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Pescador de 46 anos trabalha em plataforma flutuante no Pacífico quando suporte da âncora quebra, fica sem motor, vela ou remos e passa 106 dias sendo levado pelas correntes por mais de 3.400 km até ser encontrado a apenas 9 km da costa de Nauru
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 03/09/2026 às 22:57
Atualizado em 03/09/2026 às 22:58
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Macbul Budiman desapareceu nas águas próximas a Biak, na Indonésia, e atravessou milhares de quilômetros do Pacífico em uma plataforma sem meios próprios de propulsão. Os mantimentos duraram cerca de 45 dias e, depois disso, ele passou a pescar para comer e recolher água da chuva até ser localizado próximo a Nauru.
O pescador indonésio Macbul Budiman, de 46 anos, saiu para trabalhar em uma plataforma flutuante tradicional nas águas próximas a Biak, na província de Papua, e acabou vivendo uma situação que se estendeu por mais de três meses. Depois de uma falha no sistema que mantinha a estrutura ancorada, ele foi arrastado pelas correntes do Oceano Pacífico sem ter motor, vela ou remos para controlar a direção.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Indonésia, Macbul percorreu mais de 3.400 quilômetros até ser encontrado pela polícia de Nauru em 14 de junho de 2026, a aproximadamente 4,9 milhas náuticas, ou 9 quilômetros, da costa do pequeno país insular. A chancelaria calcula que ele tenha permanecido 106 dias à deriva.
Macbul é morador da vila de Lansa, no distrito de Wori, região de Minahasa do Norte, na província indonésia de Sulawesi do Norte. Quando foi localizado, a prioridade das autoridades de Nauru foi retirá-lo do mar e encaminhá-lo ao Naoero Medical Centre para avaliar os efeitos físicos e psicológicos de meses de isolamento.
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Paulo Nogueira
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Plataforma perdeu a ancoragem e ficou entregue às correntes do Pacífico
A versão divulgada pela Embaixada da Indonésia em Suva informa que o problema começou no início de março de 2026, quando o suporte da âncora da plataforma se rompeu nas águas de Biak. Sem a estrutura que a mantinha posicionada e sem qualquer sistema de propulsão, a plataforma começou a se afastar levada pelas correntes.
Não havia motor para retornar à costa. A embarcação também não dispunha de vela nem remos, segundo o comunicado oficial da chancelaria indonésia. Isso deixou Macbul praticamente sem capacidade de determinar a rota que seguiria.
O Naoero Medical Centre descreveu a estrutura em que ele trabalhava como uma plataforma flutuante tradicional de pesca. O hospital informou que Macbul, também chamado de Mat, perdeu a orientação enquanto trabalhava nas proximidades de Biak e acabou carregado para o Pacífico aberto.
A distância percorrida ajuda a dimensionar o deslocamento. Quando foi encontrado, ele estava a mais de 3,4 mil quilômetros das águas de Biak, já nas proximidades de Nauru, uma pequena república insular localizada na região da Micronésia.
Mantimentos acabaram após cerca de 45 dias e pescador precisou buscar comida no próprio mar
Os primeiros detalhes oficiais divulgados pela Indonésia não explicavam como Macbul havia conseguido sobreviver por tanto tempo. Posteriormente, o próprio Naoero Medical Centre apresentou informações sobre os meses que ele passou sozinho.
Segundo o hospital, Macbul partiu com uma quantidade limitada de alimentos, suficiente para aproximadamente 45 dias. Quando os mantimentos começaram a terminar, o pescador passou a depender diretamente das habilidades adquiridas no trabalho para continuar vivo.
Ele pescava, preparava os peixes na própria plataforma e recolhia água da chuva para beber, de acordo com o centro médico. Essas duas fontes, pesca e precipitação, passaram a ser fundamentais depois que os suprimentos levados inicialmente se esgotaram.
Não há, nas fontes oficiais consultadas, descrição detalhada da quantidade de água armazenada, dos equipamentos utilizados para pescar ou das condições meteorológicas enfrentadas durante cada etapa da travessia. Por isso, essas informações não podem ser determinadas com segurança.
O relato disponível mostra, porém, que Macbul atravessou grande parte do período sem contato com a família ou com equipes de busca, enquanto a plataforma continuava seguindo a direção imposta pelas correntes.
Polícia de Nauru encontrou plataforma quando Macbul já estava a 9 quilômetros da costa
A travessia terminou em 14 de junho de 2026. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Indonésia, a polícia de Nauru encontrou Macbul a cerca de 4,9 milhas náuticas da linha costeira, equivalentes a aproximadamente 9 quilômetros.
