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Nova Ranger Tremor brasileira abandona diesel e aposta em motor 2.3 EcoBoost flex perto de 274 cv para criar uma das picapes médias a gasolina mais fortes do país
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 24/09/2026 às 23:24
Atualizado em 24/09/2026 às 23:25
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Ranger Tremor 2027 terá motor 2.3 EcoBoost flex perto de 274 cv, câmbio de 10 marchas, tração 4×4, reduzida e pacote off-road exclusivo.
A Ford Ranger Tremor 2027 chegará ao mercado brasileiro com uma mudança mecânica que quebra uma tradição consolidada entre as picapes médias nacionais: em vez de turbodiesel, a nova versão usará um motor 2.3 GTDi EcoBoost turbo flex desenvolvido pela engenharia brasileira. A Ford confirmou oficialmente o lançamento e informou que a produção começará no fim de 2026 na fábrica de General Pacheco, na Argentina, para abastecer mercados da América do Sul, a informação foi divulgado pela fromtheroad no dia 17 de Setembro.
A potência definitiva da configuração flex ainda não foi divulgada pela fabricante, mas o 2.3 EcoBoost usado como referência entrega cerca de 274 cv e 42,9 kgfm com gasolina, números que podem mudar após a calibração para etanol. Segundo a Quatro Rodas, a Ranger Tremor deverá combinar esse motor com câmbio automático de dez marchas, tração 4×4, reduzida e bloqueio do diferencial traseiro.
Ranger Tremor será a volta do motor flex à picape média da Ford
Durante anos, a Ranger brasileira concentrou praticamente toda a linha convencional em motores turbodiesel.
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Atualmente, as versões de trabalho utilizam o 2.0 de 170 cv e 405 Nm, enquanto as configurações superiores recebem o V6 3.0 turbodiesel de 250 cv e 600 Nm. Acima delas está a Raptor, com V6 3.0 biturbo a gasolina e proposta de alto desempenho.
A Tremor rompe essa estrutura.
Em vez de colocar mais uma versão diesel entre Limited e Raptor, a Ford decidiu introduzir uma opção turbo flex de quatro cilindros, justamente em uma configuração direcionada ao uso fora de estrada.
É também uma mudança importante para a própria marca no Brasil. A adaptação do 2.3 EcoBoost para funcionar com etanol e gasolina está sendo realizada pela engenharia brasileira, que ganhou participação crescente no desenvolvimento de tecnologias destinadas à América do Sul.
Motor 2.3 EcoBoost pode entregar perto de 274 cv
O protagonista da nova configuração é o 2.3 GTDi EcoBoost, motor turbo de quatro cilindros com injeção direta.
Na aplicação internacional usada como referência pela engenharia, ele produz aproximadamente 274 cv e 42,9 kgfm de torque. A versão que será oferecida no Brasil passa por adaptações para aceitar gasolina e etanol em qualquer proporção.
A potência final poderá, portanto, ficar diferente dos números internacionais. A própria Ford ainda não publicou a ficha técnica definitiva da Tremor brasileira.
Essa cautela é relevante porque motores turbo flex normalmente exigem nova calibração de injeção, ignição, pressão de sobrealimentação e gerenciamento térmico.
O etanol possui características diferentes da gasolina, incluindo maior resistência à detonação. Isso abre espaço técnico para calibrações específicas, embora qualquer ganho efetivo de potência só possa ser considerado confirmado quando a Ford divulgar os números homologados.
EcoBoost terá bem mais potência que o Ranger V6 diesel atual
Mesmo utilizando como referência os 274 cv da configuração a gasolina, o 2.3 EcoBoost já aparece acima dos 250 cv produzidos pelo V6 turbodiesel 3.0 vendido atualmente no Brasil.
A diferença chega a cerca de 24 cv. O V6 diesel, porém, mantém enorme vantagem em torque: são 600 Nm, equivalentes a aproximadamente 61,2 kgfm, contra cerca de 42,9 kgfm do EcoBoost usado internacionalmente.
