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NASA planeja levar astronautas ao polo sul lunar em 2028, mas Victor Glover, piloto da Artemis II, propõe pousar primeiro perto do equador porque a iluminação seria mais previsível e uma emergência médica no destino polar poderia deixar a tripulação esperando até uma semana por oportunidade de evacuação

NASA planeja levar astronautas ao polo sul lunar em 2028, mas Victor Glover, piloto da Artemis II, propõe pousar primeiro perto do equador porque a iluminação seria mais previsível e uma emergência médica no destino polar poderia deixar a tripulação esperando até uma semana por oportunidade de evacuação

7 min de leitura

NASA planeja levar astronautas ao polo sul lunar em 2028, mas Victor Glover, piloto da Artemis II, propõe pousar primeiro perto do equador porque a iluminação seria mais previsível e uma emergência médica no destino polar poderia deixar a tripulação esperando até uma semana por oportunidade de evacuação

Escrito por Carla Teles

Publicado em 13/09/2026 às 07:40

Atualizado em 13/09/2026 às 07:45

Ciência e Tecnologia

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Piloto da Artemis II questiona o primeiro pouso no polo sul lunar e propõe o equador, citando iluminação, energia e demora na evacuação.

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A agência mantém o primeiro pouso tripulado do programa Artemis para o início de 2028 e vê no polo sul lunar alto valor científico e potencial acesso a gelo de água. Glover, porém, considera mais seguro avançar gradualmente até a região polar.

A NASA mantém para o início de 2028 o primeiro pouso tripulado do programa Artemis, previsto para a missão Artemis IV e direcionado ao polo sul lunar. Victor Glover, piloto da Artemis II, questionou a escolha para a primeira descida e defendeu que a agência comece perto do equador antes de avançar gradualmente para a região polar.

Segundo Glover, um pouso equatorial ofereceria condições de iluminação mais previsíveis e trajetórias capazes de acelerar o retorno em uma emergência. No plano polar associado à órbita de halo quase retilínea, a oportunidade de decolagem e reencontro com a Orion poderia surgir apenas uma vez por semana, problema particularmente grave diante de uma emergência médica.

Artemis IV deverá realizar o primeiro pouso tripulado do novo programa lunar

Piloto da Artemis II questiona o primeiro pouso no polo sul lunar e propõe o equador, citando iluminação, energia e demora na evacuação.

O programa Artemis foi criado para levar astronautas de volta à superfície da Lua, décadas após as missões Apollo. A Artemis II deverá levar uma tripulação em torno da Lua, sem pouso, e testar sistemas e procedimentos que serão necessários nas etapas seguintes.

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A expectativa apresentada para a Artemis IV é que ela realize o primeiro pouso tripulado do novo programa lunar, no início de 2028. Antes disso, a Artemis III deve concentrar esforços em manobras de acoplamento com veículos lunares desenvolvidos pelas empresas Blue Origin e SpaceX.

A arquitetura escolhida pela NASA prevê que a nave Orion se acople ao módulo de pouso em órbita lunar. Os astronautas descem até a superfície, enquanto a Orion continua sua trajetória ao redor da Lua antes do reencontro que permitirá a viagem de retorno à Terra.

O alvo principal da agência é o polo sul lunar, uma região de alto interesse científico. Mas o local também coloca a missão diante de obstáculos técnicos que não são encontrados da mesma forma perto do equador, como a iluminação baixa, sombras extensas e uma dinâmica orbital mais restritiva.

Victor Glover defende começar pelo equador e avançar gradualmente

Victor Glover não rejeita a exploração do polo sul. O piloto da Artemis II reconhece que a região oferece vantagens que não existem perto do equador lunar. Sua proposta é outra: realizar primeiro um pouso em uma área central da Lua e usar as missões seguintes para se deslocar aos poucos em direção ao sul.

A lógica é diminuir a dificuldade do primeiro pouso tripulado do programa. Na avaliação do astronauta, a região equatorial permite uma sequência operacional mais previsível, especialmente no controle da luz solar e no planejamento de retorno da tripulação ao veículo em órbita.

No equador lunar, a alternância entre dia e noite é mais regular, embora cada período de luz solar dure cerca de duas semanas terrestres. Para uma missão inicial, isso pode facilitar o planejamento da energia disponível, da temperatura dos equipamentos e das atividades dos astronautas em solo.

A proposta de Glover coloca a escolha do local em uma ordem de execução. O polo sul continuaria como destino estratégico, mas não necessariamente como a primeira superfície a receber astronautas. Para ele, chegar à região polar em etapas seria uma forma de reduzir o risco da operação inicial.

