O candidato ao Senado Júnior Feitoza (DC) afirmou na noite desta quinta-feira, 03, durante a sabatina do ac24horas, que a direita no Acre está “esfacelada” por não possuir a mesma coesão ideológica atribuída por ele à esquerda. Na avaliação do candidato, o campo conservador ganhou força a partir do surgimento do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não conseguiu construir uma estrutura política unificada.
“A esquerda é ideológica. A direita não permeia a mesma ideologia que a esquerda possui. A partir do surgimento do Bolsonaro é que trouxe essa questão da direita, mas não houve uma direita de coesão”, afirmou.
Feitoza disse que a esquerda consegue se mobilizar em torno de pautas comuns e citou partidos como PT, PCdoB e Rede como exemplo de articulação política. Para ele, enquanto a esquerda seria movida por uma identidade ideológica mais organizada, a direita não teria o mesmo nível de unidade.
“A esquerda, por mais que a gente seja ideológico do ponto de vista que nós defendemos, não há aquele mesmo sentimento de doutrinação”, declarou.
Questionado se considera a direita menos preparada politicamente, Feitoza fez uma distinção entre preparo e ideologia. Segundo ele, a principal diferença estaria na forma como os dois campos políticos estruturam suas convicções.
“A direita, eu sou de direita. Sou de direita. Eu disse que o Bolsonaro existiu. Nunca votei no PT. O PT nunca teve um voto meu”, afirmou.
O candidato também criticou políticos que, embora se apresentem como integrantes da direita, não representam, segundo ele, os princípios que defende. Feitoza citou como exemplo senadores do campo conservador que, em sua avaliação, estariam mais preocupados com exposição nas redes sociais do que com o enfrentamento político.
“Tem personagem de direita que não me representa. Vou te dar um exemplo. O Senado está aí. Senadores que estão lá, da direita, muitos não me representam. Por quê? Porque muitos são só TikTok. Gravar vídeo. Eu quero ver pro enfrentamento”, disse.
Para Feitoza, a direita deveria adotar uma postura mais combativa dentro das instituições e utilizar os instrumentos previstos no ordenamento jurídico para defender suas pautas. “Nós precisamos de um enfrentamento dentro do ordenamento jurídico”, afirmou.
Ao explicar o que considera ser uma identidade de direita, Feitoza citou posições contrárias ao aborto e à liberação de drogas. Segundo ele, essas pautas ajudam a diferenciar sua visão política daquela defendida pela esquerda.
“A esquerda defende aborto, eu não defendo aborto. A esquerda defende liberação de drogas, eu não defendo liberação de drogas. A esquerda, as pautas que ela defende, colidem comigo”, declarou.
O candidato também entrou no debate sobre preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. Feitoza afirmou ser favorável à utilização econômica da terra desde que haja equilíbrio entre produção e preservação. “Eu defendo desenvolvimento sustentável, que você possa utilizar a terra, usar ela e preservar”, afirmou.
Ao defender sua posição, Feitoza utilizou uma referência bíblica para sustentar a ideia de que a produção agrícola e a utilização da terra são necessárias para garantir autonomia às pessoas.
“Quando há plantio, há colheita, há independência, há autonomia. Quando eu preservo tudo, o homem fica dependente do Estado, o homem fica amarrado. E a direita, ela defende a autonomia do ser”, disse.
Feitoza também criticou a proposta de preservação ambiental defendida por setores da esquerda e rejeitou a classificação de determinadas políticas como desenvolvimento sustentável. Para ele, o conceito deve representar um equilíbrio entre preservação e uso econômico dos recursos naturais. “Desenvolvimento é equilíbrio. Equilíbrio é eu preservar e eu usar. Isso é. Eu preservar, só preservar, isso não é”, afirmou.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

