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Paranaense vê rio onde nadava na infância virar depósito de lixo, começa prendendo resíduos com tambores e redes, é chamado de “louco”, mas transforma a ideia em máquina com esteira que já retirou mais de 40 toneladas do rio e leva a experiência para as praias, onde cria peneira gigante que já movimentou cerca de R$ 1,1 milhão

Paranaense vê rio onde nadava na infância virar depósito de lixo, começa prendendo resíduos com tambores e redes, é chamado de “louco”, mas transforma a ideia em máquina com esteira que já retirou mais de 40 toneladas do rio e leva a experiência para as praias, onde cria peneira gigante que já movimentou cerca de R$ 1,1 milhão

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7 min de leitura

Paranaense vê rio onde nadava na infância virar depósito de lixo, começa prendendo resíduos com tambores e redes, é chamado de “louco”, mas transforma a ideia em máquina com esteira que já retirou mais de 40 toneladas do rio e leva a experiência para as praias, onde cria peneira gigante que já movimentou cerca de R$ 1,1 milhão

Escrito por Ana Alice

Publicado em 09/09/2026 às 06:36

Atualizado em 09/09/2026 às 06:37

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Brasileiro transforma ecobarreira caseira em máquina que já retirou mais de 40 toneladas de lixo e criou peneira de praia milionária. – Foto: Divulgação/Diego Saldanha

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Uma barreira artesanal feita com tambores no rio Atuba virou uma estrutura com esteira e triagem; depois, a mesma inquietação levou Diego Saldanha a criar uma peneira para retirar microlixo das praias.

Antes de virar uma estrutura com balsa, esteira transportadora e área de triagem, a ideia de Diego Saldanha começou de forma simples.

Tambores, redes e uma tentativa de impedir que o lixo continuasse descendo pelo rio Atuba, na Região Metropolitana de Curitiba.

Dez anos depois dos primeiros testes, o ex-vendedor de frutas transformou aquela experiência em um conjunto de soluções ambientais que já alcançou rios e praias de diferentes partes do país.

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Em agosto de 2026, a Folha de S.Paulo informou que Saldanha estimava ter retirado mais de 40 toneladas de resíduos do Atuba, entre eles objetos tão improváveis quanto um sofá, capacetes e televisores antigos de tubo.

A mesma reportagem mostrou que a trajetória não parou na água.

Saldanha também desenvolveu a EcoPeneira, equipamento feito de aço galvanizado para retirar pequenos resíduos da areia das praias.

Segundo a Folha, as vendas relacionadas ao equipamento já somavam cerca de R$ 1,1 milhão em 2026.

Tudo começou no rio onde ele nadava quando criança

A ligação de Diego com o Atuba vem de muito antes da ecobarreira.

Morador da região de Colombo, vizinha a Curitiba, ele cresceu perto do rio e relata que costumava nadar e pescar ali quando era mais novo.

Com o passar dos anos, viu a água receber quantidades cada vez maiores de resíduos.

Garrafas, plásticos, móveis e outros objetos passaram a ser carregados pela correnteza.

Foi desse incômodo que nasceu o primeiro sistema.

A Folha situa o início da experiência em 2016, enquanto uma reportagem do UOL publicada em dezembro de 2017 registra que a ecobarreira foi efetivamente instalada no rio em 20 de janeiro de 2017.

Naquela fase, o equipamento ainda era artesanal.

Tambores ou galões plásticos eram presos a redes que atravessavam parte do curso d’água e funcionavam como uma barreira para os objetos que vinham flutuando.

Diego Saldanha registra parte do lixo retirado do rio Atuba pela Ecobarreira, entre embalagens, plásticos e objetos descartados irregularmente. Crédito: Arquivo pessoal/Diego Saldanha.

A primeira ecobarreira retirou mais de uma tonelada em poucos meses

Já no fim de 2017, os resultados chamavam atenção.

