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Mulher que hoje se identifica como branca diz que imagens antigas não provam que ela tenha sido negra e atribui diferença ao bronzeado, enquanto caso viral provoca discussão sobre pessoas que tentam se aproximar de padrões associados à branquitude por meio de cabelo, pele, maquiagem, filtros e procedimentos estéticos
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 15/09/2026 às 12:19
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Vídeo do Negritude em Letras, publicado em 13 de setembro de 2026, com mais de 237 mil visualizações, parte do caso de Donna Briggs, influenciadora americana que diz ser branca e apenas bronzeada em fotos antigas, para discutir embranquecimento, colorismo e passabilidade, com exemplos como Rafaela Flair e Michael Jackson.
Donna Briggs, influenciadora e apresentadora que trabalhou como personalidade de rádio e televisão nos Estados Unidos, aparece em registros antigos com pele mais escura, cabelos escuros e uma aparência que muita gente leu como a de uma mulher negra. Hoje, com cabelos loiros e pele muito mais clara, ela afirma ser branca e diz que, nas imagens antigas, estava apenas bronzeada. O contraste entre as duas fases fez o caso explodir nas redes sociais.
A história é o ponto de partida do vídeo “Por que essa mulher afirma que nunca foi negra e diz que é branca?”, publicado em 13 de setembro de 2026 pelo canal Negritude em Letras, no YouTube, que tem 93,8 mil inscritos. O vídeo somava 237.587 visualizações e 7,1 mil curtidas e usa o caso para discutir embranquecimento, colorismo, passabilidade e padrões de beleza.
Caso explodiu quando fotos antigas passaram a circular ao lado das atuais
Donna Briggs se tornou conhecida nas redes depois que imagens antigas começaram a circular ao lado de fotos atuais, segundo o vídeo. Em conteúdos que viralizaram, ela se apresentou como uma mulher branca que estaria apenas bronzeada nos registros mais antigos.
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O canal descreve a declaração como incomum: uma mulher lida socialmente como negra que passou a se apresentar e se identificar como branca. Já o movimento inverso, o de pessoas negras tentando parecer brancas, é apontado no vídeo como muito mais fácil de encontrar.
“Eu já coloquei pregador no nariz”: apresentadora conta a própria tentativa de parecer branca
A apresentadora do canal relata a própria experiência. “Eu já tentei. Eu já coloquei pregador de cabelo no nariz para ver se ele afinava”, conta. Ela diz que evitava o sol para não ficar “mais preta do que eu já sou” e usava blusa de manga longa mesmo no verão.
“No meu imaginário eu achava que as pessoas não iam me ver como negra”, afirma.
Sammy Sosa confirmou uso de clareadores; Kajol e Deepika Padukone negam procedimentos
Entre os famosos citados, o vídeo destaca o ex-jogador dominicano Sammy Sosa, cujas fotos do início da carreira e as recentes mostram uma mudança radical na tonalidade da pele. Segundo o canal, o próprio Sosa confirmou tratamentos com produtos clareadores, negou ter vitiligo ou tentar se parecer com Michael Jackson e afirmou viver feliz e sem racismo.
Na Índia, o vídeo cita Kajol, uma das atrizes mais famosas dos anos 90, e Deepika Padukone, cujas imagens do início da carreira aparecem com pele mais escura do que em campanhas e aparições posteriores. As duas negam qualquer procedimento, e o canal lembra que existe uma indústria bilionária de cremes clareadores na Ásia.
Nas Filipinas, Nadine Lustre e Princess Punzalan relataram uso de glutationa
A atriz e cantora filipina Nadine Lustre contou abertamente que, na adolescência, se sentia insegura pela pele morena, porque os testes de elenco costumavam procurar meninas mestiças de pele mais clara, conforme o vídeo. Ela entrou numa fase de clareamento com glutationa, sabonetes clareadores e receitas caseiras.
Anos depois, passou a defender o contrário e a valorizar a própria pele. Outra atriz filipina, Princess Punzalan, contou que nos anos 90 também usou glutationa para ficar mais branca.
Rafaela Flair: acusada de blackfishing, disse que tentou parecer mais branca para ser aceita
No Brasil, o vídeo traz o caso da jornalista e influenciadora Rafaela Flair. Por anos, ela aparecia nas redes com pele muito clara, cabelo alisado, olhos claros e traços modificados por edição. Quando fotos antigas e recentes circularam lado a lado, foi acusada de ser uma mulher branca tentando parecer negra.
Rafaela contou outra história, segundo o canal: vem de uma família negra, é a pessoa de pele mais clara da família e, na adolescência e no início da vida adulta, criou estratégias para parecer mais branca e ser aceita: evitava sol, usava base muito clara e lentes de contato, alisava o cabelo e manipulava fotos e vídeos.
“Eu preciso ser mais bonita”: o padrão aprendido, segundo o vídeo
Rafaela explicou que, na época, não pensava “eu preciso ser mais branca”, e sim “eu preciso ser mais bonita”, conforme o vídeo. Ela só começou a repensar a identidade racial ao circular em determinados espaços em São Paulo e perceber que as pessoas brancas não a viam como branca.
