5 min de leitura
Pesquisadores de Poços de Caldas ganham centro de terras raras financiado em R$ 77,5 milhões pelo BNDES, com planta demonstrativa prevista até 2028
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 10/09/2026 às 05:59
Atualizado em 09/09/2026 às 23:31
Economia
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Engenheiros, pesquisadores e trabalhadores de Poços de Caldas entram no centro de um projeto de R$ 77,5 milhões apoiado pelo BNDES para desenvolver tecnologia de terras raras, com planta demonstrativa prevista para operar até o fim de 2028.
O financiamento leva um projeto mineral brasileiro da bancada de pesquisa para uma escala capaz de testar produção contínua. A Viridis quer instalar o centro tecnológico em Poços de Caldas.
O banco aprovou R$ 77,5 milhões para pesquisa, desenvolvimento e implantação da estrutura. A operação tem prazo de 16 anos e custo financeiro informado em torno de 4,8% ao ano.
Segundo a divulgação sobre a aprovação do BNDES, a unidade demonstrativa integra o projeto Colossus e antecede a futura planta industrial.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Economia
Agricultores e pescadores atingidos pelo rompimento em Mariana já receberam R$ 1,52 bilhão só em transferência de renda, dentro dos R$ 3,35 bilhões que o fundo de reparação repassou desde o desastre de 2015
Os agricultores e pescadores atingidos pelo rompimento da barragem em Mariana já receberam um bilhão e meio de reais só em transferência de renda, dentro dos três bilhões e trezentos…
Paulo Nogueira
0
Os R$ 77,5 milhões financiam uma ponte tecnológica
Uma planta demonstrativa ocupa o espaço entre o laboratório e a indústria. Ela permite repetir o processo em escala maior, medir rendimento e descobrir falhas antes de um investimento industrial mais pesado.
Esse passo é especialmente relevante em terras raras, cadeia que exige separação química precisa. O minério extraído contém elementos misturados, e cada etapa influencia pureza, recuperação e custo final.
O dinheiro não representa produção comercial imediata. Ele financia conhecimento, equipamentos e testes necessários para reduzir o risco técnico da fase seguinte.
O prazo de 16 anos acompanha a maturação do projeto
A duração da linha mostra que o retorno não acontece de uma safra para outra. Pesquisa mineral, engenharia, construção e estabilização operacional consomem anos antes de gerar receita recorrente.
O custo financeiro de aproximadamente 4,8% ao ano também chama atenção. Condições de longo prazo podem viabilizar infraestrutura tecnológica que encontraria crédito mais caro no mercado convencional.
Para o banco, o desafio é apoiar uma cadeia estratégica sem ignorar execução. Para a empresa, é cumprir marcos técnicos e transformar o financiamento em capacidade comprovada.
Poços de Caldas reúne minério e conhecimento técnico
A escolha do município mineiro aproxima o centro das atividades do projeto Colossus. Essa proximidade pode encurtar o caminho entre amostragem, testes metalúrgicos e ajustes do processo.
A região tem história ligada à mineração e formação profissional. Ainda assim, um projeto novo precisa contratar especialidades específicas, desenvolver fornecedores e cumprir as exigências ambientais aplicáveis.
Quem vive em uma cidade mineral sabe que anúncio bilionário e operação diária são coisas diferentes. A atividade só ganha forma quando obras, licenças e equipes aparecem no território.
Terras raras entram em motores, turbinas e eletrônicos
O nome reúne elementos usados em ímãs permanentes, componentes eletrônicos, equipamentos médicos e tecnologias de energia. A demanda cresce com eletrificação, digitalização e expansão de fontes renováveis.
Nem toda aplicação exige o mesmo elemento ou pureza. Por isso, dominar separação e refino pode agregar mais valor do que simplesmente retirar e vender um concentrado mineral.
A etapa química define parte importante da competitividade. Baixa recuperação desperdiça recurso; processo instável encarece operação; produto fora da especificação encontra menos compradores.
A planta industrial tem outro calendário
A construção da unidade industrial está planejada para começar no início de 2027. A expectativa divulgada aponta operação até o fim de 2028, condicionada ao avanço das etapas anteriores.
Esse cronograma não significa que toda a capacidade estará estabilizada na primeira partida. Instalações minerais costumam passar por comissionamento, testes com carga e ajustes até alcançar desempenho regular.
O verbo correto, portanto, é planejar. 2027 marca o início esperado das obras, enquanto 2028 aparece como horizonte operacional, e não como garantia imune a atrasos.
O centro pode formar uma cadeia além da mina
Se a tecnologia funcionar, o efeito pode alcançar laboratórios, empresas de engenharia, fabricantes de reagentes, manutenção e serviços ambientais. Parte desse mercado nasce perto da operação.
A formação de profissionais será outra necessidade. Químicos, metalurgistas, geólogos, operadores e técnicos de automação precisam trabalhar sobre o mesmo fluxo, com metas de segurança e qualidade.
Não há, na divulgação consultada, uma quantidade fechada de empregos para o centro. Qualquer número além do informado exigiria uma confirmação específica da empresa ou do financiador.
Financiamento público aumenta a cobrança por resultados
Uma operação apoiada pelo BNDES precisa entregar os objetivos contratados. O prazo longo facilita o investimento, mas também cria acompanhamento sobre desembolsos, implantação e execução do projeto.
Do ponto de vista industrial, o resultado mais valioso será provar uma rota replicável. Uma demonstração bem-sucedida pode apoiar decisões sobre escala, custo unitário e contratos futuros.
O centro vale pelo conhecimento que consegue converter em produção. Prédios e equipamentos importam, mas a vantagem está em dominar o processo e mantê-lo estável.
A disputa global depende de escala e comprador
Produzir terras raras não encerra a cadeia. A empresa ainda precisa qualificar o material, encontrar compradores e competir com fornecedores que já operam volumes maiores e relações comerciais consolidadas.
Contratos de longo prazo podem reduzir incerteza, enquanto rastreabilidade ambiental pode abrir mercados exigentes. Nenhum desses caminhos elimina a necessidade de um custo industrial competitivo.
O projeto mineiro será observado justamente por combinar recurso geológico e desenvolvimento local de tecnologia. O teste decisivo virá quando a planta demonstrar repetibilidade fora do laboratório.
Até 2028, cada marco precisará sair do cronograma
A aprovação financeira é um avanço mensurável, porém ainda inicial. Engenharia, compra de equipamentos, construção e comissionamento precisam seguir uma sequência para que o prazo operacional faça sentido.
Para Poços de Caldas, o interesse está na qualidade da atividade gerada e na permanência do conhecimento. Para o país, pesa a possibilidade de agregar valor antes da exportação.
A sequência entre demonstração e indústria permitirá comparar custo projetado com custo real. Essa diferença costuma orientar mudanças de engenharia antes da expansão definitiva.
Outra medida será a recuperação de material por tonelada processada. Pequenos ganhos nessa taxa podem melhorar receita e reduzir resíduos em uma operação contínua.
Confesso que resultados técnicos publicados dariam ao mercado uma base melhor para avaliar o projeto. Até lá, financiamento e cronograma permanecem como os marcos confirmados.
E você, acredita que o Brasil conseguirá transformar o investimento de R$ 77,5 milhões em tecnologia própria de terras raras? Diz aí nos comentários.
Tags
Fonte
UOL Economia
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

