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O que é isso? Pescador captura iceberg negro surreal surgindo no Mar do Labrador, enorme bloco escuro cruza sua rota com formato de diamante e aparência que pode guardar milhares de anos de história no gelo
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 13/09/2026 às 15:06
Atualizado em 13/09/2026 às 15:11
Ciência e Tecnologia
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O raro iceberg negro foi filmado no Mar do Labrador por Hallur Antoniussen e pode ter adquirido a coloração escura ao incorporar sedimentos, rochas, cinzas vulcânicas ou outros materiais durante sua formação glacial muito antiga
Um iceberg negro chamou atenção no Atlântico Norte depois de ser registrado pelo pescador Hallur Antoniussen, a bordo do barco Saputi, em meados de maio. O enorme bloco, visto no Mar do Labrador, tinha aparência escura e formato semelhante a um diamante, características que levantaram diferentes hipóteses sobre sua formação.
Assista o vídeo
Iceberg negro surpreendeu pescador no Mar do Labrador
Antoniussen decidiu filmar o iceberg assim que o bloco surgiu durante a navegação. As imagens acabaram circulando nas redes sociais justamente pela diferença em relação aos icebergs brancos normalmente associados às regiões polares.
Em entrevista posteriormente concedida a uma rádio canadense, o pescador afirmou que nunca havia visto um iceberg semelhante.
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Além da coloração completamente preta, chamou sua atenção o formato incomum, comparado por ele ao de um diamante.
A aparência, entretanto, não significa que todos os icebergs sejam naturalmente brancos. A variedade de cores está relacionada à composição e às características do próprio gelo.
A tonalidade branca comum ocorre porque pequenas bolhas de ar presas no gelo espalham a luz. Quando o gelo se torna mais denso após longos períodos sob pressão glacial, essas bolhas podem desaparecer.
Com isso, a luz consegue penetrar mais profundamente. Apenas determinados comprimentos de onda retornam, processo que ajuda a explicar por que icebergs antigos podem apresentar tons azulados.
Sedimentos podem explicar a coloração escura do gelo
No caso do iceberg negro observado por Antoniussen, uma das possibilidades apresentadas pelo glaciologista Lev Tarasov, da Universidade Memorial do Canadá, envolve materiais incorporados durante o deslocamento de uma geleira.
Segundo a explicação dada à CBC, geleiras podem arrastar rochas, solo e outros sedimentos durante seu lento avanço em direção ao mar.
Esses materiais acabam incorporados ao gelo e podem produzir tonalidades cinzentas ou praticamente pretas.
Outra possibilidade mencionada é a presença de cinzas vulcânicas. Também foi levantada a hipótese, considerada mais extraordinária, de incorporação de detritos associados a um meteorito antigo.
Essas possibilidades não determinam, porém, qual é a origem específica do bloco registrado no Mar do Labrador.
Uma análise direta do gelo seria necessária para identificar com segurança os materiais responsáveis por sua aparência.
A coloração escura também pode indicar um gelo bastante antigo, potencialmente formado há milhares ou até dezenas de milhares de anos.
Icebergs coloridos já foram estudados na Antártica
Outras cores incomuns já foram documentadas. Em 1985, uma expedição no Mar de Weddell, na Antártica, registrou um iceberg verde-escuro que posteriormente passou por estudos sobre sua composição.
Pesquisadores do Instituto Alfred Wegener relacionaram aquela coloração a uma combinação envolvendo ferro ferroso proveniente do fundo do mar e gelo glacial extremamente puro.
Outros icebergs verdes também foram associados à presença de compostos de ferro. Quando pigmentos amarelados se combinam visualmente com o azul do gelo, o resultado pode ser uma tonalidade verde incomum.
Esses casos mostram que materiais transportados e incorporados ao gelo podem mudar significativamente sua aparência.
No caso observado por Antoniussen, entretanto, a composição permanece indefinida enquanto não houver análise direta do iceberg.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da CBC, Universidade Memorial do Canadá e Instituto Alfred Wegener, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://www.tempo.com/not
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