São dois comportamentos completamente diferentes.
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O diesel concentra muita força em rotações baixas, característica especialmente importante para reboque, carga e condução fora de estrada. O turbo a gasolina tende a subir de giro mais rapidamente e entregar potência máxima em uma faixa mais elevada.
A Tremor brasileira, portanto, não será simplesmente uma Ranger Limited com mais cavalos. A proposta mecânica será outra.
Câmbio automático terá dez marchas
A transmissão esperada é a automática de dez velocidades com conversor de torque, arquitetura já utilizada amplamente pela Ranger.
A Quatro Rodas aponta essa caixa para a Tremor flex, acompanhada do sistema de tração 4×4.
As dez relações permitem trabalhar com marchas iniciais curtas para arrancadas e obstáculos, enquanto as superiores mantêm o motor em rotação mais baixa durante viagens.
É o mesmo número de marchas encontrado nas atuais Ranger V6. Na Limited 2027, por exemplo, o motor de 250 cv e 600 Nm trabalha com transmissão automática de dez velocidades e tração 4WD.
Tração 4×4 e reduzida serão fundamentais para a proposta Tremor
A Ranger Tremor não será uma versão aventureira limitada a adesivos e pneus diferentes. A expectativa publicada pela imprensa especializada é de tração 4×4, caixa de redução e bloqueio do diferencial traseiro.
A própria Ford confirma que o conceito Tremor utiliza elementos específicos voltados ao fora de estrada, incluindo diferencial blocante, suspensão especial, maior vão livre e proteções inferiores.
A reduzida multiplica a força entregue às rodas em baixa velocidade. É especialmente útil em subidas acentuadas, lama profunda, pedras, areia pesada e outras situações nas quais o motorista precisa avançar lentamente sem exigir velocidade elevada do motor.
Já o bloqueio traseiro impede que toda a força escape pela roda com menor aderência quando um dos lados perde contato ou encontra terreno muito escorregadio.
Suspensão terá acerto próprio para enfrentar trilhas
O pacote Tremor também mexe diretamente na suspensão. A Ford confirmou suspensão e amortecedores especiais, além de maior altura em relação ao solo. Os ângulos de entrada e saída também serão ampliados diante das versões convencionais.
A proposta é permitir impactos maiores e maior articulação sobre terreno irregular sem transformar a picape em um projeto tão radical quanto a Ranger Raptor.
A Raptor utiliza uma preparação muito mais extrema, com suspensão criada para condução rápida em terrenos acidentados. A Tremor busca um equilíbrio diferente: capacidade off-road superior à de uma Ranger convencional, mas ainda adequada para uso diário e viagens longas.
Pneus todo-terreno serão parte do pacote
Outra mudança confirmada envolve os pneus. A Tremor usará pneus todo-terreno, desenvolvidos para oferecer maior aderência sobre lama, terra, cascalho e superfícies soltas. A Ford também cita protetores inferiores como parte da receita técnica da família.
Pneus desse tipo possuem desenho mais agressivo na banda de rodagem e laterais preparadas para enfrentar condições severas.
Isso melhora a capacidade fora do asfalto, embora normalmente traga compromissos em ruído e resistência ao rolamento quando comparado a um pneu predominantemente rodoviário.
É justamente esse equilíbrio que diferencia a Tremor de uma Limited convencional.
Tremor vendida no exterior ajuda a antecipar o potencial do projeto
A configuração brasileira terá especificações próprias, mas a Ranger Tremor internacional mostra até onde a Ford leva o conceito.
Na Austrália, a atual Tremor utiliza amortecedores Bilstein sensíveis à posição, pneus General Grabber AT3, 261 mm de vão livre e largura de bitola de 1.650 mm. A configuração oferece ainda sete modos de condução, incluindo Rock Crawl, além de Trail Control e Trail Turn Assist.