O UOL informou que Saldanha estimava ter removido cerca de 1,5 tonelada de resíduos do Atuba desde a instalação da estrutura.

A barreira não limpava toda a água do rio e tampouco retirava contaminantes dissolvidos.

Sua função era mais específica: interceptar o lixo sólido que flutuava ou era arrastado pela correnteza antes que continuasse descendo em direção ao rio Iguaçu.

Com o tempo, a estrutura foi sendo reforçada e adaptada.

Em 2024, a Agência Estadual de Notícias do Paraná e a Sanepar já descreviam uma ecobarreira feita como uma balsa, com tambores presos a uma estrutura metálica que permitia ao próprio Diego caminhar sobre o equipamento e recolher os resíduos retidos.

Naquele momento, a estimativa oficial divulgada pela Sanepar era de aproximadamente 20 toneladas retiradas do rio.

Durante a evolução da Ecobarreira, Diego Saldanha testou diferentes configurações para concentrar os resíduos e facilitar a retirada manual do material acumulado no rio Atuba. Crédito recomendado: Arquivo pessoal/Diego Saldanha.

Projeto evoluiu até ganhar esteira e espaço de triagem

A versão descrita em 2026 é ainda mais elaborada.

Segundo a Folha, a ecobarreira passou a contar com uma plataforma flutuante, uma esteira transportadora e um pequeno galpão destinado à separação dos resíduos.

O objetivo é facilitar justamente a etapa mais trabalhosa: retirar o material da água, transportá-lo para a margem e separar aquilo que pode receber destinação adequada.

Parte dos resíduos recicláveis é encaminhada a cooperativas.

Outros objetos encontrados no rio, como brinquedos, chegaram a ser recuperados antes de serem doados.

Ecobarreira instalada no rio Atuba utiliza tambores presos a uma estrutura flutuante para interceptar resíduos carregados pela correnteza antes que continuem rio abaixo. Crédito: Arquivo pessoal/Diego Saldanha

Nesse processo, o Atuba também acabou virando uma espécie de registro inesperado do descarte urbano.

Além de embalagens e plásticos comuns, Saldanha conta ter encontrado sofá, fogão, bateria de carro, capacetes, porta de geladeira e dezenas de televisores de tubo.

Em outubro de 2025, durante visita do prefeito de Curitiba à região, a administração municipal registrava que a ecobarreira já havia impedido que mais de 30 toneladas de lixo continuassem pelo curso do Atuba.

Menos de um ano depois, a estimativa apresentada por Saldanha à Folha já passava de 40 toneladas.

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Nem todo mundo apoiou a ideia no começo

A iniciativa também enfrentou resistência.

Saldanha relata que foi chamado de “louco” e chegou a ser denunciado por vizinhos, episódio que levou a Polícia Ambiental até a área da instalação.

O caso, porém, acabou ampliando a exposição pública da ecobarreira.

Segundo ele, vídeos relacionados ao episódio chegaram a aproximadamente 2,5 milhões de visualizações, ajudando a divulgar a proposta.

Com a visibilidade, o projeto deixou de ficar restrito ao trecho do Atuba próximo de sua casa.

A ideia passou a ser apresentada a órgãos públicos, empresas e outras cidades interessadas em criar mecanismos semelhantes.

Modelo chegou a Maceió, Belém e Matinhos

Em 2026, a Folha registrou que soluções inspiradas ou ligadas ao trabalho de Saldanha já haviam chegado a Maceió, Belém e Matinhos, no litoral do Paraná.

No caso de Maceió, a tecnologia foi associada ao riacho Salgadinho, curso d’água que desemboca no mar.

Em Belém, Saldanha levou o modelo para igarapés durante atividades ligadas ao período da COP30.

A própria trajetória do inventor passou a incluir visitas a diferentes sistemas hídricos brasileiros, entre eles a foz do Amazonas, o rio Madeira e a região de Itaipu.

A expansão também levou a ecobarreira para uma nova fase.

