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Mulher fazia a caminhada diária pelo terreno de 2,3 hectares comprado quatro meses antes, em agosto de 2022, deu de cara com um buraco de 8 metros de largura e 10 de fundura aberto na terra e descobriu que o vão é o desabamento de uma mina abandonada em 1903 que ninguém lhe contou na compra, com outros quatro buracos na floresta ao lado
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 10/09/2026 às 20:06
Atualizado em 10/09/2026 às 20:07
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Pia Ramsing comprou 2,3 hectares em Collie, na Austrália Ocidental, em abril de 2022. Em agosto, encontrou uma cratera de 8 metros de largura e 10 de profundidade ligada a uma mina abandonada em 1903. O governo estadual negou ajuda e diz que compradores devem checar mapas públicos de minas.
Pia Ramsing, moradora de Collie, na Austrália Ocidental, encontrou em agosto de 2022 uma cratera de 8 metros de largura e 10 metros de profundidade no terreno de 2,3 hectares que havia comprado em abril do mesmo ano. O buraco está ligado a uma mina abandonada em 1903, e o governo estadual se recusou a ajudá-la a proteger a casa.
Segundo reportagem publicada pela ABC South West WA, da emissora australiana ABC, em 22 de março de 2023, assinada por Sam Bold, Georgia Loney e Anthony Pancia, a propriedade fica a duas horas de carro ao sul de Perth. A moradora contou à emissora que seus “sonhos foram destruídos” e que não se sente mais segura no local.
Terreno de 2,3 hectares foi comprado em abril de 2022
Pia Ramsing adquiriu a propriedade de 2,3 hectares em Collie em abril de 2022, em busca de uma mudança de vida para o campo. Segundo ela, ninguém informou na compra que o terreno ficava sobre uma antiga área de mineração.
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Paulo Nogueira
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A cidade de Collie é conhecida pelo legado de mineração, de acordo com o próprio departamento de minas da Austrália Ocidental. Esse histórico, porém, não chegou à compradora antes do negócio, segundo o relato dela à ABC.
Caminhada diária em agosto revelou buraco de 8 metros de largura e 10 de profundidade
( ABC South West: Anthony Pancia)
Quatro meses depois da compra, em agosto de 2022, Pia Ramsing fazia sua caminhada diária pela propriedade quando notou um buraco de 8 metros de largura aberto no chão. A cratera tem 10 metros de profundidade, conforme a reportagem.
“Fiquei muito chocada”, disse ela à ABC.
“Eu poderia ter sido enterrada viva”
( ABC South West: Anthony Pancia )
A moradora contou que o susto veio acompanhado da percepção do que poderia ter acontecido. “Pensei: ‘Nossa, eu poderia ter caído no buraco se tivesse vindo ontem ao mesmo lugar‘”, relatou.
“Eu poderia ter sido enterrada viva”, completou Pia Ramsing.
Investigação apontou mina abandonada em 1903
( Foto: Pia Ramsing )
Depois do choque, Pia Ramsing começou a investigar a origem da cratera. A apuração dela revelou que o terreno fica sobre uma mina abandonada em 1903, informação que ninguém lhe passou na compra da propriedade.
Segundo a moradora, a mesma mina antiga é responsável pelo buraco na casa dela e por outras crateras na floresta estadual vizinha.
Título de propriedade da Landgate não menciona a mina
O documento de propriedade não traz qualquer referência à estrutura de mineração, segundo Pia Ramsing. “Não consta no meu título de propriedade da Landgate, e ninguém disse nada”, afirmou.
Estrutura com mais de 100 anos pode abrir novas crateras
A moradora avalia que o problema pode se repetir. “Então sim, existe potencial para mais crateras no futuro, já que a estrutura tem mais de 100 anos e provavelmente está começando a se desgastar”, disse ela.
“Um dia posso acabar num buraco, então não me sinto muito segura aqui”, afirmou Pia Ramsing.
