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NASA levou avião experimental ao limite, alcançou quase 11 mil km/h por poucos segundos e encerrou missão histórica com queda planejada no Oceano Pacífico

NASA levou avião experimental ao limite, alcançou quase 11 mil km/h por poucos segundos e encerrou missão histórica com queda planejada no Oceano Pacífico

6 min de leitura

NASA levou avião experimental ao limite, alcançou quase 11 mil km/h por poucos segundos e encerrou missão histórica com queda planejada no Oceano Pacífico

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 11/09/2026 às 00:34

Atualizado em 11/09/2026 às 00:51

Ciência e Tecnologia

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X-43A, aeronave experimental da NASA que alcançou aproximadamente Mach 9,6 durante o voo recordista realizado em 2004.

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Lançado de um B-52 e impulsionado inicialmente por um foguete, o pequeno X-43A ativou seu motor scramjet em pleno voo, chegou a Mach 9,6 e estabeleceu em 2004 uma marca que permanece como referência na aviação hipersônica

Durante poucos segundos, um veículo escuro, com apenas alguns metros de comprimento e sem piloto, atravessou o céu sobre o Oceano Pacífico a uma velocidade difícil de imaginar.

O NASA X-43A voava tão rápido que poderia percorrer a distância entre São Paulo e Lisboa em menos de uma hora, caso conseguisse manter o mesmo ritmo.

Naquele momento, porém, não existiam passageiros, aeroporto de destino ou qualquer intenção de recuperar a aeronave. A missão tinha outro objetivo: descobrir se um motor experimental conseguiria funcionar enquanto o ar passava por seu interior em velocidade supersônica.

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O teste aconteceu em 16 de novembro de 2004, na costa da Califórnia. O X-43A atingiu aproximadamente Mach 9,6, algo próximo de 10,6 mil km/h, dependendo das condições atmosféricas e do método de conversão utilizado.

Depois de aproximadamente dez segundos de funcionamento do motor, o veículo iniciou uma longa descida e desapareceu no Pacífico, exatamente como a NASA havia planejado.

Quase 22 anos depois, o voo ainda aparece como um dos maiores feitos da história da propulsão hipersônica.

X-43A durante uma missão do programa Hyper-X, desenvolvido pela NASA para testar a propulsão hipersônica com motor scramjet.

Um B-52 levou o X-43A até o ponto de lançamento

O X-43A não saiu de uma pista usando seus próprios motores. Na verdade, a operação exigiu uma sequência cuidadosamente calculada.

Primeiro, um avião B-52B Stratofortress modificado decolou levando sob sua asa um foguete Pegasus. O pequeno veículo experimental estava instalado na extremidade dianteira desse foguete.

Ao alcançar cerca de 12 quilômetros de altitude, o B-52 liberou o conjunto sobre o Oceano Pacífico. Em seguida, o foguete foi acionado e acelerou o X-43A até uma altitude superior a 30 quilômetros.

Somente depois dessa etapa o veículo se separou do propulsor. A entrada de ar foi aberta e o motor scramjet começou a funcionar.

Portanto, o foguete forneceu a velocidade inicial necessária. Já o motor experimental demonstrou que poderia operar e produzir empuxo durante um voo próximo de Mach 10.

A distinção é importante. O X-43A não acelerou sozinho desde o repouso até quase 11 mil km/h. Contudo, seu sistema de propulsão funcionou livremente em uma condição que nenhum outro veículo atmosférico desse tipo havia demonstrado da mesma forma.

O resultado estabeleceu o recorde de velocidade para uma aeronave de voo livre movida por motor aspirado, ou seja, um sistema que utiliza oxigênio retirado diretamente da atmosfera.

B-52B da NASA decola levando sob a asa o foguete Pegasus e o X-43A antes da missão hipersônica de novembro de 2004.

Motor aproveitava o próprio ar em velocidade supersônica

O coração da experiência era o scramjet, abreviação em inglês para motor estatorreator de combustão supersônica.

Enquanto um foguete precisa carregar combustível e oxidante, o scramjet recolhe oxigênio do ar durante o deslocamento. Isso pode reduzir o peso do veículo e abrir caminho para sistemas mais eficientes.

