6 min de leitura
Pedra seljúcida descoberta em cemitério medieval na Turquia preserva inscrições cúficas com o nome do profeta Maomé repetido seis vezes ao redor de uma estrela de oito pontas, achado que arqueólogos associam à decoração de um mausoléu e às primeiras tradições turco-islâmicas consolidadas na Anatólia após a conquista de Ani
Escrito por Carla Teles
Publicado em 08/09/2026 às 17:13
Atualizado em 08/09/2026 às 17:16
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
A pedra seljúcida encontrada no Cemitério Seljúcida de Ani, no leste da Turquia, mede 51 por 21 centímetros e traz inscrições cúficas com o nome do profeta Maomé em torno de uma estrela de oito pontas; pesquisadores acreditam que o fragmento decorava um mausoléu medieval ligado às tradições funerárias locais.
Uma pedra esculpida com o nome do profeta Maomé foi descoberta por arqueólogos durante as escavações realizadas no Cemitério Seljúcida de Ani, em Kars, no leste da Turquia. O fragmento, apresentado em setembro de 2026, preserva parte de uma composição na qual o nome aparecia originalmente seis vezes ao redor de uma estrela de oito pontas.
Segundo HeritageDaily em 5 de setembro de 2026, o objeto foi localizado em Ani, antiga cidade medieval próxima à atual fronteira entre Turquia e Armênia. As escavações no cemitério acontecem desde 2021, e pesquisadores associam o achado à arquitetura funerária produzida durante a presença seljúcida na região.
Pedra seljúcida surgiu dentro do cemitério medieval de Ani
O fragmento foi retirado de uma área funerária vinculada ao período seljúcida da antiga cidade. Ani foi durante séculos um importante centro urbano e comercial da Anatólia, reunindo construções associadas a diferentes povos e tradições religiosas.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Economia
São Mateus recebe R$ 1,1 bilhão de 20 empresas e prepara novo ciclo industrial com mais de mil empregos no norte do Espírito Santo
São Mateus entrou em uma nova fase industrial com mais de R$ 1,1 bilhão anunciado por 20 empresas, uma carteira que combina fábricas, expansão de unidades já instaladas e a…
Paulo Nogueira
0
A localização da peça dentro do cemitério é especialmente relevante para os pesquisadores porque permite analisá-la dentro de um contexto funerário conhecido, e não como um objeto isolado. Isso ajuda a relacionar decoração, escrita e práticas religiosas ao uso original do espaço.
Fragmento mede 51 por 21 centímetros
A parte preservada da pedra mede 51 centímetros por 21 centímetros, segundo as informações divulgadas pelas autoridades culturais turcas. A superfície foi trabalhada com uma técnica de entalhe em relevo.
Apesar das dimensões atuais, o objeto está incompleto. Somente aproximadamente metade da composição original sobreviveu, o que limita a reconstrução integral do desenho e das inscrições produzidas pelos artesãos.
Estrela de oito pontas ocupa o centro da decoração
No centro da peça aparece um motivo geométrico em forma de estrela de oito pontas, elemento ao redor do qual foram distribuídas as inscrições religiosas.
A geometria não funciona apenas como ornamentação isolada. Sua combinação com escrita cúfica cria uma composição visual planejada, na qual forma, religião e arquitetura funerária aparecem integradas na mesma superfície de pedra.
Nome do profeta Maomé aparecia originalmente seis vezes
Ao redor da estrela, o nome do profeta Maomé foi gravado repetidamente em escrita cúfica. A reconstrução do desenho indica que a composição original apresentava seis repetições.
Como metade do fragmento desapareceu, apenas três dessas inscrições permanecem visíveis atualmente. Portanto, o número seis corresponde à configuração original inferida pelos pesquisadores, e não à quantidade integralmente preservada hoje.
Escrita cúfica transformava mensagem religiosa em elemento visual
A escrita cúfica é uma forma antiga e angular da escrita árabe que foi amplamente utilizada em arquitetura e artes decorativas islâmicas.
Na pedra de Ani, ela permite que o nome do profeta Maomé desempenhe simultaneamente duas funções: transmitir uma referência religiosa e integrar o próprio desenho ornamental do monumento.
Arqueólogos acreditam que pedra fazia parte de mausoléu
Os pesquisadores consideram provável que o fragmento tenha pertencido à decoração arquitetônica de um mausoléu seljúcida existente dentro do cemitério.
