. Antes de encontrar Joseph, porém, ela própria havia esbarrado em um obstáculo.

Os primeiros exames mostraram que Miller precisava reduzir o nível de açúcar no sangue e perder peso antes que pudesse ser considerada apta para uma doação.

Foi justamente durante esse processo que a trilha entrou em sua rotina. Ela passou a percorrer a Y Mountain várias vezes por semana, modificou a alimentação e perdeu cerca de 17 quilos.

A caminhada que acabaria aproximando os dois, portanto, fazia parte do esforço de Miller para melhorar a própria saúde.

Naquele mesmo dia, Joseph estava na montanha pelo mesmo motivo: precisava ficar mais saudável. Pastor e ex-paramédico, ele havia se mudado da Flórida para Utah com Rhona e os três filhos.

Seu lúpus, diagnosticado anos antes, havia voltado a comprometer seriamente a função dos rins. Por volta de 2021, a situação chegou ao ponto de exigir diálise.

Segundo relatos publicados posteriormente, Joseph fazia o tratamento três vezes por semana e chegou a ficar sem condições de trabalhar. A atividade física passou a fazer parte da tentativa de melhorar seu estado geral enquanto aguardava a possibilidade de um transplante.

Uma conversa na montanha levou à oferta do rim

Quando Joseph contou isso no meio da trilha, Miller percebeu a coincidência. Ela havia pensado durante meses em doar um rim e, naquele momento, estava diante de alguém que precisava exatamente disso.

Os dois continuaram conversando e descobriram outra informação importante: ambos tinham sangue O positivo. Miller então perguntou se poderia tentar doar um de seus rins a Joseph.

A descoberta do mesmo tipo sanguíneo era promissora, mas ainda estava longe de garantir o transplante. A compatibilidade de um rim envolve uma sequência de exames que vai além do sistema ABO.

Entre os fatores avaliados estão características dos tecidos e o chamado crossmatch, teste usado para verificar se anticorpos do receptor poderiam reagir contra o órgão doado.

Depois do encontro na montanha, vieram meses de avaliações médicas, e houve períodos em que a própria possibilidade de Miller ser aprovada como doadora voltou a ficar em dúvida. Durante esse processo, ela e Joseph mantiveram contato, enquanto as duas famílias também se aproximavam.

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Exames apontaram compatibilidade semelhante à de irmãos

Em março de 2024, finalmente chegou a notícia esperada.

Os exames mostraram que Miller não era apenas uma doadora possível: a compatibilidade entre os dois era considerada muito alta.

Uma publicação da revista da Brigham Young University relatou posteriormente que a combinação ficou no percentil 90, descrita como próxima de uma compatibilidade encontrada entre irmãos.

A surpresa era ainda maior porque Miller e Joseph não tinham parentesco e nem sequer se conheciam antes daquela caminhada.

Essa comparação com irmãos tem uma explicação médica. A semelhança entre doador e receptor pode ser estudada por marcadores ligados ao sistema imunológico.

Historicamente, combinações muito próximas de determinados antígenos eram encontradas com maior frequência entre alguns irmãos biológicos, embora os métodos de avaliação tenham se tornado mais detalhados ao longo do tempo.

Transplante foi realizado em abril de 2024

A cirurgia foi marcada para 2 de abril de 2024, no Intermountain Medical Center, em Murray, Utah. Pouco mais de seis meses depois de se conhecerem durante uma subida pela montanha, os dois chegaram ao mesmo hospital.

Miller entrou para retirar um rim saudável, enquanto Joseph seria preparado para recebê-lo. Os procedimentos foram concluídos com sucesso.

Para Joseph, contudo, a recuperação inicial teve uma complicação. Ele desenvolveu uma infecção e precisou permanecer durante cerca de uma semana em uma unidade de terapia intensiva.

Depois desse período, sua condição melhorou. Miller também se recuperou e voltou às atividades físicas.

Em reportagem publicada pela BYU no inverno de 2025, Joseph era descrito como mais saudável e aproveitando a vida depois do transplante.

Shiller Joseph e Krissy Miller durante a recuperação após a doação do rim realizada em abril de 2024, em Utah. Crédito: Foto: Krissy Miller/ Y Magazine

Os dois voltaram a caminhar juntos após o transplante

A atualização publicada em agosto daquele mesmo ano acrescentou um detalhe que praticamente fecha o círculo iniciado na montanha.

Miller já havia voltado a percorrer a Y Mountain e, em uma das caminhadas relatadas, Joseph estava ao lado dela e conseguiu correr parte da subida.

A relação construída a partir daquele encontro também permaneceu. Joseph passou a chamar Miller de irmã, enquanto os dois começaram a divulgar a importância da doação de órgãos.

Ele também passou a visitar pessoas em tratamento de diálise, agora de uma posição muito diferente daquela em que estava quando encontrou a desconhecida na trilha.

Krissy Miller e Shiller Joseph aparecem juntos durante uma caminhada após o transplante que encerrou anos de diálise para Joseph. Crédito: Intermountain Health

Fé também marcou a história de Miller e Joseph

Miller sempre atribuiu um significado religioso ao episódio. Antes da caminhada de setembro de 2023, ela havia orado em busca de orientação sobre a possibilidade de se tornar doadora.

Ao ouvir Joseph falar sobre o transplante pouco depois, disse ter sentido uma reação imediata e interpretou aquele encontro como uma resposta à oração.

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Ana Alice

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Joseph compartilhou uma interpretação semelhante. Ao falar sobre Miller após o transplante, passou a descrevê-la como uma irmã e afirmou que a experiência reforçou sua fé.

Para os dois, o que começou como uma conversa entre desconhecidos durante uma caminhada acabou se transformando em uma relação familiar, construída não por parentesco, mas por uma sequência de circunstâncias que terminou com um rim funcionando no corpo de quem, meses antes, Miller nem sequer sabia que existia.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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