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O chão afundou mais de 1 metro em nove anos sob parte da região metropolitana de Delhi: retirada de água subterrânea fez áreas cederem perto de 15 cm por ano, enquanto recuperação dos aquíferos conseguiu até fazer alguns trechos voltarem a subir

O chão afundou mais de 1 metro em nove anos sob parte da região metropolitana de Delhi: retirada de água subterrânea fez áreas cederem perto de 15 cm por ano, enquanto recuperação dos aquíferos conseguiu até fazer alguns trechos voltarem a subir

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O chão afundou mais de 1 metro em nove anos sob parte da região metropolitana de Delhi: retirada de água subterrânea fez áreas cederem perto de 15 cm por ano, enquanto recuperação dos aquíferos conseguiu até fazer alguns trechos voltarem a subir

Escrito por Ruth Rodrigues

Publicado em 02/09/2026 às 06:57

Atualizado em 02/09/2026 às 06:58

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Delhi registra afundamento do solo associado à retirada de água subterrânea, mas Dwarka apresentou recuperação após medidas de captação de chuva e controle de poços. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)

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Delhi registra afundamento do solo associado à retirada de água subterrânea, mas Dwarka apresentou recuperação após medidas de captação de chuva e controle de poços.

Enquanto algumas partes de Delhi chegaram a perder até 15 centímetros de altitude por ano, um bairro no sudoeste da capital indiana apresentou uma resposta completamente diferente. Em Dwarka, medições por satélite indicaram que o terreno deixou de ceder e, em determinados pontos, começou a se elevar depois de anos de exploração intensa das reservas subterrâneas. No mesmo período, o nível da água no subsolo apresentou recuperação superior a 1,5 metro.

A mudança foi identificada em um estudo publicado em fevereiro de 2025, elaborado a partir de observações espaciais realizadas entre novembro de 2014 e outubro de 2023. O resultado coloca lado a lado duas faces da mesma crise: a compactação do terreno causada pelo esvaziamento dos aquíferos e a possibilidade de reduzir parte do problema quando a retirada de água diminui e a recarga é favorecida.

Dwarka mudou de trajetória mesmo com redução das chuvas

Entre 2018 e 2021, os níveis de água subterrânea em Dwarka subiram mais de 1,5 metro, apesar de a quantidade de chuva ter diminuído durante esse intervalo. A recuperação coincidiu com medidas implementadas anos antes para controlar melhor a utilização dos recursos hídricos.

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Paulo Nogueira

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No inverno de 2016, novas regras passaram a exigir sistemas de captação de água da chuva em edifícios recém-construídos. A perfuração de poços particulares também passou a ser submetida a uma fiscalização mais rigorosa, reduzindo a liberdade para retirar água subterrânea sem controle.

Quase uma década depois, instrumentos capazes de detectar variações milimétricas na superfície mostraram uma alteração no comportamento do terreno. A área que anteriormente apresentava subsidência deixou de seguir a mesma trajetória observada em outras partes de Delhi.

O resultado não significa que todo o dano tenha desaparecido. Ele mostra, porém, que a combinação entre menor pressão sobre o aquífero e recarga contínua pode produzir mudanças mensuráveis mesmo dentro de uma região submetida a forte estresse hídrico.

Algumas áreas de Delhi chegaram a afundar 15 centímetros por ano

O cenário fora de Dwarka permanece preocupante. Nas regiões central e sul de Delhi, medições apontaram subsidência de até 15 centímetros por ano entre 2014 e 2018.

Em 2023, a taxa registrada em determinadas áreas havia diminuído para aproximadamente 7 centímetros anuais. Mesmo com essa desaceleração, o movimento continua expressivo o suficiente para revelar uma transformação física progressiva do terreno.

Kapashera, uma vila urbana próxima ao aeroporto, aparece entre os locais citados por especialistas por apresentar casos graves de subsidência. Faridabad também foi mencionada entre as áreas onde o problema ganhou destaque.

Delhi registra afundamento do solo associado à retirada de água subterrânea, mas Dwarka apresentou recuperação após medidas de captação de chuva e controle de poços. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)

O fenômeno não depende de terremotos nem de um colapso repentino. O solo pode baixar lentamente, acumulando pequenas alterações ao longo dos anos até produzir diferenças importantes na superfície.

Retirar água faz camadas subterrâneas perderem sustentação

O mecanismo começa muito abaixo das ruas. Os aquíferos armazenam água nos espaços existentes entre sedimentos e formações subterrâneas. Quando volumes excessivos são bombeados, a pressão exercida pela água diminui, e as camadas passam a suportar as cargas de maneira diferente.

Meenakshi Venkataraman, do Grupo de Ação Rotária para a Sustentabilidade Ambiental, relaciona diretamente essa retirada ao processo observado na Índia. Segundo ela, mais de 80% da subsidência está ligada à redução da pressão nos aquíferos, que favorece a compactação.

À medida que esses espaços internos diminuem, a camada localizada acima pode acompanhar esse movimento. Em uma cidade densamente ocupada como Delhi, a consequência aparece na forma de um rebaixamento gradual da superfície.