As autoridades o levaram diretamente ao Naoero Medical Centre. No dia seguinte, 15 de junho, o médico indonésio Surendra Prabhawa, que trabalhava no hospital, comunicou o caso à Embaixada da Indonésia em Suva, responsável também pelas relações diplomáticas com Nauru.
A primeira avaliação indicou uma situação incomum depois de tantos meses no oceano. Fisicamente, Macbul estava em boas condições, segundo a comunicação recebida pela embaixada. O aspecto psicológico, entretanto, exigia acompanhamento depois do longo período de isolamento e incerteza.
O hospital informou que uma equipe multidisciplinar avaliou tanto seu estado físico quanto psicológico e ofereceu acompanhamento para ajudá-lo a lidar com as consequências da experiência. O Naoero Medical Centre também trabalhou com representantes indonésios para restabelecer o contato entre Macbul e seus familiares.
Fontes oficiais divergem entre 106 e 120 dias no cálculo do período à deriva
Há uma diferença nos registros divulgados pelas próprias instituições envolvidas no atendimento.
O Ministério das Relações Exteriores da Indonésia informa que Macbul ficou 106 dias à deriva, saiu da região de Biak no início de março e foi encontrado em 14 de junho. Esse é o período adotado oficialmente pela embaixada indonésia em seu comunicado sobre a repatriação.
O Naoero Medical Centre apresenta outra cronologia. O hospital afirma que Macbul foi considerado desaparecido em 25 de fevereiro de 2026 e menciona repetidamente um período de 120 dias no mar.
Reportagens publicadas posteriormente na Indonésia também apresentam números diferentes, incluindo referências a 106 e 116 dias. Como o comunicado da chancelaria especifica tanto a data do resgate, 14 de junho, quanto o período de 106 dias, esse número foi mantido como referência principal para a duração da deriva.
A diferença não altera os pontos documentados pelas duas instituições: Macbul ficou desaparecido por vários meses, percorreu milhares de quilômetros pelo Pacífico e chegou às proximidades de Nauru sem motor, vela ou remos.
Limitação de voos exigiu operação diplomática para retirar pescador de Nauru
O resgate no mar não encerrou o caso. Nauru possui conexões aéreas internacionais limitadas, o que obrigou a Embaixada da Indonésia em Suva a organizar uma operação específica para levar Macbul de volta ao país.
Em 23 de junho, um diplomata sênior e um funcionário consular foram enviados a Nauru. A equipe encontrou representantes do Ministério das Relações Exteriores e Comércio local, acompanhou a situação no hospital, verificou se Macbul tinha condições de viajar e providenciou um documento provisório de viagem equivalente a um passaporte.
A imigração de Nauru autorizou então sua saída. Acompanhado pela equipe diplomática, Macbul chegou a Fiji em 25 de junho.
No dia seguinte, 26 de junho, estava programado para seguir em direção à Indonésia no voo QF 041, passando por Sydney e chegando a Jacarta por volta das 19h no horário local. Reportagens indonésias posteriormente registraram sua chegada ao Aeroporto Internacional Soekarno-Hatta naquela noite.
Depois de meses sem contato, reencontro com a família virou prioridade
Durante a permanência no hospital, uma das tarefas das equipes de Nauru e da representação diplomática foi restabelecer a comunicação com a família. Segundo o Naoero Medical Centre, os parentes estavam havia mais de quatro meses sem contato com Macbul.
Ao chegar a Suva, o pescador disse à embaixada que o pensamento na esposa e nos filhos havia sido uma das referências que manteve durante os meses no oceano. O Ministério das Relações Exteriores registrou sua expectativa de voltar para casa e reencontrá-los.
Depois da chegada a Jacarta, autoridades de Minahasa do Norte participaram do acompanhamento para levá-lo novamente a Sulawesi. O prefeito regional de Minahasa do Norte, Joune Ganda, esteve na capital para recebê-lo antes da etapa seguinte da viagem até Manado e, posteriormente, à vila de Lansa.
O caso terminou a milhares de quilômetros do ponto onde começou. Uma falha no sistema de ancoragem transformou uma plataforma utilizada para pesca em uma estrutura sem controle de direção, carregada por correntes do Pacífico durante meses até chegar às proximidades de uma das menores nações insulares do mundo.
Você acredita que uma plataforma de pesca que trabalha tão distante da costa deveria obrigatoriamente contar com motor de emergência, rádio ou dispositivo de localização por satélite?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

