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Pesquisa brasileira usa modelo 3D do subsolo para localizar terras raras associadas a rejeitos de bauxita na Serra da Mantiqueira

Pesquisa brasileira usa modelo 3D do subsolo para localizar terras raras associadas a rejeitos de bauxita na Serra da Mantiqueira

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Pesquisa brasileira usa modelo 3D do subsolo para localizar terras raras associadas a rejeitos de bauxita na Serra da Mantiqueira

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 03/09/2026 às 09:30

Atualizado em 03/09/2026 às 09:51

Economia

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Uma pesquisa brasileira construiu um modelo 3D do subsolo para localizar estruturas associadas à bauxita e investigar se argilas e rejeitos da Serra da Mantiqueira podem concentrar elementos terras raras.

O trabalho foi liderado pelo Observatório Nacional e publicado no Journal of Applied Geophysics. A área estudada fica no Complexo Alcalino de Passa Quatro, entre Minas Gerais e São Paulo.

A equipe aplicou de forma pioneira na região o método áudio-magnetotelúrico, conhecido como AMT. Ele mede propriedades elétricas do subsolo sem precisar escavar toda a área.

Os dados permitiram construir uma representação tridimensional de resistividade e separar três zonas condutivas, chamadas C1, C2 e C3, além de uma estrutura resistiva.

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Paulo Nogueira

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Segundo o Observatório Nacional, a geofísica não identifica diretamente as terras raras. Ela mostra onde existem materiais e estruturas que merecem investigação geológica, mineralógica e geoquímica.

Essa diferença evita transformar um sinal elétrico em descoberta mineral prematura. O modelo orienta novas amostras e análises, mas ainda não confirma concentração nem viabilidade de extração.

Materiais associados à mineração de bauxita podem se tornar fontes secundárias se análises confirmarem terras raras recuperáveis.

Método AMT lê a resistividade abaixo da superfície

O AMT observa variações naturais dos campos elétrico e magnético. A resposta registrada em várias estações permite calcular como diferentes partes do terreno conduzem corrente.

Argilas com água e íons tendem a apresentar comportamento diferente de rochas mais resistentes. Essa diferença ajuda a delimitar volumes que não aparecem com clareza apenas no mapa de superfície.

A inversão transforma medições em um modelo provável do subsolo. Como qualquer interpretação geofísica, ela precisa ser confrontada com geologia conhecida, amostras e outros métodos.

No Complexo de Passa Quatro, o objetivo foi caracterizar o sistema de bauxitização. O termo descreve processos que alteram rochas e favorecem a formação dos materiais ricos em alumínio.

A composição alcalina original e o intemperismo tropical prolongado podem liberar elementos dos minerais primários. Parte deles pode permanecer adsorvida em minerais argilosos.

As chamadas argilas de adsorção iônica atraem interesse porque podem hospedar terras raras em formas diferentes das encontradas em depósitos de rocha dura.

O estudo coordenado por Adevilson O. Alves, do Observatório Nacional, e Suze Guimarães, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, procura entender essa organização.

A identificação das zonas C1, C2 e C3 oferece alvos para a próxima etapa. Pesquisadores podem concentrar coleta e análises nos setores em que o modelo indica materiais mais condutivos.

Isso reduz a busca às cegas. Em vez de perfurar ou amostrar uniformemente uma área ampla, a equipe usa a física para escolher pontos com justificativa melhor.

Eu vejo aí a principal contribuição imediata: o modelo não promete uma mina nova, mas organiza a pergunta e diminui a incerteza sobre onde investigar.

Levantamento geofísico orienta amostragem e análises posteriores de minerais, argilas e composição química.

Rejeitos de bauxita podem ganhar uma segunda avaliação

A bauxita já possui valor econômico como matéria-prima do alumínio. Durante extração e beneficiamento, porém, materiais sem aproveitamento principal podem ser separados ou descartados.

Se análises confirmarem enriquecimento em elementos terras raras, parte desse material poderá ser estudada como fonte secundária. A hipótese inclui resíduos gerados pela atividade mineral.

Ainda há um caminho longo entre presença e recuperação. É preciso medir teor, distribuição, forma mineralógica e resposta a processos de separação.

Depois vem a conta econômica. Concentração baixa pode ser tecnicamente detectável e ainda assim não pagar energia, reagentes, equipamentos, transporte e tratamento ambiental.

Também será necessário avaliar riscos do processo. Retirar um elemento de um resíduo só faz sentido se a operação não criar volume maior ou material mais difícil de controlar.

A economia circular aparece nesse ponto. Aproveitar algo já extraído reduz a pressão por nova movimentação de rocha, mas não elimina licenciamento nem responsabilidade sobre o rejeito.

Terras raras são usadas em ímãs, eletrônicos e tecnologias energéticas. O nome reúne vários elementos com propriedades próximas, e cada aplicação demanda composição e pureza específicas.

O processamento do modelo tridimensional usou o cluster de alto desempenho do Observatório Nacional. O Pool de Equipamentos Geofísicos do Brasil apoiou a aquisição dos dados.

Essa infraestrutura é parte do resultado. Levantamentos geram grandes conjuntos de medições, e a inversão em três dimensões exige testar muitas combinações até encontrar modelos compatíveis.

A integração entre geofísica, geologia, mineralogia e geoquímica será decisiva. Cada disciplina responde uma parte: estrutura, origem, minerais presentes e teor dos elementos.

O próximo avanço verificável virá de amostras das zonas apontadas. Elas poderão confirmar se a condutividade acompanha argilas e se essas argilas guardam concentrações relevantes.

Além disso, amostras em profundidades diferentes ajudam a verificar continuidade. Um teor encontrado na superfície pode desaparecer poucos metros abaixo ou, ao contrário, marcar um volume maior.

O tamanho e a geometria desse volume influenciam qualquer estudo econômico. Material disperso exige movimentar mais massa para recuperar a mesma quantidade de produto.

A busca por terras raras em rejeitos de bauxita também precisa caracterizar o depósito de resíduos. Origem, idade, granulometria e processos usados pela operação alteram o material disponível.

Em pilhas existentes, registros históricos podem indicar de qual frente veio cada lote. Essa informação ajuda a relacionar assinaturas químicas com zonas mapeadas na rocha original.

No laboratório, técnicas analíticas conseguem medir concentrações pequenas, mas o resultado precisa representar toneladas de material heterogêneo. Plano de amostragem e controle de qualidade tornam-se tão importantes quanto o instrumento.

Até essa confirmação, a pesquisa oferece um mapa de prioridades, não uma reserva mineral. Essa cautela torna o achado mais útil, porque separa evidência medida de possibilidade futura.

Se os testes forem positivos, rejeitos antes tratados apenas como passivo poderão receber avaliação econômica adicional. Se forem negativos, o modelo ainda amplia o conhecimento geológico da Mantiqueira.

Você considera promissor buscar terras raras em materiais que a mineração já removeu? Conte nos comentários.

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Fonte

Observatório Nacional — terras raras em rejeitos de mineração


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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