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Novo Volkswagen Constellation de 540 cv, feito em Resende, puxa até 91 toneladas, mais que um Boeing 737 lotado, e em aplicação especial pode chegar a 150 toneladas fora de estrada
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 25/09/2026 às 07:52
Atualizado em 25/09/2026 às 07:53
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O Volkswagen Constellation 33.540 6×4 tem motor MAN D26 Ultra de 540 cv, câmbio ZF TraXon de 12 marchas, passou por mais de 1 milhão de km de testes e pode gastar até 5% menos diesel, segundo a VWCO.
O novo Volkswagen Constellation 33.540, lançado em setembro com 540 cv, pode rodar em conjuntos de até 91 toneladas. É mais do que pesa um Boeing 737 cheio, no limite para decolar.
Pelo anúncio da Volkswagen Caminhões e Ônibus, feito na terça (22), o caminhão nasceu para operações severas fora de estrada, com foco no agronegócio. Em aplicações especiais, pode chegar a 150 toneladas, sempre com a consultoria da montadora.
A conta com o Boeing 737 fecha até contra o maior da família
A Boeing informa, na ficha técnica do 737 MAX, que o Boeing 737-8 decola com no máximo 82.640 kg. É o teto do avião já somado a passageiros, bagagem, carga e combustível.
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A conta é direta. 91.000 kg menos 82.640 kg dá 8.360 kg. O conjunto do caminhão pesa 8,4 toneladas a mais que o Boeing 737-8 no limite.
Nem o maior Boeing 737 MAX escapa. O 737-10, com até 230 assentos, tem peso máximo de decolagem de 89.760 kg, mostra a mesma tabela da Boeing. Ainda fica 1.240 kg abaixo das 91 toneladas do Volkswagen Constellation.
As 91 toneladas contadas em carro popular
O peso cabe também numa comparação de garagem. O Polo Track, o carro de entrada da Volkswagen, pesa 1.054 kg em ordem de marcha, conforme a ficha técnica oficial do modelo, de 2023.
Dividindo 91.000 kg por 1.054 kg, chega-se a 86,3. O conjunto inteiro do Volkswagen Constellation equivale a 86 Polo Track. Nessa conta entra tudo o que rola junto: o próprio caminhão, os reboques e a carga.
PBTC, CMT e 150 toneladas: três números diferentes
O PBTC é o peso bruto total combinado, a soma de caminhão, reboques e carga. No Constellation 33.540, o PBTC homologado é de 91 toneladas, informa a VWCO.
A CMT é a capacidade máxima de tração, o limite que o conjunto de motor, câmbio e eixos aguenta puxar. No novo modelo, ela é de 125 toneladas, afirma a montadora.
Conforme o artigo 3º da norma do Contran para conjuntos de cana-de-açúcar, a CMT tem de ser igual ou maior que o PBTC. Aqui sobra folga de 34 toneladas (125 menos 91).
As 150 toneladas ficam num terceiro degrau. Segundo a VWCO, valem só para aplicações especiais, e a configuração passa antes pela engenharia da marca.
A regra da cana-de-açúcar que abriu espaço para as 91 toneladas
A própria VWCO apresenta o Constellation 33.540 como resposta à Resolução 872/2021 do Contran. Conforme o texto da norma, conjuntos com PBTC acima de 74 e até 91 toneladas só podem rodar para um serviço: levar cana-de-açúcar.
A formação é fixa, detalha a resolução. Vai um caminhão-trator 6×4, um semirreboque de três eixos e um reboque de cinco. Somados os três eixos do cavalo mecânico, dá 11 eixos, o super rodotrem de 11 eixos.
O conjunto mede entre 28 e 30 metros, com no máximo 4,40 metros de altura.
Na via pública, a norma aperta. Cada conjunto precisa de uma Autorização Especial de Trânsito (AET), válida por até um ano, segundo o artigo 2º.
