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Pesquisadores de Poços de Caldas ganham centro de terras raras financiado em R$ 77,5 milhões pelo BNDES, com planta demonstrativa prevista até 2028

Pesquisadores de Poços de Caldas ganham centro de terras raras financiado em R$ 77,5 milhões pelo BNDES, com planta demonstrativa prevista até 2028

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Pesquisadores de Poços de Caldas ganham centro de terras raras financiado em R$ 77,5 milhões pelo BNDES, com planta demonstrativa prevista até 2028

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 10/09/2026 às 05:59

Atualizado em 09/09/2026 às 23:31

Economia

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Engenheiros, pesquisadores e trabalhadores de Poços de Caldas entram no centro de um projeto de R$ 77,5 milhões apoiado pelo BNDES para desenvolver tecnologia de terras raras, com planta demonstrativa prevista para operar até o fim de 2028.

O financiamento leva um projeto mineral brasileiro da bancada de pesquisa para uma escala capaz de testar produção contínua. A Viridis quer instalar o centro tecnológico em Poços de Caldas.

O banco aprovou R$ 77,5 milhões para pesquisa, desenvolvimento e implantação da estrutura. A operação tem prazo de 16 anos e custo financeiro informado em torno de 4,8% ao ano.

Segundo a divulgação sobre a aprovação do BNDES, a unidade demonstrativa integra o projeto Colossus e antecede a futura planta industrial.

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Os R$ 77,5 milhões financiam uma ponte tecnológica

Uma planta demonstrativa ocupa o espaço entre o laboratório e a indústria. Ela permite repetir o processo em escala maior, medir rendimento e descobrir falhas antes de um investimento industrial mais pesado.

Esse passo é especialmente relevante em terras raras, cadeia que exige separação química precisa. O minério extraído contém elementos misturados, e cada etapa influencia pureza, recuperação e custo final.

O dinheiro não representa produção comercial imediata. Ele financia conhecimento, equipamentos e testes necessários para reduzir o risco técnico da fase seguinte.

O prazo de 16 anos acompanha a maturação do projeto

A duração da linha mostra que o retorno não acontece de uma safra para outra. Pesquisa mineral, engenharia, construção e estabilização operacional consomem anos antes de gerar receita recorrente.

O custo financeiro de aproximadamente 4,8% ao ano também chama atenção. Condições de longo prazo podem viabilizar infraestrutura tecnológica que encontraria crédito mais caro no mercado convencional.

Para o banco, o desafio é apoiar uma cadeia estratégica sem ignorar execução. Para a empresa, é cumprir marcos técnicos e transformar o financiamento em capacidade comprovada.

A planta demonstrativa deve testar o processo mineral antes da escala industrial.

Poços de Caldas reúne minério e conhecimento técnico

A escolha do município mineiro aproxima o centro das atividades do projeto Colossus. Essa proximidade pode encurtar o caminho entre amostragem, testes metalúrgicos e ajustes do processo.

A região tem história ligada à mineração e formação profissional. Ainda assim, um projeto novo precisa contratar especialidades específicas, desenvolver fornecedores e cumprir as exigências ambientais aplicáveis.

Quem vive em uma cidade mineral sabe que anúncio bilionário e operação diária são coisas diferentes. A atividade só ganha forma quando obras, licenças e equipes aparecem no território.

Terras raras entram em motores, turbinas e eletrônicos

O nome reúne elementos usados em ímãs permanentes, componentes eletrônicos, equipamentos médicos e tecnologias de energia. A demanda cresce com eletrificação, digitalização e expansão de fontes renováveis.

Nem toda aplicação exige o mesmo elemento ou pureza. Por isso, dominar separação e refino pode agregar mais valor do que simplesmente retirar e vender um concentrado mineral.

A etapa química define parte importante da competitividade. Baixa recuperação desperdiça recurso; processo instável encarece operação; produto fora da especificação encontra menos compradores.

A planta industrial tem outro calendário

A construção da unidade industrial está planejada para começar no início de 2027. A expectativa divulgada aponta operação até o fim de 2028, condicionada ao avanço das etapas anteriores.

Esse cronograma não significa que toda a capacidade estará estabilizada na primeira partida. Instalações minerais costumam passar por comissionamento, testes com carga e ajustes até alcançar desempenho regular.

O verbo correto, portanto, é planejar. 2027 marca o início esperado das obras, enquanto 2028 aparece como horizonte operacional, e não como garantia imune a atrasos.

Separação e pureza determinam o valor dos materiais de terras raras.

O centro pode formar uma cadeia além da mina

Se a tecnologia funcionar, o efeito pode alcançar laboratórios, empresas de engenharia, fabricantes de reagentes, manutenção e serviços ambientais. Parte desse mercado nasce perto da operação.

A formação de profissionais será outra necessidade. Químicos, metalurgistas, geólogos, operadores e técnicos de automação precisam trabalhar sobre o mesmo fluxo, com metas de segurança e qualidade.

Não há, na divulgação consultada, uma quantidade fechada de empregos para o centro. Qualquer número além do informado exigiria uma confirmação específica da empresa ou do financiador.

Financiamento público aumenta a cobrança por resultados

Uma operação apoiada pelo BNDES precisa entregar os objetivos contratados. O prazo longo facilita o investimento, mas também cria acompanhamento sobre desembolsos, implantação e execução do projeto.

Do ponto de vista industrial, o resultado mais valioso será provar uma rota replicável. Uma demonstração bem-sucedida pode apoiar decisões sobre escala, custo unitário e contratos futuros.

O centro vale pelo conhecimento que consegue converter em produção. Prédios e equipamentos importam, mas a vantagem está em dominar o processo e mantê-lo estável.

A disputa global depende de escala e comprador

Produzir terras raras não encerra a cadeia. A empresa ainda precisa qualificar o material, encontrar compradores e competir com fornecedores que já operam volumes maiores e relações comerciais consolidadas.

Contratos de longo prazo podem reduzir incerteza, enquanto rastreabilidade ambiental pode abrir mercados exigentes. Nenhum desses caminhos elimina a necessidade de um custo industrial competitivo.

O projeto mineiro será observado justamente por combinar recurso geológico e desenvolvimento local de tecnologia. O teste decisivo virá quando a planta demonstrar repetibilidade fora do laboratório.

Até 2028, cada marco precisará sair do cronograma

A aprovação financeira é um avanço mensurável, porém ainda inicial. Engenharia, compra de equipamentos, construção e comissionamento precisam seguir uma sequência para que o prazo operacional faça sentido.

Para Poços de Caldas, o interesse está na qualidade da atividade gerada e na permanência do conhecimento. Para o país, pesa a possibilidade de agregar valor antes da exportação.

A sequência entre demonstração e indústria permitirá comparar custo projetado com custo real. Essa diferença costuma orientar mudanças de engenharia antes da expansão definitiva.

Outra medida será a recuperação de material por tonelada processada. Pequenos ganhos nessa taxa podem melhorar receita e reduzir resíduos em uma operação contínua.

Confesso que resultados técnicos publicados dariam ao mercado uma base melhor para avaliar o projeto. Até lá, financiamento e cronograma permanecem como os marcos confirmados.

E você, acredita que o Brasil conseguirá transformar o investimento de R$ 77,5 milhões em tecnologia própria de terras raras? Diz aí nos comentários.

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Fonte

UOL Economia


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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