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O dono de uma empresa de manutenção de dutos e tanques em Illinois usou os próprios soldadores e caldeireiros para construir, em dois anos, um sino de vento com tubo de 12,8 metros e 7,68 toneladas suspenso a quase 15 metros do chão, e a partir dele a cidade de 2.700 habitantes virou vitrine de objetos gigantes
Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 05/09/2026 às 09:15
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A cidade tem menos moradores que um estádio pequeno. A rua principal tem uma dúzia de objetos gigantes.
Casey fica no interior de Illinois e tem cerca de 2.700 habitantes, segundo os levantamentos sobre a cidade. Não há praia, montanha nem parque nacional por perto. O que ela tem é uma rua principal com objetos gigantes, e o primeiro deles saiu de uma oficina que existe para consertar duto e tanque.
Jim Bolin é coproprietário da Bolin Enterprises, empresa familiar de manutenção de dutos e tanques da cidade. Em 2011 ele decidiu construir o maior sino de vento do mundo, e usou para isso os próprios soldadores e caldeireiros da empresa, segundo o levantamento publicado pelo The Times of India.
O que é o sino, em números
A peça tem cinco tubos metálicos, e o maior deles mede 12,80 metros de comprimento. O conjunto fica suspenso a 14,94 metros do chão e pesa 7,68 toneladas, conforme o registro do Guinness World Records.
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Não é escultura enfeitada de sino: é sino funcional, que toca com o vento. E é essa a parte difícil, porque um tubo de quase treze metros pendurado precisa balançar sem se soltar e sem bater com força suficiente para se romper.
Dois anos de projeto e fabricação
A equipe da empresa levou dois anos projetando, planejando e fabricando a peça, segundo o registro oficial da marca. O sino foi homologado pelo Guinness em 22 de junho de 2012.
Dois anos é tempo de obra industrial, não de brincadeira de fim de semana. A conta inclui cálculo estrutural, ensaio de material, montagem e içamento, tudo encaixado entre os serviços que pagam a folha da empresa.
Por que uma empresa de dutos consegue fazer isso
Manutenção de duto e tanque é exatamente o ofício de dobrar, cortar, calandrar e soldar chapa e tubo de grande diâmetro. A oficina já tem ponte rolante, maçarico, máquina de solda e gente com certificação para trabalhar em vaso de pressão.
Ou seja, o pulo do gato não foi comprar equipamento novo. Foi apontar para outro alvo a mesma estrutura que já existia. Quem sabe soldar costado de tanque sabe montar tubo gigante. Soldagem é qualificação formal e não improviso, como no caso já noticiado da jovem de 23 anos que era a única mulher em ofício técnico num estaleiro de 2 mil homens e tirou qualificação nacional em soldagem.
Soldar tanque e soldar sino não é a mesma coisa
Um tanque de armazenamento trabalha parado. A solicitação que ele sofre é estática, previsível, calculada uma vez e conferida por ensaio. Já um sino de vento trabalha o tempo todo, e trabalha em movimento.
Isso muda o problema de engenharia. O inimigo deixa de ser a carga e passa a ser a fadiga, que é o dano acumulado por milhões de ciclos pequenos. O ponto crítico não é o tubo, é o olhal, o cabo e a solda que seguram cada peça pendurada.
A ideia veio da casa da avó
O motivo declarado da escolha é doméstico. Segundo o registro publicado, a ideia de construir o maior sino de vento do mundo nasceu da lembrança de infância de Bolin, que ouvia sinos de vento na casa da avó.
É um detalhe que costuma explicar esse tipo de projeto melhor do que qualquer plano de marketing. Ninguém escolhe sino de vento por estudo de mercado. Escolhe porque a imagem já estava na cabeça.
Depois veio o tee de golfe
A segunda peça nasceu para divulgar o campo de golfe da cidade. A equipe montou um tee gigante com cerca de 9 metros de altura e 3 toneladas, instalado no Casey Country Club, homologado pelo Guinness em 2013, segundo o levantamento publicado.
A lógica é a mesma do sino: escolher um objeto que já pertence à identidade do lugar e aumentá-lo até virar ponto de parada. Golfe é o que a cidade tem, então o tee é o que a cidade amplia.
A cadeira de balanço pesa mais de 18 toneladas
Do outro lado da rua está a maior cadeira de balanço do mundo, com cerca de 9,7 metros de altura e mais de 18 toneladas, conforme os números divulgados pelo material turístico da cidade.
