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Pastor alemão que ajudou a tirar 14 toneladas de drogas de circulação em mais de três mil operações por 100 municípios do Paraná se aproxima da aposentadoria aos oito anos e meio e já treina o substituto

Pastor alemão que ajudou a tirar 14 toneladas de drogas de circulação em mais de três mil operações por 100 municípios do Paraná se aproxima da aposentadoria aos oito anos e meio e já treina o substituto

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Pastor alemão que ajudou a tirar 14 toneladas de drogas de circulação em mais de três mil operações por 100 municípios do Paraná se aproxima da aposentadoria aos oito anos e meio e já treina o substituto

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 02/09/2026 às 19:21

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Ele entrou na Polícia Civil em 2020 sem saber que estava inaugurando uma função inteira na cidade, rodou mais de cem municípios do norte e do noroeste do Paraná, participou de mais de três mil operações e agora, aos oito anos e meio, começa a passar o serviço para um substituto mais novo.

O nome dele é Chris Cornell. É um pastor alemão, e foi o primeiro cão farejador da Polícia Civil de Maringá.

A conta de uma carreira canina se faz em quilos, e a dele é alta. Segundo a corporação, Chris ajudou a localizar 14 toneladas de drogas ao longo de seis anos de trabalho. Não é o total de uma operação espetacular, é o acúmulo de mais de três mil saídas, quase todas rotineiras e sem holofote.

Cem municípios, um cão e a lógica do faro

A área de atuação explica o volume. Conforme a Polícia Civil, o cão operou em cerca de 100 municípios do norte e do noroeste do Paraná, uma região de corredor logístico onde a fiscalização de carga e de bagagem é permanente.

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A cadência ajuda a entender o desgaste. Mais de três mil operações distribuídas em seis anos dão uma média que passa de quinhentas saídas por ano, algo perto de dez por semana. Não são dez apreensões, são dez deslocamentos, com carro, espera, vistoria e retorno, na maioria das vezes sem resultado nenhum.

É justamente o dia sem resultado que gasta o animal. Um cão treinado precisa encontrar alguma coisa de tempos em tempos para manter a motivação, e por isso o condutor esconde amostra de treino em busca real para o cão “acertar” e continuar querendo trabalhar. Sem esse cuidado, o faro continua bom e a vontade acaba.

Cão farejador não trabalha sozinho e não decide nada. Ele marca. A leitura da marcação, a decisão de abrir a carga e a responsabilidade do que vem depois são do condutor, e é por isso que a dupla importa mais do que o animal isolado.

No caso de Chris, o condutor é o investigador Marcos Shinnae, coordenador do Núcleo de Operações com Cães de Maringá e também instrutor. São 14 anos de carreira policial, sendo sete dedicados ao trabalho com cães. Quem treina o próprio cão e ainda forma os cães dos outros conhece o custo de montar uma dupla que funciona.

A aposentadoria de um cão policial não é um evento, é um processo

A saída de Chris está prevista para o início de 2027, e não acontece de um dia para o outro. Um animal de oito anos e meio já sente a rotina: as jornadas em pé, o calor dentro de galpão, a exigência física de vasculhar compartimento apertado repetidas vezes.

A transição é feita por sobreposição. O substituto já está em atividade e se chama Kim, com 4 anos e meio, na faixa em que um cão de trabalho está no auge. Enquanto o mais velho ainda opera, o mais novo acumula horas reais de serviço ao lado dele, que é o único jeito de treinar comportamento que simulação não reproduz.

Vale dimensionar a estrutura em que isso acontece. De acordo com a corporação, são 15 cães farejadores em todo o Paraná, e sete deles foram treinados em Maringá. Ou seja, quase metade do efetivo canino do estado saiu do núcleo que Chris ajudou a inaugurar.

O primeiro de uma função que não existia

Esse é o ponto que costuma passar batido. Chris não entrou para preencher uma vaga aberta, ele foi o primeiro. Antes dele, a Polícia Civil de Maringá não tinha cão farejador próprio, o que significa que cada procedimento precisou ser construído do zero: onde alojar, como transportar, quanto tempo de descanso entre buscas, quem cuida quando o condutor está de folga.

Seis anos depois, existe um núcleo que forma cães para outras cidades. A diferença entre ter um cão e ter um programa é exatamente essa, e ela raramente cabe numa manchete.

Fico imaginando o tamanho da adaptação do outro lado da coleira. Um investigador que passa sete anos com o mesmo animal aprende a ler mudança de respiração, de postura, de ritmo da cauda. Trocar de parceiro depois disso não é trocar de equipamento.

A pergunta que sempre aparece quando a história é contada é o destino do animal. No Brasil, a prática consolidada é que o cão aposentado siga com o condutor ou com uma família cadastrada, com acompanhamento da corporação. Um cão que trabalhou a vida inteira com uma pessoa dificilmente se adapta bem longe dela, e a maioria das corporações trata isso como parte do protocolo, não como favor.

O caso guarda semelhança com outras histórias em que um animal deixa de ser apenas presença e vira parte formal da estrutura, como aconteceu recentemente quando um cão de rua passou a integrar a escala de um batalhão inteiro no Recife. Muda o começo, o funcionamento é parecido.

Olhando assim, a soma da carreira de Chris cabe em quatro números: seis anos de serviço, mais de três mil operações, cem municípios e catorze toneladas. Nenhum deles apareceu de uma vez. Foram construídos em dias comuns, em rodoviária, em galpão de transportadora, em vistoria que na maioria das vezes não deu em nada. A reportagem que reconstituiu a trajetória está publicada no Maringá Post.

Daqui a alguns meses o nome dele sai da escala e entra outro. Kim vai herdar a rota, os cem municípios e o mesmo condutor. E provavelmente ninguém na rua vai saber que houve troca, o que talvez seja o maior elogio possível ao trabalho que o primeiro fez.

Cão policial aposentado deveria ficar com o condutor que trabalhou com ele a carreira inteira?

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Maringá Post


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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