6 min de leitura
Palavra “hello” surgiu de antigos chamados, atravessou séculos com várias grafias e ganhou o mundo depois que o telefone mudou para sempre a forma de cumprimentar
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 05/09/2026 às 19:24
Atualizado em 05/09/2026 às 19:25
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Um dos primeiros registros impressos conhecidos surgiu em Connecticut, mas a origem do termo é mais antiga e envolve diferentes hipóteses linguísticas, usos e formas de pronúncia
Em 18 de janeiro de 1826, o jornal The Norwich Courier, de Connecticut, nos Estados Unidos, publicou a palavra “hello” em uma de suas edições. O registro ficaria marcado como uma das primeiras aparições impressas conhecidas do termo que, décadas depois, se tornaria uma das saudações mais reconhecidas do idioma inglês.
Naquele momento, porém, a palavra ainda não tinha a força que alcançaria mais tarde. Diferentes grafias e pronúncias coexistiam, enquanto expressões semelhantes circulavam principalmente na linguagem falada. A consolidação de “hello” aconteceria ao longo do século XIX, especialmente quando o telefone passou a transformar a maneira como as pessoas iniciavam uma conversa.
Origem de “hello” está ligada a antigos chamados, diferentes grafias e hipóteses linguísticas
A origem exata de “hello” nunca foi estabelecida de forma definitiva. Uma das hipóteses apresentadas pela BBC associa a palavra ao antigo alto alemão “halâ”, expressão usada como um chamado dirigido a um barqueiro. Outra possibilidade está relacionada a “halloo”, termo empregado em caçadas para chamar atenção ou estimular cães.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Energia Renovável
A ABEEólica entregou aos presidenciáveis sete propostas para o setor elétrico e cobrou um plano nacional contra o curtailment, que tirou R$ 6,5 bilhões de eólicas e solares em 2025 e chega a cortar 45% da geração de alguns parques
A ABEEólica entregou aos candidatos à Presidência um documento com sete propostas para o setor elétrico e cobrou a criação de um plano nacional de redução do curtailment, o corte…
Paulo Nogueira
0
Ao longo do tempo, surgiram formas como “hullo”, “hillo”, “holla” e “hollo”, todas relacionadas a usos semelhantes. O Oxford English Dictionary registra “hollo” no final do século XVI como uma das variantes antigas associadas ao termo, enquanto “holla” pode ter relação com o francês “hol”, utilizado para chamar alguém ou ordenar que uma pessoa parasse.
A dificuldade para determinar uma origem única está ligada ao próprio funcionamento das saudações. Durante séculos, esse tipo de expressão circulou muito mais pela fala do que pela escrita, o que deixou poucos registros documentais. Sotaques, pronúncias regionais e mudanças no uso cotidiano também alteraram a grafia dessas palavras ao longo do tempo.
Palavra começou a ganhar espaço no século XIX enquanto outras formas ainda eram utilizadas
Foi durante o século XIX que “hello” começou a se destacar entre as formas concorrentes. O registro de 1826 no The Norwich Courier mostra que a palavra já circulava nos Estados Unidos, mas a presença do termo aumentaria também em publicações britânicas na década de 1850.
Mesmo assim, outras variantes continuaram comuns. O escritor Charles Dickens, por exemplo, preferia utilizar “hullo”, mostrando que a forma hoje dominante ainda não estava completamente estabelecida. A disputa entre diferentes grafias continuaria até que uma nova tecnologia alterasse profundamente a comunicação cotidiana.
O telefone criou uma situação diferente de qualquer conversa presencial. Era necessário iniciar a ligação com uma palavra simples, curta e fácil de compreender mesmo quando a qualidade do som não era boa. Nesse cenário, a escolha de uma saudação passou a ter importância prática.
Alexander Graham Bell preferia “ahoy!”, enquanto Thomas Edison defendia o uso de “hello”
Alexander Graham Bell, um dos pioneiros do telefone, não tinha “hello” como primeira escolha. Ele defendia formas como “halloo” e chegou a considerar “ahoy!” uma opção adequada para atender chamadas telefônicas.
Thomas Edison, por outro lado, apoiava o uso de “hello”. A justificativa era simples: a palavra poderia ser compreendida com mais facilidade mesmo em ligações de baixa qualidade, algo comum nos primeiros sistemas telefônicos.
