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Os irmãos Joesley e Wesley Batista entraram na Nuclep de Itaguaí na mesma semana em que a estatal entregou estacas torpedo à Petrobras, e foram ver de perto os projetos do programa nuclear que decide o futuro de Angra 3

Os irmãos Joesley e Wesley Batista entraram na Nuclep de Itaguaí na mesma semana em que a estatal entregou estacas torpedo à Petrobras, e foram ver de perto os projetos do programa nuclear que decide o futuro de Angra 3

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Os irmãos Joesley e Wesley Batista entraram na Nuclep de Itaguaí na mesma semana em que a estatal entregou estacas torpedo à Petrobras, e foram ver de perto os projetos do programa nuclear que decide o futuro de Angra 3

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 08/09/2026 às 01:29

Atualizado em 08/09/2026 às 01:41

Energia Nuclear

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Os irmãos Joesley e Wesley Batista entraram no galpão da Nuclep em Itaguaí na mesma semana em que a estatal entregou estacas torpedo para a Petrobras, e passaram a tarde acompanhando os projetos do programa nuclear que decide o destino de Angra 3.

A visita aconteceu na primeira semana de setembro e foi registrada pela Petronotícias em 5 de setembro.

Os dois empresários do grupo J&F foram recebidos para um encontro institucional nas instalações fabris da companhia, no litoral do Rio de Janeiro.

O que eles foram ver não é detalhe de agenda corporativa.

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Paulo Nogueira

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A Nuclep é a única fabricante nacional de componentes pesados para reator, e Itaguaí é onde ficam as prensas, os pórticos e os galpões capazes de manusear peça de centenas de toneladas.

A visita acontece depois que a Âmbar entrou no capital da Eletronuclear

O encontro se dá num cenário novo para o setor nuclear brasileiro. A Âmbar Energia, empresa do mesmo grupo J&F, entrou no capital da Eletronuclear.

A Eletronuclear é a responsável pelas usinas de Angra e permanece sob controle da ENBPar, a estatal criada para abrigar ativos que ficaram fora da privatização da Eletrobras.

Ou seja, o grupo entrou como sócio, e não como controlador. Essa distinção importa quando se fala de uma obra do porte de Angra 3.

A Nuclep existe por causa do programa nuclear

A companhia não é uma metalúrgica qualquer que resolveu atender o setor. Ela foi criada especificamente para atender ao Programa Nuclear Brasileiro.

Conforme a Petronotícias, a Nuclep mantém relação histórica com a Eletronuclear e participou da fabricação de equipamentos destinados às usinas de Angra.

É o tipo de capacidade industrial que o país leva décadas para construir e perde em poucos anos de ociosidade.

Solda qualificada para vaso de pressão nuclear, por exemplo, exige certificação, treinamento e prática contínua. Quando a encomenda some, o soldador migra, e recuperar esse quadro depois custa tempo que cronograma nenhum absorve.

“Estamos preparados para contribuir com suas demandas presentes e futuras”

O presidente da companhia, Adeilson Telles, resumiu o objetivo do encontro sem rodeio.

“A aproximação institucional é importante para ampliarmos o diálogo e apresentarmos a capacidade tecnológica e industrial que a NUCLEP coloca à disposição do setor nuclear brasileiro. Temos uma relação histórica com as usinas de Angra e estamos preparados para contribuir com suas demandas presentes e futuras”, disse.

Traduzindo: a estatal está se oferecendo para fabricar os equipamentos, caso a obra ande.

É uma posição confortável e frágil ao mesmo tempo. Confortável porque não existe concorrente nacional equivalente. Frágil porque a empresa depende de uma decisão que não está nas mãos dela.

A mesma semana das estacas torpedo entregues à Petrobras

O detalhe de calendário diz muito sobre o momento da empresa.

A Nuclep fechou a primeira semana de setembro com avanços nas principais frentes, entre elas a entrega de estacas torpedo para a Petrobras, equipamento usado para ancorar plataformas no fundo do mar.

É a mesma capacidade de caldeiraria pesada que serve ao petróleo e ao nuclear. A empresa vive de alternar entre as duas pontas quando uma delas esfria.

Uma comitiva da Marinha também estava no local

Além dos empresários, uma comitiva de autoridades da Marinha do Brasil acompanhou a agenda na fábrica.

A presença faz sentido: a Marinha é a outra grande demandante da caldeiraria pesada nacional, com o programa de submarinos e a propulsão nuclear em desenvolvimento.

Três clientes possíveis, portanto, estavam representados no mesmo galpão: petróleo, nuclear civil e defesa naval.

Essa tríade explica por que a Nuclep sobrevive. Quando o nuclear trava, o offshore sustenta a fábrica; quando o offshore desacelera, o programa da Marinha ocupa a capacidade instalada.

O que a visita não significa

Aqui vale segurar a interpretação, porque o tema costuma render manchete além do que o fato sustenta.

Não houve anúncio de contrato, de valor, de prazo ou de decisão sobre a retomada de Angra 3. A própria fonte descreve o encontro como visita institucional para apresentar a infraestrutura fabril e ampliar o diálogo.

Ninguém assinou nada.

Por que Angra 3 continua sendo o assunto

A terceira usina do complexo de Angra dos Reis é o projeto de infraestrutura mais longevo em aberto no país, e cada movimento societário na Eletronuclear reacende a discussão sobre concluí-la ou não.

A conta envolve o que já foi gasto, o que falta gastar e quem assume o risco. Não é decisão de uma empresa só, e sim de governo, agência e sócios.

Enquanto a definição não vem, o canteiro segue parado e o custo de manter a obra hibernando continua correndo, sem gerar um megawatt sequer.

A gente acompanha esse impasse há tanto tempo que qualquer visita técnica vira sinal. Convém tratar como sinal, e não como decisão.

O clima no setor, aliás, não é dos mais tranquilos: em 1º de setembro, os trabalhadores da Eletronuclear iniciaram greve por tempo indeterminado.

Para o leitor que acompanha o setor, o dado a guardar é outro: a Nuclep está em movimento, com entrega recente para a Petrobras e agenda aberta com sócio novo da Eletronuclear e com a Marinha.

Uma estatal de caldeiraria pesada com carteira cheia é notícia melhor do que qualquer promessa sobre Angra 3, porque significa emprego industrial rodando em Itaguaí neste momento, e não em 2032.

Convém registrar que apenas um veículo cobriu a visita até agora, e todos os dados acima vêm dessa apuração, publicada pela Petronotícias.

O que você acha: o Brasil deve terminar Angra 3 ou aceitar que o dinheiro já gasto virou prejuízo?

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Fonte

Petronotícias


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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