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Nova Zelândia quer barrar contas em redes sociais para menores de 16 anos, exige verificação real de idade e prevê multas de até 10% do faturamento global das plataformas que descumprirem regras

Nova Zelândia quer barrar contas em redes sociais para menores de 16 anos, exige verificação real de idade e prevê multas de até 10% do faturamento global das plataformas que descumprirem regras

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Nova Zelândia quer barrar contas em redes sociais para menores de 16 anos, exige verificação real de idade e prevê multas de até 10% do faturamento global das plataformas que descumprirem regras

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 14/09/2026 às 08:44

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Nova Zelândia quer barrar contas em redes sociais para menores de 16 anos, exige verificação real de idade e prevê multas de até 10% do faturamento global das plataformas

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Projeto da Nova Zelândia tenta impedir menores de 16 anos de manter contas em redes sociais, exige verificação de idade além da autodeclaração e prevê multas de até 10% do faturamento global para plataformas que descumprirem as regras.

A Nova Zelândia colocou as redes sociais para menores de 16 anos no centro de uma nova ofensiva regulatória. O governo apresentou um projeto que obriga plataformas classificadas no escopo da lei a impedir contas de usuários abaixo dessa idade e a usar métodos de verificação mais robustos do que simplesmente perguntar a data de nascimento.

O texto, apresentado em 24 de agosto de 2026, também abre caminho para penalidades de grande escala. O governo afirma que o teto pode chegar a 10% da receita global da plataforma, enquanto uma análise jurídica da MinterEllison detalha que a sanção máxima prevista pode ser o maior valor entre NZ$ 40 milhões e 10% do faturamento global do operador.

Apesar do impacto do anúncio, a mudança ainda não está em vigor. O Online Safety (Minimum Age and Child Safety Risk Assessment) Bill aparece na legislação oficial como o Government Bill 339-1, introduzido em 24 de agosto, e ainda depende da tramitação no Parlamento neozelandês.

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Autodeclaração de idade não basta e plataformas terão de adotar verificações mais fortes

Um dos pontos mais duros do projeto está na forma como a idade deverá ser comprovada. O texto oficial determina que operadores de plataformas abrangidas adotem medidas razoáveis para impedir que residentes da Nova Zelândia com menos de 16 anos mantenham contas.

A simples digitação de uma idade ou data de nascimento pelo próprio usuário não satisfaz essa exigência. O governo cita alternativas como dados já existentes da conta, estimativa facial de idade, serviços de identidade digital e documentos formais, mas o desenho legal busca evitar que uma única declaração feita na tela seja suficiente.

Essa exigência transforma a verificação de idade online em uma responsabilidade direta das empresas. O texto também estabelece regras para o tratamento de informações pessoais coletadas durante esse processo, tema sensível porque qualquer mecanismo de comprovação pode envolver dados de usuários jovens e adultos.

Companheiros de inteligência artificial também entram no alcance do projeto

O projeto não mira somente redes sociais tradicionais. A definição de plataforma sujeita à restrição também alcança serviços que usam inteligência artificial principalmente para simular uma conexão social, emocional ou pessoal com o usuário — os chamados companheiros sociais de IA.

Além da barreira de 16 anos para contas em determinadas plataformas, o texto cria uma segunda camada de proteção para crianças e adolescentes com menos de 18 anos. Operadores deverão realizar avaliações de risco infantil e demonstrar como pretendem reduzir problemas identificados em seus serviços.

O Beehive, em Wellington, abriga o Executivo neozelandês, cujo governo apresentou o projeto de segurança online. Foto: Paasikivi, CC BY-SA 4.0.

A lei proposta cita riscos como conteúdo ilegal, bullying, assédio, grooming e extorsão, inclusive extorsão sexual. O operador também terá de repetir avaliações quando fizer mudanças significativas na plataforma, colocando a segurança infantil dentro do processo de alteração de recursos e funcionamento do serviço.