Autoridades encaminharam o caso até negar ajuda
( ABC South West: Anthony Pancia )
Pia Ramsing relatou que foi encaminhada de uma autoridade para outra antes de ouvir que nenhuma ajuda estaria disponível. “Depois de muitas trocas de e-mails e conversas, o último e-mail que recebi dizia que eu estava praticamente sozinha“, contou.
“Esta é a minha terra e eles não têm recursos financeiros para me abastecer ou me ajudar, não recebo ajuda de lugar nenhum”, disse. “Todos os meus sonhos foram destruídos porque não me sinto segura aqui.”
Departamento de Minas diz que comprador deve checar mapas antes de comprar
Em comunicado, o Departamento de Minas, Indústria, Regulamentação e Segurança da Austrália Ocidental (DMIRS) afirmou que Collie é conhecida pelo legado de mineração e que potenciais compradores devem verificar a existência de minas abandonadas.
“Qualquer pessoa que compre propriedades em áreas de mineração conhecidas deve realizar uma análise prévia cuidadosa. Existem mapas e plantas disponíveis ao público que mostram a localização de estruturas de mineração abandonadas”, diz o texto. O órgão afirmou ainda que “o Estado não terá condições de remediar todas as estruturas de minas abandonadas”.
Fundo de Reabilitação Mineira não prioriza terreno privado
O comunicado do DMIRS afirma que o Fundo de Reabilitação Mineira (MRF, na sigla em inglês) não tem recursos suficientes para ajudar pessoas na situação de Pia Ramsing. “Os fundos do MRF são muito limitados”, diz o órgão.
“O MRF geralmente não prioriza elementos em terrenos privados porque, sem acesso livre, o risco para a comunidade em geral é muito baixo“, justificou o departamento.
Outras quatro crateras estão na floresta estadual vizinha
O buraco na propriedade de Pia Ramsing não é o único ligado à mina de 1903, segundo a moradora. “Do outro lado da cratera onde me encontrei e da estrada, existem outras quatro crateras“, afirmou ela à ABC.
As crateras ficam na floresta estadual próxima ao terreno, de acordo com o relato dela.
Ônibus escolar passa duas vezes por dia pela estrada
A preocupação de Pia Ramsing vai além da própria casa. “Um ônibus escolar passa duas vezes por dia naquela estrada e fiquei um pouco preocupada, pois não quero ver aquele ônibus afundar em outro buraco”, disse.
Ex-parlamentar Mick Murray pede apoio do Estado
Mick Murray, ex-membro do Partido Trabalhista por Collie, classificou o caso como surpreendente e defendeu que Pia Ramsing receba mais apoio do Estado. “Ninguém deve ser deixado de lado só porque há uma cratera. Quem sabe onde a próxima vai se formar naquela área em particular?”, disse ele.
“Eu realmente gostaria de pedir que enviassem alguém aqui para garantir que todas as outras pessoas em Collie também estejam seguras”, afirmou Murray. Segundo ele, o fundo para minas abandonadas, criado há algum tempo, “certamente deve ter verbas destinadas a pessoas como essa”.
Murray diz que minas abandonadas são comuns na região
O ex-parlamentar afirmou que os moradores de Collie não deveriam perder o sono com a possibilidade de a cidade desabar em um buraco. Ao mesmo tempo, alertou que minas abandonadas são comuns na região.
“Foram tomadas medidas para garantir que isso não acontecesse, mas é claro que, de vez em quando, alguns desses lugares extremamente antigos, sabe, a Terra segue seu curso natural“, disse Mick Murray.
DMIRS segue orientando a moradora e o município sobre a estrada
O DMIRS afirmou que continua a prestar assessoria a Pia Ramsing em relação ao buraco na rocha. O órgão também disse estar fornecendo orientações ao município de Collie sobre o risco para a estrada próxima.
Pia Ramsing, por sua vez, segue na propriedade de 2,3 hectares sem apoio financeiro do Estado e sem se sentir segura, segundo relatou à ABC.
Na sua opinião, o Estado deveria arcar com a proteção de propriedades construídas sobre minas abandonadas, ou a responsabilidade de checar os mapas é mesmo do comprador? Deixe sua opinião nos comentários.
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Caminhada
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