Anda a no máximo 60 km/h, pela faixa da direita e sem ultrapassar ninguém. Comboio é proibido, com distância mínima de 300 metros entre dois deles.
O percurso autorizado vai até 80 km. A 60 km/h, esse trajeto máximo leva pelo menos 1 hora e 20 minutos (80 dividido por 60 dá 1,33 hora). Com o teto de 80 km, a regra só cobre viagens curtas no transporte de cana-de-açúcar.
Fora da cana-de-açúcar, a montadora cita outras frentes fora de estrada para o Volkswagen Constellation, como o transporte de madeira.
Como o Volkswagen Constellation de 540 cv segura esse peso
O motor é o MAN D26 Ultra, com 540 cv e 2.650 Nm de torque, cerca de 270 kgfm. Ele recebeu calibração exclusiva para esse uso, informa a montadora.
Torque é a força de giro do motor, a que tira o conjunto do lugar, principalmente em subida.
A força passa por um câmbio automatizado ZF TraXon de 12 marchas, informa a ficha da montadora. Ele pode vir com retarder, um freio auxiliar que ajuda a segurar o peso nas descidas sem gastar tanto o freio comum.
Nos eixos traseiros, a ficha mostra redução nos cubos: um jogo de engrenagens dentro do cubo da roda multiplica a força perto do chão. O bloqueio de diferencial faz as rodas do eixo girarem juntas quando uma delas patina no barro.
O 6×4 do nome quer dizer seis pontas de roda, em três eixos, e quatro delas com tração. A lista de reforços é longa, detalha a montadora: chassi, proteção do radiador, quinta roda (o engate onde o semirreboque se apoia) e uma nova rampa de engate.
A suspensão ficou mais alta e o ângulo de ataque, maior. É o quanto a frente consegue encarar uma rampa ou um barranco sem bater o para-choque. A VWCO afirma que isso favorece os acessos típicos das operações fora de estrada.
O salto do Volkswagen Constellation sobre o 33.500, que continua à venda
A comparação mais útil é com o irmão de 490 cv. A ficha que a montadora apresentou à imprensa no início de setembro mostra o Constellation 33.500 6×4 ainda na linha, com PBTC homologado de 74 toneladas.
O salto é de 50 cv e de 17 toneladas no PBTC (91 menos 74). São 23% a mais de peso homologado, já que 17 dividido por 74 dá 0,23. A CMT padrão, por outro lado, é a mesma nos dois.
Mais de 1 milhão de km de teste, quase 25 voltas na Terra
As mudanças no Volkswagen Constellation foram comprovadas em mais de 1 milhão de quilômetros rodados em condições extremas, registra o anúncio da VWCO. A volta na Terra pela linha do Equador tem cerca de 40.075 km. Dividindo 1.000.000 por 40.075, dá 24,95: quase 25 voltas no planeta.
A cabine também mudou. Ganhou suspensão pneumática com ajuste automático e novas curvas de amortecimento, que a VWCO destaca entre as melhorias de conforto para o motorista.
Até 5% menos diesel, e o “até” conta
A economia prometida para o Volkswagen Constellation 33.540 é de até 5% de combustível, graças à nova calibração do motor, afirma a fabricante. O número é o teto: a comparação é com a geração anterior, e o ganho varia conforme as condições de operação.
Em números redondos, 5% é 1 litro economizado a cada 20 que a geração anterior gastaria no mesmo serviço, com a mesma rota e a mesma carga.
Feito em Resende, com vitrine marcada na Fenatran
O Volkswagen Constellation sai da fábrica da VWCO em Resende (RJ), no sistema de consórcio modular, feito em parceria com fornecedores. O lançamento amplia a linha extrapesada da marca, afirma a VWCO no anúncio.
A VWCO mostrou o caminhão à imprensa num evento em São Paulo no início de setembro, com os modelos que a marca leva para a Fenatran. O Constellation 33.540 está entre eles, na feira do transporte marcada para novembro, também em São Paulo.
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Volkswagen Caminhões e Ônibus
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

