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Nova metodologia para gasodutos pode reduzir tarifas de transporte de gás em até 25% e economizar R$ 1,3 bilhão por ano, calcula a Abrace

Nova metodologia para gasodutos pode reduzir tarifas de transporte de gás em até 25% e economizar R$ 1,3 bilhão por ano, calcula a Abrace

5 min de leitura

Nova metodologia para gasodutos pode reduzir tarifas de transporte de gás em até 25% e economizar R$ 1,3 bilhão por ano, calcula a Abrace

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 01/09/2026 às 07:47

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A discussão sobre a tarifa de transporte de gás entrou numa fase capaz de mexer diretamente com o custo da indústria, depois que a Abrace calculou redução potencial de até 25% e economia de R$ 1,3 bilhão por ano com uma nova metodologia para remunerar os ativos das transportadoras.

O cálculo foi apresentado no debate regulatório conduzido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. A Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia defende que a revisão aconteça dentro da ANP, com critérios públicos para a base de ativos de TAG e NTS.

A palavra decisiva é potencial. A redução de até 25% ainda não foi concedida, e a economia de R$ 1,3 bilhão por ano é uma estimativa da Abrace. O resultado depende da metodologia final, das contribuições recebidas e da decisão do regulador.

A tarifa paga pelo uso dos gasodutos remunera a infraestrutura que leva gás entre pontos de entrada e saída. Ela precisa cobrir operação, manutenção e capital empregado, mas o valor reconhecido dos ativos altera quanto os usuários terão de pagar ao longo do tempo.

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A remuneração da malha de transporte influencia o custo do gás entregue à indústria.

Tarifa de transporte de gás depende da base de ativos

O centro da disputa está na chamada base regulatória de ativos. Em termos diretos, é o conjunto de investimentos que o regulador aceita como referência para calcular a remuneração das transportadoras. Se essa base fica maior, a receita necessária tende a crescer; se cai, abre espaço para tarifas menores.

A consulta pública da ANP usa uma nota técnica sobre a metodologia como ponto de partida. Empresas, consumidores e demais interessados podem questionar premissas, apresentar dados e defender formas diferentes de valorar a malha.

A Abrace sustenta que o tema deve ser resolvido na agência, não transferido para a Justiça. A entidade entende que a ANP possui a competência técnica para comparar ativos, contratos, vida útil e necessidade de remuneração dentro das regras do mercado de gás.

Conforme a reportagem do eixos, a discussão envolve as malhas operadas por TAG e NTS. São sistemas que conectam produtores, terminais, distribuidoras e grandes consumidores, por isso qualquer mudança atravessa diferentes regiões e cadeias industriais.

Para quem compra gás natural, o transporte não é detalhe contábil. Ele integra o preço entregue. Uma molécula pode ser competitiva na origem e perder espaço quando tarifa, distribuição e tributos são somados até o ponto de consumo.

A ANP conduz a consulta que definirá os critérios regulatórios para a remuneração.

Indústria olha para economia anual, transportadoras para remuneração

A conta de R$ 1,3 bilhão interessa a setores que usam gás como combustível ou matéria-prima. Química, cerâmica, vidro, fertilizantes e geração térmica sentem o preço em intensidades diferentes. Um corte tarifário pode melhorar a competitividade, mas o efeito varia conforme contrato e localização.

Do outro lado, as transportadoras precisam financiar uma infraestrutura de longa duração. Gasoduto exige inspeção, integridade, compressores, segurança e capacidade de resposta. A tarifa não pode ignorar essas necessidades, embora também não deva remunerar valores que o regulador considere excessivos.

É justamente aí que a metodologia importa. O debate não se resume a escolher entre tarifa alta e baixa. A ANP precisa estabelecer quais ativos entram, como são depreciados, qual retorno é aceito e como custos eficientes serão reconhecidos sem transferir riscos indevidos ao usuário.

Olhando assim, uma diferença técnica na base de ativos aparece na conta de milhares de consumidores. A disputa parece abstrata, mas termina no custo de produzir uma tonelada de fertilizante, aquecer um forno ou gerar eletricidade quando o sistema precisa de uma térmica.

Empresas e consumidores apresentam posições diferentes sobre remuneração e tarifa.

Também existe uma dimensão de previsibilidade. Investidores esperam regras estáveis para aplicar capital em novas conexões. Consumidores querem custos transparentes e compatíveis com ativos efetivamente usados. Sem equilíbrio, ou a expansão trava ou o gás chega caro demais para disputar mercado.

A consulta oferece um espaço para testar os números. A estimativa da Abrace precisa ser confrontada com dados das transportadoras e análises da equipe técnica. Depois, a decisão deverá explicar por que aceitou ou rejeitou cada premissa relevante.

Mesmo que a redução máxima não se confirme, a revisão pode mudar a distribuição de custos. Alguns pontos de entrada ou saída podem sentir efeitos diferentes. Por isso, empresas devem olhar não só para o percentual nacional, mas para o contrato e a rota que atendem sua unidade.

A discussão também influencia novos projetos. Terminais de GNL, produção doméstica e biometano dependem de acesso à malha. Uma tarifa competitiva amplia o mercado potencial; uma tarifa mal calibrada pode deixar oferta e demanda separadas por um gasoduto economicamente inacessível.

O fato concreto de 31 de agosto é a entrada dessa estimativa no debate público. Não existe desconto automático nem data de aplicação. Existe uma consulta regulatória em curso, uma divergência sobre remuneração e um cálculo que coloca R$ 1,3 bilhão anuais em jogo.

A decisão final precisará mostrar se a base atual reflete os ativos de forma adequada. Até lá, falar em queda de 25% exige o verbo correto: pode cair. Só a resolução da ANP transformará uma simulação de consumidores em tarifa aplicada.

Uma revisão bem explicada também permite que o mercado identifique de onde vem cada parcela da cobrança. Separar custo operacional, investimento, remuneração e risco reduz a discussão baseada apenas no valor final e ajuda consumidores a avaliar se a rede está sendo usada com eficiência. Para as transportadoras, a mesma transparência dá fundamento a projetos realmente necessários.

Depois da decisão, o teste será acompanhar a aplicação nos contratos e nos pontos da malha. Uma redução regulatória só terá impacto industrial completo se chegar à fatura e não for anulada por outros componentes. Por isso, metodologia, repasse e efeito regional precisam ser observados em sequência, sem tratar a estimativa nacional como resultado uniforme para todas as fábricas.

Você acredita que uma tarifa menor de gasodutos chegaria de fato ao preço pago pela indústria brasileira?

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Fontes

ANP — Nota Técnica nº 2 da Consulta Pública 03/2026

eixos — Abrace defende discussão tarifária na ANP


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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