Em setembro de 2025, o Instituto Renato Muzzolon anunciou a viabilização do primeiro projeto básico da Ecobarreira, passo importante para transformar a experiência artesanal em um modelo tecnicamente mais fácil de replicar em outras localidades.

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A segunda invenção nasceu olhando para o lixo nas praias

Depois de anos observando resíduos nos rios, Diego começou a se incomodar também com aquilo que permanecia escondido ou misturado à areia das praias.

O resultado foi a EcoPeneira.

A cronologia desse equipamento aparece com pequenas diferenças entre as fontes.

A reportagem de Um Só Planeta, publicada em abril de 2025, afirma que a EcoPeneira foi criada em 2020.

Outra cobertura especializada situa o primeiro desenvolvimento prático em 2021, enquanto reportagens de 2023 registram o momento em que a solução começou a ganhar forte repercussão nacional.

O ponto comum entre as fontes é a origem da ideia.

Saldanha conheceu um equipamento semelhante usado no Marrocos e adaptou o conceito com materiais disponíveis no Brasil.

Estrutura funciona como uma grande peneira empurrada sobre a areia

A EcoPeneira é feita de aço galvanizado.

Sua parte inferior entra superficialmente na areia enquanto o usuário empurra a estrutura, em um movimento parecido com o de um arado.

A areia passa pela tela.

Os resíduos maiores ficam retidos.

Isso permite recolher objetos pequenos que muitas vezes escapam da limpeza convencional, como bitucas de cigarro, tampinhas, canudos, sachês, cacos de vidro e até agulhas.

Em Santos, por exemplo, cinco ecopeneiras foram entregues à Secretaria Municipal de Meio Ambiente em 2023 para ações de retirada de microlixo nas praias.

Maceió também passou a utilizar unidades do equipamento na limpeza da faixa de areia naquele mesmo período.

Diego Saldanha empurra a EcoPeneira pela areia; a estrutura metálica permite separar pequenos resíduos que ficam misturados à praia.

Equipamento ultrapassou R$ 1 milhão em vendas

A invenção deixou de ser apenas uma ferramenta usada pelo próprio Diego.

Em abril de 2025, Um Só Planeta informou que ele já havia vendido cerca de mil unidades, movimentando aproximadamente R$ 1 milhão.

Na época, havia versões sem rodas por cerca de R$ 800 e modelos com rodas por aproximadamente R$ 1,2 mil.

Em agosto de 2026, a atualização publicada pela Folha elevou o valor acumulado para cerca de R$ 1,1 milhão em vendas.

A referência do título, portanto, diz respeito ao faturamento associado à comercialização da EcoPeneira e não ao valor de investimento na ecobarreira do rio Atuba.

Diego Saldanha, criou em 2020 a EcoPeneira com intenção de promover limpeza às praias do Brasil. — Foto: Redes sociais

Havaianas e Sprite entraram em ações de limpeza

A popularização da EcoPeneira também colocou Saldanha em atividades promovidas por empresas.

Reportagens registram ações ambientais em praias realizadas em parceria com marcas como Havaianas e Sprite.

No projeto Havaianas Praia + Limpa, por exemplo, a EcoPeneira foi usada em mutirões para retirar pequenos resíduos da faixa de areia.

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A ferramenta também passou a circular entre grupos ambientais, administrações municipais e iniciativas de educação ecológica.

Esse alcance criou uma trajetória diferente daquela imaginada quando Diego colocou os primeiros recipientes e redes no Atuba.

A estrutura feita para impedir que o lixo passasse por um único trecho de rio evoluiu para uma balsa mais sofisticada e, paralelamente, deu origem a outro equipamento voltado a um problema diferente.

Em 2026, o rio onde Diego nadava na infância continuava sendo o ponto de origem da história, mas a ideia já havia atravessado estados, chegado a praias e transformado um projeto independente em atividade comercial ligada à limpeza ambiental.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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