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O impacto bilionário da Reforma Tributária no setor de petróleo e gás exige adaptação de processos, caixa e operações

O impacto bilionário da Reforma Tributária no setor de petróleo e gás exige adaptação de processos, caixa e operações

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O impacto bilionário da Reforma Tributária no setor de petróleo e gás exige adaptação de processos, caixa e operações

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 25/09/2026 às 16:16

Atualizado em 25/09/2026 às 16:20

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Representantes do IBP, PetroReconcavo e Origem Energia discutem incertezas da regulamentação e mostram como empresas estão se preparando para a entrada dos novos tributos na ROG.e 2026

A reforma tributária já começou a mexer na rotina das empresas brasileiras. No petróleo e gás, porém, a mudança vai muito além de trocar um imposto por outro.

Será preciso revisar operações, contratos, sistemas e decisões financeiras. Tudo isso enquanto companhias continuam produzindo, investindo e movimentando bilhões de reais.

Não é uma transformação que acontece dentro de uma planilha e termina ali. Ela atravessa departamentos inteiros e chega diretamente ao caixa das empresas.

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Esse foi o centro do debate sobre os impactos da reforma tributária na competitividade do onshore e offshore, realizado durante a ROG.e 2026.

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O Click Petróleo e Gás acompanhou a discussão no Riocentro e conversou com Flávia Rinaldi, gerente jurídica tributária do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP); Rafael Castro, gerente fiscal tributário da PetroReconcavo; e Rodrigo Novo, da Origem Energia.

A discussão tributária apareceu em meio a uma ROG.e marcada por decisões que podem redefinir o setor. Em outro painel acompanhado pelo CPG, executivos discutiram a reposição das reservas brasileiras de petróleo e os caminhos para sustentar a produção nas próximas décadas.

IBP: setor ainda convive com incertezas

Para Flávia Rinaldi, do IBP, a indústria atravessa um período em que decisões importantes ainda são aguardadas pelas empresas.

“Nós estamos passando por uma fase de muitas incertezas, algumas definições ainda estão sendo esperadas pelo setor.”

É uma situação desconfortável. As empresas precisam avançar na preparação enquanto parte do caminho regulatório ainda está sendo detalhado.

Segundo Rinaldi, debates entre companhias, especialistas e entidades ganham importância justamente porque ajudam a revelar os gargalos dessa transição.

“Discussões como essa trazem clareza dos pontos, dos gargalos que o setor vem encontrando durante esse processo.”

Na prática, isso significa começar a arrumar a casa antes mesmo de saber exatamente como todos os móveis vão ficar depois da mudança.

A dificuldade aumenta em petróleo e gás porque o setor reúne operações terrestres e marítimas, cadeias extensas de fornecedores e contratos com características bastante diferentes.

São projetos que não olham apenas para o próximo trimestre. Muitos deles começam hoje para produzir, gerar receita e recuperar investimentos durante décadas.

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Essa preocupação com competitividade apareceu em outros debates acompanhados pelo CPG na feira. Brava Energia, PRIO, Karoon e Trident discutiram como tecnologia, eficiência e novos investimentos podem prolongar a produção dos campos maduros de petróleo, justamente em operações onde custos e margens precisam ser acompanhados de perto.

PetroReconcavo mapeia operações para calcular impacto no caixa

Na PetroReconcavo, a preparação começa por conhecer detalhadamente cada operação da companhia.

Rafael Castro, gerente fiscal tributário da empresa, explicou ao CPG que a estratégia é antecipar os possíveis efeitos antes que eles apareçam no balanço.

“A nossa avaliação está sendo estratégica, no sentido de antecipar e mapear as operações.”

O ponto de chegada desse trabalho é bastante objetivo: descobrir quanto a reforma poderá afetar o fluxo de caixa.

“Quanto melhor as operações estiverem mapeadas, a gente pode projetar o impacto no fluxo de caixa.”

Parece óbvio quando dito assim. Só que mapear uma operação de petróleo e gás significa acompanhar compras, serviços, fornecedores e créditos tributários em cadeias enormes.

A reforma, portanto, deixa rapidamente de ser um assunto restrito ao departamento fiscal e entra no planejamento financeiro e operacional das companhias.

Castro também chamou atenção para o ritmo das definições regulatórias ao longo de 2026. Parte do período que poderia gerar mais dados para testes acabou sendo consumido pela própria evolução das regras.

Mesmo assim, a expectativa é que as empresas avancem conforme o novo sistema começar efetivamente a funcionar.

“Como tudo no Brasil em termos tributários, a gente vai aprender fazendo.”

A declaração resume bem o tamanho da transição.

Pelo cronograma oficial da Reforma Tributária do Consumo, 2026 funciona como ano de teste da CBS e do IBS. Em 2027 começa a cobrança da CBS e ocorre a extinção de PIS e Cofins, enquanto as demais etapas serão implementadas progressivamente.

Para Castro, portanto, não existirá simplesmente uma data em que a empresa encerra a preparação e considera o trabalho concluído.

“A gente vai precisar revisitar isso constantemente, para se adaptar à evolução e à progressão da entrada dos novos tributos no regime brasileiro tributário.”