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Entretanto, existe um obstáculo gigantesco. O motor só começa a funcionar quando a aeronave já está viajando em velocidade extremamente alta.

No X-43A, o ar entrava no motor em velocidade supersônica, misturava-se ao hidrogênio e passava pelo processo de combustão sem desacelerar para condições subsônicas.

Tudo precisava acontecer em uma fração de segundo.

O formato do próprio veículo também participava da propulsão. A parte dianteira ajudava a comprimir o ar, enquanto a região traseira funcionava como uma extensão do bocal de exaustão.

Nesse nível de velocidade, até a atmosfera se transforma em um problema. A compressão do ar e o atrito elevam drasticamente a temperatura das superfícies. Além disso, pequenas instabilidades podem provocar a perda completa do controle.

Por esse motivo, manter o X-43A estável por poucos segundos representou uma conquista técnica relevante.

X-43A passa por testes em solo antes das missões criadas para comprovar o funcionamento do motor scramjet em velocidades extremas.

Programa começou com uma explosão antes de alcançar o recorde

O voo recordista não foi a primeira tentativa da NASA.

Em junho de 2001, o primeiro X-43A foi lançado sob condições semelhantes. Entretanto, o foguete propulsor perdeu o controle pouco depois da separação do B-52.

Os responsáveis pela segurança destruíram o conjunto sobre o Pacífico antes que ele saísse da área prevista. Assim, o primeiro protótipo nunca conseguiu testar seu motor scramjet.

A NASA analisou o acidente, corrigiu problemas e preparou uma nova missão.

Em 27 de março de 2004, o segundo X-43A realizou um voo bem-sucedido e chegou a aproximadamente Mach 7. Na época, o desempenho já representava um recorde para uma aeronave movida por um sistema que respirava o ar atmosférico.

O terceiro exemplar tinha uma ambição ainda maior. Seus componentes foram preparados para enfrentar temperaturas mais elevadas e uma velocidade próxima de Mach 10.

Em novembro daquele mesmo ano, a missão finalmente alcançou Mach 9,6. O motor recebeu combustível por cerca de dez segundos, enquanto sensores registravam pressão, temperatura, estabilidade e desempenho aerodinâmico.

Cada instante de funcionamento produziu dados que não poderiam ser obtidos completamente em túneis de vento.

Queda no Oceano Pacífico fazia parte da missão

Apesar do valor tecnológico do X-43A, a NASA nunca planejou recuperá-lo.

Após o desligamento do motor, o veículo continuou voando sem propulsão. Os controladores ainda acompanharam sua descida e coletaram informações durante vários minutos.

Por fim, o protótipo atingiu o Oceano Pacífico em uma área previamente definida.

A queda não representou falha ou desperdício inesperado. O X-43A era uma plataforma descartável, construída para realizar um único experimento em condições extremas.

Adicionar trem de pouso, combustível adicional e sistemas de recuperação aumentaria o peso e a complexidade. Isso também poderia impedir que o veículo cumprisse sua função principal.

O objetivo não era preservar a máquina, mas capturar informações sobre o comportamento do motor e da estrutura.

Embora o voo tenha ocorrido em 2004, sua marca ainda permanece como referência para aeronaves de voo livre com motores aspirados. Outros veículos alcançaram velocidades superiores usando foguetes ou durante a reentrada atmosférica, mas pertencem a categorias diferentes.

A pesquisa também ajudou a orientar projetos posteriores, como o X-51A Waverider, testado pela Força Aérea dos Estados Unidos.

Os scramjets continuam associados a futuras armas hipersônicas, sistemas espaciais e aeronaves capazes de atravessar continentes em pouco tempo. Contudo, controlar temperatura, estabilidade, consumo e aceleração ainda representa um desafio.

O X-43A funcionou por apenas alguns segundos. Mesmo assim, demonstrou que a combustão supersônica poderia sair dos laboratórios e sobreviver ao ambiente real de voo — antes de cumprir sua última tarefa e desaparecer para sempre sob as águas do Pacífico.

Você acredita que a tecnologia hipersônica testada pela NASA poderá transformar as viagens aéreas e espaciais nas próximas décadas?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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