A popularização do telefone acabou favorecendo essa escolha. Quanto mais pessoas passaram a iniciar chamadas utilizando “hello”, mais o termo se incorporou ao cotidiano. Uma palavra que antes servia principalmente para chamar atenção passou, então, a funcionar como saudação.
Telefone ajudou a transformar “hello” em uma saudação cotidiana
A expansão das ligações telefônicas foi decisiva para consolidar “hello” no inglês. O termo ganhou vantagem sobre outras formas e começou a ser usado não apenas ao telefone, mas também em interações presenciais.
Esse processo mostra como mudanças tecnológicas podem influenciar o vocabulário. A palavra não foi criada pelo telefone, mas encontrou na nova tecnologia uma situação perfeita para se espalhar e adquirir uma função mais definida.
Com o passar do tempo, “hello” deixou de ser apenas uma entre várias alternativas e se tornou uma das formas mais comuns de iniciar uma conversa em inglês. A história da palavra, porém, também revela que cada idioma desenvolveu seus próprios cumprimentos.
Espanhol, português, francês e grego desenvolveram formas próprias de saudação
Nas línguas românicas, o espanhol utiliza “hola”, enquanto o português possui “olá”. No francês, “salut” pode ser empregado tanto como cumprimento quanto como despedida, dependendo da situação.
O grego também apresenta uma forma própria. A saudação informal “γειά σου”, pronunciada aproximadamente como “ya sou”, pode ser entendida como um desejo de que a outra pessoa esteja bem e também pode aparecer em despedidas.
Essas diferenças mostram que não existe apenas uma maneira de estabelecer o primeiro contato. Cada idioma desenvolveu palavras e expressões capazes de cumprir essa função, muitas vezes carregando significados que vão além de um simples “oi”.
“Aloha” e “shalom” mostram que saudações também podem carregar outros significados
Em alguns idiomas, uma saudação pode reunir conceitos mais amplos. O havaiano “aloha”, por exemplo, também pode transmitir afeto e compaixão, enquanto o hebraico “shalom” está associado à ideia de paz.
Em determinadas sociedades da Polinésia, o cumprimento pode envolver perguntas sobre planos ou sobre o destino da pessoa. Saber para onde alguém está indo também pode fazer parte da interação inicial.
Essas formas revelam como uma saudação pode representar muito mais do que uma palavra usada no começo de uma conversa. Em diferentes contextos, ela pode expressar proximidade, cuidado, respeito ou interesse pelo outro.
Forma de cumprimentar pode indicar intimidade, distância social e diferenças de status
Para linguistas, saudações também ajudam a compreender relações sociais. O professor de antropologia linguística Alessandro Duranti, da Universidade da Califórnia, ouvido pela BBC, alerta para o risco de associar diretamente determinadas formas de cumprimento a supostos traços nacionais.
O ponto mais relevante está na maneira como diferentes grupos se relacionam. Pessoas em posições sociais semelhantes podem se cumprimentar de uma forma, enquanto indivíduos de status diferentes podem adotar outra. A escolha das palavras, do tom e da formalidade também pode indicar maior intimidade ou distanciamento.
Dentro do mesmo idioma, uma saudação ainda pode transmitir mensagens completamente diferentes. A entonação modifica o sentido, enquanto uma vogal prolongada pode sugerir surpresa, ironia, dúvida ou questionamento.
Redes sociais e emojis mostram que as saudações continuam mudando
As transformações não ficaram no passado. Com redes sociais e aplicativos de mensagens, novas formas de cumprimento passaram a fazer parte da comunicação cotidiana.
Um simples emoji de mão, por exemplo, pode substituir palavras inteiras em uma conversa digital. A tecnologia continua, portanto, desempenhando papel semelhante ao que o telefone teve no século XIX.
A trajetória de “hello” mostra justamente isso. Saudações não são elementos fixos da linguagem, porque acompanham mudanças na sociedade, nos meios de comunicação e nas relações entre as pessoas.
Assim como antigas formas como “hollo”, “hullo” e “holla” mudaram com o tempo, as maneiras de dizer “olá” continuam se adaptando a cada nova geração e a cada nova tecnologia.
O que mais chama sua atenção na história da palavra “hello”: suas possíveis origens em antigos chamados ou o papel do telefone em transformar o termo em uma saudação mundial? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