A profundidade de imersão declarada naquele mercado chega a 800 mm.
Ford quer posicionar a Tremor abaixo da Raptor
A Tremor deverá ocupar uma posição acima das versões convencionais mais sofisticadas e abaixo da Ranger Raptor, criando uma alternativa para quem deseja maior capacidade fora de estrada sem chegar ao preço e à radicalidade da versão de alto desempenho.
Hoje, a Raptor parte de aproximadamente R$ 499 mil no site oficial da Ford. A Ranger convencional começa muito abaixo disso, dependendo da versão.
O preço da Tremor ainda não foi revelado.
A Quatro Rodas estima que ela ficará acima da Limited V6 e abaixo da Raptor, mas o posicionamento definitivo dependerá da tabela válida no momento da estreia.
Tremor terá visual próprio e detalhes em laranja
A versão também será facilmente identificada por fora.
A Ford confirma elementos de design exclusivos, seguindo a identidade já aplicada às F-150 Tremor e Maverick Tremor comercializadas no Brasil.
Nas configurações da família, a receita inclui acabamentos escurecidos, ganchos de reboque destacados, elementos específicos na grade e detalhes em cores contrastantes.
A Quatro Rodas aponta para a Ranger uma grade escurecida com elementos em laranja e ganchos dianteiros aparentes.
Os estribos laterais também deverão ter função mais prática, protegendo regiões inferiores da carroceria durante o uso em trilhas.
Cabine deve privilegiar resistência e facilidade de limpeza
O interior seguirá a mesma lógica. Segundo as informações publicadas sobre o projeto, a cabine deverá receber materiais mais resistentes ao uso fora de estrada, com revestimentos específicos e soluções fáceis de limpar depois de contato com lama ou areia.
A arquitetura básica continuará sendo aquela conhecida da nova geração da Ranger.
Nas atuais versões superiores, a picape já oferece central multimídia vertical SYNC 4, instrumentação digital e ampla integração com o aplicativo da marca. A nova geração também incorpora recursos como partida remota, localização do veículo e consulta de informações pelo celular.
O pacote definitivo da Tremor brasileira, porém, será divulgado mais perto do lançamento.
Ranger atual já mede 5,37 metros
A Tremor nasce sobre a mesma geração da Ranger produzida em General Pacheco. Como referência, a Ranger Limited brasileira mede 5.370 mm de comprimento, 2.208 mm de largura com retrovisores e 3.270 mm entre os eixos. A altura é de 1.884 mm.
A capacidade de carga da Limited chega a 1.023 kg, enquanto o tanque comporta 80 litros.
A profundidade de imersão declarada para essa configuração é de 800 mm.
A versão Tremor deverá manter a arquitetura estrutural dessa geração, recebendo alterações principalmente na suspensão, pneus, trem de força e componentes off-road.
Novo motor flex foi desenvolvido pela engenharia brasileira
Um dos aspectos mais relevantes do projeto acontece longe da linha de montagem.
Embora a Ranger seja produzida na Argentina, o 2.3 GTDi EcoBoost flex está sendo desenvolvido pela engenharia da Ford no Brasil especificamente para o mercado local.
Isso envolve adaptação do sistema para as características do combustível brasileiro e para diferentes proporções de etanol na gasolina.
A engenharia nacional também trabalha na motorização flex da futura Ranger híbrida plug-in, cuja produção sul-americana começará em 2027. Parte desse desenvolvimento passa pelo Centro de Desenvolvimento e Tecnologia de Tatuí, em São Paulo.
Na prática, Tremor e PHEV representam uma retomada importante dos motores flex dentro do portfólio regional da Ford.
Ranger híbrida também usará o 2.3 EcoBoost
O investimento no novo propulsor não será exclusivo da Tremor. A futura Ranger híbrida plug-in também utilizará um 2.3 EcoBoost associado a um motor elétrico, embora sua configuração e calibração sejam próprias.
