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Novo sistema de painéis solares flutuantes seguem o Sol durante o dia e prometem até 20% mais energia com entregas previstas para 2027
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 23/09/2026 às 11:31
Atualizado em 23/09/2026 às 11:35
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Airon movimenta fileiras instaladas em reservatórios, ajusta a inclinação durante o dia e recolhe automaticamente os módulos diante de ventos fortes
A Noria Energy apresentou o Airon, sistema que permite aos painéis solares flutuantes acompanharem o movimento do Sol ao longo do dia. Segundo a companhia, o rastreamento poderá produzir até 20% mais eletricidade que instalações sobre a água com inclinação fixa. O primeiro piloto comercial está previsto para o fim de 2026, enquanto as entregas da versão certificada devem começar em meados de 2027, conforme matéria publicada pela pv magazine USA no dia 11 de setembro de 2026.
Painéis instalados sobre a água deixam de permanecer imóveis durante todo o dia
A energia solar flutuante permite aproveitar reservatórios, lagos industriais e outras superfícies sem ocupar grandes extensões de terra. No entanto, a maioria dessas instalações ainda utiliza estruturas fixas, mantendo os módulos na mesma posição desde o amanhecer até o fim da tarde.
O Airon tenta eliminar essa limitação. Seu mecanismo gira lentamente as fileiras de leste a oeste, fazendo com que os painéis acompanhem a posição do Sol e recebam luz em condições mais favoráveis por mais horas.
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O princípio já aparece em grandes parques solares terrestres. A diferença está na adaptação do rastreamento para uma plataforma sujeita a ondas, umidade, oscilações no nível da água e forças constantes sobre os pontos de ancoragem.
Segundo a Noria, o sistema poderá entregar até 20% mais energia durante a vida útil do projeto, sem exigir aumento da potência nominal. Isso significa produzir mais eletricidade com a mesma quantidade instalada de módulos.
A companhia também pretende oferecer o equipamento por um custo semelhante ao de estruturas flutuantes convencionais. Entretanto, tanto o ganho energético quanto a equivalência de preço ainda precisam ser confirmados em projetos comerciais maiores e operando por períodos prolongados.
A proposta acompanha a busca do setor de energia renovável por formas de elevar a geração sem depender apenas da instalação de novos painéis ou da ocupação de áreas adicionais.
Estrutura mantém o equilíbrio e protege os módulos quando o vento ultrapassa 56 quilômetros por hora
O Airon utiliza tubos de torque flutuantes conectados a uma estrutura perimetral ancorada ao fundo do reservatório. Estabilizadores passivos ajudam as fileiras a recuperar o equilíbrio, reduzindo a necessidade de mecanismos adicionais.
O rastreador trabalha com uma inclinação padrão de até 20 graus para cada lado. A Noria também oferece uma configuração capaz de chegar a 30 graus, dependendo das características do projeto.
Cada fileira pode acomodar até quatro sequências elétricas de módulos cristalinos. Um motor de corrente contínua de 24 volts movimenta a estrutura, enquanto controladores individuais enviam informações para unidades responsáveis por coordenar grupos maiores.
Quando o vento ultrapassa 35 milhas por hora, aproximadamente 56 quilômetros por hora, o sistema coloca automaticamente os painéis em uma posição de proteção. A medida reduz a pressão exercida sobre módulos, motores, flutuadores e ancoragens.
A empresa afirma ter reduzido a quantidade de componentes e conexões para facilitar a instalação. Além disso, o projeto utiliza equipamentos familiares aos profissionais do setor solar e não exige ferramentas especializadas, segundo a fabricante.
Essa combinação poderá levar a tecnologia para companhias de saneamento, indústrias, concessionárias, comunidades e centros de dados localizados em regiões onde a terra disponível custa caro ou enfrenta outras disputas de uso.
Projeto de 50 kW no Colorado abriu caminho para a comercialização do novo sistema
Antes de apresentar o Airon, a Noria instalou uma tecnologia anterior de rastreamento no reservatório Fairmount, em Golden, no estado norte-americano do Colorado.
Chamado Aurea Solar, o projeto possui capacidade de 50 kW e utiliza o sistema AquaPhi. A eletricidade produzida abastece bombas responsáveis por regular a distribuição de água no próprio reservatório.
A instalação pertence à Consolidated Mutual Water Company, que atende mais de 100 mil consumidores na região metropolitana de Denver. O projeto reuniu ainda a GRID Alternatives e a Hazelett Marine, responsável por soluções de ancoragem.
Além de gerar eletricidade, a cobertura parcial da água pode contribuir para reduzir a evaporação. O resultado efetivo, porém, depende do clima, da temperatura, da superfície ocupada e das características de cada reservatório.
A experiência no Colorado ofereceu uma base prática para observar estabilidade, ancoragem e movimentação dos módulos. O Airon representa a etapa seguinte, com desenho voltado à fabricação em escala e ao uso comercial.
A AccuSolar participará da produção das estruturas, enquanto a Sunrock Distributed Generation apoiará o desenvolvimento e o financiamento de futuros projetos. A Noria também afirma que utilizará uma cadeia doméstica de fornecedores e unidades regionais de fabricação nos Estados Unidos.
Apesar do lançamento, o sistema ainda enfrenta etapas importantes. O primeiro piloto comercial deve entrar em operação no fim de 2026, enquanto as entregas aos clientes estão previstas para meados de 2027.
Os próximos testes deverão mostrar como motores, cabos, ancoragens e flutuadores resistem a anos de exposição à água e a eventos climáticos severos. Manutenção, durabilidade e custo real serão fatores decisivos para transformar o Airon em uma infraestrutura competitiva para projetos solares de grande porte.
Fonte
pv magazine USA
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

