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Muralha da China 2.0 está sendo erguida na África com 8 mil quilômetros, meta de recuperar 100 milhões de hectares e potencial para criar 10 milhões de empregos em uma transformação sem precedentes no Sahel

Muralha da China 2.0 está sendo erguida na África com 8 mil quilômetros, meta de recuperar 100 milhões de hectares e potencial para criar 10 milhões de empregos em uma transformação sem precedentes no Sahel

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Muralha da China 2.0 está sendo erguida na África com 8 mil quilômetros, meta de recuperar 100 milhões de hectares e potencial para criar 10 milhões de empregos em uma transformação sem precedentes no Sahel

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 14/09/2026 às 21:19

Atualizado em 14/09/2026 às 22:00

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Projeto liderado por países africanos deixou de ser concebido como uma fileira contínua de árvores e hoje reúne restauração do solo, manejo da água, agricultura e recuperação de ecossistemas em diferentes pontos do Sahel, com metas ambientais e sociais para 2030.

A Grande Muralha Verde é uma iniciativa africana de restauração ambiental voltada à recuperação de terras degradadas no Sahel, faixa de transição entre o deserto do Saara e regiões mais úmidas ao sul. Apesar do nome, ela não consiste em uma parede física ou em uma fileira contínua de árvores.

A imagem de uma faixa vegetal com cerca de 8 mil quilômetros, do Senegal ao Djibuti, ajudou a popularizar o projeto. Com o avanço da iniciativa, porém, a proposta passou a reunir diferentes formas de restauração adaptadas ao clima, ao solo, à disponibilidade de água e ao uso da terra em cada região.

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A União Africana lançou a iniciativa em 2007. A página oficial da Grande Muralha Verde informa que o programa surgiu para enfrentar a desertificação e a degradação das terras no Sahel e no Saara, mas evoluiu para uma abordagem mais ampla de restauração e desenvolvimento resiliente ao clima.

De uma faixa de árvores para um mosaico de paisagens

O desenho original ficou conhecido pela ideia de uma extensa faixa verde atravessando a África de oeste a leste. Na prática, uma solução uniforme teria dificuldade para responder às diferenças ambientais e econômicas encontradas ao longo de milhares de quilômetros.

A degradação dessas áreas também não resulta apenas da ausência de árvores. Perda de cobertura vegetal, erosão, uso excessivo do solo, secas prolongadas e menor capacidade de retenção de água podem atuar em conjunto, reduzir a fertilidade e tornar a produção de alimentos mais difícil.

Por isso, a restauração pode combinar regeneração da vegetação existente, proteção de pastagens, plantio de espécies adaptadas, sistemas agroflorestais, práticas agrícolas mais sustentáveis e estruturas para captar ou conservar água. O conjunto aplicado depende das condições e das necessidades de cada território.

Com essa abordagem, a “muralha” passou a representar projetos distribuídos por diferentes países, e não uma única linha de árvores contra o avanço do deserto. As ações procuram recuperar terras produtivas por meio da conservação da vegetação, do solo e da água.

A dimensão social faz parte do programa porque milhões de moradores do Sahel dependem diretamente da terra para cultivar alimentos, criar animais e obter renda. Quando a produtividade cai, famílias rurais ficam mais expostas à insegurança alimentar e à perda de meios de subsistência.

Recuperar uma área produtiva, portanto, envolve mais do que recompor a cobertura vegetal. Os projetos também buscam melhorar condições para agricultura e pastoreio, apoiar atividades econômicas associadas ao manejo sustentável e criar trabalho ligado à recuperação de áreas degradadas.

Metas para 2030 unem restauração, carbono e empregos

As metas estabelecidas para 2030 incluem recuperar 100 milhões de hectares de terras degradadas, sequestrar 250 milhões de toneladas de carbono e criar 10 milhões de empregos verdes em áreas rurais. Os objetivos combinam recuperação ambiental e geração de meios de subsistência dentro da mesma iniciativa.

A escala continental, no entanto, dificulta uma leitura simples do avanço. Um relatório de 2026 da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação registra 389 projetos no observatório da iniciativa até o fim de 2025, mas menos de 90 apresentavam dados compatíveis com a estrutura harmonizada de monitoramento.

Entre os projetos que reportaram informações nesse padrão, o documento registrou 1,66 milhão de hectares sob restauração e 24 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente sequestradas ou mitigadas.

O mesmo conjunto contabilizou 4,6 milhões de empregos criados e mais de 46 milhões de pessoas beneficiadas. Esses valores se referem aos projetos que enviaram dados dentro da estrutura analisada e, por isso, não equivalem a um balanço completo de todas as ações vinculadas à Grande Muralha Verde.

A diferença de cobertura impede comparar diretamente os 1,66 milhão de hectares reportados com a meta continental de 100 milhões como se toda a execução estivesse registrada na mesma base. O próprio relatório identifica uma lacuna de reporte entre os projetos acompanhados.

Plantar árvores é apenas uma parte do trabalho

As diferenças de monitoramento ajudam a explicar por que balanços divulgados em momentos distintos podem apresentar números difíceis de comparar. Países e projetos adotaram formas variadas de acompanhamento, enquanto a estrutura harmonizada procura reunir indicadores equivalentes de restauração, carbono, empregos e outros resultados.

A estratégia institucional reflete essa diversidade. A Grande Muralha Verde combina restauração de ecossistemas, agricultura, pastoreio, florestas, adaptação climática e fortalecimento dos meios de vida, em vez de concentrar os esforços exclusivamente no plantio de árvores.

Mesmo onde há plantio, colocar mudas no solo representa apenas uma etapa. Recuperar terras secas exige manutenção, proteção contra nova degradação, manejo de água e escolha de espécies compatíveis com cada ambiente para que a vegetação consiga se estabelecer e permanecer.

O programa também depende de financiamento, coordenação entre países e parceiros e acompanhamento capaz de comparar iniciativas espalhadas por diferentes territórios. Esses fatores fazem parte das condições necessárias para executar as metas e registrar de forma consistente os resultados ambientais, econômicos e sociais.

O relatório de 2026 mostra que a padronização desse acompanhamento ainda não alcança a maior parte dos projetos registrados no observatório. A ampliação do reporte sob critérios comparáveis será necessária para medir, até 2030, quanto das metas efetivamente entrou em execução e quais resultados foram documentados.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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