Esse processo recebe o nome de subsidência e também pode ocorrer após a extração de petróleo, gás ou recursos minerais. No caso analisado na capital indiana, porém, a retirada de água subterrânea ocupa papel central.

Parte do dano pode eliminar permanentemente espaço para armazenar água

Um dos aspectos mais preocupantes é que recuperar o volume retirado não significa necessariamente restaurar toda a capacidade original do aquífero.

Quando a compactação atinge determinados níveis, poros existentes nas camadas subterrâneas podem se fechar. A chuva posterior consegue elevar novamente a quantidade de água em partes do sistema, mas não necessariamente recria todos os espaços perdidos.

A consequência é dupla: o terreno pode permanecer mais baixo e o próprio reservatório natural passa a ter menor capacidade para armazenar água no futuro.

Além disso, a subsidência pode afetar estruturas construídas na superfície. Rachaduras em vias e danos a tubulações estão entre os efeitos associados à deformação do terreno.

Se as redes de abastecimento se rompem, contaminantes presentes ao redor das estruturas podem encontrar caminhos para entrar no sistema de água, acrescentando um problema de qualidade ao quadro de escassez.

Crise de Delhi faz parte de uma pressão hídrica muito maior na Índia

A demanda que está alterando o subsolo de Delhi faz parte de um problema nacional.

A Índia concentra aproximadamente 18% da população mundial, mas dispõe de apenas cerca de 4% dos recursos de água doce do planeta. Essa diferença ajuda a explicar a crescente dependência das reservas subterrâneas.

O país retira dos aquíferos aproximadamente 245 bilhões a 247 bilhões de metros cúbicos por ano, o que o coloca como o maior extrator mundial desse recurso.

Grande parte desse volume não é destinada às cidades. Entre 87% e 92% da água subterrânea captada é destinada à agricultura, enquanto essas reservas também atendem a quase 85% das necessidades de água da população rural.

O desequilíbrio surge porque muitos aquíferos levaram períodos extremamente longos para acumular o volume que hoje é retirado em poucas décadas.

Delhi registra afundamento do solo associado à retirada de água subterrânea, mas Dwarka apresentou recuperação após medidas de captação de chuva e controle de poços. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)

Outras cidades também registram solo descendo lentamente

O fenômeno observado em Delhi não está restrito à capital. Medições por satélite identificaram subsidência média de aproximadamente 30 milímetros por ano em Varanasi. Em partes de Ludhiana, foram documentados cerca de 24,7 milímetros anuais.

Sangrur, no Punjab, apresentou taxas ainda maiores, chegando a aproximadamente 70 milímetros por ano nas áreas monitoradas.

Essas localidades ajudam a mostrar que o problema pode se desenvolver de maneira silenciosa. Não é necessário que exista uma grande ruptura visível para que uma cidade esteja gradualmente perdendo altitude.

A comparação também reforça por que Dwarka passou a chamar a atenção: em vez de apenas reduzir a velocidade do afundamento, algumas medições indicaram uma inversão localizada do movimento.

Recuperação de Dwarka ainda não pode ser tratada como solução para toda Delhi

Especialistas alertam que o comportamento de um bairro não deve ser extrapolado automaticamente para uma metrópole inteira.

A pressão sobre as águas subterrâneas continua intensa em várias partes de Delhi, e fatores como crescimento populacional, irregularidade das chuvas e diferenças na aplicação das regras podem produzir resultados muito distintos entre as regiões.

O caso de Dwarka funciona mais como uma demonstração de que intervenções podem produzir efeitos observáveis do que como evidência de que a crise foi resolvida.

A captação de chuva e a fiscalização da exploração subterrânea ganharam importância porque atuam em dois pontos simultaneamente: aumentam a possibilidade de reposição da água e limitam a retirada excessiva.

O desafio passa a ser ampliar essas práticas antes que a compactação elimine permanentemente parte da capacidade de armazenamento dos aquíferos.

Satélites tornaram visível uma crise escondida sob a cidade

A subsidência acontece de forma lenta demais para ser percebida facilmente por quem circula diariamente pelas mesmas ruas. Foi a comparação de sucessivas observações espaciais entre 2014 e 2023 que permitiu medir alterações muito pequenas e reconstruir a evolução do terreno de Delhi ao longo dos anos.

Os dados revelaram tanto as áreas que continuavam descendo quanto a mudança registrada em Dwarka. Dessa maneira, um problema originalmente escondido centenas de metros abaixo da superfície passou a ser acompanhado a partir do espaço.

O contraste é significativo: enquanto determinadas partes da cidade perderam centímetros de altitude anualmente, um bairro conseguiu recuperar mais de 1,5 metro no nível de suas águas subterrâneas e apresentou sinais de estabilização do terreno.

A experiência não elimina a crise de Delhi, mas mostra que seu avanço não precisa ser tratado como inevitável. O problema está diretamente relacionado à maneira como a água subterrânea é retirada e reposta — e, onde parte dessa relação mudou, o próprio comportamento do solo também começou a mudar.

Fontes

AGU

India Today


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

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