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Na Amazônia brasileira, maior mina de ferro a céu aberto do mundo movimenta 150 milhões de toneladas por ano e está na origem de uma cidade que já supera 305 mil moradores

Na Amazônia brasileira, maior mina de ferro a céu aberto do mundo movimenta 150 milhões de toneladas por ano e está na origem de uma cidade que já supera 305 mil moradores

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Na Amazônia brasileira, maior mina de ferro a céu aberto do mundo movimenta 150 milhões de toneladas por ano e está na origem de uma cidade que já supera 305 mil moradores

Escrito por Romário Pereira de Carvalho

Publicado em 17/09/2026 às 10:55

Atualizado em 17/09/2026 às 10:56

Mineração

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Imagem: Divulgação

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No sudeste do Pará, o complexo Carajás/Serra Norte transformou um pequeno povoado em uma cidade de 305 mil habitantes, cercada por floresta protegida, cavernas ferríferas e uma gigantesca operação mineral

A maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo produz cerca de 150 milhões de toneladas por ano no sudeste do Pará e está diretamente ligada ao surgimento de uma cidade que hoje supera 305 mil habitantes. Parauapebas cresceu aos pés da Serra dos Carajás depois que o Projeto Ferro Carajás começou a atrair trabalhadores de diferentes regiões do país.

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O complexo Carajás/Serra Norte, localizado no município, é classificado pela Vale como a maior mina de minério de ferro a céu aberto do planeta.

A dimensão da operação também aparece em registros da Nasa, que descreveu Carajás dessa forma ao divulgar imagens de satélite da região.

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A produção anual ajuda a dimensionar a escala do empreendimento. Atualmente, cerca de 150 milhões de toneladas de ferro saem da operação de Serra Norte por ano.

Enquanto a mineração avançava, um pequeno núcleo urbano começou a crescer do lado de fora das áreas de exploração.

Décadas depois, esse povoado se transformou em uma das cidades mais populosas daquela parte da Amazônia.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Parauapebas tinha 267.836 moradores no Censo de 2022.

A estimativa oficial para 2025 chegou a 305.771 habitantes, quase 38 mil pessoas a mais em apenas três anos.

Imagem: Reprodução / Youtube

Mina gigante: Projeto Carajás atraiu trabalhadores e acelerou crescimento do povoado

A ligação entre a mina e a formação de Parauapebas começou antes mesmo da criação oficial do município.

Com a implantação do Projeto Ferro Carajás, trabalhadores vindos de várias regiões passaram a chegar ao sudeste do Pará.

Aos pés da Serra dos Carajás, o povoado de Rio Verde cresceu com a abertura de casas, estabelecimentos comerciais e serviços voltados para a população atraída pela atividade mineral.

O aumento populacional fortaleceu o movimento de emancipação em relação a Marabá. Em abril de 1988, mais de 16 mil eleitores participaram de um plebiscito para decidir sobre a criação do novo município.

De acordo com a Prefeitura de Parauapebas, 99% dos votos foram favoráveis à emancipação. Poucas semanas depois, em 10 de maio de 1988, a Lei Estadual nº 5.443 criou oficialmente Parauapebas.

Em menos de quatro décadas, o núcleo surgido no entorno do Projeto Carajás passou a abrigar uma população estimada em mais de 305 mil habitantes.

Imagem: Reprodução

Minério de ferro percorre ferrovia até chegar ao litoral do Maranhão

Além do volume extraído, Carajás se destaca pelas características do minério. O material da região apresenta alto teor de ferro e baixa concentração de contaminantes, propriedades valorizadas pela indústria siderúrgica.

Depois de extraído e beneficiado, o minério deixa a área produtora pela Estrada de Ferro Carajás. A ferrovia conecta o sudeste do Pará ao Maranhão e integra o corredor logístico que termina no Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís.

A partir do terminal, a produção segue para diferentes mercados internacionais.

A escala da mina também foi registrada pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa. Em uma imagem produzida por satélite, a agência norte-americana descreveu Carajás como a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo e destacou a dimensão das reservas existentes na região.

Mina gigantesca funciona ao lado de área protegida da Amazônia

O crescimento urbano e a atividade mineral dividem espaço com uma extensa área de conservação.

Criada pelo governo federal em fevereiro de 1998, a Floresta Nacional de Carajás abrange partes de Parauapebas, Canaã dos Carajás e Água Azul do Norte.

O decreto de criação estabeleceu uma área de 411.948,87 hectares. O cadastro atual do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), porém, registra 391.263,04 hectares.

A atividade mineral dentro da floresta nacional foi considerada desde a criação da unidade. As florestas nacionais fazem parte das unidades de conservação de uso sustentável, categoria que permite determinadas atividades econômicas sob regras ambientais.

Na região, o ICMBio mantém ações de pesquisa científica, conservação, proteção e visitação, incluindo trabalhos relacionados ao gavião-real e à arara-azul-grande, além de iniciativas de observação de aves.

Imagem: Divulgação

Mais de 1,5 mil cavernas ferríferas foram catalogadas

Debaixo da floresta e das formações minerais existe outro patrimônio de grandes proporções.

Segundo o ICMBio, a Flona de Carajás abriga mais de 1,5 mil cavernas em formação ferrífera já catalogadas, a maior concentração desse tipo registrada no Brasil.

Parte dessas cavidades preserva evidências de presença humana de milhares de anos. Pesquisas realizadas na região encontraram vestígios deixados por diferentes grupos, utilizados por pesquisadores para estudar a ocupação humana da Amazônia.

As cavernas também abrigam organismos adaptados à vida subterrânea e estão associadas às formações geológicas da Serra dos Carajás.

Na superfície, a unidade protegida reúne rios, cachoeiras, lagoas, trilhas, florestas e vegetação de canga. Entre os atrativos relacionados pelo ICMBio estão a Cachoeira de Águas Claras, cavernas ferríferas, trilhas na mata, observação de aves e o próprio complexo industrial de mineração, com visitação realizada de forma controlada.

Assim, a mesma região que abriga uma operação capaz de produzir cerca de 150 milhões de toneladas de ferro por ano também reúne uma cidade que nasceu impulsionada pela mineração e cresceu até ultrapassar os 305 mil habitantes.

Esta reportagem foi produzida a partir de informações divulgadas pelo IBGE, Vale, Prefeitura de Parauapebas, ICMBio e pelo Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa.

Fonte

https://www.diariodolitor


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

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