Para o canal, o caso mostra como o racismo pode funcionar no campo da estética: bastava ter aprendido a equação “mais clara é igual a mais bonita”. Uma pessoa parda de pele clara pode ter passabilidade e se aproximar da branquitude, mas aproximação, segundo o vídeo, não significa pertencimento.
Autodeclaração, construção estética e classificação pelos outros: as três dimensões
O vídeo aponta que os casos de Donna Briggs e Rafaela Flair se encontram “quase pelo avesso”: Rafaela reconhece que tentou se aproximar da branquitude; Donna afirma que sempre pertenceu a ela. Os dois levam à mesma pergunta: até onde uma pessoa controla a maneira como é racialmente percebida.
Segundo o canal, há três coisas diferentes em jogo: a autodeclaração, a construção estética (cabelo, pele, maquiagem, lentes, foto e procedimentos) e a classificação feita pelos outros. Elas podem coincidir ou entrar em conflito, e é nesse conflito que raça aparece como relação social, presente na loja, na entrevista de emprego, na escola e na abordagem policial.
Michael Jackson: vitiligo confirmado, rinoplastia admitida e “Eu sou um americano negro”
O vídeo lembra que Michael Jackson, menino negro de pele escura e cabelo afro no Jackson 5, apareceu décadas depois com pele extremamente clara e nariz mais fino. A explicação popular, “ele queria ser branco”, simplifica demais, segundo o canal.
Em 1993, na entrevista a Oprah, Jackson falou do vitiligo, doença que destruía a pigmentação da pele, e declarou: “Eu sou um americano negro. Tenho orgulho disso”. O dermatologista dele confirmou o diagnóstico depois. Na mesma entrevista, admitiu a rinoplastia, negou outras cirurgias atribuídas pela imprensa e disse ser perfeccionista e nunca estar satisfeito consigo. O vídeo ressalva que não é possível afirmar a motivação íntima de cada procedimento, mas que nenhum padrão de beleza existe “no vazio”.
Neusa Santos Souza e o “ideal do ego” branco; Isildinha Baptista Nogueira e o racismo no espelho
Para a discussão, o canal recorre a Neusa Santos Souza, autora de “Tornar-se Negro”, que usa o conceito psicanalítico de ideal do ego: numa sociedade racialmente desigual, pessoas negras recebem um modelo ideal fundamentalmente branco e são ensinadas a perseguir um ideal que exige o afastamento do que são.
Isildinha Baptista Nogueira, em “Significações do corpo negro”, aprofunda o que acontece no corpo, segundo o vídeo: a pessoa deixa de pensar “há uma sociedade que desvaloriza meu cabelo” e passa a pensar “meu cabelo é feio, minha cor é feia”. “O racismo sai da rua e entra no espelho”, resume o canal.
Brancura não é branquitude: “nariz negro” existe, “nariz branco” não
O vídeo diferencia brancura de branquitude. Ser branco, diz, não significa ser rico nem ter sucesso garantido; branquitude é uma posição construída historicamente, a possibilidade de certas pessoas funcionarem como referência. Por isso, “quase nunca ouvimos alguém dizer ‘ele tem um nariz branco’, mas ouvimos ‘ele tem um nariz negro’”.
No Brasil, categorias como branco, pardo e preto foram atravessadas por aparência, classe e posição social, e a ascensão social pôde aproximar simbolicamente alguém da branquitude, como nos casos de Nilo Peçanha e Machado de Assis, conforme o canal, que também cita a trend “Ele é bonito ou é só branco?”.
Filtros e aplicativos clareiam a pele, mas os arquivos antigos não somem
Assista o vídeo
O caso de Rafaela Flair acrescenta uma camada contemporânea, segundo o vídeo: hoje existem filtros, iluminação, procedimentos estéticos e aplicativos capazes de clarear a pele automaticamente. Nunca houve tantas ferramentas para administrar a própria imagem.
A ironia apontada pelo canal é que também nunca houve tantos arquivos: fotos antigas não desaparecem, vídeos reaparecem, prints circulam, e as redes sociais permitem reconstruir uma trajetória inteira, como aconteceu com Donna Briggs.
Vídeo passou de 237 mil visualizações, e Donna Briggs mantém que sempre foi branca
Na data da publicação, 13 de setembro de 2026, Donna Briggs seguia afirmando que sempre foi branca, enquanto milhares de pessoas comparavam seus registros antigos e questionavam a versão, conforme o vídeo. O canal conclui que o embranquecimento “nunca será apenas uma questão estética, ele será também uma questão de poder”, porque o racismo também ajuda a determinar o que a sociedade ensina as pessoas a desejar.
Para você, quem define a identidade racial de uma pessoa: a autodeclaração, a aparência construída ou a forma como a sociedade a enxerga? Deixe sua opinião nos comentários.
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embranquecimento
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