Sol baixo e sombras extensas complicam as operações no polo sul

O principal desafio apontado por Glover envolve a posição do Sol no polo sul lunar. Na região, a luz solar fica muito baixa no horizonte, criando longas sombras e áreas que podem permanecer sem iluminação direta por períodos prolongados.

Esse cenário interfere diretamente na geração de energia. Um módulo lunar que dependa de painéis solares precisa operar com exposição suficiente à luz. Se pousar em uma área muito sombreada, terá menos energia disponível para alimentar sistemas de comunicação, suporte de vida, instrumentos e outros equipamentos essenciais.

As sombras também dificultam a leitura do terreno. Crateras, desníveis e obstáculos podem ser mais difíceis de identificar quando a luz chega de forma rasante. Para uma tripulação que realiza um pouso e trabalha fora do módulo, a visibilidade é uma questão operacional, não apenas visual.

Perto do equador, por outro lado, a iluminação segue um padrão mais uniforme. Isso não elimina todos os desafios de uma missão lunar, mas reduz uma variável importante para quem precisa planejar a primeira descida tripulada do programa Artemis.

Emergência poderia exigir espera de até sete dias

A segunda preocupação de Glover está relacionada à órbita NRHO, sigla em inglês para órbita de halo quase retilínea. Essa trajetória é usada no planejamento de missões ao polo sul porque oferece condições adequadas para alcançar a região, mas tem um período orbital longo e muito alongado.

Nesse desenho, a Orion não passa a todo momento em uma posição favorável para receber os astronautas que estão na superfície. A oportunidade de decolar do polo sul, reencontrar a nave e iniciar o retorno poderia surgir apenas uma vez por semana.

Isso significa que, diante de uma emergência médica no local de pouso, a tripulação poderia ter de esperar até sete dias pela janela adequada de evacuação. A preocupação de Glover não é uma previsão de que a emergência ocorrerá, mas o tempo potencial de resposta caso ela aconteça.

Em uma missão no equador, as trajetórias poderiam permitir retornos mais rápidos, segundo a análise do astronauta. A diferença mostra que a discussão sobre o local de pouso não se resume a escolher um ponto do mapa lunar: ela altera o acesso à energia, a navegação e a margem de segurança para a tripulação.

Gelo de água explica por que a NASA ainda mira o polo sul

As mesmas sombras que complicam a operação ajudam a explicar por que a NASA mantém o foco no polo sul. Em crateras que permanecem permanentemente escuras, cientistas identificaram indícios de gelo de água, um recurso de grande importância para a exploração lunar.

A água poderia ter vários usos em missões futuras. Além de servir para consumo, ela pode ser separada em hidrogênio e oxigênio, componentes que poderiam contribuir para a produção de combustível e para outros sistemas de suporte a astronautas.

Esse potencial transforma o polo sul em uma região estratégica para missões de maior duração e para uma possível presença humana mais contínua na Lua. O objetivo não é apenas pousar em uma área diferente, mas alcançar recursos que podem reduzir a necessidade de transportar tudo da Terra.

Por isso, o debate não é entre uma região útil e outra sem interesse. O equador pode oferecer uma opção mais previsível para o primeiro pouso, enquanto o polo sul reúne oportunidades científicas e operacionais de longo prazo que explicam a insistência da NASA no destino.

Decisão coloca segurança imediata contra objetivos de longo prazo

A escolha entre equador e polo sul lunar reúne duas prioridades legítimas. De um lado, Glover destaca a segurança imediata de uma missão inaugural, com iluminação mais regular e maior flexibilidade para um retorno em caso de problema. De outro, a NASA busca uma região que pode concentrar gelo de água e apoiar objetivos mais ambiciosos de exploração.

A decisão também acontece em um cenário de competição internacional. O polo sul é alvo de interesse de outras potências espaciais, incluindo a China, o que aumenta a relevância estratégica de chegar à região nos próximos anos. Ainda assim, o Tratado do Espaço Exterior estabelece que nenhum país pode reivindicar território no espaço.

O ponto levantado pelo piloto da Artemis II não é que a NASA deva abandonar o polo sul. É que a agência poderia reduzir a exposição inicial ao risco ao começar por uma área equatorial e construir experiência antes de enfrentar as condições mais severas das crateras polares.

A Artemis IV, prevista para 2028, deverá mostrar qual visão prevalecerá. Se a NASA mantiver o plano atual, os astronautas enfrentarão um ambiente marcado por luz solar rasante, sombras extensas e janelas de retorno mais limitadas. Se adotar uma abordagem gradual, o primeiro passo poderá acontecer em uma região mais previsível antes da chegada ao destino mais cobiçado da Lua.

Você acha que a NASA deve priorizar um pouso mais seguro perto do equador ou ir direto ao polo sul lunar por causa do gelo de água? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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