A conclusão ainda é interpretativa, porque a pedra não foi encontrada preservada em sua posição arquitetônica original. Mesmo assim, o contexto funerário, o padrão decorativo e as inscrições religiosas sustentam essa associação preliminar.
Decoração ajuda a reconstruir práticas funerárias seljúcidas
Para além do valor artístico, o objeto fornece informações sobre como símbolos religiosos eram incorporados aos monumentos destinados aos mortos.
A repetição do nome do profeta Maomé em uma estrutura funerária mostra como escrita e fé poderiam integrar a linguagem arquitetônica adotada pelas comunidades seljúcidas de Ani.
Padrões semelhantes aparecem em outros monumentos da Anatólia
A combinação entre inscrições e ornamentos geométricos não é exclusiva do fragmento encontrado em Ani. Tradições decorativas comparáveis aparecem em importantes construções medievais da Anatólia.
Entre os exemplos citados pelos pesquisadores estão o Mausoléu de Mama Hatun, em Tercan, datado de 1191, e a Grande Mesquita de Malatya, de 1224, além de monumentos em Beyşehir e Konya.
Conquista de Ani em 1064 mudou trajetória política da região
A importância do achado também está ligada à história da própria cidade. Ani foi conquistada pelo sultão seljúcida Alp Arslan em 1064.
Esse episódio é considerado um marco na expansão do domínio turco-islâmico pela Anatólia. A presença seljúcida posteriormente deixou marcas na arquitetura, nos cemitérios e nas formas de expressão religiosa preservadas no sítio.
Cemitério é associado às primeiras tradições turco-islâmicas da Anatólia
As evidências encontradas em Ani levaram pesquisadores a identificar seu Cemitério Seljúcida como um dos registros mais antigos da cultura funerária turco-islâmica conhecida na Anatólia.
A nova pedra acrescenta um elemento material a esse conjunto. O fragmento permite observar como referências religiosas eram incorporadas à decoração de monumentos ligados à morte e à memória.
Ani reúne igrejas, mesquitas, palácios e fortificações
A cidade medieval não preserva vestígios de apenas uma tradição. O sítio reúne ruínas de igrejas, mesquitas, palácios, muralhas e outras estruturas deixadas por diferentes períodos de ocupação.
Essa diversidade arquitetônica ajuda a explicar a importância arqueológica de Ani. O local registra transformações políticas, culturais e religiosas ocorridas ao longo de séculos em uma região estratégica da Anatólia.
Cidade está próxima da atual fronteira com a Armênia
Ani está localizada no leste da Turquia, próxima à atual fronteira com a Armênia, em uma posição que historicamente favoreceu sua ligação com rotas regionais.
Sua localização contribuiu para que a cidade se tornasse um centro relevante no período medieval. Atualmente, Ani integra a Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, em reconhecimento à importância de seu conjunto arqueológico e arquitetônico.
Pedra preserva religião em um objeto que perdeu metade da estrutura
Mesmo fragmentada, a peça conserva informações suficientes para revelar parte da composição planejada pelos artesãos. A estrela central, as inscrições cúficas e o nome do profeta Maomé continuam identificáveis séculos depois.
A sobrevivência parcial também impõe limites. Os arqueólogos precisam reconstruir o desenho original a partir do que restou, razão pela qual distinguem claramente as três inscrições atualmente visíveis das seis que compunham originalmente a peça.
Achado conecta fé, arte e arquitetura funerária medieval
A relevância da descoberta não depende apenas da raridade do objeto. O fragmento reúne em uma mesma peça geometria, escrita religiosa, técnicas de entalhe e um provável contexto de mausoléu.
Esses elementos oferecem aos pesquisadores uma oportunidade de observar como comunidades seljúcidas transformavam crenças religiosas em linguagem visual, especialmente em espaços ligados à memória dos mortos.
Nome do profeta Maomé ajuda a reconstruir uma fase decisiva da história de Ani
A pedra encontrada no cemitério amplia o conjunto de evidências sobre a transformação de Ani após a conquista seljúcida. O nome do profeta Maomé, repetido originalmente seis vezes ao redor da estrela, permanece como um registro material de uma tradição religiosa incorporada à arquitetura medieval.
Ainda serão necessários estudos para definir com maior precisão a função original do fragmento e sua relação com o mausoléu ao qual pode ter pertencido. Para você, o que torna esse achado mais impressionante: a inscrição preservada, a geometria da peça ou o fato de ela ajudar a reconstruir práticas funerárias de séculos atrás? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

