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Nova concessão das BR-116 e BR-324 na Bahia avança com R$ 21,5 bilhões, 641,75 km e pedágio sem cabine antes de leilão previsto para dezembro
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 03/09/2026 às 10:45
Atualizado em 03/09/2026 às 10:50
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A Rota 2 de Julho, nova concessão das BR-116 e BR-324 na Bahia, recebeu aval unânime do TCU e avançou para um leilão previsto em dezembro, com R$ 21,5 bilhões destinados a obras, operação e conservação.
O projeto cobre 641,75 quilômetros entre Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista e a divisa com Minas Gerais. O contrato planejado terá duração de 30 anos.
A modelagem separa R$ 14,8 bilhões para investimentos e R$ 6,7 bilhões para operar e conservar as rodovias. Somadas, as duas parcelas chegam aos R$ 21,5 bilhões destacados pela ANTT.
Depois da decisão do Tribunal de Contas da União, a agência fará os ajustes técnicos, financeiros e jurídicos no edital. A expectativa oficial é realizar a disputa na B3 em dezembro.
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Paulo Nogueira
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O corredor reúne trechos decisivos para viagens e transporte de cargas na Bahia. Ele liga a capital ao interior, atravessa Feira de Santana e alcança o eixo de Vitória da Conquista.
Segundo a informação publicada pela ANTT, a concessão prevê recuperação de pavimento, ampliação de capacidade, melhorias e manutenção ao longo de todo o período contratual.
Pedágio eletrônico substitui as praças físicas
Uma das mudanças mais visíveis será a retirada das cabines tradicionais. A cobrança passará a usar pórticos eletrônicos de livre passagem a partir do 13º mês de operação da nova concessionária.
Veículos com dispositivo automático terão a passagem identificada pelo sistema. Quem não usar a etiqueta poderá pagar posteriormente pelos canais definidos, sem precisar parar diante de uma cancela.
O prazo anunciado para esse pagamento é de até 30 dias, sem juros ou encargos. A futura concessionária terá de oferecer informação clara para evitar que desconhecimento se transforme em inadimplência.
O free flow tende a eliminar filas criadas pela própria cobrança. No entanto, o ganho depende do funcionamento dos leitores, da conferência das placas e de canais simples para consultar débitos.
O usuário também precisará saber onde ficam os pórticos e qual tarifa corresponde a cada passagem. Transparência será especialmente relevante para moradores que fazem deslocamentos frequentes dentro do corredor.
As duplicações e ampliações de capacidade terão efeito diferente. Elas atacam gargalos físicos, mas demandam projeto, licença, desapropriação e execução em trechos que continuarão recebendo tráfego.
Durante as obras, desvios e estreitamentos serão inevitáveis em algumas frentes. A qualidade da sinalização temporária e o planejamento de horários podem reduzir risco e atraso.
Quem transporta carga observa dois fatores: velocidade média e previsibilidade. Uma rodovia bem conservada diminui quebras e interrupções, enquanto a capacidade adicional reduz variações bruscas no tempo de viagem.
Para mim, o desafio será converter o valor total em uma sequência de entregas compreensível. R$ 21,5 bilhões impressionam, mas o usuário precisa enxergar pavimento, segurança e atendimento melhorando.
Novo contrato surge após a saída da ViaBahia
O contrato anterior terminou em 15 de maio de 2025. A saída da ViaBahia ocorreu por acordo consensual mediado pelo TCU, com definição de indenização por investimentos ainda não amortizados.
Desde então, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes administra provisoriamente os trechos federais. Nesse intervalo, não há cobrança de pedágio nas partes devolvidas.
A nova concessão tenta evitar a repetição dos conflitos que limitaram o contrato anterior. Modelagem financeira, obrigações mensuráveis e distribuição adequada de riscos serão examinadas por quem participar do leilão.
A ANTT realizou audiências públicas entre abril e maio de 2025. Houve sessões em Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista e Brasília, além do recebimento de contribuições.
O relatório final foi aprovado pela diretoria da agência em agosto daquele ano. Depois, a proposta seguiu para o controle externo, etapa concluída com o aval unânime do tribunal.
Ainda não existe uma concessionária vencedora. A publicação do edital fixará regras definitivas, e o leilão mostrará se grupos privados aceitam as condições econômicas preparadas pelo governo.
O prazo de 30 anos permite distribuir obras e receitas, mas também exige fiscalização contínua. Metas iniciais costumam ter peso especial porque recuperam problemas acumulados e formam a percepção do usuário.
O trecho de 641,75 quilômetros não é uniforme. Partes metropolitanas, travessias urbanas e segmentos de longa distância pedem intervenções e rotinas operacionais diferentes.
A manutenção responde por R$ 6,7 bilhões da estimativa. Ela inclui o trabalho que não termina na inauguração, como conservar pavimento, sinalização e estruturas durante três décadas.
Por isso, a fiscalização não pode se concentrar apenas nas grandes obras. Buracos corrigidos no prazo, acostamentos cuidados e atendimento após acidentes influenciam a experiência diária tanto quanto uma duplicação.
A tarifa será a contrapartida percebida pelo motorista. Quando o edital sair, será possível comparar valores, descontos, reajustes e localização dos pórticos com o conjunto de serviços exigido.
Já os R$ 14,8 bilhões de investimento devem produzir a transformação física do corredor. A ordem das obras indicará quais gargalos serão tratados primeiro.
Conforme o projeto avançar, comunidades próximas precisarão conhecer mudanças em acessos e travessias. Uma rodovia ampliada pode melhorar o fluxo de passagem, mas deve preservar caminhos seguros para quem mora e trabalha às margens.
Há ainda uma transição operacional pela frente. Sistemas, equipes e bases mantidos provisoriamente pelo DNIT terão de dar lugar à estrutura da vencedora sem criar um vazio de atendimento.
Até dezembro, o ponto principal será acompanhar a versão final do edital. Tarifas, cronogramas e critérios de desempenho dirão como o valor anunciado chegará à pista.
A Rota 2 de Julho nasce com uma tarefa dupla: recuperar a confiança depois de um contrato encerrado e modernizar uma ligação central para a economia baiana.
O pedágio eletrônico e as obras previstas justificam uma nova concessão nesse corredor? Conte nos comentários.
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Fonte
ANTT — Rota 2 de Julho avança após aval do TCU
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

