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Novo asfalto feito com caroços de azeitona e restos de pinho substitui 100% do pó de pedra por biocarvão e será testado em rua de Barcelona para descobrir se resiste ao tráfego real sem perder desempenho
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 12/09/2026 às 11:24
Atualizado em 12/09/2026 às 11:25
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Novo asfalto usa biocarvão produzido a partir de caroços de azeitona e restos de pinho para substituir o pó de pedra e reduzir a pegada de carbono da pavimentação urbana.
Caroços de azeitona e resíduos de pinho que poderiam seguir como descarte agrícola e florestal estão sendo transformados em matéria-prima para um novo tipo de asfalto. Desenvolvido por AMSA, ELSAN e pela UPC, o pavimento utiliza biocarvão para substituir completamente o pó de pedra empregado como fíler mineral, mantendo o ligante betuminoso responsável por dar coesão e elasticidade à mistura.
A proposta será levada das condições controladas de laboratório para uma rua da capital catalã. Segundo o BIT Habitat, a formulação continuará em desenvolvimento até setembro de 2026, antes de entrar em uma etapa prática de pavimentação entre outubro e dezembro. Depois disso, o trecho permanecerá sob acompanhamento durante 2027, com conclusão prevista para 2028.
Resíduos vegetais passam pelo calor antes de chegar ao pavimento
O material que diferencia esse asfalto é produzido por pirólise, processo no qual a biomassa é aquecida sem a presença de oxigênio. É dessa transformação que surge o biocarvão, estrutura porosa capaz de preservar parte do carbono anteriormente capturado pelas plantas.
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No projeto, duas fontes de biomassa ganham função dentro da mistura. Caroços de azeitona provenientes da atividade agrícola e sobras de pinho resultantes de podas florestais deixam de ser apenas resíduos e passam a substituir um componente mineral tradicional da pavimentação.
Essa mudança atinge especificamente o fíler, material fino usado para preencher espaços na massa asfáltica. Em vez do pó de pedra extraído de recursos minerais, a proposta utiliza o insumo orgânico derivado da biomassa, reduzindo a necessidade de material obtido em minas e pedreiras.
O ligante betuminoso continua compondo a mistura e preserva a função de manter os diferentes elementos unidos, além de contribuir para a resposta mecânica do revestimento diante da passagem dos veículos.
Carbono capturado pelas plantas pode permanecer dentro da rua
A utilização do biocarvão não foi pensada apenas como uma forma de reaproveitar resíduos. Parte do interesse ambiental está no destino dado ao carbono acumulado pela vegetação durante seu crescimento.
Se determinados resíduos vegetais se decompõem, esse carbono pode retornar ao ambiente. Na pirólise, porém, ele passa a integrar uma estrutura mais estável e, posteriormente, é incorporado ao próprio pavimento.
A expectativa é que permaneça retido durante décadas dentro da camada viária. Ao mesmo tempo, a substituição do pó mineral reduz etapas ligadas à extração e ao processamento do calcário utilizado na cadeia convencional.
Com isso, o projeto tenta atuar em duas frentes: aproveitar resíduos que já existem e diminuir a utilização de matérias-primas não renováveis na fabricação do asfalto.
Laboratório testa se mudança ambiental suporta o peso do tráfego
A redução da pegada de carbono só tem utilidade para uma via urbana se o pavimento continuar suportando as condições encontradas nas ruas. Por isso, a UPC submeteu as misturas a testes mecânicos antes da implantação do trecho experimental.
Os ensaios apontaram comportamento semelhante ao dos pavimentos convencionais em requisitos importantes para a camada que recebe diretamente o tráfego. Foram avaliados aspectos relacionados à aderência, ao desgaste provocado pela circulação e à capacidade de resistir à deformação permanente.
A durabilidade diante das intempéries também faz parte dessa avaliação. A intenção é verificar se a introdução do material vegetal consegue ocorrer sem sacrificar características necessárias para uma pavimentação submetida diariamente à passagem de automóveis e veículos pesados.
A confirmação definitiva, entretanto, dependerá da experiência fora do laboratório. É justamente por isso que o projeto reservou um período prolongado para observar o pavimento depois da aplicação em uma via real.
Teste na rua terá acompanhamento durante todo o ano de 2027
O trabalho foi dividido em etapas para que a formulação não saia diretamente da bancada de pesquisa para uma adoção em larga escala.
O cronograma prevê:
- Até setembro de 2026: desenvolvimento e validação da formulação em laboratório;
- Entre outubro e dezembro de 2026: aplicação do trecho piloto;
- Durante 2027: acompanhamento do comportamento estrutural sob tráfego;
- Em 2028: apresentação do relatório final do projeto.
Esse período será decisivo para verificar como o asfalto reage ao uso contínuo, às variações climáticas e às solicitações provocadas pelo trânsito urbano.
A observação em campo também permitirá confrontar o desempenho obtido em laboratório com aquele encontrado em uma rua submetida às condições normais de circulação.
Solução pode dar novo destino a resíduos agrícolas
Se o trecho experimental mantiver o comportamento esperado, a aplicação do biocarvão poderá abrir outra possibilidade para materiais provenientes da agricultura e do manejo florestal.
Caroços de azeitona e podas de pinho passariam a integrar uma cadeia de produção diferente daquela em que foram gerados, conectando atividades rurais e florestais às obras de infraestrutura urbana.
A proposta também reduz a quantidade de componentes minerais necessária na pavimentação e cria uma alternativa para municípios interessados em diminuir o carbono associado às obras viárias.
O projeto, porém, ainda precisa atravessar sua fase mais importante: o contato prolongado com o tráfego real. É no período entre a aplicação prevista para o fim de 2026 e o relatório de 2028 que o asfalto produzido com resíduos vegetais deverá mostrar se consegue transformar uma solução de laboratório em pavimento capaz de permanecer nas ruas.
Fonte
Olhar Digital
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

