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Novo robô humanoide Digit 5 trabalha até 20 horas por dia, levanta cerca de 23 kg e recupera carga em apenas 9 minutos para atuar lado a lado com humanos em fábricas, armazéns e operações logísticas industriais
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 19/09/2026 às 06:51
Atualizado em 19/09/2026 às 06:57
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O Digit 5, novo humanoide da Agility Robotics, levanta até 22,7 kg, recarrega a bateria em 9 minutos e pode superar 20 horas produtivas por dia, com foco em fábricas, armazéns e operações logísticas industriais.
A Agility Robotics apresentou uma nova geração de seu robô humanoide industrial com números que colocam o tempo de trabalho e a capacidade física no centro da disputa por automação. O Digit 5 foi projetado para levantar repetidamente até 22,7 kg, operar por 90 minutos e recuperar a carga da bateria em apenas 9 minutos.
Segundo a fabricante, a relação de 10 minutos de trabalho para cada minuto de recarga permite superar 20 horas produtivas dentro de um período de 24 horas. A empresa quer usar essa autonomia para ampliar o papel do robô em fábricas, centros de distribuição e armazéns, onde tarefas de movimentação de materiais ainda exigem grande esforço físico humano.
O novo modelo também cresce em alcance e versatilidade. Com 1,81 metro de altura, 129 kg e alcance vertical de até 2,2 metros, o humanoide foi dimensionado para circular pelos mesmos corredores, portas e estações construídos para trabalhadores, sem exigir uma planta industrial desenhada exclusivamente para robôs.
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Digit 5 levanta 22,7 kg repetidamente e ganhou novo conjunto de pernas para cargas mais pesadas
Uma das principais mudanças está na capacidade de carga. A Agility afirma que o Digit 5 consegue levantar repetidamente até 50 libras, ou 22,7 kg, cerca de 40% a mais do que a geração anterior. O ganho veio com uma nova arquitetura de pernas e atuadores cicloidais próprios.
Esse limite coloca o robô dentro da faixa de diversas tarefas industriais executadas por uma única pessoa, como movimentação de caixas, abastecimento de máquinas e transferência de materiais entre estações. O robô foi desenhado para assumir atividades repetitivas em locais onde peso, postura e frequência tornam o trabalho fisicamente desgastante.
As mãos também mudaram. O Digit 5 recebeu garras substituíveis com flanges de montagem padronizados, permitindo trocar a ferramenta usada pelo robô conforme a operação. Isso amplia o conjunto de tarefas sem exigir um humanoide diferente para cada etapa da linha.
Bateria de 90 minutos volta ao trabalho após 9 minutos de recarga e eleva a relação para 10:1
O salto mais chamativo está no ciclo de energia. A bateria anunciada tem autonomia de 90 minutos e precisa de 9 minutos para recarregar. A relação entre tempo de operação e tempo no carregador passou para 10:1, contra 2:1 no Digit 4.
É desse cálculo que vem a projeção de mais de 20 horas produtivas em um dia. O robô alterna períodos de operação e recarga rápida ao longo do turno, reduzindo o tempo parado no carregador. A fabricante apresenta esse avanço como uma resposta direta a clientes que querem usar humanoides por jornadas longas em operações contínuas.
O tempo de trabalho anunciado depende das condições e do tipo de tarefa, mas a melhoria da bateria muda a economia do equipamento. Quanto menos tempo o robô permanece fora da linha, maior é a quantidade de ciclos de movimentação que pode completar antes do fim do dia.
Humanoide passa de caixas para alimentação de máquinas, inspeção, kitting e paletização
O Digit 4 ficou concentrado principalmente na movimentação de caixas e contêineres. A quinta geração foi desenhada para ocupar mais pontos do fluxo industrial. A Agility cita despaletização de mercadorias, alimentação de máquinas, separação de kits, sequenciamento de peças, inspeção de qualidade e paletização para expedição.
A mudança depende de software e treinamento de tarefas. A empresa usa uma camada de inteligência física para ensinar novos comportamentos ao robô e integra o Digit à plataforma Agility Arc, responsável por acompanhar frotas, disponibilidade, produtividade e incidentes.
O robô também pode coordenar entregas de materiais com robôs móveis autônomos, esteiras e sistemas de gestão de armazém e manufatura. Com essa integração, o humanoide pode atuar como elo móvel entre máquinas e estações já instaladas ao longo do fluxo industrial.
65 mil horas do Digit 4 em clientes como Amazon, Toyota e GXO alimentaram a nova geração
A quinta geração chega depois de quase três anos de implantação comercial do modelo anterior. A Agility afirma que o Digit 4 acumulou mais de 65 mil horas de operação em clientes da América do Norte, entre eles GXO, Schaeffler, Amazon e Toyota Motor Manufacturing Canada.
Na instalação da GXO em Flowery Branch, perto de Atlanta, a geração anterior atingiu a marca acumulada de 100 mil contêineres movimentados e manteve aproximadamente 98% de precisão enquanto executava a tarefa, segundo a empresa.
Esse histórico foi usado para redesenhar hardware, autonomia e segurança do Digit 5. A Agility diz que recebeu mais de US$ 300 milhões em pedidos plurianuais do novo robô até maio de 2026, sujeitos ao cumprimento de marcos contratuais, além de manter uma carteira de potenciais clientes em manufatura, armazenagem e logística.
Nova arquitetura tenta aproximar humanoides de pessoas sem as barreiras físicas usadas na automação tradicional
A segurança em ambientes compartilhados ganhou uma arquitetura específica no Digit 5. O robô combina câmeras, sensores de profundidade e algoritmos de detecção humana para monitorar pessoas próximas e executar respostas como desviar, parar ou assumir uma posição sentada quando identifica uma situação de risco.
Um controlador independente acompanha a distância em relação às pessoas e pode acionar respostas de segurança. O robô também usa sinais visuais e sonoros para indicar intenção de movimento. A arquitetura está sendo desenvolvida em parceria com empresas do setor, incluindo a Nvidia, por meio da plataforma Halos para robótica.
A Agility participa ainda de trabalhos de padronização para robôs móveis industriais e humanoides nos Estados Unidos, Canadá e em fóruns internacionais. Esses padrões buscam definir requisitos para equipamentos bípedes que circulam em áreas compartilhadas com pessoas durante o mesmo turno.
Produção pode chegar a 10 mil robôs por ano e acesso antecipado ao Digit 5 é previsto para 2027
O Digit é montado na RoboFab, fábrica de 70 mil pés quadrados da Agility em Salem, no Oregon. A unidade foi projetada para produzir até 10 mil robôs por ano em capacidade plena e empregar mais de 500 pessoas.
A empresa também prepara uma expansão geográfica. Além de Estados Unidos e Canadá, o Digit 5 deve ser oferecido para implantação comercial na União Europeia e no Reino Unido, com certificações regulatórias previstas para esses mercados.
O acesso antecipado ao novo humanoide é esperado para o primeiro semestre de 2027, enquanto a disponibilidade geral para operadores de manufatura, armazéns e centros de distribuição é prevista até o fim do mesmo ano. Até lá, especificações e funções ainda podem evoluir durante o desenvolvimento.
Se a combinação de 22,7 kg de carga, recarga em 9 minutos e jornadas produtivas acima de 20 horas se confirmar nas implantações comerciais, o Digit 5 poderá levar os humanoides para uma faixa de trabalho muito maior dentro das fábricas. Você acredita que robôs desse tipo vão dividir cada vez mais tarefas com pessoas nas linhas industriais? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