Na especificação internacional atualmente conhecida, o sistema PHEV entrega 279 cv e aproximadamente 70,3 kgfm de torque combinado.
A versão destinada ao Brasil será flex e está prevista para 2027.
Isso significa que a fábrica de Pacheco passará a lidar simultaneamente com Ranger diesel, Ranger turbo flex e Ranger híbrida plug-in, além das configurações voltadas para trabalho.
Fábrica argentina recebeu US$ 870 milhões
Toda essa ampliação de portfólio só é possível porque a Ford modernizou profundamente a operação de General Pacheco.
Segundo a fabricante, o complexo recebeu US$ 870 milhões em investimentos e teve sua capacidade ampliada para aproximadamente 80 mil unidades por ano. A Ranger Tremor começará a ser produzida ali no fim de 2026.
Além da picape flex, a unidade receberá a Ranger híbrida plug-in e já ampliou a oferta de carrocerias com versões cabine simples e chassi. A estratégia transforma a Argentina em um dos principais polos globais da Ranger.
Motor flex muda a lógica de consumo da picape
A troca do diesel pelo 2.3 EcoBoost também terá consequências diretas no custo de uso. Motores a gasolina e etanol normalmente consomem mais combustível em volume que um turbodiesel equivalente, especialmente em veículos pesados e com grande área frontal.
Em contrapartida, o combustível pode ser mais barato dependendo da região, e o proprietário deixa de depender exclusivamente do diesel.
A Ford ainda não divulgou números de consumo da Ranger Tremor flex. Por isso, qualquer comparação definitiva com as atuais 2.0 ou V6 diesel dependerá da homologação do Inmetro.
Esse será provavelmente um dos pontos mais observados quando o modelo chegar às lojas, porque a Ranger é muito utilizada tanto em áreas urbanas quanto em longas viagens.
Ford amplia a família Tremor no Brasil
A Ranger será a terceira integrante dessa família no mercado nacional. A Ford já oferece Maverick Tremor e F-150 Tremor, ambas voltadas a compradores que querem maior capacidade fora de estrada sem migrar para produtos extremos.
A própria fabricante afirma que a família foi muito bem recebida no Brasil e que a configuração Tremor se tornou a versão mais vendida de F-150 e Maverick após sua introdução.
Essa resposta ajudou a abrir espaço para a Ranger.
O conceito será semelhante: suspensão própria, pneus preparados para terra, maior altura, proteções, diferencial blocante e identidade visual específica.
Nova Ranger Tremor será uma das picapes flex mais potentes do mercado
A combinação final promete colocar a versão em uma posição incomum. O 2.3 EcoBoost usado como referência entrega 274 cv e 42,9 kgfm, superando em potência o V6 turbodiesel de 250 cv oferecido nas Ranger convencionais.
Somam-se a isso transmissão automática de dez marchas, tração 4×4, reduzida e diferencial traseiro blocante esperados para o mercado brasileiro.
A preparação Tremor acrescentará suspensão especial, amortecedores próprios, maior altura livre, pneus todo-terreno, protetores inferiores e ângulos mais favoráveis para obstáculos.
Tudo isso será produzido em General Pacheco, na Argentina, a partir do fim de 2026, enquanto o desenvolvimento da nova motorização flex é liderado pela engenharia brasileira.
O resultado será uma Ranger bastante diferente da fórmula que dominou as picapes médias nas últimas décadas. Em vez de apostar apenas no torque do diesel, a Ford leva ao segmento um quatro cilindros turbo flex próximo de 274 cv, associado a uma preparação genuinamente voltada ao fora de estrada.
Quando chegar às concessionárias entre o fim de 2026 e 2027, a Ranger Tremor terá a missão de ocupar justamente o enorme espaço existente entre a Limited V6 e a Raptor, oferecendo mais agressividade, capacidade de trilha e potência que uma Ranger convencional, mas sem alcançar o nível extremo e o preço da versão mais radical da família.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