Cadeira de balanço em escala monumental é um problema estrutural mais chato do que parece. Ela precisa parecer capaz de balançar e, ao mesmo tempo, não pode tombar com vento lateral, o que costuma exigir ancoragem escondida no piso. Estrutura improvável que se sustenta atrai visitante justamente por parecer que não deveria ficar de pé, como no caso já noticiado da cidade brasileira erguida sobre uma montanha de cristal, com casas e igrejas centenárias feitas de pedra empilhada sem cimento.
A caixa de correio tem de funcionar de verdade
A maior caixa de correio do mundo é funcional, e isso não é firula: é exigência do Guinness para a categoria, conforme o material publicado sobre as atrações. Quem visita sobe uma escada nos fundos e posta a carta lá dentro.
A correspondência postada ali sai com carimbo próprio, identificando a caixa e a cidade. É o detalhe que transforma o objeto de foto em objeto de uso, e é também o que garante que ele continue valendo o título.
A regra do recorde muda o projeto
Essa é a parte que costuma passar despercebida. Para uma marca de maior objeto ser aceita, ele em geral precisa cumprir a função do objeto original, e não apenas parecer com ele.
Por isso o sino toca, o tee sustenta uma bola e a caixa recebe carta. A exigência funcional é o que separa esse tipo de obra de uma escultura decorativa, e é ela que empurra o projeto para dentro da engenharia.
Quantos recordes a cidade tem, afinal
Aqui é preciso honestidade com o número. O levantamento que deu origem a esta reportagem fala em 12 títulos do Guinness concentrados na cidade, e material turístico local repete essa contagem.
Outros guias de viagem falam em oito objetos certificados, mais uma série de peças gigantes sem título. A diferença provavelmente está em quantos recordes seguem homologados hoje, já que marca de maior objeto costuma ser perdida quando alguém constrói um maior.
Por que uma cidade de 2.700 habitantes aposta nisso
Cidade pequena cortada por rodovia disputa uma coisa só: o motivo para o carro parar. Sem motivo, o carro passa e o dinheiro passa junto, e posto, lanchonete e mercado ficam vivendo só do morador.
Objeto gigante resolve isso de um jeito barato em comparação com museu, parque ou hotel. Ele funciona como outdoor tridimensional. Estátua monumental já mudou o mapa de outras cidades pequenas, como no caso já noticiado da estátua de Messi com 26 metros e 70 toneladas de aço que virou ponto de visitação numa cidade remota da Patagônia.
O que sustenta quase oito toneladas penduradas
A parte invisível do sino é a que custa caro. Uma massa dessa ordem suspensa exige fundação dimensionada para tração e para momento, porque o vento não empurra a estrutura só para um lado.
Some a isso a inspeção periódica. Cabo de aço exposto ao tempo perde seção com corrosão, e ninguém percebe olhando de baixo. Manter um objeto desses em pé é serviço recorrente, e não obra que termina no dia da inauguração.
O que costuma dar errado nessa aposta
Nem toda cidade que constrói um objeto gigante vira parada obrigatória. O que separa um caso do outro é a densidade: um objeto isolado rende foto e vai embora, um conjunto de objetos rende uma tarde inteira e faz o visitante almoçar ali.
É por isso que Casey não parou no sino. A cidade só passa a existir no mapa quando a rua principal inteira vira o passeio, e não quando uma peça aparece na internet.
O que não foi divulgado
Não há informação sobre quanto custou o sino nem sobre quanto a empresa gastou no conjunto das peças ao longo dos anos. Também não foi divulgado o número de visitantes que a cidade recebe hoje.
É justamente o dado que fecharia a conta. Sem faturamento de comércio e sem contagem de tráfego, o efeito econômico da aposta continua sendo impressão, e não medida.
Como está hoje
O sino continua pendurado, a caixa de correio continua recebendo carta e a rua principal continua reunindo os objetos gigantes que atraem quem passa pela rodovia, conforme o material publicado sobre a cidade.
Uma empresa que existe para manter tubulação em pé descobriu que sabia fazer outra coisa com o mesmo maçarico. O resultado é uma cidade de menos de três mil moradores cujo cartão-postal é a própria oficina.
Fontes
The Times of India, In 2011, Illinois businessman Jim Bolin built a record-breaking wind chime to draw travelers into Casey
Guinness World Records, Largest wind chime
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

