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Pai e filho de 51 e 30 anos ficam no próprio barco depois que motor quebra e outros 2 tripulantes conseguem voltar, passam 36 dias à deriva e sobrevivem 29 dias com iscas e peixes crus até pescadores encontrá-los na costa de Bangladesh
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 03/09/2026 às 21:42
Atualizado em 03/09/2026 às 21:43
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SH Chaminda e o filho Saunda Hannadigipiyawating saíram do Sri Lanka para pescar em 19 de junho, perderam o motor durante a volta e foram carregados pelas correntes pelo golfo de Bengala. Com a comida esgotada após a primeira semana e depois de relatarem um assalto no mar, os dois permaneceram na embarcação até serem encontrados por pescadores de Moheshkhali. Semanas depois do resgate, conseguiram finalmente retornar ao Sri Lanka.
Uma viagem de pesca iniciada no litoral do Sri Lanka terminou somente 36 dias depois e a milhares de quilômetros da região onde deveria ter acabado. O pescador SH Chaminda, de 51 anos, e o filho Saunda Hannadigipiyawating, de 30, ficaram à deriva no golfo de Bengala depois que o motor da embarcação apresentou uma pane durante o retorno para casa.
Os dois haviam saído para o mar em 19 de junho de 2026, acompanhados por outros dois pescadores. Segundo o relato de Saunda publicado pelo The Daily Star, o grupo já havia terminado a pescaria quando ocorreu o problema mecânico. Sem propulsão e submetido às correntes marítimas, o barco começou a se afastar da costa do Sri Lanka.
Os outros dois tripulantes conseguiram retornar três dias depois com auxílio de outra embarcação. Pai e filho permaneceram no barco avariado, que pertencia a eles, enquanto a situação se tornava progressivamente mais difícil. A comida que levavam acabou cerca de uma semana após a saída.
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A partir daí, segundo os próprios sobreviventes, começaram 29 dias em que iscas de pesca e peixes capturados e consumidos crus passaram a ser praticamente a única fonte de alimento.
Os outros dois pescadores conseguiram voltar, mas pai e filho decidiram não abandonar a embarcação
Informações reunidas pelo jornal bengalês Prothom Alo indicam que quatro homens estavam originalmente no barco. Após a falha do motor durante condições ruins no mar, a embarcação começou a derivar em direção à região do mar de Andamão.
Cerca de três dias depois, dois integrantes da tripulação tiveram oportunidade de retornar ao Sri Lanka com outra embarcação. Chaminda e Saunda, porém, permaneceram a bordo. De acordo com a publicação, a decisão estava relacionada ao fato de aquele ser o barco da família e seu meio de trabalho.
Sem motor, porém, a dupla não tinha condições de determinar para onde seguiria. Correntes e ventos passaram a controlar o deslocamento da pequena embarcação através do golfo de Bengala.
A situação se agravou quando as provisões começaram a desaparecer. Segundo o Prothom Alo, os alimentos terminaram no sétimo dia. Pai e filho passaram então a utilizar as iscas guardadas para os anzóis e a capturar peixes, que eram consumidos crus por não haver condições adequadas para preparo.
A escassez de água potável também foi relatada pelos pescadores que os encontraram posteriormente. Nas primeiras informações divulgadas após o resgate, autoridades de Bangladesh ainda verificavam detalhes da trajetória e do período exato passado no mar.
Embarcação que parecia representar uma chance de resgate teria deixado os dois em situação ainda pior
Durante a deriva, pai e filho chegaram a encontrar outra embarcação. A aproximação inicialmente pareceu uma oportunidade de sair do mar, mas, segundo o relato apresentado por Saunda posteriormente aos jornalistas, aconteceu o contrário.
Ele afirmou que os ocupantes teriam agredido os pescadores e levado equipamentos e suprimentos do barco, incluindo motor, bateria, diesel e outros objetos de valor. A denúncia foi apresentada pelos sobreviventes e deve ser tratada como relato deles, já que não houve identificação pública dos responsáveis ou confirmação independente de todos os detalhes do episódio.
Outras reportagens locais também registraram sinais de que objetos haviam desaparecido da embarcação. O Dhaka Tribune informou que testemunhas observaram o barco praticamente sem pertences depois de ele ser rebocado até a costa, enquanto os pescadores disseram ter sido vítimas de um roubo durante a deriva.
