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Novo navio para eólica offshore terá quase 90 metros, acomodará 120 pessoas e poderá navegar para frente ou para trás sem precisar girar quando o mar mudar

Novo navio para eólica offshore terá quase 90 metros, acomodará 120 pessoas e poderá navegar para frente ou para trás sem precisar girar quando o mar mudar

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Novo navio para eólica offshore terá quase 90 metros, acomodará 120 pessoas e poderá navegar para frente ou para trás sem precisar girar quando o mar mudar

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 30/09/2026 às 12:58

Atualizado em 30/09/2026 às 13:05

Setor Offshore

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Foto: Ulstein Group

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Novo SOV de 89,6 metros terá espaço para 120 pessoas, casco que opera nos dois sentidos e sistemas preparados para metanol e propulsão elétrica.

Segundo a Ulstein, em 25 de setembro de 2026 a PaxOcean Group e a Ulstein Design & Solutions assinaram o contrato para desenvolver um novo navio de apoio a parques eólicos offshore para a japonesa NYK Line. O SOV terá 89,6 metros de comprimento, 19,2 metros de largura e acomodação para até 120 pessoas, com construção prevista no estaleiro Graha, em Batam, na Indonésia, e entrega programada para 2029.

A embarcação usará o projeto ULSTEIN SX222 e terá uma característica incomum: proa e popa foram desenhadas para permitir operação eficiente nos dois sentidos, reduzindo a necessidade de girar o navio quando vento, ondas e correntes mudarem de direção. Além disso, terá posicionamento dinâmico, passarela com compensação de movimento, guindaste estabilizado e preparação para metanol e operação totalmente elétrica.

Navio de quase 90 metros será uma base de trabalho no oceano

O novo navio é classificado como SOV, sigla de Service Operation Vessel. Esse tipo de embarcação funciona como uma base móvel para trabalhadores responsáveis pela construção, operação e manutenção de parques eólicos instalados no mar.

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Exemplo de modelo SOV – Reprodução/Youtube

Em vez de retornar diariamente ao porto, o navio pode permanecer próximo das turbinas durante períodos prolongados. Técnicos dormem, fazem refeições, descansam e trabalham a partir da própria embarcação.

A capacidade prevista é de 120 pessoas a bordo. Isso exige dormitórios, áreas comuns, sistemas de alimentação, armazenamento de peças, oficinas e infraestrutura suficiente para sustentar equipes durante campanhas offshore.

Casco permite trabalhar de proa ou de popa

O elemento mais diferente do projeto aparece no formato do casco. A embarcação utilizará a tecnologia TWIN X-STERN, desenvolvida pela Ulstein.

Ela trabalha com uma configuração praticamente simétrica nas duas extremidades do navio. A distribuição da propulsão também foi pensada para permitir que a embarcação opere eficientemente em qualquer direção.

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Em um navio convencional, uma mudança nas condições do mar pode exigir manobra para reposicionar a proa. No TWIN X-STERN, o SOV pode mudar a direção operacional sem precisar necessariamente executar uma grande volta.

A Ulstein afirma que essa solução ajuda na manobrabilidade, no posicionamento e na redução do consumo de energia. Também amplia a janela de trabalho em condições marítimas variáveis.

Vento e corrente serão compensados automaticamente

Permanecer ao lado de uma turbina em alto-mar exige mais do que reduzir a velocidade. O navio precisa manter uma posição extremamente controlada enquanto ondas, vento e correntes tentam empurrá-lo.

Para isso, a embarcação terá sistema de posicionamento dinâmico, ou DPS.

Sensores medem as forças externas e computadores calculam continuamente as correções necessárias. Os propulsores recebem comandos automáticos para manter o navio dentro da posição determinada.

Esse controle será especialmente importante durante a transferência de trabalhadores e equipamentos entre o SOV e as estruturas eólicas. Uma variação excessiva de posição pode impedir a operação.

Passarela compensará o movimento das ondas

Os trabalhadores não dependerão apenas de pequenos barcos para alcançar as turbinas. O novo SOV terá uma passarela com compensação ativa de movimento, conhecida no setor como sistema walk-to-work.

A embarcação permanece posicionada ao lado da estrutura e a passarela cria uma ligação entre o navio e a turbina.

Sensores e sistemas hidráulicos corrigem parte dos movimentos provocados pelo mar. Enquanto o casco sobe, desce ou balança, a extremidade usada pelos trabalhadores busca permanecer estável em relação à instalação offshore.

Isso permite que técnicos caminhem entre as duas estruturas sem depender exclusivamente de transferências feitas por embarcações menores. O equipamento aumenta o número de dias em que equipes podem realizar manutenção no mar.

Guindaste também terá compensação de movimento

A mesma lógica será aplicada ao transporte de materiais. O navio contará com um guindaste com compensação de movimento.

Peças, ferramentas e outros equipamentos precisam ser transferidos para as instalações offshore enquanto o navio está em movimento constante. Sem compensação, a carga acompanha as oscilações do casco, dificultando operações precisas.

Foto: Ulstein Group

O sistema corrige parte dessa movimentação automaticamente. Assim, trabalhadores poderão enviar materiais às turbinas com maior controle.

A combinação entre guindaste e passarela transforma o SOV em uma plataforma logística. Pessoas atravessam pela ligação walk-to-work enquanto peças e equipamentos seguem pelo sistema de içamento.

Convés será usado para armazenar peças e equipamentos

O navio terá espaço de convés destinado ao transporte de materiais necessários durante as campanhas.