Origem Energia concentra preparação em processos, tecnologia e pessoas

A entrevista com Rodrigo Novo, da Origem Energia, abre outra parte dessa história: transformar uma reforma escrita em leis e regulamentos em mudanças concretas dentro da companhia.

Segundo o executivo, existe uma preocupação direta com a preservação dos resultados financeiros durante a transição.

“A gente hoje está muito preocupada com a manutenção do EBITDA e do caixa da empresa. Isso é o que os acionistas esperam.”

Não poderia ser diferente. No final das contas, qualquer alteração tributária que modifica prazos, créditos ou desembolsos acaba chegando ao caixa.

A estratégia da companhia está concentrada no que Novo definiu como três pilares: processos, tecnologia e pessoas.

Sistemas precisam conversar com as novas regras. Processos internos precisam mudar. E profissionais que nunca trabalharam diretamente com tributos passam a sentir os efeitos.

Por isso, segundo Novo, a Origem Energia realiza um trabalho amplo de gestão da mudança.

“Estamos fazendo todo um trabalho voltado à gestão de mudanças, envolvendo todas as áreas para que não ocorram tantos impactos assim com a virada com a reforma tributária.”

Essa integração entre áreas apareceu diversas vezes na cobertura da ROG.e feita pelo CPG. Em outro debate, IBP e SENAI discutiram como transição energética e inteligência artificial já exigem profissionais preparados para funções que estão mudando dentro da própria indústria.

Reforma deixa de ser assunto apenas do departamento tributário

As três entrevistas realizadas pelo CPG acabam convergindo exatamente nesse ponto.

A reforma começa como uma mudança na forma de arrecadar impostos, mas rapidamente alcança operações, sistemas, contratos, planejamento financeiro e decisões de investimento.

Na PetroReconcavo, mapear operações permite projetar efeitos sobre o fluxo de caixa.

Na Origem Energia, a preparação mobiliza processos, tecnologia e pessoas para tentar preservar EBITDA e caixa.

Já na avaliação do IBP, o setor precisa fazer tudo isso enquanto ainda administra dúvidas e gargalos surgidos durante a implementação.

A sensação é de trocar peças de uma máquina enquanto ela continua funcionando. A produção não pode parar apenas porque o sistema tributário está mudando.

Essa complexidade ajuda a explicar por que 2026 ganhou tanta importância como período de adaptação. A Receita Federal já estabeleceu obrigações e cronogramas relacionados aos documentos fiscais, CBS e IBS.

Impacto pode ser diferente no onshore e offshore

Existe ainda outro problema: não há uma operação única capaz de representar toda a indústria brasileira de petróleo e gás.

Grandes projetos offshore convivem com produtores independentes, campos terrestres, ativos maduros, terminais, gasodutos e diferentes estruturas contratuais.

O efeito tributário pode mudar bastante de um projeto para outro.

É por isso que o mapeamento citado por Rafael Castro ganha importância. A conta precisa descer para o nível das operações.

O próprio CPG mostrou na ROG.e como essa diversidade afeta outros segmentos da cadeia. No mercado de gás natural no Brasil, por exemplo, o país já possui infraestrutura relevante, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar capacidade instalada em consumo e retorno econômico.

A discussão tributária entra nessa mesma lógica. Investimento só faz sentido quando custos, receitas, créditos e prazos conseguem fechar a conta.

A pergunta, portanto, deixa de ser apenas quanto imposto será pago.

Passa a incluir quando créditos poderão ser apropriados, quando haverá desembolso, como fornecedores serão afetados e quanto capital permanecerá imobilizado ao longo da cadeia.

2027 será um teste importante para as estratégias adotadas pelas empresas

O próximo ano será um dos marcos dessa transformação.

O calendário oficial prevê para 2027 a cobrança da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e a extinção do PIS e da Cofins. A implantação do IBS ocorrerá de forma progressiva, com a transição de ICMS e ISS entre 2029 e 2032 e vigência integral do novo modelo prevista para 2033.

É por isso que as empresas entrevistadas falam menos em uma simples “virada de chave” e mais em adaptação contínua.

Não haverá um único dia no qual tudo muda e depois volta ao normal.

O setor terá de manter duas frentes funcionando simultaneamente: continuar produzindo e investindo enquanto modifica processos, sistemas e estratégias financeiras.

As falas de Flávia Rinaldi, Rafael Castro e Rodrigo Novo mostram que, para a indústria de petróleo e gás, o verdadeiro impacto da reforma tributária não deverá aparecer apenas nas novas alíquotas.

Ele também será medido pela capacidade das companhias de antecipar efeitos sobre o caixa, adaptar tecnologia, revisar processos, preparar equipes e responder rapidamente às regras da transição.

E tem muito dinheiro envolvido nisso.

Em uma indústria na qual uma decisão tomada em 2026 pode definir a rentabilidade de um ativo durante décadas, errar o cálculo agora pode custar caro lá na frente.

Por isso, a reforma tributária começa a ocupar um espaço que antes pertencia quase exclusivamente aos projetos, reservatórios e custos operacionais.

Ela também virou uma questão de competitividade.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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