Multas podem atingir bilhões e responsabilidade recai sobre as empresas, não sobre as famílias

O desenho apresentado pelo governo concentra a cobrança de cumprimento nas plataformas. Segundo o anúncio oficial, crianças, pais e cuidadores não receberiam multas por causa da regra de idade. A fiscalização ficaria sob um regulador de segurança online ligado ao Department of Internal Affairs.

Para as empresas, a escala financeira é muito diferente. Uma multa calculada sobre até 10% do faturamento global pode representar valores enormes para grupos tecnológicos que operam em vários países, aumentando o peso de uma lei aprovada em um mercado nacional relativamente pequeno.

A análise da MinterEllison também aponta alcance extraterritorial, o que significa que operadores estrangeiros poderão ser atingidos quando seus serviços entrarem no escopo da legislação e forem oferecidos a usuários na Nova Zelândia. O projeto ainda prevê advertências, ordens corretivas, restrições de serviço e outras medidas de execução antes ou além das penalidades pecuniárias previstas.

Governo diz que uso intenso entre adolescentes exige resposta mais dura

Ao anunciar o projeto, o primeiro-ministro Christopher Luxon afirmou que um em cada três jovens de 13 a 17 anos passa pelo menos cinco horas por dia nas redes sociais. O governo usa esse dado para sustentar que os riscos digitais deixaram de ser um problema apenas familiar e passaram a exigir obrigações mais claras para as plataformas.

A proposta também segue um movimento internacional de pressão por limites etários, mecanismos de verificação e regras específicas de proteção a menores. A Austrália já adotou uma proibição para menores de 16 anos em determinados serviços, referência mencionada pelo próprio governo neozelandês ao defender a nova iniciativa.

Mesmo assim, o modelo da Nova Zelândia tem diferenças importantes. O texto define categorias e características de serviços que podem ser enquadrados como plataformas com restrição etária, em vez de transformar qualquer site ou aplicativo em alvo automático da mesma obrigação.

Plataformas de redes sociais estão no centro do projeto que propõe idade mínima de 16 anos na Nova Zelândia. Foto: Santeri Viinamäki, CC BY-SA 4.0.

Coalizão de Luxon rachou e projeto ainda enfrenta um caminho político incerto

A iniciativa nasceu dentro de um governo que não está unido sobre o tema. Reportagem da 1News registrou oposição do ACT e do New Zealand First, partidos que integram a coalizão liderada pelo National. David Seymour, líder do ACT, criticou a forma como o anúncio foi conduzido e afirmou ter sido surpreendido pela informação de que o texto não chegaria à primeira leitura antes da eleição.

Esse calendário é decisivo. Com a eleição marcada para novembro de 2026 e poucas semanas de atividade parlamentar restantes após a apresentação do projeto, o destino da proposta pode depender da composição política que sair das urnas e de como o próximo Parlamento retomará a discussão.

Por isso, a diferença entre anúncio e regra vigente é essencial: em 14 de setembro de 2026, a versão oficial disponível continua identificada como Bill 339-1, introduzida em 24 de agosto. Não existe, até esse ponto, uma proibição nacional já em funcionamento baseada nesse novo texto.

Se aprovado, projeto mudará a porta de entrada das redes sociais para adolescentes

O efeito mais visível para os usuários seria simples de perceber: criar ou manter uma conta em uma plataforma abrangida deixaria de depender apenas de informar uma data de nascimento. Para as empresas, a mudança exigiria sistemas de verificação, avaliações recorrentes de risco, documentação de medidas de proteção e capacidade de responder ao regulador.

A disputa que vem agora combina privacidade, proteção infantil, liberdade de acesso e custos de conformidade para plataformas globais. O projeto neozelandês ainda precisa atravessar o processo legislativo, mas já coloca um número concreto no centro do debate: 16 anos como nova fronteira para determinadas redes sociais e serviços digitais.

Você considera razoável exigir verificação real de idade para impedir que menores de 16 anos criem contas em redes sociais? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria com quem acompanha o debate sobre segurança digital.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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