Parques eólicos offshore possuem milhares de componentes que precisam ser monitorados e eventualmente substituídos. Sensores, motores, equipamentos elétricos, ferramentas e peças de reposição precisam ficar disponíveis sem que o navio retorne ao porto para cada intervenção.

O desenho SX222 foi desenvolvido justamente para esse tipo de operação. Em outras configurações da mesma plataforma de projeto, a Ulstein informa áreas amplas para carga e armazenamento, além de instalações para oficinas.

O novo navio da NYK terá configuração própria, mas seguirá a mesma lógica de atuar simultaneamente como alojamento, oficina, centro logístico e plataforma de transferência offshore.

Metanol poderá substituir parte dos combustíveis convencionais

Outra característica estará escondida nos sistemas de energia. O navio será entregue preparado para utilizar metanol como combustível.

Isso não significa que necessariamente navegará apenas com metanol desde o primeiro dia. A preparação permite que o sistema seja adaptado para esse combustível conforme disponibilidade, infraestrutura e estratégia operacional.

O interesse da indústria marítima pelo metanol cresceu porque ele pode ser armazenado e transportado com tecnologias já conhecidas. Quando produzido por rotas de menor emissão, pode reduzir a pegada de carbono da navegação.

Para um navio criado especificamente para atender energia eólica offshore, reduzir o consumo de combustíveis fósseis durante a própria operação é parte importante do projeto.

Projeto também prevê possibilidade de operação totalmente elétrica

O SOV será preparado para operação totalmente elétrica, de acordo com a Ulstein.

Essa capacidade depende da instalação de baterias suficientes e de infraestrutura para recarga. Em determinados projetos offshore, navios podem utilizar baterias durante parte das operações, especialmente quando permanecem em posicionamento próximo às turbinas.

A família SX222 já possui embarcações construídas com sistemas híbridos de baterias. A Ulstein também prevê espaço para expansão futura da capacidade de armazenamento de energia em algumas configurações.

Baterias ajudam a reduzir períodos em que motores precisam permanecer ligados apenas para responder rapidamente a variações de carga.

Construção será feita em estaleiro da PaxOcean na Indonésia

O contrato de projeto foi assinado entre a PaxOcean Group e a Ulstein Design & Solutions. A construção física ficará sob responsabilidade da PaxOcean no Graha Yard, em Batam, na Indonésia.

A Ulstein fornecerá mais do que o desenho externo. A companhia informa que engenharia, integração de sistemas e equipamentos principais farão parte de uma entrega coordenada.

A Ulstein Power & Control será responsável pela integração de sistemas elétricos e de controle.

Depois de concluído, o navio terá dupla classificação da DNV e CR e navegará sob bandeira de Taiwan. A entrega está programada para 2029.

Taiwan será uma das primeiras áreas de trabalho

A NYK informou que o novo SOV deverá trabalhar em projetos de energia eólica offshore em Taiwan e em outras partes da região Ásia-Pacífico depois de sua entrega.

A operação será desenvolvida em parceria com a taiwanesa IOVTEC e com a Hsin Chien Marine.

A NYK comprou uma participação na IOVTEC em março de 2025 e vem ampliando sua presença na cadeia offshore regional.

A companhia japonesa já trabalha com SOVs na Europa por meio da Northern Offshore Group. O novo navio leva parte dessa experiência para uma região onde novos parques eólicos marítimos estão sendo construídos ou planejados.

Acomodação para 120 pessoas muda a escala da manutenção

Uma embarcação para 120 pessoas permite manter grande quantidade de técnicos próxima às turbinas durante uma campanha.

Isso reduz deslocamentos entre costa e parque eólico. Em áreas muito distantes do continente, voltar diariamente ao porto consumiria horas de navegação e aumentaria o uso de combustível.

Com o SOV no próprio campo, trabalhadores podem começar cada turno já próximos das estruturas.

Oficinas e peças permanecem a bordo. A passarela transfere trabalhadores. O guindaste movimenta materiais. O posicionamento dinâmico mantém o navio no local.

É uma lógica semelhante à de uma base industrial, mas montada sobre um casco de 89,6 metros que acompanha o parque eólico no oceano.

TWIN X-STERN tenta ampliar os dias disponíveis para trabalhar no mar

O formato incomum da proa e da popa não foi desenvolvido apenas para chamar atenção visualmente.

Quando um navio precisa permanecer próximo de estruturas offshore, sua orientação em relação às ondas influencia balanço, conforto, consumo e segurança.

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Ao permitir que a embarcação opere nos dois sentidos com eficiência, o TWIN X-STERN reduz a necessidade de manobras para reposicionar o casco sempre que as condições mudarem.

A Ulstein também associa o projeto à redução dos movimentos, do ruído e do consumo energético. Para técnicos que passam semanas embarcados, menor movimento significa um ambiente de trabalho e descanso mais estável.

Novo SOV deverá chegar ao mar em 2029

Até lá, o projeto ainda passará pelas etapas de engenharia detalhada, construção do casco, instalação de sistemas, acabamento interno, integração elétrica e testes.

Quando pronto, o navio terá quase 90 metros, 19,2 metros de largura e espaço para até 120 pessoas. Sistemas automáticos manterão a posição ao lado das turbinas, uma passarela compensará o movimento das ondas e um guindaste fará o mesmo durante a transferência de cargas.

Ao mesmo tempo, o casco permitirá operar de proa ou de popa sem exigir que a embarcação faça uma grande manobra toda vez que o tempo mudar.

Com preparação para metanol e operação elétrica, o novo SX222 reúne em um único casco moradia, oficina, logística, transporte e manutenção para parques construídos cada vez mais longe da costa.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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