O Prothom Alo registrou uma versão segundo a qual um grupo teria entrado no barco cerca de sete ou oito dias após o início da viagem e levado itens como binóculos e câmera. As diferenças entre os relatos publicados nos primeiros dias mostram que a sequência exata do suposto ataque não foi completamente esclarecida pelas autoridades.
Depois de quase um mês comendo peixe cru, um barco finalmente se aproxima para ajudar
Em determinado momento da viagem, outra embarcação encontrou os pescadores e lhes ofereceu arroz e biscoitos. Segundo o The Daily Star, eles já haviam passado mais dois dias sem comida naquele estágio da deriva. A tripulação posteriormente voltou e participou da movimentação da embarcação em direção à costa de Bangladesh.
O encontro que encerrou definitivamente a espera ocorreu na região de Moheshkhali, no distrito costeiro de Cox’s Bazar, em Bangladesh.
O pescador Ziaur Rahman relatou ao Prothom Alo que sua equipe avistou a pequena embarcação enquanto retornava de uma pescaria em alto-mar. Quando se aproximaram, encontraram os dois homens dentro do barco, sendo que um deles estava em condições físicas particularmente debilitadas.
A barreira linguística dificultou o primeiro contato. Os cingaleses tentavam se comunicar por gestos e, segundo Rahman, chegaram a juntar as mãos para pedir ajuda.
Os pescadores de Bangladesh colocaram pai e filho em sua própria embarcação e amarraram o barco avariado com uma corda para rebocá-lo até Tajiyakata Ghat, em Moheshkhali.
Resgatados contam que foram alimentados e recebidos dentro da casa dos pescadores de Bangladesh
Depois de chegar em terra, Chaminda e Saunda ficaram inicialmente na casa de Ziaur Rahman. Um parente do pescador bengalês que vive em Dubai ajudou na comunicação e permitiu esclarecer quem eram os dois estrangeiros e de onde haviam saído.
Mais tarde, falando em cingalês com jornalistas e com auxílio de tradução, Saunda agradeceu aos homens que os encontraram.
Segundo ele, os pescadores não se limitaram a retirar os dois do mar. Deram comida, abrigo e os receberam dentro da própria casa enquanto autoridades tentavam resolver a situação migratória e diplomática. “Eles nos trataram como membros da própria família”, afirmou o pescador ao The Daily Star.
A Polícia de Moheshkhali confirmou posteriormente as identidades dos sobreviventes. Os dois eram moradores da região de Devinuwara, no sul do Sri Lanka.
Enquanto a documentação era analisada, pai e filho ficaram sob proteção das autoridades locais. A polícia entrou em contato com representantes diplomáticos do Sri Lanka e com órgãos de assistência social de Bangladesh para organizar a permanência temporária e o retorno dos pescadores.
Quase um mês depois do resgate, pai e filho finalmente desembarcaram novamente no Sri Lanka
A história não terminou na costa de Bangladesh. A repatriação exigiu procedimentos diplomáticos e administrativos envolvendo autoridades dos dois países.
Em 20 de agosto de 2026, o Ministério das Relações Exteriores do Sri Lanka confirmou oficialmente que Chaminda e Saunda já estavam de volta ao país. Segundo o governo, os dois chegaram em segurança ao Aeroporto Internacional Bandaranaike em 18 de agosto, a bordo do voo 8D912 da FitsAir.
O comunicado oficial identificou a embarcação dos pescadores pelo registro I-Day-0122 KMN e informou que a repatriação envolveu a Alta Comissão do Sri Lanka em Daca, a Divisão de Assuntos Consulares do Ministério das Relações Exteriores e o Departamento de Pesca e Recursos Aquáticos do país.
O governo do Sri Lanka também agradeceu formalmente às autoridades de Bangladesh pela assistência prestada aos dois homens. Assim, quase dois meses depois de saírem para uma pescaria em 19 de junho, pai e filho conseguiram finalmente voltar ao país de origem.
A decisão de permanecer no próprio barco enquanto os outros dois tripulantes retornavam à costa acabou levando Chaminda e Saunda a uma travessia involuntária de 36 dias. O que você faria diante da escolha entre abandonar a embarcação ou permanecer esperando por ajuda?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

